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Cartilha que promove boas práticas para produção integrada de soja e mel é lançada

Publicação do Senar, Embrapa e BASF reúne boas práticas para fortalecer a convivência entre agricultores e apicultores, ampliando a produtividade de soja e mel de forma sustentável.

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Foto: Antonio Neto/arquivo Embrapa

A cartilha Boas Práticas para Integração entre Apicultura e Sojicultura, iniciativa realizada em parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a Embrapa e a BASF Soluções para Agricultura, está sendo lançada neste dia 26 de agosto. O documento que é um guia de instruções para auxiliar na integração entre as atividades agrícolas e apícolas, ou seja, a produção de soja e de mel, já está disponível no site do Senar.

A publicação é principalmente direcionada aos agricultores, apicultores e aos profissionais do setor agropecuário e é resultado de um projeto conjunto conduzido pela Embrapa, BASF e Senar durante três safras (2022/2023, 2023/2024 e a 2024/2025), no Paraná, em Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul. Durante esse período, técnicos e especialistas trabalharam na validação de um protocolo de boas práticas apícolas e agrícolas visando a coexistência harmônica entre as abelhas e a cultura da soja.

Os resultados do processo de validação são a base da cartilha, que traz um conjunto de boas práticas em campo para a produção de soja e apicultura, por meio do manejo de apiários colocados próximos às lavouras de soja e comunicação efetiva entre os apicultores e sojicultores. “Essa cartilha representa mais um passo importante no avanço do conhecimento e na transferência de tecnologias para o setor produtivo ao reunir informações qualificadas para auxiliar na tomada de decisão a campo. Essa cartilha foi elaborada para apoiar os técnicos que atuam junto aos produtores a terem mais segurança ao seguir as técnicas recomendadas pelo Manejo Integrado de Pragas. Somado a isso, a cartilha traz diretrizes para a comunicação desses técnicos e dos sojicultores com os apicultores que atuam próximos às lavouras de soja”, diz Carina Rufino, Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja.

Foto: ANeto/Arquivo Embrapa

A cartilha orienta que sojicultores e apicultores que desenvolvam suas atividades em áreas contíguas mantenham um diálogo permanente das ações realizadas nas lavouras e nos apiários. “Com isso, um conhecerá as atividades do outro, evitando surpresas ou mal-entendidos. O diálogo entre as partes deve envolver, tanto o sistema de produção utilizado pelo agricultor quanto o manejo das abelhas usado pelo apicultor, especialmente quando uma dessas ações impacta a outra”, explica o pesquisador Décio Gazzoni, da Embrapa Soja.

A BASF Soluções para Agricultura, uma das idealizadoras do projeto de convivência harmônica entre a sojicultura e a apicultura no Brasil, tem como estratégia de negócio amplificar ainda mais as iniciativas que tenham um impacto positivo para agricultores, meio ambiente e comunidade. Este projeto, em colaboração com Embrapa e Senar, reforça a importância dos protocolos de boas práticas para proteger polinizadores nas lavouras de soja, ao mesmo tempo que contribui com a produtividade deste grão e de mel. A empresa atua há muitos anos em pesquisa, capacitação e colaboração com agricultores e instituições para contribuir com o legado da atividade agrícola, conectando inovação, clientes e sociedade.

“Acreditamos na colaboração entre os elos da cadeia para superar os desafios da produção agrícola. Ao ampliar nosso engajamento com a sociedade, a comunidade rural e parceiros, estamos ajudando a alimentar o mundo e a criar um legado duradouro. A preservação da atividade de polinizadores como as abelhas em áreas agrícolas contribui fundamentalmente para a produção sustentável de alimentos”, afirma José Eduardo Moraes, diretor de Regulamentação e Stewardship da BASF Soluções para Agricultura na América Latina.

Moraes destaca ainda que a parceria entre BASF, Embrapa Soja e Senar é um exemplo de como a colaboração entre o setor público e privado pode acelerar esses avanços. “Parcerias como essa são estratégicas para aliar segurança alimentar com sustentabilidade e produtividade”, completa. A cartilha, que compõe a Coleção Senar, será usada como material de apoio nos cursos oferecidos a agricultores e apicultores.  As cartilhas da Coleção Senar estão disponíveis em formato digital para download gratuito no site e também no aplicativo Senar Play , disponível nas lojas Google e Apple.

Vantagens na relação soja e abelhas

Estudos da Embrapa indicam que a produtividade da soja pode ser, em média, 13% maior na presença de abelhas no entorno da lavoura. “Em alguns casos, obteve-se até 18% mais de produtividade”, afirma Gazzoni. Além da melhoria na produção de soja, o pesquisador aponta também vantagens para a apicultura. “A média de produtividade de uma colmeia de abelhas, no Brasil, é inferior a 20 kg/ano. Porém, apicultores que migraram seus apiários para as proximidades de lavouras de soja mencionam colheitas duas ou três vezes superiores a esta quantidade, apenas durante o período de floração da soja”, relata Gazzoni.

Foto: IDR PR

Para o pesquisador, a adoção de boas práticas agrícolas evita ainda a ocorrência de efeitos adversos das tecnologias utilizadas no sistema de produção de soja – incluindo as aplicações de defensivos agrícolas – sobre as abelhas. “Como as abelhas constituem um indicador de saúde ambiental, estimamos que o efeito positivo se amplie para o conjunto da biodiversidade que circunda as áreas de agricultura, como as matas e outras formações de espécies silvestres, e os cursos de água”, destaca Gazzoni. “O aspecto mais sensível para uma integração harmônica entre essas atividades é a correta aplicação de medidas fitossanitárias, por isso, abordamos muito essa temática na cartilha”, explica Gazzoni.

Neste sentido, o pesquisador considera que a adoção dos programas de manejo de pragas e de tecnologia de aplicação são prioritários para controlar adequadamente as pragas, sem efeitos colaterais sobre a biodiversidade. “A partir do acompanhamento dos casos bem-sucedidos, de colocação de apiários próximos as áreas de produção de soja, concluímos que a convivência harmônica entre as duas atividades exige a observância rigorosa das boas práticas agrícolas e apícolas, bem como o estabelecimento de uma comunicação permanente e transparente entre as partes”, diz o pesquisador.

Valoração do serviço ecossistêmico

A polinização é um serviço ecossistêmico responsável pela reprodução e variabilidade genética de populações de plantas, assim como é essencial para o fornecimento de frutos, sementes e mel. A cartilha aponta as abelhas como os insetos polinizadores mais importantes na produção de alimentos em escala global, uma vez que as abelhas polinizam cerca de 90% das plantas com flores. “A soja não é considerada uma planta melífera clássica, porém, nossos estudos demonstram que as abelhas forrageiam nas lavouras de soja, especialmente para coleta de néctar”, explica Gazzoni.

O valor anual da polinização para a produção de alimentos é estimado entre US$ 235 bilhões e US$ 577 bilhões, globalmente, sendo que no Brasil as estimativas são de US$ 12 bilhões. Os números da valoração econômica do serviço ecossistêmico de polinização estão no Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimento no Brasil, lançado em 2019, pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e pela Rede Brasileira de Interações Planta Polinizador.

Fonte: Assessoria Embrapa Soja

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França

Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

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Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen: "Quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória" - Foto: Divulgação/Comissão Europeia

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.

Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.

A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.

A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik

ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.

Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.

Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.

No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.

Fonte: O Presente Rural
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio

Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

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O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação

Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.

No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.

União Europeia

Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.

Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik

Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.

Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.

Salvaguardas

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.

Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação

Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”

Sobre o acordo

Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.

O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília

Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

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O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

Foto: Divulgação

De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.

A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.

Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.

Fonte: O Presente Rural
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