Avicultura Alternativa para ração animal
Cereais de inverno são opções para substituir milho na nutrição de aves
Debate durante Dia de Campo da Cooperativa Agroindustrial Lar busca saídas para a escassez de milho usado na dieta de animais.

A Cooperativa Agroindustrial Lar promoveu em janeiro o Dia de Campo 2022. O evento aconteceu na Unidade Tecnológica Lar, localizada ao lado do Centro Administrativo da Cooperativa no município de Medianeira e foi 100% presencial. O encontro contou com a participação de associados, empresas parceiras e demais convidados.
Entre os inúmeros debates realizados sobre temas voltados ao setor produtivo do agronegócio, destaque para a palestra a respeito da “utilização de grãos de inverno em rações para animais como alternativa parcial ao milho em tempos de escassez e risco climático”.
O tema em pauta no evento foi uma previa do programa Paraná Cereais de Inverno e 2ª Safra (PR-CEIN2) idealizado pelo diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Inácio Kroetz, que está sendo desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (SEAB). A iniciativa tem apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e do Sistema Ocepar.
O programa tem o objetivo de desenvolver, difundir e transferir tecnologia visando a substituição parcial ou total do milho na ração animal, mitigar o impacto negativo da sazonalidade da oferta de milho ao mercado, traçar estratégias diante da crescente demanda de milho para a produção de etanol e reduzir custos de produção.
A palestra, seguida de debate, foi ministrada pelo pesquisador voluntário do IDR-PR, doutor Elir de Oliveira, que

Pesquisador voluntário do IDR-PR, Dr. Elir de Oliveira: “A nossa proposta traz benefícios ao plantio direto e consequentemente ao agricultor e uma melhor tolerância ao deficit hídrico pelo acumulo de água no solo que é nosso principal desafio”
destacou o potencial dos cultivares de inverno para diminuir a vulnerabilidade da cadeia de proteína animal com relação a dependência do milho. “Em 2003 já falávamos do triticale para substituir o milho na ração e em 2008 e no ano seguinte houve uma nova crise. Isso mostra que é um problema cíclico e não podemos depender apenas do milho”, ressalta Oliveira.
Um das estratégias do programa é incentivar a produção de cereais de ciclos superprecoces no período entre a colheita da soja e o plantio da cultura subsequente. “É possível fazer isso, afinal, temos cultivares de sorgo que se colhe em 110 dias”, afirma Oliveira.
Entre os principais cereais que podem apresentam bom desempenho e produtividade, o pesquisador destaca o triticale, a aveia granífera, a cevada, trigo, o milheto e o sorgo granífero, que, de acordo com ele, é mais resistente ao déficit hídrico. “Quando o produtor perde a janela ideal do milho safrinha, ele pode entrar com o sorgo superprecoce que colhe 6 mil quilos por hectare”, ressalta.
De acordo com estudos científicos apresentados pelo pesquisador, o triticale apresenta perfil de aminoácidos de teor de proteína bruta 22% superior ao milho, e de até 50% no perfil de aminoácidos.
Segundo Oliveira, 70% das rações em todo o mundo são produzidas com milho devido ao seu grau de energia metabolizável que é incontestável e fundamental, especialmente na dieta de aves e suínos.
O milho corresponde a 3.464 de energia metabolizável por quilo (Kcal/Kg) em relação às aves, no entanto, o sorgo BT, por exemplo, apresenta números semelhantes, com 3.204 Kcal/Kg. “Não há muita diferença, basta o formulador de ração fazer o cálculo para adequar a energia na dieta de acordo com cada espécie”, afirma.
Oliveira comentou também a respeito de uma pesquisa relacionada aos percentuais de substituição do milho na formulação da ração animal. Segundo os dados, o triticale e a aveia sem casca podem substituir em até 75% o milho na dieta de aves de corte e até 100% para poedeiras.
Já o sorgo moído varia de 50 a 100% para frango de corte e 100% para aves de postura. Em todas as situações é importante salientar que os níveis de substituições sugeridos devem ser aferidos por nutricionistas específicos.
Custo de produção
Outro ponto positivo dos cereais de inverno, segundo o pesquisador, é o custo de produção inferior ao milho. Custo esse que é um dos fatores que implicam na flutuação anual dos índices percentuais, ao lado do preço de mercado e das condições climáticas. “O custo de produção do sorgo é de 30 a 40% inferior ao milho”, exemplifica Oliveira.
Faixas de percentagens ajustáveis
O programa sugere faixas de percentagens ajustáveis de alguns cereais de inverno em relação ao valor de mercado do milho que podem variar de acordo com a logística de cada indústria e em comum acordo com o produtor.

Rotação de cultura
Segundo o pesquisador do IDR-PR, uma das premissas do programa é estimular a rotação de cultura com plantas melhoradoras do solo em áreas tradicionais de monoculturas de soja e milho 2ª safra.

Dia de Campo da Cooperativa Agroindustrial Lar no município de Medianeira no Paraná teve foco voltado para o conhecimento e tecnologia
Oliveira aponta a rotação de cultura no Paraná como limitante porque existem poucas opções de cereais de inverno com resultado econômico a ponto de atrair o produtor para o plantio. “O trigo é uma exceção, pois é um produto de segurança nacional que tem que ser estimulado”, comenta.
De acordo com ele, a rotação de cultura é importante para a diversificação biológica do solo e ciclagem de nutrientes. Ele explica que cada sistema reticular de uma espécie de planta produz enzimas diferentes, substâncias que são liberadas que estimulam algum tipo diferente de microrganismos, portanto, “não podemos trabalhar ano após ano com uma ou duas culturas no sistema”, salienta.
Oliveira afirma que o milho safrinha é fundamental para a produção paranaense de proteína, no entanto, ele defende que parte da área plantada seja semeada com uma cultura de inverno e o restante continuar com o milho safrinha, realizando a cada ano a mudança do talhão. “A diversificação agrícola é a estratégia número um para dar segurança econômica ao produtor”, destaca.

Técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná orientam produtores a respeito da produção de cereais de inverno e 2ª safra
Ele cita estudos antigos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (Iapar), de quando se plantava apenas soja e trigo. Segundo os dados, quando era introduzido o milho no lugar da soja durante um período, no ano seguinte a produção de soja aumentava 20%. E hoje, segundo ele, há trabalhos que mostram que a rotação de cultura com cereais de inverno aumenta cerca de 16% a 18% a produtividade seguinte.
O pesquisador apresentou dados da Seab de 2017/18 das áreas de plantio no Paraná onde é possível perceber que existe no estado mais de 2,75 milhões de hectares de áreas de pousio e/ou com plantas de cobertura no inverno, principalmente nas regiões central, sul e sudoeste do estado, onde o milho safrinha tem limitações climáticas. Segundo ele, um dos desafios do programa é incorporar essa área para produzir grãos de alta qualidade. “Nós temos cultivares e tecnologia para isso. É um desperdício para a sociedade, para a cadeia produtiva, e especialmente para o produtor deixar essas áreas em pousio”, afirma.
Viabilidade
Para que o produtor plante os cereais de inverno para serem usados na formulação das rações é necessário que as indústrias garantam a compra da produção mediante contrato. Por outro lado, segundo Oliveira, a indústria precisa ter a segurança de qualidade e escala produtiva dos cereais. “As fábricas de rações precisam se manter conectadas aos produtores, estimulando essas cultivares”, destacou.
Causas
O presidente do Sindiavipar e diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues, destaca o longo período de estiagem e os afeitos disso, associado a outros fatores que atingem as cadeias produtivas do agronegócio na região Oeste do Paraná. “Vivemos um momento totalmente diferente em relação à cultura do milho, frustração de safras e aumento de preços que encarecem o custo de produção”, salienta.

Presidente do Sindiavipar e presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues: “O custo de produção é o grande desafio para esse ano de 2022, pois sabemos que o milho caro será substituído por um milho ainda mais caro” – Foto: Assessoria/Lar
Para Rodrigues, o aumento da demanda pelo milho brasileiro teve início há cerca de 5 anos, e dois pontos contribuem para a escassez do grão, entre eles, destaque para as exportações, estimuladas sobretudo pela alta expressiva do dólar, e mais recentemente em razão da utilização do milho na produção de etanol, principalmente na região Centro-oeste. “O milho dessa região que fazia um caminho natural de escoar pelo Sul não está mais acontecendo nos últimos anos”, afirma.
Segundo Rodrigues, embora a produção de milho no país seja crescente, com recordes todos os anos na safrinha, a safra de verão de 2021 na região sul foi afetada pela cigarrinha e pela falta de chuva. “Estamos com uma produção muito menor do que a do ano passado, ou seja, a safra de verão está caindo ano a ano”, ressalta.
A falta do produto para usar na composição das rações força a vinda do milho de outros países como Paraguai e Argentina, como aconteceu em 2021 e deve se repetir esse ano, encarecendo ainda mais o custo de produção de proteína animal. “Estamos na iminência de ter que trazer milho de outras regiões e de outros países”, expõe Rodrigues.
Apesar das expectativas serem otimistas com a safra de milho que deverá ser implantada nas próximas semanas, o presidente do Sindiavipar ressalta a importância dos cereais de inverno para criar outras opções para minimizar a dependência do milho na dieta dos animais. “Hoje o que substitui o milho é o milho caro, não tem outra opção. Mas se forem o mesmo preço, todos escolherão o milho. Então, para o produtor plantar um cereal de inverno tem que haver uma compensação, senão o programa não se sustenta”, mencionou Rodrigues.
Crescimento
A Lar emprega no Brasil cerca de 23 mil colaboradores em suas diversas unidades de produção distribuídas pelo Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. A cooperativa é uma das maiores processadoras e exportadoras de carne de frango do Brasil, aproximando-se do abate diário de 940 mil aves. De acordo com o presidente da Cooperativa, a projeção é começar aumentar esse número a partir de março deste ano. “É um crescimento expressivo. Raramente uma companhia cresce tanto em dois anos consecutivos e isso se deve a uma expansão horizontal e vertical que estamos realizado na Lar”, destaca.
A cooperativa superou a meta inicial de faturamento em 2021 que era de R$ 13,7 bilhões, e fechou o ano com R$ 15 bilhões. Isso representa um crescimento anual de 53% em 2020 e de 56,7% em 2021. O planejamento até 2030 é que haja investimento anual de R$1 bilhão.

Avicultura
Embarques de carne de frango crescem 5,3% em fevereiro
Alta em receita mensal chega a 8,6%, China reassume liderança nos embarques mensais.

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 493,2 mil toneladas em fevereiro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é o maior já registrado para o mês de fevereiro, superando em 5,3% o total embarcado no mesmo período do ano passado, com 468,4 mil toneladas.
O saldo em dólares também é o maior já registrado para o mês de fevereiro. Ao todo, foram US$ 945,4 milhões, número 8,6% superior ao alcançado no mesmo período do ano passado, com US$ 870,4 milhões.

Foto: Ari Dias
No ano, a alta acumulada chega a 4,5%, com 952,3 mil toneladas embarcadas no primeiro bimestre deste ano, contra 911,4 mil toneladas no mesmo período do ano passado. Em receita, o crescimento comparativo é de 7,2%, com US$ 1,819 bilhão em 2026, contra US$ 1,696 bilhão nos dois primeiros meses de 2025. É o melhor desempenho já registrado no período, tanto em volume quanto em receita.
Considerando os dados por país, a China reassumiu a liderança das exportações de carne de frango. Ao todo, foram 49,4 mil toneladas exportadas em fevereiro, número apenas 0,4% menor em relação ao registrado no segundo mês de 2025. Em seguida estão Emirados Árabes Unidos, com 44 mil toneladas (+13,4%), Japão, com 38,2 mil toneladas (+38%), Arábia Saudita, com 33,8 mil toneladas (+7,3%), África do Sul, com 31,3 mil toneladas (+27,6%), União Europeia, com 30,1 mil toneladas (+46,3%), Filipinas, com 30 mil toneladas (+29,2%), Coreia do Sul, com 18,5 mil toneladas (+2,4%), México, com 15,8 mil toneladas (-24,3%), e Singapura, com 15,4 mil toneladas (+20,1%).
“Vimos em fevereiro a consolidação da retomada dos embarques para a China, nos mesmos patamares anteriormente praticados para este destino, comportamento também observado nas exportações para a União Europeia. Os efeitos comerciais do foco de Influenza Aviária registrado, e já superado, na produção comercial do Brasil, em maio do ano passado, foram superados e devem influenciar positivamente o desempenho das exportações nos próximos meses, acompanhando a alta dos embarques para os principais países importadores. Isso comprova a forte demanda internacional que há pela proteína animal do Brasil. Por outro lado, são grandes os esforços para a construção de alternativas logísticas que mantenham o fluxo para destinos afetados pelo conflito no Golfo do Oriente Médio”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
No levantamento por Estado, o Paraná seguiu na liderança, com 211 mil toneladas exportadas em fevereiro, número 13,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Em seguida estão Santa Catarina, com 104,6 mil toneladas (-1,9%), Rio Grande do Sul, com 61,1 mil toneladas (-12,47%), São Paulo, com 28,8 mil toneladas (+6,4%) e Goiás, com 24,5 mil toneladas (+19,36%).
Novo destino para a carne de frango
Os exportadores de carne de frango celebraram o anúncio do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre a conquista de acesso ao mercado das Ilhas Salomão para exportações do setor brasileiro.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
País com forte dependência de importações de alimentos e demanda crescente por proteína animal, as Ilhas Salomão possuem aproximadamente 830 mil habitantes e apresentam produção doméstica limitada de frango. Dados da Food and Agriculture Organization (FAO) indicam que a oferta interna do produto dobrou ao longo da última década, passando de cerca de 2 mil toneladas em 2010 para aproximadamente 4 mil toneladas, refletindo um setor em expansão, porém ainda dependente de importações para atender à demanda. Em 2024, as importações de carne de frango somaram cerca de US$ 10,8 milhões, com fornecimento concentrado principalmente na Austrália e nos Estados Unidos.
“A abertura deste mercado coloca o Brasil como alternativa sólida na parceria estratégica para o apoio à segurança alimentar deste país, oferecendo proteína de qualidade produzida com elevados padrões sanitários e grande capacidade de abastecimento”, analisa Santin.
Avicultura
Frango e ovos sustentam desempenho da avicultura e reforçam projeções de crescimento para 2026, aponta ABPA
Produção, consumo interno e exportações registraram resultados históricos em 2025, consolidando o ano como um marco para o setor e criando bases sólidas para a expansão da avicultura brasileira.

As cadeias brasileiras de carne de frango e ovos encerraram 2025 com um desempenho histórico, marcado por recordes de produção, consumo interno e exportações. Projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam avanço em praticamente todos os indicadores, consolidando o ano como um marco para o setor e criando bases sólidas para a expansão em 2026.
O resultado ganha ainda mais relevância em um contexto de desafios logísticos e restrições sanitárias pontuais enfrentados ao longo do ano passado. Ainda assim, segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a combinação entre resiliência produtiva e competitividade internacional foi determinante para sustentar o desempenho. “O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional”, enfatizou.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “Fechar o ano com resultados positivos é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global, em compasso com a produção do setor esperada para o ano” – Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Na carne de frango, principal segmento da proteína animal brasileira, a produção chegou a 15,320 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 2,2% em relação a 2024. Para 2026, a entidade projeta novo avanço, com volume podendo alcançar até 15,600 milhões de toneladas, alta de 2%. O movimento reflete tanto a estabilidade do consumo doméstico quanto a manutenção do Brasil como fornecedor relevante no comércio internacional.
As exportações acompanharam o ritmo. Em 2025, os embarques somaram cerca de 5,324 milhões de toneladas, com expectativa de atingir 5,5 milhões de toneladas em 2026. “O crescimento previsto é de 3,4% em 2026, reflexo da demanda internacional aquecida e da competitividade brasileira”, ressaltou Santin.
Apesar do aumento em volume, a receita total das exportações apresentou leve recuo, somando US$ 9,790 bilhões no ano passado, 1,4% abaixo do registrado em 2024. A redução está associada, sobretudo, a ajustes de preços no mercado global.
Do ponto de vista sanitário, 2025 também foi marcado pelo registro de um foco de Influenza aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais, episódio já superado. Para Santin, o fato de o setor ter fechado o ano com números positivos, mesmo diante desse cenário, reforça a robustez da cadeia. “Fechar o ano com resultados positivos é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global, em compasso com a produção do setor esperada para o ano”, disse.
No mapa das exportações, os Emirados Árabes Unidos lideraram como principal destino da carne de frango brasileira em 2025, com importações de 479,9 mil toneladas, crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior. Na sequência vieram Japão, com 402,9 mil toneladas e recuo de 9,1%; Arábia Saudita, com 397,2 mil toneladas e alta de 7,1%; África do Sul, com 336 mil toneladas, crescimento de 3,3%; e Filipinas, com 264,2 mil toneladas, aumento de 12,5%.
De acordo com Santin, o bom desempenho nos Emirados Árabes Unidos reforça o peso estratégico do Oriente Médio para a avicultura brasileira, enquanto a retração no Japão sinaliza desaceleração em um mercado tradicional. Já o crescimento nas Filipinas evidencia a expansão da presença brasileira em regiões com consumo em trajetória ascendente.
Entre os estados exportadores, o Paraná manteve a liderança nacional, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás, confirmando a concentração regional da produção e da logística de exportação.
Mercado interno aquecido

A disponibilidade interna de carne de frango atingiu cerca de 9,980 milhões de toneladas no ano passado, variação de 3,1% em relação ao ano anterior. Para 2026, a projeção aponta para um aumento de 1,2%, podendo chegar a 10,1 milhões de toneladas. “Esse crescimento deve refletir diretamente no aumento do consumo nacional”, frisou Santin.
O consumo per capita acompanhou essa trajetória, subindo de 45,5 quilos por habitante em 2024 para 46,8 quilos em 2025, com expectativa de atingir aproximadamente 47,3 quilos em 2026. “O crescimento do consumo interno reforça a importância da carne de frango como proteína acessível para o consumidor brasileiro, especialmente em cenários econômicos desafiadores”, salientou o presidente da ABPA.
Avicultura de postura
A produção brasileira de ovos atingiu cerca de 62,250 bilhões de unidades em 2025, alta de 7,9% em relação às 57,683 bilhões de unidades produzidas em 2024. Para 2026, a expectativa é de nova expansão, com a produção podendo alcançar até 66,5 bilhões de unidades, aumento de 6,8% sobre o ano anterior. “Estamos vendo um setor que cresce sobre bases sólidas. A modernização das granjas, o avanço tecnológico e a profissionalização do manejo estão impulsionando sua expansão sustentável”, afirmou Santin.
As exportações do setor alcançaram 40.894 mil toneladas em 2025, o que representa um crescimento de 121,4% em relação às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, a expectativa é de novos avanços, com até 45 mil toneladas exportadas, 12,5% a mais que o volume previsto no ano passado.
A receita chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, quando chegou a US$ 39,282 milhões. “O mundo está descobrindo o ovo brasileiro. Temos escala, qualidade sanitária e competitividade. É um mercado que tende a crescer e no qual o Brasil tem vantagem”, exaltou Santin.
Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com o maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas, um salto de 826,7% em relação a 2024. Na sequência, aparecem Japão, com 5.375 toneladas e alta de 229,1%; Chile, com 4.124 toneladas e queda de 40%; México, com 3.195 toneladas, aumento de 495,6%; e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas e crescimento de 31,5%. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, celebrou Santin.
O presidente da ABPA reforça que com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos ao longo deste ano. “Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, avalia Santin.
Entre os 10 maiores consumidores per capita de ovos

Já o consumo per capita saltou para 287 unidades em 2025, alta de 6,7% em relação a 2024, consumo que fez o Brasil entrar no ranking, pela primeira vez, entre os 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo. Para este ano, a projeção aponta para 307 unidades por habitante, número 7% superior ao registrado no ano passado. “O ovo se firmou como uma proteína nutritiva, acessível e presente no prato das famílias brasileiras. Esse reconhecimento se reflete no aumento do consumo ano após ano”, salientou Santin.
Com produção ampliada, exportações mais que dobradas e forte avanço no consumo interno, 2025 se desenha como um ano-chave para a consolidação do setor no Brasil. E, diferentemente de outras cadeias que enfrentam oscilações cíclicas, o segmento de ovos deve continuar crescendo em 2026. “O setor de ovos está preparado para um ciclo prolongado de expansão. Estamos entregando mais, exportando mais e abastecendo melhor o país. A tendência é que 2026 reafirme essa curva de crescimento”, frisou Santin.
A versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.
Avicultura
Seapi reforça inspeção em propriedades próximas ao foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul
Equipes visitam 40 propriedades no entorno da Lagoa da Mangueira para monitorar aves domésticas, orientar produtores e evitar a propagação da doença.

O Serviço de Vigilância Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) está realizando visitas a propriedades com aves domésticas num raio de 10 km do foco de gripe aviária registrado em aves silvestres na Lagoa da Mangueira, em Santa Vitória do Palmar, na Reserva do Taim.
O trabalho começou na quarta-feira (04) e serão 40 propriedades de subsistência em um raio de 10km visitadas. “O objetivo desse trabalho é acompanhar a criação desses animais nas proximidades e identificar rapidamente qualquer suspeita, para evitar que a doença se espalhe. As visitas também servem para orientar os produtores, reforçando a importância de observar sinais da doença nas aves e avisar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial caso percebam algo suspeito. Quanto mais rápida a notificação, maior é a chance de evitar que a doença se espalhe”, declara Grazziane Rigon, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal, do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA) da Seapi.
O raio de 10km foi adotado pela Secretaria, baseado no Plano de Contingência do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para focos em aves comerciais. Para aves silvestres não há determinação. “Estabelecemos a vigilância dentro desse raio como uma forma de precaução”, explica Grazziane.
Ações de educação sanitária estão sendo desenvolvidas também junto às autoridades do município e região e nas lojas agropecuárias. Outra medida adotada foi a vistoria a granjas comerciais na área de abrangência da Supervisão Regional de Pelotas para verificação das medidas de biosseguridade.
Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.
O foco
O foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) foi confirmado na terça-feira (03), em aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba. A notificação de animais mortos ou doentes foi atendida pelo Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS), no dia 28 de fevereiro, e as amostras coletadas foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou a doença.



