Suínos
Cautelosa, ABCS avalia ano de 2022 da carne suína e projeta 2023 melhor
Apesar dos altos custos de produção persistirem ao longo de 2022, impactado pela menor oferta de milho e farelo de soja e pela alta do dólar, a suinocultura brasileira resistiu e se manteve firme diante das adversidades. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, faz uma análise do setor ao longo de 2022, aponta os principais desafios e oportunidades, bem como se mostra otimista para 2023.

Apesar dos altos custos de produção persistirem ao longo de 2022, impactado pela menor oferta de milho e farelo de soja e pela alta do dólar, a suinocultura brasileira resistiu e se manteve firme diante das adversidades, que os produtores já estão calejados a superar de tempos em tempos. A esperança em dias melhores é o ‘motor’ que impulsiona a cadeia produtiva do Brasil, que desde 2021 amarga margens negativas.
Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, faz uma análise do setor ao longo de 2022, aponta os principais desafios e oportunidades, bem como se mostra otimista para 2023.
Diante de uma crise de oferta elevada sem precedentes no setor, a boa notícia, segundo ele, foi o aumento do consumo per capita de carne suína no Brasil, que deve fechar acima de 19kg. “A carne suína barata ficou muito competitiva não somente em relação à carne bovina, mas também relacionada ao frango. No mercado externo, apesar da redução das exportações para a China, outros mercados asiáticos, como Filipinas e Tailândia aumentaram substancialmente as compras do Brasil. Por outro lado, Canadá e México habilitaram plantas brasileiras para exportação de carne suína, fatos que devem determinar maior pulverização de nossos embarques nos próximos anos, diminuindo a dependência do gigante asiático e mantendo o mercado externo como importante válvula de escape para o crescimento de nossa produção”, avalia Lopes.

Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “Se a previsão de consumo interno se confirmar, foram consumidas mais de um quilo de carne suína por pessoa no ano passado em relação a 2021, enquanto a carne bovina teve redução e a carne de frango se manteve estável” – Foto: Divulgação/ABCS
Com relação ao preço pago ao produtor, o primeiro semestre de 2022 foi marcado por aumento significativo de oferta no mercado doméstico, em função da queda nos volumes exportados e produção ainda em crescimento, o que determinou baixos preços pagos ao produtor e margens negativas na atividade. “No segundo semestre as exportações subiram um pouco e o ritmo de crescimento da produção caiu, determinando, em algumas regiões, margens pequenas, mas positivas aos produtores”, afirma.
Atual cenário
Historicamente o último trimestre do ano apresenta aquecimento na oferta e melhora nos preços pagos ao produtor, no entanto, em 2022 este aumento foi menos marcante, em função de que havia muita carne estocada e os preços já vinham reagindo desde o segundo trimestre.
No mercado externo, segundo Lopes, desde setembro do ano passado os preços médios da carne suína exportada em dólar têm subido, fruto de uma retomada das compras por parte da China. “Esta tendência deve continuar na entrada de 2023. Podemos afirmar que estamos em um momento de certa estabilidade de margens com expectativa de que 2023 seja um ano melhor”, vislumbra.
O primeiro trimestre de 2022 foi muito ruim para os produtores com cotações do quilograma do suíno vivo abaixo de R$ 6 em todas as praças. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), a partir de abril os preços médios foram subindo lentamente, com recuos e avanços até agosto, quando Minas Gerais e São Paulo apresentaram preço médio de R$ 7,48 e R$ 7,31, respectivamente. “As demais praças acompanhadas seguiram mais ou menos a mesma tendência, porém em cotações mais baixas e, no caso dos três estados do Sul, com pico de preço em outubro”, pontua Lopes.
Esta diferença de patamar de preço entre o primeiro e segundo semestre está relacionada com a redução da disponibilidade interna da metade do ano em diante fruto do aumento das exportações neste período e redução do ritmo de crescimento da produção.
No ano de 2021, a média geral de preço ficou em patamar um pouco mais elevado, acima de R$ 6 em todas as praças por quase todos os meses do ano.
Produção de suínos
Conforme o presidente da ABCS, era esperada uma redução no ritmo de crescimento da produção de suínos em 2022, em vista do aumento de 20% ocorrido de 2019 para 2021, fator que determinou a crise iniciada ainda no primeiro semestre daquele ano. “Devemos fechar 2022 com uma produção ao redor de 5,2 milhões de toneladas, algo em torno de 6% de crescimento em relação a 2021”, estima Lopes.
Exportações em 2022
O primeiro semestre de 2022 iniciou com queda significativa dos embarques em relação ao mesmo período de 2021. Porém, o segundo semestre apresentou uma retomada das exportações, sendo que agosto houve recorde de volume de carne suína in natura embarcado em um mês, sendo comercializadas 106,3 mil toneladas. “Devemos fechar 2022 com volumes muito próximos de 2021, mas com receita um pouco abaixo”, prevê.
Para 2023, espera-se um crescimento das exportações ao redor de 4 a 5%.
Analisando o volume acumulado de carne suína in natura exportado de janeiro a novembro de 2022, a China e Hong Kong representam 50% dos embarques, mesmo com redução de 125 mil toneladas em relação ao mesmo período de 2021. Lopes chama a atenção que, no mesmo período, o crescimento das vendas para Filipinas – hoje o terceiro maior destino – foi de 181% (+44,8 mil toneladas) em relação a 2021. Outro país asiático que aumentou sua participação de forma significativa foi a Tailândia, com crescimento de 1.437% (+20 mil toneladas).
Apesar da redução para China e Hong Kong, com uma maior pulverização das vendas para outros destinos, a redução total no período foi de apenas 13,5 mil toneladas (-1,45%) em relação ao ano passado.

Tabela 1. Valor médio mensal do quilograma de carne suína in natura exportado pelo Brasil para a China de janeiro a outubro de 2022, em dólares e reais (pelo câmbio médio de cada mês). Elaborado por Iuri P. Machado, sobre dados da Secex e Cepea.
De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o mês de novembro, até o dia 11, já somava 42.866 mil toneladas exportadas, com média de 5.368 mil toneladas por dia útil, volume diário 45% superior ao de novembro de 2021. O valor da tonelada exportada dentro deste mês, em dólar, esteve no maior patamar do ano, com média de US$ 2.585/tonelada, contra US$ 2.256 em novembro de 2021 e US$ 2.474 em outubro de 2022.
Segundo a Secex, esta tendência de aumento do valor unitário da carne suína in natura exportada nos últimos meses de 2022 tem relação direta com o maior valor pago pela gigante asiática. Em outubro, o valor médio da carne suína exportada à China em dólar foi 21,2% maior que janeiro de 2022 e 15% maior em reais (Tabela 1), alta que pode ser resultante da redução de matrizes que iniciou no segundo semestre de 2021, em função das margens negativas que o suinocultor chinês enfrentou no ano passado.
Consumo per capita da carne suína no país
Há mais de uma década o consumo per capita de carne suína tem aumentado ano a ano, porém, nos últimos três anos o consumo dos brasileiros subiu de forma extraordinária.
Em 2019, antes da pandemia, cada brasileiro consumia 16,5 kg ao ano e em 2022 a expectativa é fechar o ano com algo ao redor de 19,3kg, um crescimento de 17% em apenas três anos. “Se essa previsão se confirmar, foram consumidas mais de um quilo de carne suína por pessoa no ano passado em relação a 2021, enquanto a carne bovina teve redução e a carne de frango se manteve estável”, assinala Lopes, acrescentando: “O mercado interno absorveu o excedente e os elos da cadeia – frigoríficos, atacado e varejo – se mostraram preparados para este crescimento, que é também fruto do longo trabalho desenvolvido pela ABCS nesta última década”.
Para 2023 é esperada uma maior estabilidade ou um pequeno aumento do consumo per capita, a depender de como se comportará o mercado de exportação e o crescimento da produção.
Alimentação animal
Cerca de 80% dos custos de produção nas granjas é com a alimentação dos suínos, que, apesar da estabilidade nas cotações dos principais insumos – milho e o farelo
de soja – se mantiveram em patamares elevados ao longo de todo o ano passado, mesmo com a safra recorde de milho de 113,2 milhões de toneladas. “O clima tem ajudado no plantio da soja e da primeira safra de milho sem alterações significativas nas projeções de produção destes grãos para o ciclo 2022/23, embora o plantio da segunda safra de milho ainda esteja longe”, menciona Lopes.
Outros itens de custo, como vitaminas, aminoácidos e medicamentos, muitos deles atrelados ao dólar, também experimentaram inflação maior, assim como o diesel e a energia elétrica. “Todos estes fatores agravaram ainda mais a crise do setor que, desde 2021, amarga margens negativas”, salienta o presidente da ABCS.
Abate no maior patamar da série
O abate de suínos registrou crescimento de 5% no terceiro trimestre, atingindo o volume de 14,45 milhões de cabeças abatidas. Foram 693 mil cabeças de suínos a mais em relação ao mesmo período de 2021, com a região Sul responsável por 66,6% do abate nacional, conforme demonstra o último relatório da Estatística da Produção Pecuária, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse resultado é considerado o melhor já obtido para os meses de julho, agosto e setembro, atingindo o patamar trimestral mais elevado desde o início da série histórica, em 1997. Em comparação ao segundo trimestre de 2022, a alta foi de 2,4%.
No mesmo período, foram embarcadas 288,55 mil toneladas, o que contribuiu para o escoamento da produção brasileira.
O peso acumulado das carcaças suínas alcançou 1,33 milhão de toneladas no terceiro trimestre de 2022, alta de 4,3% em relação ao mesmo período de 2021 e de 1,8% na comparação com o segundo trimestre de 2022.
Projeções para 2023
Em relação as perspectivas para o ano que se inicia, Lopes diz que o atual cenário da suinocultura é de muitas incertezas, tanto para a economia brasileira, quanto para a economia mundial. Entretanto, há expectativas positivas a médio prazo, entre as quais cita a possibilidade de uma supersafra de grãos no Brasil, estimada em 312,2 milhões de toneladas, mas que ainda depende do clima até o segundo trimestre deste ano para se confirmar as previsões.
Por outro lado, a situação complicada da Ucrânia, país grande exportador de grãos, pode aumentar a demanda externa pelo milho e pela soja nacional, pressionando os custos da produção de suínos.
Desde agosto de 2022, as exportações de carne suína vêm dando sinais de aumento da demanda externa, o que deve ajudar a enxugar o mercado pelo menos no primeiro semestre de 2023. O que, aliado a um esperado menor crescimento da produção, deve determinar um melhor ajuste entre a oferta e a demanda doméstica, resultando em margens positivas para os produtores, avalia o presidente da ABCS.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Anuário do Agronegócio Brasileiro.

Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.
Suínos
Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores
Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.
A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”
Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.
A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.
Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.
Recomeço em outro país
Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.
O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”
A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.
A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.
Escola, trabalho e novas oportunidades
Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.
A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida
Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.
Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.
A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.
Reconhecimento e qualidade de vida
Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.
A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.
O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.
Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.
Integração além da porteira
Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.
Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.
O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.
Planos para ficar
Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.
Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.
Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
Suínos
Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.







