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Bovinos / Grãos / Máquinas Safra de inverno

Cenário positivo para o trigo é ainda melhor para quem tem grão segregado

Cultivo de trigo melhorador/branqueador segregado, garante maior rentabilidade, aprovação e confiança da indústria moageira. Mas é preciso investir e tratar a cultura mais a sério

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Divulgação/Biotrigo

O cenário está propício para o triticultor. De acordo com a consultoria em agronegócio Cogo, em relatório lançado em maio, a tendência é de alta dos preços internos do trigo, baseada na forte alta do dólar frente ao real e à entressafra no Brasil. A expectativa é que a área dedicada ao cereal nesse inverno seja maior, entre 5 e 10%, com preços que podem ser mais atrativos ao produtor rural. Ainda mais quem planta um cereal “premium”.

Ao contrário de outras culturas, como a soja e o milho, por exemplo, a uniformidade dos lotes de trigo que chegam aos moinhos é um dos critérios mais importantes de análise de qualidade. Não basta que o grão seja fisicamente apto, a entrega de um produto puro e homogêneo é um grande diferencial. Essa é uma das razões pelas quais os projetos de segregação ganham cada vez mais espaço. Além de garantir qualidade na entrega, a identidade preservada beneficia todos os elos da cadeia, do produtor ao consumidor final. Há bons exemplos, como o projeto Trigos Especiais, desenvolvido por uma empresa de genética nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, que nasceu para atender a essas necessidades específicas do mercado.

“Os moinhos querem e pagam por um produto segregado, com identidade, rastreabilidade, qualidade industrial e nenhum outro trigo no mercado tem diferenciais combinados como essa cultivar. Tem alta força de glúten (melhorador); estabilidade alta (acima de 20 min); que produz farinha branqueadora e ainda um desempenho superior na panificação, podendo formar mesclas de farinhas com alta qualidade industrial”, explica o supervisor comercial da Biotrigo e coordenador do projeto Trigos Especiais, Everton Garcia.

Norberto Risson dos Santos, proprietário da corretora Serra Grãos, parceira na comercialização do grão no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e no Paraná, acompanha o projeto desde o começo. “Iniciamos em 2015 e agora 100% da indústria já tem interesse (por esse trigo). Isso porque é um trigo que tem rastreabilidade, o que é essencial. Para a indústria é excelente ter um material com essas especificações para poder melhorar os outros lotes e produzir uma farinha com a qualidade que o mercado exige, além de ser uma opção para substituir trigo importado”, garante.

Bons resultados também no campo

No campo, o desempenho da cultivar também vem agradado os produtores. Jeferson Napoli é médico veterinário e produz trigo em Castro, no Paraná, desde 2016, quando alcançou uma produtividade média de 6.763 kg/ha em um talhão de 23 hectares. Desde então, a cada ano a área semeada só aumentou. “Apresenta um excelente teto produtivo e uma característica importante de ser farinha branqueadora, o que proporciona um ágio de preço no momento da venda”. Para ele, o projeto ajuda a fortalecer a triticultura e a qualidade do trigo nacional. “O produtor não pode mais olhar o trigo como uma cultura de baixo investimento. Precisamos ser cada vez mais profissionais na triticultura”, complementa.

Segundo Everton, a cultivar tem um bom potencial produtivo, o que é um desafio em uma combinação com as características de qualidade. “Exige um bom nível de investimento e monitoramento na lavoura, sendo recomendado para agricultores que estejam dispostos a investir na cultura. Ter um bom rendimento como entrega, e as características tão desejadas pelos moinhos é apenas uma parte do processo. O que faz este movimento ser tão robusto e reconhecido por quem está dentro é o conjunto, desde a segregação até a comercialização. Isso gera tranquilidade para quem planta e para quem compra o grão”, explica.

Qualidade industrial

A grande vantagem para o moinho é receber o material segregado em que se possa realizar testes com garantia total dos resultados finais. É o que explica o gerente do Moinho Rio Azul, de Céu Azul, também no Paraná, Paulo Henrique Zanini. Segundo ele, os trigos de cultivares branqueadoras têm vantagens em certos nichos. Os pães têm uma aparência mais branca e crosta mais crocante e as massas apresentam coloração mais branca e menos amarelada, uma característica exigida pelo mercado. “O grande diferencial é que além de ser uma cultivar branqueadora, é também melhorador, e isso auxilia principalmente na qualidade final do pão, melhorando volume, salto de forno e estabilidade de fermentação”.

Kênia Meneguzzi, supervisora de qualidade industrial da Biotrigo, explica a importância da escolha da cultivar a ser semeada, bem como da recepção e segregação dos lotes colhidos de acordo com a qualidade. “A indústria tem um exigente cliente para atender que somos nós mesmos, consumidores. O planejamento faz toda a diferença em qualquer negócio e na agricultura não é diferente. Precisamos pensar na próxima safra e escolher as melhores cultivares de trigo”, destaca.

Participação por adesão

Já bastante consolidado no Rio Grande do Sul, o projeto ganha um aporte maior também nos estados do Paraná e São Paulo, onde se concentram 50% dos moinhos brasileiros. Everton Garcia explica que é um projeto de exclusividade e por adesão que visa liquidez e remuneração distinta aos produtores. “Entregamos uma tecnologia diferenciada, com credibilidade e que tem a preferência dos moinhos já há alguns anos e, em contrapartida, buscamos a lealdade entre os participantes, o respeito mútuo e o compromisso com a qualidade industrial do produto”, menciona.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição

Os benefícios da inclusão de ácidos graxos essenciais na dieta de bovinos

Inclusão dos ácidos graxos essenciais na dieta dos animais tem sido vista como uma opção promissora e vantajosa para o produtor

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Fotos: Divulgação

 Artigo escrito por Luis Eduardo Ferreira, biomédico, doutor em Biotecnologia e analista de Pesquisa e Desenvolvimento na Premix

A oferta de uma dieta balanceada aos bovinos é fundamental para suprir as necessidades nutricionais do rebanho. Tal condição se torna importante para a manutenção da integridade fisiológica e bioquímica dos animais, além do fortalecimento do sistema imunológico (defesa) do organismo, preservando assim a saúde e o bem-estar de todo o plantel. Por esse motivo, a nutrição é um dos principais fatores para a maximização do desempenho metabólico dos animais, favorecendo não apenas o aumento da produção de leite, carne e acabamento de carcaça no período da engorda, mas também um auxílio ao sistema reprodutivo das matrizes na fase de cria e, principalmente, no crescimento na fase de recria.

Antigamente, a nutrição dos animais era vista de uma forma mais ampla, conduzida de maneira genérica com manejo subsistente e sem importância produtiva. Porém, na atualidade, os avanços nos estudos em zootecnia estão mais direcionados para a manutenção da saúde intestinal, associada a modernas práticas de manejo, contribuindo para uma pecuária mais segura, eficiente e produtiva.

Nesse contexto, os estudos em biotecnologia aplicados à nutrição animal tem possibilitado que este segmento evolua para uma era mais avançada no desenvolvimento de novos ingredientes e suplementos minerais, com melhores taxas de absorção e efeitos biológicos nos animais. Além disso, uma nova geração de aditivos naturais, mais modernos e seguros, está disponível no mercado para oferecer ao pecuarista aumentos nas taxas de produtividade e sustentabilidade. Sendo assim, diversos estudos em Química, Biologia Molecular, Nanotecnologia e outras áreas prometem não apenas enxergar o animal como um todo, mas também tornar o segmento de nutrição ainda mais específico e eficiente, suprindo todas as necessidades fisiológicas, especialmente no nível bioquímico celular.

Na procura por novos ingredientes e aditivos, os ácidos graxos essenciais têm ganhado destaque, estando cada vez mais presentes na composição da dieta dos animais. Sabemos que o nosso organismo, assim como o dos animais, é capaz de sintetizar uma parte das gorduras necessárias para o metabolismo. No entanto, alguns ácidos graxos, embora sejam importantes para o organismo, não são produzidos naturalmente, devendo então ser acrescentados à dieta dos animais.

Em linhas gerais, os ácidos graxos são gorduras obtidas a partir do processamento de matérias-primas naturais, na maioria das vezes de origem vegetal, como são os casos dos óleos de girassol, canola, linhaça, algodão, soja, milho, mamona e castanhas, entre outros. Esses compostos também podem ter origem animal, quando obtidos a partir de peixes e de alguns frutos do mar. Dentre os principais ácidos graxos, podemos citar os ácidos linoleico (ômega-3), linoleico (ômega-6), oleico (ômega-9), palmítico e esteárico, além de muitos outros que integram a constituição biológica dos óleos vegetais e animais citados.

As vantagens da inclusão destes compostos na dieta dos animais têm sido consideradas essenciais, pois geralmente, quando associados a outras gorduras, os ácidos graxos são utilizados para aumentar a densidade energética da dieta e suprir as necessidades nutricionais dos animais em todas as fases produtivas, como cria, recria e engorda. Além disso, a presença dos ácidos graxos pode interferir no equilíbrio da flora microbiana e, assim, manipular a fermentação no rúmem e aumentar as proporções dos ácidos graxos de cadeia curta, produtos resultantes do metabolismo ruminal.

Trabalhos científicos mostram que alguns microrganismos são mais sensíveis à presença dos ácidos graxos como, por exemplo, algumas espécies de bactérias e de protozoários. Por este motivo, diferentes efeitos sobre o metabolismo ruminal podem ser verificados após o fornecimento destes compostos à dieta dos ruminantes. Isso acontece devido ao fato de, no rúmem, os ácidos graxos aderirem à superfície da partícula do alimento, podendo inibir o contato direto das células e enzimas microbianas com o substrato. No entanto, vale ressaltar que nem todas as espécies microbianas no rúmem são sensíveis a essa condição. Ao mesmo tempo, é possível constatar que o crescimento de outras espécies mais relacionadas à digestão de fibras é favorecido.

Algumas hipóteses apontam que os ácidos graxos, quando combinados quimicamente a outros coadjuvantes tecnológicos, podem apresentar ação antimicrobiana e se comportar como um aditivo zootécnico, modulando positivamente a flora ruminal e melhorando as condições da fermentação, permitindo a obtenção de bons resultados no desempenho metabólico dos animais. Estudos já realizados mostram que a ação biológica dos compostos consiste em causar alterações na permeabilidade da membrana celular até destruir, por hidrólise, a parede celular de microrganismos, principalmente os metanogênicos. Nesse sentido, os ácidos graxos podem também reduzir a produção de metano no rúmem e a liberação desse gás para o meio ambiente, minimizando os danos causados pelo aquecimento global.

Outra hipótese, na qual os ácidos graxos inibem a produção de gás metano (CH4) durante a fermentação no rúmem, é viabilizada por meio de um processo chamado de “biohidrogenação”. Sabemos que um dos subprodutos do metabolismo ruminal é o gás hidrogênio (H2), sendo que os microrganismos metanogênicos são responsáveis por metabolizar este subproduto e liberá-lo para o meio ambiente na forma de gás metano. Neste caso, a reação de biohidrogenação se torna importante, pois ao invés do gás H2 ser utilizado na síntese de metano via metanogênese, este será transferido e incorporado à estrutura da molécula do ácido graxo insaturado. Dessa forma, ocorrerá a redução do gás H2 disponível no rúmem para a síntese na forma de gás metano.

No nível bioquímico, os ácidos graxos já citados (ômega-3, ômega-6, e ômega-9) são essenciais, pois também constituem a base precursora para a formação das células responsáveis pela síntese de prostaglandina, tromboxanos e leucotrienos, mantendo a integridade e a fluidez da membrana plasmática de cada uma destas células. A importância deste grupo de células no organismo se verifica por este fazer parte das reações plaquetárias para coagulação sanguínea, reação inflamatória e imunologia, influenciando profundamente nas funções leucocitárias e acelerando o processo das reações de defesa contra diversos patógenos.

Recentemente, alguns trabalhos têm mostrado que a suplementação dessas gorduras na dieta dos animais pode, inclusive, reduzir as infestações por carrapatos (Rhipicephalus ssp). Tais estudos concluíram que os organismos dos animais suplementados com estes compostos foram capazes de inibir a evolução das fêmeas do ectoparasita, mostrando eficácia acima de 50% na redução das contagens de parasitas, comparados com um grupo de controle. Os resultados sugerem que a inclusão desses compostos na dieta dos animais pode fortalecer o sistema imunológico e aumentar os mecanismos naturais de resistência dos animais em relação a estes ectoparasitas. Sendo assim, esta prática tende a se tornar o manejo mais sustentável por reduzir a demanda por aplicação de agentes carrapaticidas nos animais (minimizando riscos de intoxicação por estes agentes químicos) e permitir a evolução da resistência ao longo do tempo.

Uma vantagem adicional conferida pelos ácidos graxos está relacionada ao fato de que estes compostos são considerados seguros e confiáveis. Além disso, estão perfeitamente alinhados às novas tendências de mercado por associarem produtividade, rentabilidade e sustentabilidade à preservação do meio ambiente. Outro fator que incentiva a suplementação da dieta ora proposta é a facilidade de extração desses ácidos a partir de matérias-primas 100% cultivadas em território nacional. Na condição de um recurso renovável extraído da natureza, torna-se autossustentável por ter baixos custos de obtenção e produção, sendo ainda de fácil processamento industrial.

Portanto, considerando-se todos esses aspectos, a inclusão dos ácidos graxos essenciais na dieta dos animais tem sido vista como uma opção promissora e vantajosa para o produtor, deixando a pecuária cada vez mais sustentável e eficiente. Quando combinadas a outras tecnologias, tais como probióticos, prebióticos e outros minerais orgânicos (a exemplo do Fator P), podemos incluir este produto na mesma linha dos novos conceitos de aditivos naturais. De fato, temos visto inúmeras vantagens na aplicação dessas novas tecnologias, tanto na melhoria da saúde e do bem-estar de todo o plantel quanto, em especial, no desempenho produtivo dos animais, com um manejo de baixo investimento, o que tende a ampliar a rentabilidade do pecuarista.

Fonte: Assessoria
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Bovinos / Grãos / Máquinas Mercado

Pandemia aumenta consumo de leite e derivados, mas indústria monitora mercado em possível retração

No campo e na cidade, as pessoas tem se adaptado para sobreviver e conviver com esta pandemia

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A chegada do coronavírus ao Brasil trouxe à necessidade de mudanças de rotinas e hábitos para todo o país. No campo e na cidade, as pessoas tem se adaptado para sobreviver e conviver com esta pandemia. Porém, para alguns elos dos setores, esta realidade ainda não atingiu com tanta força como outros. Na Frimesa, por exemplo, uma das maiores empresas de recebimento de leite do Brasil, a rotina de captação e produção de leite ainda está dentro da normalidade pré-covid. A reportagem foi produzida em meados de maio.

 Segundo o médico veterinário e supervisor de Fomento e Política Leiteira da Frimesa, Eduardo Portugal, na rotina de produção praticamente não houve mudanças. “Mas há a preocupação com os cuidados de saúde, orientados pelo Ministério da Saúde e da Agricultura”, conta. Ele conta que então, seguindo as medidas recomendadas pelos órgãos competentes, a empresa adotou as providências de prevenção para evitar a entrada e proliferação do vírus, as pessoas pertencentes ao grupo de risco estão trabalhando em home office, além de todos que estão trabalhando nas indústrias terem suas temperaturas conferidas antes da entrada do expediente, o uso de máscaras e álcool em gel. “A preocupação dentro da indústria é grande e, eventualmente, se algum funcionário foi para alguma cidade em que há casos de Covid essa pessoa, quando retornar, fica em home office por, pelo menos, 15 dias”, explica.

Já quanto ao recolhimento do leite nas propriedades, Portugal diz que não houve mudanças substanciais, uma vez que o sistema de logística da empresa é enxuto. “Nós acompanhamos de perto a roteirização do trajeto do caminhão. Além disso, o transportador também deve tomar todos os cuidados exigidos, ou seja, usar luvas e máscaras, e evitar contato direto com o produtor, mantendo uma distância adequada”, informa. Agindo dessa forma, ele explica que não houve nenhuma alteração na logística ou captação de leite nas unidades da Frimesa. “Nós estamos acompanhando de perto os horários e a roteirização, além de observar se há algum problema nesse sentido ou não”, conta.

Portugal diz que a indústria também não sentiu nenhuma alteração no quesito custos de produção. “A Frimesa é uma empresa em que suas indústrias contam com um excelente portfólio, então estamos acompanhando o mercado de perto. Assim, se a área comercial solicita alguma mudança no portfólio oferecido aos clientes, rapidamente há um direcionamento do leite captado para aqueles produtos que o mercado está apto a comprar”, informa. Ele diz que, por esse motivo, não houve alterações significativas que tiveram que ser feitas nas indústrias. “Estamos acompanhando o mercado. Inclusive a próprio Embrapa Gado de Leite fez uma pesquisa onde mostra que no meio da pandemia um dos produtos que está na preferência dos consumidores são os lácteos. Isso é já algo esperado, visto que o queijo é o preferido do consumidor, sem falar no leite UHT e doce de leite”, explica.

O leite na pandemia

O profissional esclarece também que o setor ainda está estudando as ações que podem ser tomadas durante a pandemia. “Se o mercado não reage e não agrega valor aos produtos no ponto de venda, logicamente que isso interfere no preço da matéria-prima. Dessa forma, o produtor já está orientado que ele deve primeiro pensar em reduzir o custo, pensar nos desperdícios, porque ele deve fazer a conta e precisa saber os pontos de estrangulamento no sistema de produção e, logicamente, não pode esquecer as informações técnicas que são repassadas”, afirma.

O inverno é outro fator em que o produtor deve ficar atento, especialmente neste período de pandemia. “Não é somente ele tomar cuidado com os custos na propriedade. Hoje estamos passando por um período de estiagem, então quem tinha as pastagens de inverno já teve complicações. Esse é outro fator que pode interferir no aumento ou não da produção de leite no inverno”, declara.

Portugal comenta que é perceptível que o mercado está muito flutuante. “De uma hora para a outra para retornar as aulas, os bares e lanchonetes podem voltar a abrir, e estes são locais que consomem principalmente queijos. E isso vai aumentar a demanda”, menciona. Dessa forma, diz o profissional, em um primeiro momento no início da pandemia, houve até uma grande procura dos consumidores por produtos lácteos nos supermercados, principalmente em razão do medo do desabastecimento. “Mas isso é algo que dificilmente vai acontecer, porque o nosso produtor está preparado para produzir e vai continuar produzindo”, assegura.

O profissional reitera que este é um momento para o setor “apertar o cinto”. “Isso vale para toda a cadeia láctea, porque se o pessoal está se reservando e ficando em casa e com o nível de desemprego aumentando, isso automaticamente vai interferir na baixa do consumo”, explica. Ele comenta que ainda quem está passando por maiores dificuldades neste momento são as pequenas empresas, com portfólios menores. “Conversamos muito com os laticínios e queijarias da região (Oeste do Paraná). Mas, para ter uma ideia nesse momento, até me parece que houve uma reação do queijo no mercado. Então, é um momento para analisarmos o que fazer”, diz. “Acreditamos que a pandemia uma hora vai acabar e nós iremos retomar as nossas atividades. Estamos prontos para atender ao consumidor”, afirma.

Desafios da indústria de lácteos

Portugal destaca as ações que estão sendo tomadas para garantir um leite de melhor qualidade, garantindo agregação de valor ao produto. “É importante salientar o avanço das Instruções Normativas 76 e 77 para o leite, onde houve uma melhora substancial na qualidade do leite, especialmente em relação ao CBT (Contagem Bacteriana Total). Isso mostra que estamos preparados para produzir produtos de ótima qualidade”, confirma. Outro ponto importante é o reconhecimento dos Estados brasileiros como área livre de febre aftosa sem vacinação. “No ano passado aconteceu uma feira de queijos na França e houve indústrias brasileiras que foram premiadas. Isso mostra que nós temos que nos prepararmos para avançar no mercado internacional”, sustenta.

O profissional destacou que é preciso observar que, cada vez mais, o Brasil é o país responsável por alimentar o restante do mundo. “Temos que entender que, independente da pandemia, a Rússia com o mais de 30% do território virando um deserto e a China que está com problemas de contaminação no solo vão precisar de alimentos”, explica. “Nós temos que respeitar toda a parte ambiental e produzir adequadamente, sem agressão ao meio ambiente, entregando alimento de qualidade as exportações e para atender estes países que hoje sentem a necessidade de produtos, principalmente vindos do Brasil”, destaca.

É hora de pensar no futuro

Portugal destacou ainda alguns pontos nos quais a pecuária leiteira brasileira pode melhorar e, assim que a pandemia acabar, se destacar ainda mais no mercado nacional e internacional. “Acho importante salientar que apesar de estarmos aguardando a chancela de área livre de febre aftosa sem vacinação, temos também que nos preocuparmos e ter um maior controle sobre a brucelose e tuberculose. O status sanitário é um assunto muito discutido nos últimos anos e, por isso, temos que repensar os níveis de vacinação que estão acontecendo nas propriedades de leite e os exames anuais de tuberculose”, diz. Ele comenta que a pecuária leiteira ainda tem muito a evoluir. “Talvez podemos começar a pensar em certificação de propriedades, que podem dar opções de alguns produtos com selo, como é muito difundido na Europa. Nós precisamos inovar”, comenta.

Para ele, é preciso também estimular mais o consumo de produtos lácteos do brasileiro. “Hoje está em torno de 260, 270 litros ao ano. Isso também é de fundamental importância, porque se conseguirmos aumentar entre dois e três litros o consumo habitante/ano vai haver a demanda por um aumento na produção de leite, e é exatamente isso que a gente quer”, afirma. “O leite é um produto nobre, talvez um dos mais completos da natureza. Por isso, não podemos perder esse ‘timer’. Houve uma grande evolução na qualidade do leite e eu acho que com isso a indústria pode se preparar para produzir produtos finos e de valor agregado, que com certeza é isso que diversos países do mundo querem adquirir”, argumenta.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia

Cenário exigirá agricultura e agricultores de alta performance

Especialistas convidados para evento digital falam sobre riscos e oportunidades para o agronegócio no cenário atual de pandemia

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O professor e consultor Carlos Cogo abriu o primeiro dia da Feira Digital Jacto Com Você, que aconteceu entre os dias 6 e 7 de maio, com uma palestra apresentando os riscos e oportunidades para o agronegócio no cenário atual de pandemia.

Cogo fez uma análise geral do contexto mundial e as consequências da forte queda dos preços do petróleo, das bolsas globais sofrendo fortes baixas, do dólar em patamares recordes no Brasil, da expectativa de queda do PIB global e quais os impactos desses fatores no país.

Também apresentou dados comparativos da evolução dos preços no mercado externo da soja, milho, arroz, trigo, feijão, algodão, café e açúcar, nos primeiros meses de 2020 e as variações que foram percebidas nos últimos 12 meses.

Entre os setores apontados pelo professor e consultor como os que estão passando por maior adversidade estão o açúcar, etanol, algodão, leite, lácteos, frutas, legumes, verduras e floricultura.

“Esses produtos sofrem com o isolamento social porque atuam com a merenda escolar, diminuição dos movimentos em bares e restaurantes e pessoas estão saindo menos de casa para consumir”, explica.

O mercado de grãos, por outro lado, está com safra recorde e se beneficia do isolamento social mundial, uma vez que o Brasil manteve o trabalho no campo normalizado e será capaz de atender tanto o mercado interno, quanto externo. “Toda logística de escoamento no país foi garantida e os produtores rurais não estão tendo dificuldades em adquirir insumos e depois vender os produtos”.

A mensagem geral da palestra foi de otimismo. De acordo com Cogo, os setores que passam por mais dificuldade agora terão forte recuperação em breve. O mercado de máquinas agrícolas estará aquecido no segundo semestre, já que os produtores estão com alta rentabilidade na venda das commodities e estarão com poder de compra, podendo incentivar a aquisição de novas tecnologias.

“Enquanto vários países e blocos têm tido problemas com distribuição e exportação de alimentos, o Brasil tem exportado em níveis recordes. Nosso país se firma como um país confiável no abastecimento global de alimentos e deveremos sair fortalecidos dessa crise mundial”, finaliza o especialista.

“Assim como praticamente todos os países do mundo, o Brasil deve fechar o ano com queda no PIB entre 5 e 8%. Entretanto, estamos com expectativa de crescer o setor do agronegócio brasileiro em 7% melhor do que 2019. O agro é o motor que vai tirar o país da crise e todos nós que fazemos parte desta cadeia temos a obrigação moral de fazermos o melhor a cada dia. Já superamos muitas outras crises ao longo dos anos e vamos sair fortalecidos de mais essa”, comentou Fernando Gonçalves Neto, diretor presidente da Jacto, que participou da abertura do evento.

Papel da agricultura de alta performance

No segundo dia da Feira Digital, José Luiz Tejon iniciou os trabalhos do dia falando sobre “O papel da agricultura de alta performance em um cenário disruptivo: mudanças, necessidades e oportunidades”.

Tejon comentou sobre o aspecto humano das relações e importância disso em momentos de crise e de superação, como se mostra o atual cenário, fazendo uma analogia entre a agricultura uma Olimpíada, que exige atletas de alto desempenho, sempre em busca de recordes de superação.

“O agricultor é sem dúvida um atleta. Precisa superar marcas, índices, lidar com adversidades, se superar. Hoje estamos numa crise mundial de enfermidade. E mais do que nunca há uma exigência de todos orientados para uma postura de alto desempenho. Com a agricultura não é diferente”, avaliou.

Tejon ponderou também sobre a atitude em tempos de crise, refletindo que estes momentos, em última instância, servem para revelar o caráter das pessoas, empresas, países e líderes.

“Durante o dia de ontem vimos aqui as lideranças da Jacto falarem exatamente de mudanças, de desafios, de crise e das dificuldades. Mas vimos também um trabalho orientado diante de um cenário de dificuldade, mas com ações realistas, como o evento digital como forma de superar o momento em que não pode haver uma feira presencial e o próprio lançamento do aplicativo Connect, que vai estar 24 horas por dia ao lado do produtor”, comentou.

O aplicativo mencionado na fala do especialista é um ecossistema digital que tem por objetivo deixar simples o acesso dos clientes a todos os serviços da empresa, sendo um ponto de contato único.

“Através do aplicativo, nossos clientes poderão, por exemplo, solicitar assistência técnica, tirar dúvidas, acessar informações dos nossos produtos, acompanhar informações de telemetria, acessar treinamentos, entre outras possibilidades”, antecipa Guilherme Panes, gerente de desenvolvimento de negócios.

“Com esta plataforma vamos transformar a experiência dos nossos clientes, facilitando a navegação entre os softwares que já estão disponibilizados. Vamos melhorar o fluxo do atendimento, facilitar a comunicação com os usuários e o acesso deles aos nossos serviços. O cliente compra mais do que uma máquina. Ele compra todo um ecossistema de serviços e soluções digitais que melhoram a sua experiência de uso do equipamento”, reforça Fernando Gonçalves Neto, diretor presidente da Jacto.

Para as máquinas que já contam com o sistema Otmis de agricultura de precisão, o Jacto Connect será capaz disponibilizar informações de telemetria, permitindo que a Jacto faça abertura de chamados quando houver alertas em sua máquina.

Tejon ponderou também sobre a atitude em tempos de crise, refletindo que estes momentos, em última instância, servem para revelar o caráter das pessoas, empresas, países e líderes.

“Numa crise, uma das coisas importante é não ter falsa expectativa. Outra coisa é definir quem vai estar ao nosso lado nesse caminho. Isso vai definir o futuro com maior e melhor probabilidade. Não podemos errar. Hoje as tecnologias digitais da agricultura corrigem o trabalho quando o desvio ocorre e é o que vai levar o nosso produtor a conquistar a condição de alta performance que falamos. Tudo exige um elo, uma estrutura que o cerca também de alta performance. O produtor pós Covid-19 será um profissional de alta performance e precisa de parceiros à sua altura”, completou, afirmando que a agricultura nesse cenário pós-pandemia tem um papel fundamental na saúde: produzir alimentos melhores e de forma sustentável.

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Fonte: O Presente Rural
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