Peixes No IFC Amazônia
Carta de Belém propõe aquicultura e pesca como vetores de desenvolvimento sustentável na Amazônia
Documento será levado à COP30 com propostas para integrar a produção de pescado à economia de baixo carbono, com justiça social e valorização das comunidades locais.

A Carta de Belém, documento elaborado e assinado por mais de 30 entidades do setor de pescados, incluindo pescadores, aquicultores, pesquisadores, cooperativas, empresas e outras organizações, foi lançada durante o 2º International Fish Congress & Fish Expo Amazônia (IFC Amazônia), realizado em meados de abril em Belém do Pará.

Presidente do IFC Amazônia, Altemir Gregolin: “A aquicultura e a pesca bem gerenciada podem alimentar milhões de pessoas sem derrubar uma árvore”
O evento reuniu cerca de 6,6 mil participantes e resultou em um conjunto de propostas urgentes para transformar a aquicultura e a pesca em pilares da economia de baixo carbono na Amazônia. O texto será entregue oficialmente aos líderes globais durante a COP30, marcada para novembro de 2025, em Belém, primeira vez que a conferência climática da ONU ocorre no coração da floresta tropical.
Aquicultura e pesca: alimento, renda e floresta em pé
A Carta destaca que a produção de pescado na Amazônia emite 10 vezes menos gases de efeito estufa que a pecuária e tem potencial para se tornar a principal fonte de proteína animal sustentável do planeta.
Com 30 milhões de habitantes na região, a atividade aquícola é apontada como uma alternativa altamente viável para combinar segurança alimentar, geração de emprego e preservação dos ecossistemas. “A Amazônia não é só carbono: é água, biodiversidade e gente. A aquicultura e a pesca bem gerenciada podem alimentar milhões de pessoas sem derrubar uma árvore”, afirmou Altemir Gregolin, presidente do IFC Amazônia, enfatizando: “Mas isso exige políticas e ações estruturantes de governos, agências de fomento e investidores para impulsionar o desenvolvimento do conjunto da cadeia produtiva e valorizar a população e comunidades quem vivem da floresta”.
Propostas-chave da Carta de Belém
O documento lista medidas concretas para integrar a agenda climática à economia real, incluindo:
1. Inclusão da aquicultura e pesca no Fundo Clima como atividade de baixo carbono: O texto destaca que isso permitiria o acesso a crédito com condições diferenciadas como taxas de juros mais baixas e prazos mais longos e criaria condições de investimentos robustos na atividade.
2. Tecnologia e infraestrutura verde: Criação de hubs de inovação em bioeconomia aquática e logística fluvial com energia solar para escoamento da produção.
3. Certificação e mercado global: Criação da marca Pescado da Amazônia com critérios de qualidade, rastreabilidade e créditos de carbono articulados à comercialização.
4. Direitos territoriais: Titulação coletiva de áreas de pesca tradicional para combater grilagem e garantir soberania alimentar a comunidades ribeirinhas e indígenas.
5. Equidade de gênero: inclusão de mulheres em programas de capacitação e acesso a crédito para aquicultura familiar.
COP30: Amazônia no centro do debate climático
A escolha de Belém como sede da COP30 simboliza o reconhecimento global da Amazônia como ativo estratégico para frear o aquecimento global. A Carta de Belém reforça que proteger a floresta exige investir em quem nela vive: “Não há neutralidade climática sem justiça social. Queremos que a COP30 escute as vozes dos pescadores e aquicultores, não apenas de governos e corporações”, destaca Gregolin.
Dados que sustentam a urgência
– O Brasil produz 2 milhões de toneladas de pescado ao ano, mas ocupa apenas o 13º lugar no ranking mundial;
– A aquicultura amazônica tem potencial para expandir em muito sua produção e transformar-se em um grande polo mundial de pescado;
– Os investimentos fundamentados em um plano estratégico alavancará rapidamente o processo de
crescimento do setor.
Próximos passos
A Carta de Belém será entregue aos organizadores da COP 30, a autoridades brasileiras e internacionais com demandas claras: incluir a pesca e aquicultura nos planos de desenvolvimento dos governos e agências de fomento da Amazônia; destinar recursos do Fundo Clima para a cadeia aquícola e pesca. O documento também pressiona por uma governança global que reconheça a aquicultura e pesca como atividade estratégica para o cumprimento das metas climáticas do Acordo de Paris.
Assinado por mais de 30 entidades, incluindo cooperativas de pescadores, associações de aquicultores, institutos de pesquisa e organizações empresariais, a Carta de Belém representa um chamado unificado para transformar a Amazônia em um modelo de desenvolvimento sustentável baseado em sua biodiversidade e nas comunidades que a preservam.
Realização, patrocínio e apoio
A 2ª edição do IFC Amazônia é realizada simultaneamente com o Congresso Brasileiro de Engenharia de Pesca (CONBEP). A Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-Graduação (Fundep) é co-realizadora do evento.
O IFC Amazônia conta com o patrocínio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Governo do Estado do Pará; Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (SEDAP); Banco da Amazônia, Banpará (Banco do Estado do Pará), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Caixa Econômica Federal, Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e Governo Federal.
O evento é realizado ainda com o apoio institucional da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (ABIPESCA); Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR); Sistema FAEPA/Senar; Federação dos Pescadores do Pará (FEPA) e Sindicato das Indústrias de Pesca dos Estados do Pará e Amapá (SINPESCA).

Peixes
Quaresma de 2026 terá tilápia mais barata para os paranaenses, aponta Deral
Principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025.

O início da Quaresma em 2026 tem uma boa notícia para os consumidores paranaenses. Segundo a pesquisa de preços do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, divulgada no boletim semanal, o principal produto da piscicultura paranaense, a tilápia, apresentou uma redução de 5% no preço do filé no varejo em relação a janeiro de 2025. Dados do IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçam essa tendência apontando uma queda de cerca de 12%. O movimento de preços favorece o aumento das vendas em supermercados e peixarias no momento de pico de procura por peixes.

Fotos: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
O Paraná é um dos principais polos pesqueiros do País justamente pela liderança na produção e exportação de tilápia, uma das espécies mais procuradas pelos consumidores. Em 2024, o Estado alcançou produção de 250 mil toneladas, alta de 17% em comparação com 213 mil toneladas no ano anterior.
No setor de ovos, que acompanha a tradicional migração do consumo de carnes vermelhas para proteínas alternativas, houve aumento no valor de comercialização em Curitiba, impulsionados pela volta às aulas e pela queda sazonal na produção nacional. Esse movimento é explicado pela combinação da demanda aquecida pelas compras institucionais para merenda escolar e pelo período religioso, que se estende até o início de abril.
“Mas apesar da elevação recente, o preço dos ovos não deve alcançar os mesmos patamares observados em 2025. Para as próximas semanas, a expectativa é de estabilidade, movimento que deve permanecer até o encerramento da Quaresma”, diz a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Cavalheiro Marcenovicz. O boletim do Deral aponta que o valor atual ainda é 22,4% inferior ao registrado em 2025.
Peixes
Setor de piscicultura se prepara para Aquishow Brasil 2026
Evento apresenta tecnologias, debates técnicos e premiações para impulsionar a produção de tilápia no Triângulo Mineiro.

A Aquishow Brasil, o maior evento da aquicultura nacional, será realizada mais uma vez em Uberlândia (MG), entre 9 e 11 de junho de 2026, no Castelli Master. O objetivo é avançar nas conquistas já realizadas e contribuir ainda mais para o crescimento da piscicultura em Minas Gerais, que já é uma das mais fortes do Brasil.
Para isso, o evento está maior, com discussões técnicas e completas e conta com a presença de mais de 100 empresas dos vários segmentos da cadeia da produção de peixes de cultivo – especialmente de tilápia.
“A Aquishow Brasil é o maior evento do setor e tem uma missão estratégica: contribuir para o fortalecimento da atividade no país, especialmente em regiões de alto potencial. O Triângulo Mineiro pode se tornar ainda mais relevante na produção de tilápia e estar em Uberlândia pelo segundo ano nos possibilita ajudar nesse processo”, diz Marilsa Patrício, diretora da Aquishow Brasil e secretária executiva da Peixe SP – Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União.
A expectativa da Aquishow Brasil 2026 é receber 7 mil visitantes de todas as partes do país e do exterior. A edição de 2025 atraiu participantes mais de 20 países – especialmente da América Latina. No ano passado, o evento movimentou R$ 115 milhões e o objetivo para 2026 é crescer pelo menos 10%.
A Aquishow reúne todos os elos da cadeia produtiva da aquicultura brasileira e apresenta as mais modernas tecnologias em genética, insumos, equipamentos, serviços e produtos. Uma completa agenda de apresentações técnicas contribui para atualizar os produtores e apresentar novas tecnologias.
Destaque também às premiações especiais para reconhecer quem contribui para o contínuo crescimento da aquicultura, como o Prêmio Inovação Aquícola e o Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura – Aline Brun e Geraldo Bernardino.
Mais informações clique aqui e e-mail peixesp@peixesp.com.br. Organização (17 99616-6638 e 17 98137-8657), Departamento Comercial (Eder Benício, 11 97146-9797)
Peixes
Com tilápia à frente, setor de pescado projeta crescimento de 30% na Semana Santa
Setor projeta aumento da demanda sem pressão sobre preços, com estoques reforçados e logística organizada.

As vendas de pescado no Brasil devem crescer cerca de 30% durante a Semana Santa de 2026, segundo estimativas do setor. A expectativa é de aumento na procura sem impacto relevante nos preços ao consumidor, diante de estoques reforçados e organização antecipada da distribuição.

Foto: Divulgação/OPR
De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, as empresas iniciaram o ano com contratos já firmados e ajustes operacionais que garantem maior eficiência. A previsão é de manutenção dos preços e, em alguns segmentos, possibilidade de leve redução em comparação com anos anteriores.
A tilápia segue como principal espécie da piscicultura nacional, respondendo por mais de 65% da produção de cultivo no país. Em 2024, o volume produzido chegou a 662.230 toneladas, alta de 14,36% em relação ao ano anterior. O consumo médio no Brasil é de 4 quilos por habitante ao ano, com crescimento médio de 10,3% ao ano na última década.
No comércio exterior, o Brasil registrou aumento de 2% nas exportações em 2025, mesmo diante de barreiras tarifárias nos Estados Unidos e da concorrência do Vietnã. O Canadá passou a figurar como novo destino para o pescado brasileiro.



