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Cenários ajudam a entender melhor hora para comprar ou vender milho

país vive um cenário econômico volátil e incerto, em função dos últimos eventos internos e externos; entender a lógica do mercado de grãos é uma questão de sobrevivência

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As incertezas do mercado internacional e a volatilidade da política brasileira são alguns dos principais fatores que estão contribuindo para que a compra/venda futura de milho esteja estacionada no Brasil. Problema para agroindústrias produtoras de proteína animal e para o produtor. Ambos podem negociar o cereal – ou não – em momento inadequado, comprometendo suas margens de lucro. Riscos externos e internos tornam o mercado do milho nos próximos meses extremamente volátil. Esse foi o tom da palestra que o engenheiro agrônomo e doutor em Economia Aplicada pela Esalq/USP, especialista em agronegócio brasileiro, Alexandre Mendonça de Barros, no seminário sobre a nova dinâmica do mercado de grãos e o desafio da sustentabilidade econômica da suinocultura.

O evento, proposto pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e outras entidades do setor, debateu o cenário desafiador da suinocultura brasileira integrando a programação da PorkExpo 2018, que aconteceu dias 26 e 27 de setembro, em Foz do Iguaçu, PR.

A ação reuniu cerca de 350 participantes, entre suinocultores, especialistas, estudantes e representantes de entidades do setor para discutir o mercado de grãos, importante tema que influencia diretamente nos custos de produção do suinocultor e reflete na sustentabilidade da atividade.

De acordo com Mendonça de Barros, o país vive um cenário econômico volátil e incerto, em função dos últimos eventos internos e externos. E entender a lógica do mercado de grãos é uma questão de sobrevivência. “A suinocultura sofreu inúmeros reverses, primeiro, a alta nos custos de produção ao mesmo tempo em que perdeu um mercado importante, que é a Rússia, até então o nosso maior parceiro comercial. Além disso, os eventos internacionais também influenciaram bastante este cenário, principalmente com a guerra comercial travada entre Estados Unidos e China, que elevou o preço dos grãos brasileiros contra o mercado internacional. Como complicação, nós não sabemos até quando isso vai durar. Aqui no país, nós tivemos o tabelamento de fretes, reprecificou as cargas no Brasil, principalmente dos grãos, fora a incerteza do cenário político. Então, a combinação desses fatores gerou muitas incertezas em relação ao futuro do milho, farelo de soja que, por consequência, redefine o jogo para os suinocultores. Assim, é de vital importância para os suinocultores se atentarem à inteligência do mercado de grãos”, destacou o especialista.

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, pontua a importância de o suinocultor estar sempre atento a informações sobre grãos para ser estratégico em seu planejamento. “Nosso objetivo é sensibilizar da importância de se estar atento ao mercado de grãos, sua influência e impacto na produção suinícola, para que possamos trazer sempre melhores resultados para a nossa cadeia. Para isso, a ABCS investe continuamente na capacitação dos suinocultores”.

Cenários internos

Alexandre Mendonça de Barros abordou em sua apresentação as perspectivas do mercado de grãos e carnes em 2019, que, em sua avaliação, dependem de alguns fatores, especialmente o que ele categoriza como trágica tabela de fretes. Ele alerta para os custos que o agronegócio pode encontrar caso esse tabelamento seja mantido.

“A tabela de fretes está distorcendo a formação de preços no Brasil. O tabelamento do frete é uma aberração. Em algumas regiões, tem ajudado a represar as exportações (de milho). Se não consegue rentabilidade para exportar porque o frete está caro, está dando vantagem para quem é comprador de milho”, avalia. No entanto, para o produtor do grão é um mal negócio. “A greve dos caminhoneiros foi um horror. Com a tabela ficou muito caro transportar, mas mais caro ainda quando a distância é maior que 500 quilômetros”, exemplificou. De acordo com ele, o mercado estima ter R$ 36 bilhões a mais de custo. “Vai encarecer a produção agrícola brasileira”, frisa.

No entanto, com o passar das eleições, o especialista entende que o tabelamento possa ser derrubado. “Espero que a tabela do frete possa cair entre novembro e dezembro. Seria um sonho”, expõe Mendonça de Barros.

De acordo com o palestrante, as eleições brasileiras, no entanto, devem ter o maior impacto sobre os preços das commodities nos próximos meses. Isso porque o resultado das urnas, em sua opinião, vai interferir drasticamente na cotação da moeda americana – palestra feita em setembro e esta edição fechada em 24 de outubro, antes do segundo turno das eleições. “Se (Jair) Bolsonaro foi eleito, o mercado sinaliza que o dólar fica próximo a R$ 3,80. Se (Fernando) Haddad eleito, pode chegar a R$ 5”. “Tudo vai depender do câmbio e sua volatilidade”, amplia.

Índices econômicos

Para Mendonça de Barros, o Brasil goza de um cenário econômico propício para o crescimento. “Temos um cenário de inflação que deve fechar o ano em 4% e manter em 6,5% taxa de juros. É raro na história termos os dois índices baixos. E isso é maravilhoso, é uma oportunidade de crescimento espetacular”, acentuou. “Outro ponto: o Brasil está muito bem nas contas externas, acumulou US$ 380 bilhões em reservas. As empresas brasileiras têm saldo de US$ 50 bilhões (diferença entre o que devem e o que recebem)”, aponta.

No entanto, cita a redução dos gastos públicos como preponderante para o crescimento econômico. “O difícil é resolver o rombo das contas públicas. Esse é o foco. De 2003 a 2013 o Brasil tinha superávit nas contas públicas. No entanto, o Estado foi crescendo, a dívida começou a subir. Em 2014 tinha 3% de déficit. Em 2015 o governo soltou preço da gasolina, a inflação foi a 11%, os bancos puxaram o juro para 14,5%, o déficit ampliou para 5%. Hoje a dívida está chegando a 85% do PIB”.

Aspectos exteriores

De acordo com o palestrante, o mundo tem produzido mais milho, no entanto, tem consumido mais em virtude do aumento da produção de proteína animal. “Primeiro aspecto que precisamos entender é que estamos vindo de safra excepcional. Aliás, nos últimos quatro anos o mundo todo foi bem (produção de milho), o que gerou expansão da oferta. Entretanto, houve muita expansão de carne. Os Estados unidos tiveram a maior produção da história de suínos, bovinos e aves”, aponta. De acordo com ele, “o bom momento econômico americano engatou com um ciclo favorável de produção agrícola nos Estados Unidos”, calibrando o mercado.

De acordo com ele, esse crescimento na produção e consumo vem da política econômica proposta pelo presidente norte-americano. “(Donald) Trump foi eleito prometendo emprego, porque diversas companhias americanas foram para a China. Primeiro ele cortou impostos de grandes companhias (10%), que acabaram tendo maior lucro e voltaram a investir nos EUA. Hoje os Estados unidos estão com 4% de desempregados, o que é muito pouco. O PIB do último trimestre cresceu 4%, o que isso é muito para países desenvolvidos”, mencionou. “Com a economia americana muito forte, com juros mais altos, todo mundo voltou a investir lá”, apontou.

Duas medidas tomadas por Donald Trump, mencionou o palestrante, foram decisivas para a retomada do crescimento. “Limitação de acesso de estrangeiros para tornar a concorrência de trabalho mais acirrada e aumentar o salário das pessoas, limitação das importações, principalmente chinesa”, pontuou. Assim, sugere, “o produtor de carne americano está mais competitivo”.

China tem fome de milho

Se por um lado as super safras foram demandadas pelo aumento da produção de proteína, por outro um dos maiores consumidores do planeta está com escassez do cereal. Pela primeira vez na história, aponta Mendonça de Barros, a China pode importar milho em grandes quantidades de outros países, oportunidade para quem vende o grão e preocupação para quem produz suínos, aves, bovinos, ovos e leite. “Os chineses estão com o menor estoque de milho em uma década. Eles nunca importaram milho, mas em 2019 pode ser que tenham que importar. Então, se o milho americano estiver sobretaxado pela guerra comercial, o mercado vai pagar prêmio para o milho brasileiro”. Ou seja: nesse cenário, o milho vai ficar caro. “É um alerta pra quem compra”, apontou.

Carnes

O especialista em agronegócio também falou sobre as oportunidades que a carne bovina, suína e de aves tem no mercado internacional e seu turbulento cenário. “O Preço do boi está elevando, e isso é bom para a precificação de suínos e aves. Tivemos boas exportações de carne de gado para China e Hong Kong. Há também uma melhora no mercado interno, o que deve sustentar os preços”, destacou.

De acordo com ele, a Rússia, autossuficiente em frango, também deve se tornar independe do mercado suíno de outros países. No entanto, os surtos de Peste Suína Africana no Leste Europeu e Ásia pode ser um fator positivo para a carne suína brasileira. “A PSA pode ser a grande oportunidade brasileira no mercado mundial de carne suína, além de guerra comercial entre Estados Unidos e China”, citou. “É uma oportunidade interessante para compensar o protecionismo russo. Temos que encontrar novos parceiros comerciais que substituam a Rússia”, sugeriu o palestrante.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira

Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

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A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.

O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta

Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.

Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.

Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem

É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.

Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

 

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.

Ajuste fino, não ruptura

A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.

Fonte: Assessoria Biond Agro
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

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Fotos: Shutterstock

O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

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Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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