Avicultura
Cenário da avicultura é favorável desde que a produção se alinhe à demanda
Relatório de agosto do Itaú Unibanco também sugere melhor momento para as exportações, mas traz preocupação com excesso de oferta.

Os casos de gripe aviária no país continuam aumentando, somando 106 até 21 de setembro agosto, sendo três em criações de subsistência e os demais em aves silvestres. Apesar de o Japão ter bloqueado o Espírito Santo e Santa Catarina na ocasião da divulgação dos casos, a suspensão foi restringida aos municípios afetados após a visita do Ministro da Agricultura ao país asiático. As informações são do relatório de agosto do Itaú Unibanco, que projeta a cadeia da avicultura para os próximos meses.
Nesta semana, o Japão suspendeu os embarques provenientes da avicultura sul-mato-grossense, após o registro de Influenza Aviária de alta patogenicidade em uma ave de fundo de fundo de quintal. Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informa que apoiará o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil nas tratativas para o restabelecimento das exportações de carne de frango provenientes do Mato Grosso do Sul para o Japão.
De acordo com o relatório, as exportações de carne de frango in natura continuaram fortes em julho (404,6 mil t), alta de 5,6% sobre jul/22 e 7,9% no acumulado do ano. Embora o preço de embarque tenha apresentado recuo de 2,1%, o spread (diferença entre duas taxas de câmbio) de exportação subiu de 74% no mês anterior para 76% em julho, dada a queda do custo de produção. Já na parcial de agosto até a segunda semana, o indicador sugere acomodação em função de um novo recuo no preço.
Por outro lado, apesar do bom escoamento externo, os preços no mercado doméstico seguiram enfraquecidos até o final de julho, com a oferta interna elevada. Porém, no início de agosto, as cotações começaram a reagir, voltando para os R$ 6,5/kg no estado de São Paulo, embora quando comparados com o ano passado, a redução seja de 21%. E com os preços relativamente fracos diante da alta oferta, cita o relatório, a margem da avicultura seguiu contida mesmo com os custos de produção se acomodando. “Estimamos o spread próximo de -1% em agosto na média ponderada dos estados do Paraná e Rio Grande do Sul. Vale destacar que o IBGE indicou que os abates de aves no 2T 23 foram 4,7% maiores sobre o igual trimestre do ano anterior, mas o maior peso médio das carcaças expandiu a produção de carnes em 7,2%”.
Produção e demanda
“Com os custos de ração contidos no Brasil e o risco de uma grande reviravolta na safra americana dissipados, entendemos que o cenário para a avicultura é favorável. Certamente, a preocupação com a gripe aviária seguirá presente, dado que o vírus está circulando entre aves silvestres no país, o que, consequentemente, mantém incerto o que poderá ocorrer em caso de avanço para o sistema de produção comercial”.
Ainda de acordo com o relatório, com o setor e o Ministério da Agricultura juntos no acompanhamento do assunto e os bons resultados obtidos após as negociações com o Japão, é de se esperar ação semelhante de regionalização caso novos bloqueios venham a ocorrer. “Entretanto, enquanto os casos avançam em aves silvestres, o melhor a se fazer é reforçar a biossegurança do sistema”.
Na China, os preços da carne de frango no atacado seguem firmes desde o início do ano. A perspectiva do USDA é de que o país produza 14,3 milhões de toneladas neste ano, igual ao ano anterior, enquanto as importações são previstas em 755 mil toneladas (7,2% acima do ano passado), isso após subirem 8,8% no ano anterior. “Vale destacar que, assim como temos observado, o alívio dos custos pode ser neutralizado pelo excesso de produção, caso o setor siga demasiadamente acelerado. Vemos com bons olhos a perspectiva de exportações para os próximos meses e a possibilidade de os preços do suíno na China continuarem subindo tende a ajudar na sustentação dos preços das demais carnes, além de aumentar a competitividade do produto importado”.
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Avicultura
Queda do frango vivo reduz poder de compra do avicultor paulista
Após quatro meses consecutivos de perdas, produtor consegue adquirir menos milho e farelo de soja, apesar do ritmo recorde das exportações brasileiras.

Os recuos nos preços do frango vivo ao longo de fevereiro devem consolidar o quarto mês consecutivo de perda no poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja, conforme apontam pesquisadores do Cepea.
Até o dia 25, o frango registra o menor patamar real desde maio de 2024, considerando série deflacionada pelo IGP-DI de janeiro de 2026. No mesmo período, os preços médios do milho permanecem praticamente estáveis, enquanto os do farelo de soja apresentam leve alta.
Em São Paulo, a média do frango vivo está em R$ 5,04 por quilo nesta parcial de fevereiro, recuo de 2,1% frente a janeiro. Segundo o Cepea, o ritmo recorde das exportações da proteína brasileira tem ajudado a conter uma desvalorização mais intensa no mercado interno.
Com a atual relação de troca, o produtor paulista consegue adquirir 4,47 quilos de milho com a venda de um quilo de frango, volume 1,9% inferior ao de janeiro. No caso do farelo de soja, a compra possível é de 2,73 quilos por quilo de ave comercializada, queda de 2,6% na mesma comparação.
Avicultura
Ovos sobem mais de 36% e fortalecem relação de troca com milho e soja
Com a venda de uma caixa, produtor passa a adquirir até 147 quilos de milho e mais de 90 quilos de farelo em São Paulo.
Avicultura
Rio Grande do Sul realiza em março 2º Fórum Estadual de Influenza aviária
Encontro vai reunir em Montenegro o setor avícola para discutir prevenção e contingência após registros recentes da doença na Argentina e no Uruguai.

O município gaúcho de Montenegro, no Vale do Caí, vai sediar no dia 17 de março, a partir das 13h30, o 2º Fórum Estadual de Influenza aviária – Prevenção e Contingência. O evento será realizado no Teatro Roberto Atayde Cardona e reunirá lideranças do setor, técnicos e produtores rurais para debater estratégias de biosseguridade e resposta sanitária.
As inscrições para o fórum são gratuitas e podem ser realizadas clicando aqui.
A iniciativa é organizada pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi), em parceria com a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa).
O objetivo é promover a troca de experiências e reforçar protocolos de prevenção diante do cenário sanitário regional. Neste mês, foram confirmados focos da doença em aves comerciais na Argentina e em aves silvestres no Uruguai, o que acendeu o alerta no setor.
De acordo com a médica-veterinária Alessandra Krein, do Programa de Sanidade Avícola do DDA, o momento exige vigilância máxima. “Com os registros recentes nos países vizinhos, o momento se torna propício para a sensibilização máxima do setor avícola. Não podemos aliviar nas medidas de biosseguridade”, afirmou.





