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Certificação agrícola: por quê?

Alguém, ou alguma instituição, independente, precisa analisar o processo produtivo e atestar que certos requisitos e regras foram cumpridos

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Artigo escrito por Ciro Antonio Rosolem, vice-presidente de Estudos do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e professor titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu)

Importante parcela da população mundial se preocupa cada vez mais não só com a qualidade dos produtos consumidos, como também como eles foram produzidos. Foi respeitado o ambiente? Trabalho infantil? Foram respeitados os direitos de todos os envolvidos? E ainda outros detalhes. 

Bom, mas não é suficiente que o produtor assegure: meu produto é bom, ou o famoso “la garantia soy yo”. Alguém, ou alguma instituição, independente, precisa analisar o processo produtivo e atestar que certos requisitos e regras foram cumpridos. Isso é certificação de produtos. 

Os consumidores já têm a disposição uma série de produtos brasileiros certificados. Os mais comuns e conhecidos são os produtos orgânicos e biodinâmicos, disponíveis em todo o país. Mas há muitos outros, voltados principalmente para a exportação, uma vez que a preocupação com a rastreabilidade dos produtos, com o bem estar das populações e conservação ambiental é maior nos países desenvolvidos, mais ricos. Dentre outros, são mais conhecidos o Fair Trade e Rainforest Alliance, com maior atuação na área de cafeicultura; o Selo FSC, mais ligado à exploração da madeira e castanhas; UTZ Certified, Ethical Trading Initiative, e outros. 

Em culturas anuais a prática de certificação tem sido menos difundida, mas existem iniciativas, tais como a RTRS (Round table on Responsible Soybean Association),  Algodão Brasileiro Responsável e Soja Plus. Cada programa de certificação tem objetivos específicos, mas em todas, o princípio básico é que a legislação oficial tenha sido obedecida, mas as metas são mais rigorosas que isso. A diferença é que são feitas auditorias para se certificar que as regras foram cumpridas. As preocupações mais comuns são com o ambiente, trabalho infantil e remuneração justa, mas podem ir muito além, como exigir desmatamento zero, mesmo que o produtor possa, de acordo com a legislação, ainda aumentar a área explorada. 

Assim, a certificação procura “vender” uma característica que seja do interesse de um grupo de consumidores, seja um vinho, café madeira, frango, frutas, enfim, qualquer produto. Apesar de não garantir a qualidade alimentar do produto, a certificação garante a qualidade do processo produtivo. Alguns mercados pagam mais por isso. Por exemplo, os orgânicos, cafés gourmet, madeira certificada, vinhos biodinâmicos. Para as chamadas commodities, isso já não é tão comum. É que se consegue facilmente melhor preço por um café certificado, pela madeira, pelo vinho. Mais difícil conseguir isso para a soja, milho, algodão, que são matérias primas. Então porque certificar, por exemplo, a soja ou algodão? 

Embora isso não tenha importância para muitos produtores, a imagem pode ser um fator interessante em algumas negociações. Portanto, a primeira vantagem da certificação seria a construção de uma imagem favorável. Outro fator seria a segurança de gestão. A legislação ambiental, trabalhista, contábil é complicada, mas fazendas certificadas têm uma espécie de “certificado de boa conduta”, pois os programas exigem o cumprimento de toda legislação. 

Mais um fator, bem palpável em algumas situações, seria uma vantagem em financiamentos, principalmente em volume financiável e juros menores. Alguns grandes bancos já estão trabalhando assim. Conquista, ou preferência de mercados é outro fator importante. Alguns países têm optado pelo algodão brasileiro em função da iniciativa Algodão Brasileiro Responsável. E, finalmente, vantagem financeira direta. Embora exista vantagem para produtos como café e madeira, para produtos como soja e algodão esta ainda não é uma generalidade. Consegue-se vantagem financeira em alguns casos, mas o produtor não deve se iludir e certificar sua propriedade pensando nisso, pelo menos não em curto prazo.

Enfim, os consumidores estão cada vez mais exigentes, com estilos de vida mais sustentáveis, e precisam de alguém que lhes assegure que os produtos consumidos estejam de acordo com suas escolhas de vida. Assim surgem os programas de certificação, e as fazendas certificadas. O valor econômico da certificação para produtos como a soja, milho e algodão certamente um dia será reconhecido. Ganhará quem estiver pronto. 

Fonte: Assessoria

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Oferta restrita mantém preços do trigo em alta no mercado interno

Levantamento do Cepea mostra valorização do cereal em junho, impulsionada pela retenção de estoques por produtores.

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Foto: Cleverson Beje

Os preços do trigo em grão continuaram em alta no mercado interno durante a parcial de junho, impulsionados pela oferta restrita no mercado spot. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), produtores que ainda possuem estoques têm adiado as vendas à espera de melhores oportunidades de comercialização, enquanto os moinhos seguem elevando as ofertas para recompor os estoques.

Foto: Luiz Magnante

Levantamento do Cepea, considerando o período até 26 de junho, mostra que o preço médio do trigo no Paraná alcançou R$ 1.371,12 por tonelada, alta de 1,4% em relação a maio. Na comparação com junho de 2025, porém, o valor permanece 13% menor em termos reais, com base no IGP-DI.

No Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.324,79 por tonelada, avanço de 1,9% frente ao mês anterior, mas 6,1% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.508,04 por tonelada, com aumento de 2,8% em relação a maio. Na comparação anual, a cotação recuou 5,6%.

Já em Santa Catarina, o trigo foi negociado, em média, a R$ 1.313,46 por tonelada, alta de 2,1% no comparativo mensal e queda de 14,4% em relação a junho de 2025.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Estoques globais redesenham as perspectivas para o milho

Oferta elevada limita ganhos nas cotações, enquanto exportações e clima seguem no foco do mercado.

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Foto: Shutterstock

O mercado de milho deve permanecer influenciado, no curto prazo, pelo avanço da colheita da segunda safra no Brasil e pelas perspectivas de uma produção elevada nos Estados Unidos. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, esses fatores tendem a manter pressão sobre as cotações, enquanto o comportamento das exportações seguirá sendo um dos principais indicadores acompanhados pelo setor.

Foto: Giuliano De Luca/O Presente Rural

No cenário internacional, a expectativa é de uma safra norte-americana superior a 400 milhões de toneladas, o que mantém o balanço global de oferta e demanda em uma situação considerada confortável. Apesar disso, a consultoria aponta que a menor produção dos Estados Unidos em relação ao ciclo anterior deve contribuir para uma redução dos estoques globais ao longo da safra 2026/27.

Para o mercado brasileiro, a principal atenção está voltada ao avanço da colheita da segunda safra e aos rendimentos das lavouras, especialmente diante dos relatos de perdas provocadas pela seca em áreas do Centro-Sul. O volume final da produção será determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno.

As exportações também seguem no radar. Entre fevereiro e maio, os embarques brasileiros de milho somaram 3,3 milhões de toneladas, volume 29% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Os principais destinos foram Egito, Vietnã e Malásia, impulsionados pela demanda dos países asiáticos.

Foto: Divulgação

Mesmo com o bom desempenho recente, a Consultoria Agro Itaú BBA projeta desaceleração das exportações brasileiras ao longo da safra 2025/26, em razão da maior participação da Argentina no mercado internacional. A estimativa é que o Brasil exporte 40 milhões de toneladas de milho, abaixo das 41,6 milhões de toneladas embarcadas na safra 2024/25.

Outro fator acompanhado pelo mercado é a confirmação do fenômeno El Niño. Segundo a consultoria, a possibilidade de um evento de forte intensidade acende um alerta para a segunda safra de 2027, já que anos com esse padrão climático costumam registrar redução da produção nas principais regiões produtoras do país.

Apesar da pressão de curto prazo provocada pela ampla oferta e pelas condições favoráveis às lavouras norte-americanas, a expectativa de redução dos estoques mundiais pode dar sustentação aos preços em um horizonte mais longo.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Formação internacional reúne executivos de cooperativas do Paraná para discutir liderança e os desafios do agro global

Programa promovido pelo Sescoop passou por Brasil e México, reuniu representantes de 23 cooperativas paranaenses e abordou gestão, geopolítica, tecnologia e estratégias para o futuro do cooperativismo.

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Foto: Divulgação

Representantes de 23 cooperativas paranaenses participaram de uma formação internacional voltada ao desenvolvimento de lideranças e à gestão do cooperativismo, em uma programação realizada em São Paulo, Guadalajara e Cidade do México. Promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), o programa reuniu 30 executivos indicados pelas cooperativas, além de representantes da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e do Sescoop Paraná, para discutir temas como comércio internacional, inovação, geopolítica, governança e os desafios do agronegócio contemporâneo.

Coordenador-geral do Show Rural, o engenheiro-agrônomo Rogério Rizzardi: “A qualidade dos temas abordados e dos professores destacados demonstra a seriedade das instituições comprometidas com o fortalecimento do cooperativismo paranaense e do agro brasileiro” – Foto: Divulgação

Entre os participantes estiveram o gerente de Recursos Humanos da Coopavel, Aguinel Waclawovsky, e o coordenador-geral do Show Rural, o engenheiro-agrônomo Rogério Rizzardi. “Aprimorar e agregar novos conhecimentos à formação profissional é uma grande oportunidade, principalmente em uma época de mudanças em que antigas e novas habilidades são determinantes no exercício da liderança”, afirma Aguinel.

Para Rizzardi, a programação reforçou o compromisso das instituições com o desenvolvimento do cooperativismo. “A qualidade dos temas abordados e dos professores destacados demonstra a seriedade das instituições comprometidas com o fortalecimento do cooperativismo paranaense e do agro brasileiro”, comenta.

Imersão no México

Entre os dias 25 e 29 de maio, os participantes participaram de uma imersão no Ipade Business School, na Cidade do México. Segundo Aguinel, um dos principais aprendizados foi compreender a aplicação do método de casos, modelo de ensino baseado na análise e discussão de situações reais enfrentadas por empresas. “Cada participante analisa múltiplas perspectivas e, por meio do contraste de experiências, critérios e julgamentos, desenvolve uma maneira melhor de liderar”, explica.

Durante essa etapa, foram discutidos temas como agricultura de precisão e inovação no campo mexicano, avaliação de iniciativas de negócios, direção comercial, o ecossistema digital desenvolvido pela Bayer para o setor agrícola mexicano e o processo de expansão do Grupo Britt na América Latina.

Além das atividades na capital mexicana, o grupo esteve em Guadalajara, uma das principais cidades do país. A programação incluiu encontro com representantes da

Foto: Divulgação

Associação Nacional de Fabricantes de Alimentos para Consumo Animal do México (Anfaca), visita às instalações da Bayer e uma reunião com a adida agrícola brasileira no México, a médica-veterinária Luna Lisboa Alves.

Etapa brasileira discutiu comércio internacional e geopolítica

Antes da programação no México, os executivos participaram de dois dias de atividades no ISE Business School, em São Paulo.

Nessa etapa foram debatidos temas como desafios do comércio internacional, tendências macroeconômicas, cadeias agroalimentares, decisões de investimento, impactos da política sobre os investimentos e tendências geopolíticas.

A programação também foi estruturada sobre quatro pilares considerados estratégicos para a gestão das cooperativas: área comercial, ambiente político, política de empresas (governança) e análise de decisões.

Tecnologia precisa gerar resultado para o produtor

Segundo a Coopavel, a experiência internacional permitiu compreender aspectos considerados fundamentais para o cooperativismo e o agronegócio contemporâneo. Entre eles, a necessidade de aproximar estratégia e execução, eliminando a separação entre planejar e agir.

Outro ponto destacado foi que o desenvolvimento tecnológico deve estar alinhado à realidade econômica do produtor rural. Conforme as discussões promovidas durante o programa, a adoção de tecnologias sofisticadas só faz sentido quando há viabilidade econômica para quem está no campo.

Também foram ressaltadas a importância da mudança de mentalidade nas organizações, da integração da cadeia produtiva e do uso de dados e tecnologias com propósito.

Formação amplia visão estratégica

Mesmo com formação acadêmica em liderança, cultura organizacional, preparação para expansão e estruturação de equipes estratégicas, Aguinel afirma que participar de uma imersão internacional desse nível amplia significativamente a capacidade de gestão.

Segundo ele, entre os principais ganhos estão a ampliação da visão estratégica, o amadurecimento na tomada de decisões, uma compreensão mais abrangente do mercado e a construção de uma rede de relacionamentos voltada ao desenvolvimento do cooperativismo e do agronegócio.

Fonte: O Presente Rural
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