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Carne suína: SC será o grande fornecedor do Japão

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O Brasil é o maior fornecedor da carne de frango importada pelo Japão. Agora, Santa Catarina (único Estado livre de febre aftosa sem vacinação no país) quer exercer papel semelhante no fornecimento de carne suína ao mercado japonês. Essa possibilidade será sustentada pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne), Clever Pirola Ávila, na segunda-feira (dia 10), às 10 horas da manhã, na sede da Fiesc, em Florianópolis, durante o painel sobre a carne suína catarinense e o mercado japonês.

O painel reunirá, além do Sindicarne e da Federação das Indústrias, o embaixador do Japão, o governador Raimundo Colombo e o presidente da Federação da Agricultura de SC (Faesc), José Zeferino Pedrozo, para tratar dos impactos da abertura do mercado de carne suína do Estado para o Japão.
A reunião iniciará às 10 horas, na sede da Federação, localizada na Rodovia Admar Gonzaga, 2.765, bairro Itacorubi, em Florianópolis.

A carne suína foi o quarto produto mais exportado por Santa Catarina no ano passado. Os embarques totalizaram 207.772 toneladas e renderam 519 milhões de dólares em divisas.

Depois de onze anos de esforços, a carne produzida em Santa Catarina conquistou o importante mercado japonês graças à estrutura da sua cadeia produtiva e ao status sanitário que desfruta.

O dirigente realça que o Japão é o maior importador de carne suína do mundo. Ali, os preços praticados são os mais altos, mas o país é muito exigente. O presidente do Sindicarne lembra que a experiência catarinense da parceria CIDASC e do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (ICASA) – criado em 2007 e mantido pelas agroindústrias catarinenses – foi essencial para a conquista dos mercados chinês, norteamericano e, agora, japonês.

Através da CIDASC e  ICASA, as indústrias de processamento de carnes de Santa Catarina complementaram as necessidades  do Estado em vigilância sanitária e abriram novas fronteiras comerciais. O Instituto investe mais de 10 milhões de reais por ano em médicos veterinários, veículos e equipamentos para manter uma força-tarefa de controle e evitar a entrada de doenças em território barriga-verde. Atualmente, o ICASA mantém 71 médicos veterinários e 280 auxiliares administrativos.

Ávila lembra que essa experiência vem sendo elogiada nos relatórios das missões técnicas internacionais e analisada pelos demais Estados da Federação Brasileira. A contribuição do ICASA foi definitiva para a obtenção do atual status sanitário, porque o instituto veio colaborar para que o Estado de Santa Catarina  evoluísse  nesta área. 

 Presidente do SINDICARNE, Clever Pirola Ávila:

Quem ou o que foi determinante na conquista do mercado japonês para a carne suína de SC? Indústria, governo, produtor?Visão de longo prazo com objetivo traçado foi o fator-chave de sucesso. Todos juntos – governo, indústria e produtor –  alinhados nesta direção fizeram a diferença. Foi muito importante o envolvimento das agroindústrias e produtores que, através da CIDASC e do ICASA (Instituto Catarinense de Sanidade Animal), atingiram alto grau de comprometimento e conscientização na cadeia produtiva.

O status de área livre de aftosa sem vacinação pesou nessa conquista?

Foi o primeiro pré-requisito.

Qual a capacidade potencial do Japão em importar carne suína?A capacidade potencial do mercado japonês em comprar carne catarinense é grande, pois trata-se do maior importador de carne suína do  mundo com produtos de valor agregado. O Japão importa anualmente cerca de 800 mil toneladas do produto, representando cerca de US$ 5,5 bilhões. Sendo o maior importador mundial, cabe a nós, agora, conquistar espaços.

Quanto desse volume será fornecido por SC? Quanto isso representará em divisas?
A Associação Brasileira das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína acredita que o Brasil fornecerá aproximadamente 15% das importações, o  que representaria mais de 100 mil toneladas. As exportações para o Japão devem ser, obrigatoriamente, de Santa Catarina. É o único Estado habilitado.

Quais os atuais fornecedores do Japão?  

Destacam-se Estados Unidos da América, Canadá e Europa.

Quais os  produtos de carne suína que interessam aos japoneses?O Japão consome cortes especiais de valor agregado (como já ocorre com frangos). São produtos exclusivos para os japoneses, produção sobre a qual haverá uma preparação da indústria catarinense para a adaptação do processo produtivo e habilitação da equipe operacional.

São apenas cortes ou também industrializados?Já exportamos industrializados termoprocessados. A habilitação conquistada refere-se a carne suína in natura.

A indústria de SC já está adaptada às exigências do Japão?
A indústria, como um ativo, está adaptada e habilitada para tal. Agora precisamos aprender os produtos que o mercado exigirá e treinar as equipes na produção correta desses produtos.

Quais as plantas autorizadas a exportar?
As principais agroindústrias catarinenses estão habilitadas a exportar a partir da assinatura a ser feita em conjunto no dia 26 deste mês, em Tóquio, com a participação da Presidente Dilma  Rousseff. Acredito que serão aprovadas as mesmas plantas habilitadas para os Estados Unidos da América do Norte. O início efetivo dos negócios dependerá, ainda, de outras duas etapas: a definição por parte do Japão do formato da emissão das licenças de importação e a vinda de clientes ao Brasil para conhecer os futuros potenciais fornecedores de Santa Catarina.

Quando iniciarão, efetivamente, os primeiros embarques?
Após formalização no final deste mês, no Japão, iniciam os aspectos burocráticos para a emissão das licenças de importação. Caberá a cada agroindústria conquistar seus clientes. Portanto, embarques concretos somente a partir do terceiro trimestre de 2013.

O Brasil poderá ter, com a carne suína, o mesmo sucesso que tem, atualmente, com a carne de frango no Japão?
Acredito que daqui há uma década observaremos que esta conquista foi o marco mais importante para suinocultura dos últimos 50 anos. Estou certo, em razão de nossa competência na produção de carnes, que vamos evoluir rapidamente na exportação para o Japão.
 
 
A SUINOCULTURA EM SC
Status SC é pioneira na exportação de carne suína e sempre foi o maior Estado exportador. Em 2012, vendeu no mercado externo 207.772 toneladas e obteve divisas de US$ 519 milhões.
8.500 criadores praticam a suinocultura tecnificada e fazem parte do sistema de produção integrada.
800.000 toneladas/ano
é a produção total de carne suína.
400.000 fêmeas suínas
é o plantel permanente reprodutivo no campo.
8.000.000 de cabeças/ano
é o total do abate inspecionado de suínos nas agroindústrias catarinenses.
Ano de 1993
Última ocorrência de febre aftosa em Santa Catarina.
Ano de 2001
Neste ano, Santa Catarina suspendeu a vacinação contra a doença, preparando-se para reivindicar à OIE o status de área livre de aftosa sem vacinação.
Ano de 2007
Em 23 de fevereiro, a Comissão Técnica da OIE (Organização Internacional de Saúde Animal) aprova, em Paris, o reconhecimento de Santa Catarina como área livre de aftosa sem vacinação.
Em 25 de maio, a decisão técnica é homologada na assembleia geral da OIE.
Ano de 2011
Anunciada a abertura do mercado da China à carne suína de Santa Catarina.
Ano de 2012
Anunciada a abertura do mercado dos Estados Unidos da América à carne suína de Santa Catarina.
Ano de 2013
Anunciada a abertura do mercado do Japão à carne suína de Santa Catarina.

Fonte: MB Comunicação

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Suínos / Peixes Suinocultura

Abraves Paraná discute alternativas para um velho problema: a destinação de animais mortos

A visão de vários atores da cadeia produtiva foi apresentada no Encontro Regional Abraves-PR com o objetivo de lançar mão das melhores possibilidades de destinação, nos diferentes cenários da suinocultura brasileira. No Brasil, a pecuária precisa dar destinação a 1,6 milhão de tonadas de carcaças todos os anos.

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Fotos: Giuliano De Luca/OP Rural

O Encontro Regional Abraves (Associação de Medicos Veterinários Especialistas em Suínos) Paraná, que em março reuniu congressistas em dois dias de palestras técnicas sobre as atuais necessidades da suinocultura, promoveu um amplo debate sobre a destinação de animais mortos no setor produtivo. A visão de vários atores da cadeia produtiva foi apresentada no evento com o objetivo de lançar mão das melhores possibilidades de destinação, nos diferentes cenários da suinocultura brasileira. No Brasil, a pecuária precisa dar destinação a 1,6 milhão de tonadas de carcaças todos os anos.

O produtor rural Eloi Favero, da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), falou sobre o destino de animais mortos nas granjas na visão do suinocultor. A visão da agroindústria e cooperativas foi abordada por Valdecir Mauerwerk, da Frimesa.

Já os desafios sanitários relacionados ao destino das carcaças de animais mortos foi o tema da palestra do presidente da Otamir Cesar Martins, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). O impacto ambiental da destinação dos animais mortos também foi abordado em apresentação de Rodrigo da Silveira Nicoloso, pesquisador da Embrapa.

Ainda da Embrapa, o pesquisador Luizinho Caron falou dos riscos inerentes à remoção de animais mortos das granjas para centrais de transformação, uma prática que está sendo ventilada para o setor, mas sofre muita resistência de profissionais do setor por conta dos altos riscos sanitários que apresenta.

As palestras abordaram ainda a utilização de animais mortos para produção de biogás, com o pesquisador Airton Kunz, da Embrapa, centrais para destinação de animais mortos, com o chefe geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Luis Krabbe, destino de carcaças de animais mortos no Paraná: aspectos legais, desafios estruturais e o que fazer para solucionar esse problema, com o presidente do Instituto Água e Terra (IAT Paraná), Volnei Bisognin, e demandas necessárias para elaboração de um programa nacional de destinação de animais mortos, novamente com o pesquisador Everton Krabbe.

Visão do suinocultor

Eloi Favero, da Associação Paranaense de Suinocultores

Favero, da APS, destacou que a ampla maioria dos produtores de suínos têm pequenas áreas de terra, composta basicamente com área de granja e lagoas, moradia de funcionários, pátios para caminhões, área de reserva legal e mata ciliar e uma parcela de área agricultável. Ele destacou que uma propriedade com mil matrizes gera cerca de 15 toneladas de animais mortos por ano.

Ele destacou que a primeira dificuldade é retirar os animais mortos das instalações, especialmente em granjas mais antigas, que não projetadas sem prestar atenção a isso. “Quando morre um animal dentro da sela parideira é muito difícil”, exemplificou.

Ele destacou as dificuldades da compostagem vivenciadas na propriedade, como falta de mão de obra para a tarefa. “As pessoas preferem pedir demissão do que ficar picando porco morto. Além disso, é uma tarefa repugnante, especialmente para mulheres. A gente houve relatos de que quando a pessoa vai para a composteira não consegue mais comer carne de porco”.

Ele destacou pontos importantes que devem ser considerados. “Temos que dar um destino adequado às carcaças sem correr nenhum risco sanitário, de estar disseminando doenças em nossos planteis, comprometendo a sustentabilidade da cadeia de produção. Precisamos de novos sistemas que otimizem o processo e o tempo de compostagem, mas que o custo seja acessível a todos os produtores. As empresas integradoras precisam se engajar para encontrar uma solução, já que os animais são de sua propriedade”, destacou, arrematando: “O atual sistema de compostagem está se tornando um problema social, na questão ambiental e na questão humana”.

Visão da agroindústria

Valdecir Mauerwerk, da Frimesa

O médico-veterinário Valdecir Mauerwerk, da Frimesa, destacou que o aumento de produtividade ano após ano nas granjas e do crescimento na produção previsto para os próximos anos vão aumentar ainda mais esse desafio. “Nossos clientes exigem cada vez mais onde estamos tratando esse material. Não podemos deixar de tratar desse assunto. Por outro lado, temos que pensar no bem-estar do produtor. A gente precisa olhar pra ele”, apontou.

Valdecir citou o caso da Frimesa, que hoje conta com 114 mil matrizes em seu processo produtivo. Somente a cooperativa gera cerca de 8.650 toneladas de animais mortos todos os anos, o equivalente a 24 toneladas por dia. “Detalhe: estamos falando de uma única integração. Veja a imensidão disso”, ressaltou.

Desse total, a ampla maioria é no processo de terminação dos suínos. São cerca de 1.140 toneladas de matrizes, 275 toneladas de leitões em maternidade, 1.235 toneladas de leitões em creche e 6 mil toneladas em suínos em terminações. “A destinação de carcaças de animais mortos e placentas ainda apresenta grandes dificuldades”, disse, citando as alternativas existentes, como “compostagem, rotoacelerador, triturador + tratamento térmico + biodigestor, desidratador de carcaças e enterrio”, mas também disse que “há necessidade de novas alternativas para a destinação”.

Entre as alternativas para o problema, citou “estratégias para redução de mortalidade, conscientização das pessoas envolvidas, necessidade de otimização de processos e a busca por novas tecnologias ou melhorarmos as já existentes”.

Desafios sanitários da destinação

Os desafios sanitários para a destinação de animais mortos foi o tema da palestra do presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins. “Nós temos que pensar que temos aves, suínos e bovinos. Somos um Estado (Paraná) pequeno, com base na agricultura. Somos os maiores produtores de alimentos do Brasil. Somos o primeiro Estado em produção de aves, o segundo em suínos, o segundo maior produtor de leite, primeiro em piscicultura, segundo em ovos e décimo em carne bovina. Isso traz consequências, como aumento da população de animais, o aumento do risco sanitário, especialmente porque retiramos a vacina contra aftosa, necessidade de aumento da vigilância e destinação de dejetos e carcaças”, frisou. “Há no Paraná essa grande concentração de animais e temos que pensar na destinação de animais mortos”, ampliou.

Martins destacou que o Serviço Veterinário Oficial precisa da participação dos serviços veterinários não oficiais. “Isso é uma recomendação da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal)”, orientou.

Presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins

Em um ponto polêmico, Martins destacou a possibilidade de fazer o transporte de animais para fora das fazendas, em centrais de recebimentos desses resíduos, que seriam locais adequados para a destinação e eliminação de riscos. No entanto, frisou que a atividade, mesmo que autorizada por normativa de 2019 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, gera riscos no transporte. “O recolhimento de carcaças por empresa credenciada pode ocorrer quando houver morte natural do animal, morrer por doenças de produção, acidente de manejo, acidente no transporte, intempéries ou, com autorização da Adapar, em casos de doenças de programa”.

Ele destacou que os produtos gerados a partir desse processamento podem ser usados como insumos para as indústrias química e energética, adubo, biodiesel e insumos para produtos de higiene e limpeza.

“O recolhimento de carcaças é uma alternativa, porém há um risco sanitário. A disseminação de doenças, como a Peste Suína Africana, a Peste Suína Clássica e a Febre Aftosa, no transporte de animais vivos ou mortos é um ponto de risco, deve ser executado com muita responsabilidade por todos os envolvidos”, frisou.

Impacto ambiental da destinação

Rodrigo Nicoloso, da Embrapa

O engenheiro agrônomo Rodrigo da Silveira Nicoloso, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, destacou a importância de dar fim a esses resíduos orgânicos causando impacto de maneira controlada, especialmente usando esse material para produzir fertilizantes e usar nas lavouras. É preciso uma gestão integrada dos resíduos nas propriedades rurais”, pontuou.

Ele destacou uma nova forma de fazer leiras para a compostagem, que está sendo validada pela Embrapa, com animais inteiros. “É uma tecnologia que dá menos trabalho para o produtor com custo acessível”, pontuou.

Nesse sistema, destacou Nicoloso, é para todos, de pequenas a grandes propriedades. “Tem um baixo investimento, basicamente a cerca de contenção e isolamento, com tempo de compostagem de aproximadamente 60 dias, dependendo do tamanho do animal, e pode ser usado depois como adubo orgânico para áreas de grãos ou reflorestamento”, sustentou. Ele destacou que a tecnologia de compostagem com animais inteiros funciona melhor com cobertura de 60 centímetros. Isso evita o chorume e aumenta a temperatura nas leiras que inativa os microrganismos.

Ele destacou outras tecnologias, como compostagem tradicional, compostagem acelerada e biodigestão anaeróbia. Nicoloso destacou, no entanto, que cada é usada de acordo com o tamanho das propriedades.

Riscos de remoção de animais

Luizinho Caron, da Embrapa

Luizinho Caron, da Embrapa, demonstrou estudo sobre os riscos que a remoção das fazendas dos suínos mortos oferece. Ele recomenda mais estudos como a simulação da Embrapa apresentada por ele para garantir qualidade nesse tipo de serviço. No estudo foram listados perigos microbiológicos, dos quais 49 agentes bacterianos e 45 agentes virais. Desses, 46 agentes bacterianos e 24 agentes virais foram identificados em rebanhos brasileiros. O estudo da Embrapa, envolveu três cenários.

“As incertezas podem ser reduzidas caso mais dados científicos dos agentes infecciosos sejam obtidos”, destacou, lembrando que a Embrapa disponibiliza suas publicações que tratam da remoção de animais mortos e riscos microbiológicos envolvidos para toda a cadeia suinícola.

Carcaça produz mais biogás que o dejeto

“Eu começo com uma premissa. Para mim, (animal morto) não é resíduo, para mim é substrato. Esse material tem muita energia guardada e uma capacidade muito grande de geração de biogás”, introduziu o também pesquisador da Embrapa Airton Kunz, que destacou a oportunidade de transformar o passivo em um ativo.

Ele destacou que todos os dejetos e carcaças podem produzir energia. “Temos os dejetos, com diferentes composições e concentrações, em função dos diferentes tipos de sistemas produtivos, temos resíduos como placentas e natimortos e temos os animais mortos não abatidos, que não são uma novidade”, destacou, lembrando que a composição.

Airton Kunz, da Embrapa

No entanto, destacou que estudo da Embrapa demonstra que as carcaças são melhores substratos para a produção do gás. “A digestão anaeróbia é uma alternativa promissora. Se fizer manejo correto, a carcaça é excelente substrato para produção de biogás. A carcaça animal possui um potencial de produção de biogás cinco vezes maior do que os dejetos”, apontou Kunz. “Se você oferece carcaça para o biodigestor eu fico feliz”, emendou. No entanto, o excesso de carcaças nos biodigestores pode atrapalhar. “A gente faz uma codigestão, com dois substratos”, destacou, alertando para o equilíbrio do pH. “.

A trituração das carcaças também precisa ser feita para melhorar o processo de biodigestão, assim como a o tratamento térmico é indicado para inativação de patógenos. “A gente pode usar o calor do grupo motogerador. A gente perde calor dos nossos sistemas de geração de energia elétrica”, orientou. “Calor é energia, é dinheiro”, ampliou, destacando que todos esses processos, de trituração, higienização e alimentação do biodigestor precisam ser automatizados.

Outro desafios 

Centrais para destinação de animais mortos, com o chefe geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Luis Krabbe, e destino de carcaças de animais mortos no Paraná: aspectos legais, desafios estruturais e o que fazer para solucionar esse problema, com o presidente do Instituto Água e Terra (IAT Paraná), Volnei Bisognin, encerraram a programação sobre a destinação de animais mortos do Encontro Abraves Paraná.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Risco sanitário

O impacto do javali na biosseguridade da produção suína

Com a diversidade e abundância de recursos naturais associadas à reprodução descontrolada e à ausência de predadores naturais, essa espécie se proliferou e se disseminou amplamente pelo território nacional, acendendo um alerta para a defesa sanitária do país.

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Divulgação/Pixabay

Introduzido há sete décadas no Brasil para exploração comercial, os javalis se tornaram uma grande dor de cabeça para muitos setores produtivos, especialmente a suinocultura, quando passaram a viver livremente na natureza. Com a diversidade e abundância de recursos naturais associadas à reprodução descontrolada e à ausência de predadores naturais, essa espécie se proliferou e se disseminou amplamente pelo território nacional, acendendo um alerta para a defesa sanitária do país.

Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Virgínia Santiago Silva: “Em razão da espécie não ter predadores na natureza e de estar amplamente distribuída em território brasileiro é difícil sua erradicação” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Com foco em aprimorar o manejo e a vigilância desses animais asselvajados em território brasileiro, com adoção de medidas de biosseguridade para garantir a segurança dos plantéis de suínos, a pesquisadora Virgínia Santiago Silva, da Embrapa Suínos e Aves, abordou os impactos do javali na suinocultura em palestra realizada no Fórum de Sanidade de Aves e Suínos, que aconteceu em fevereiro na cidade de Cascavel, no Oeste do Paraná.

Segundo ela, por ser uma espécie exótica invasora é considerada nociva à pecuária, à agricultura, ao meio ambiente, aos seres humanos e à saúde pública, por isso o seu controle populacional é regulamentado e autorizado no Brasil. E como são “ancestrais” do suíno doméstico, ou seja, pertencem à mesma espécie, o estímulo reprodutivo ocorre, o que aumenta ainda mais a chance de contato entre as duas populações e possível transmissão de patógenos/doenças.

Em dezembro de 2018, segundo dados da Embrapa e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), haviam registros em 22 unidades da federação e mais de 1,5 mil municípios brasileiros com presença de javalis. “Isso já avançou, lamentavelmente, porque é uma espécie que vem aumentando muito rápido no país. Por causa dessa expansão acelerada, desde 2017 dispomos de um Plano Nacional de Prevenção, Controle e Manejo de Javali”, menciona Virgínia.

População de javalis no Brasil

A pesquisadora diz que não é possível mensurar a quantidade real de javalis existentes no Brasil porque a população é dinâmica, e como vivem livremente na natureza não há como fazer um controle de quantos animais nascem anualmente. “Esse é um dado que dificilmente alguém vai poder responder de forma imediata, porque o número total de javalis vai estar sempre oscilando, até em razão disso é fundamental que haja um sistema de controle”, expõe Virgínia.

Segundo a profissional, os indicadores com que os órgãos de defesa sanitária do mundo todo trabalham são baseados em informações cadastradas por diferentes atores autorizados que fazem o controle populacional da espécie exótica. “Na Europa trabalham com bolsas de abate, de caça; é uma atividade sinérgica, não é o que acontece no Brasil, porque lá eles têm uma quantidade de animais abatidos em áreas conhecidas, isso só é possível em nosso país com dados registrados e monitorados de abate. E para isso já contamos hoje com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que através do Sistema de Informação de Manejo da Fauna (Simaf), faz a gestão do manejo de animais abatidos no país, em que todo cidadão que deseja abater esses animais para proteger a sua propriedade tem condições, direito e autonomia para obter o registro de autorização. Essa gestão do Ibama é fundamental para que consigamos reduzir o avanço populacional de javalis no Brasil”, ressalta Virgínia.

Mais de 300 mil javalis abatidos

A partir da informatização desses dados do manejo, implementado em abril de 2019 pelo Ibama, é possível gerar estatísticas de animais abatidos no país. Desde o início do programa de controle até agosto de 2021 foram declarados oficialmente o abate de 333 mil javalis, o que não significa que haja um aumento populacional da espécie, apenas confirma que o controle está sendo realizado. “Esse número é decorrente dos abates informados ao Ibama, antes não havia esse controle, por isso não há registros, os animais eram abatidos sem que tivéssemos noção de quando, como, onde e por quem eram abatidos, agora através deste serviço do Ibama, conseguimos ter estatísticas, números esses que podem orientar as nossas próximas ações”, justifica a pesquisadora.

Por que o javali é um problema?

A pesquisadora afirma que os javalis representam uma ameaça à suinocultura porque em vida livre não possuem qualquer cuidado veterinário, com isso não há como fazer o controle sobre os locais que circulam, como se alimentam, onde bebem água, com quais patógenos têm contato e com que outras espécies de animais se relacionam. “Dado a esses fatores, o javali pode ser um transmissor de doenças e pela afinidade com a própria espécie, ora com estímulo reprodutivo, ora por busca de alimentos, vão se aproximar principalmente de locais onde tem criação de suínos. Neste contato pode transmitir doenças ou mesmo se infectar com patógenos comuns dos sistemas de criação intensiva e se tornarem reservatórios, mantendo a circulação desses patógenos nas populações asselvajadas como uma constante ameaça aos suínos”, pontua Virgínia.

Justamente por ser uma espécie que se relaciona de diversas formas diferentes com o meio em que está inserida, ressalta a pesquisadora, é que se tem a necessidade de contabilizar todos os riscos que pode expor tanto aos seres humanos quanto aos suínos a partir do momento que há contato direto ou indireto. “Como os javalis têm uma condição sanitária desconhecida, não é o funcionário da granja que está em contato com os suínos que deve abater ou manipular a carcaça do javali”, aponta.

Virgínia explica que algumas das doenças que podem circular nessas populações são zoonoses – Leptospira, vírus de Hepatite E, Toxoplasma gondi – que podem acometer o homem, por isso medidas de biosseguridade são primordiais no abate, uma vez que quando o javali é abatido não apresenta qualquer sinal ou sintoma que está infectado. “Muitas vezes o javali não vai apresentar sintomas ou lesões, e quem faz esse abate consome (a carne desse animal), então ainda tem um risco de saúde pública gravíssima”, relata.

Risco sanitário

Conforme Virgínia, o javali pode arruinar todo um programa sanitário se uma doença chega a atingir as populações asselvajadas, visto a dificuldade de controlar, conter e erradicar nestas condições a disseminação de uma doença. “Por isso é muito importante conhecer a realidade fora e dentro da granja para que o produtor possa se precaver e esses animais exóticos não venham a ter contato com a suinocultura”, frisa.

Doenças transfronteiriças

A ameaça sanitária pelo contato entre criações domésticas e comerciais com populações de vida livre tem fundamental importância quando se trata de doenças transfronteiriças, de notificação oficial internacional e que podem resultar em restrições ao comércio internacional, como a Peste Suína Clássica (PSC), Peste Suína Africana (PSA), entre outras. O Brasil é livre de PSA, mas a situação da doença na Europa e na Ásia é um alerta para que os países livres invistam em vigilância e em biosseguridade das criações comerciais, bem como em controle populacional, monitoramento e vigilância de javalis de vida livre, para detecção e contenção de doenças.

Como detectar a presença de javalis?

Por onde passam, os javalis deixam vestígios típicos da espécie, que caracterizam seus hábitos e comportamentos, como pegadas robustas, áreas fuçadas, marcação em árvores e predação em lavouras, especialmente de milho.

Outra forma de identificar a evidência desses animais é através do cruzamento com matrizes suínas. “Muitos produtores acreditam que a prole gerada desse cruzamento é mais robusta, resistente a doenças ou que sua carne é melhor, nada disso é comprovado, além de ser proibida a criação em nosso país, portanto deve ser coibido para que não volte a ocorrer”, enfatiza Virgínia.

Biosseguridade

A adoção de biosseguridade em granjas de suínos consiste em medidas para evitar a entrada e propagação de doenças nos rebanhos. Desde forma, para impedir a introdução de patógenos por animais selvagens, Virgínia orienta que seja evitado o contato entre as populações domésticas e as de vida livre.

Entre os recursos mais eficazes para impedir o acesso de javalis asselvajados às criações de suínos estão as barreiras físicas, como as cercas de proteção, isolando a propriedade de invasores. Virgínia salienta que os javalis são animais fortes e por isso a cerca deve ser resistente para garantir que não seja rompida.

Recomenda-se a instalação de cercas de 1,8 metro de altura, com tela malha 7 e fio 12 mm, sendo que a cada 40 centímetros de altura é preciso usar um fio de sustentação de 5mm. Para oferecer maior segurança, a parte inferior deve ser reforçada, podendo ser dupla, e deve-se enterrar 40 centímetros de mureta de alvenaria ou tela para evitar que os javalis cavem para passar por baixo da cerca. Sobre a extremidade superior é indicado colocar de três a quatro fios de arame farpado.

É possível erradicar os javalis?

A pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves diz que em razão da espécie não ter predadores na natureza e de estar amplamente distribuída em território brasileiro é difícil sua erradicação, sendo apenas possível fazer o controle para minimizar ao máximo os impactos que causam e adotar medidas preventivas para que os javalis não se proliferem ainda mais.

E para isso a detecção precoce e a comunicação ao órgão de controle do Estado são essenciais para reduzir sua população. “Essa é a única espécie que o abate é autorizado no Brasil, quando é comunicado ao órgão que faz essa gestão do controle populacional passam a ser adotadas, na área de identificação de presença de javalis, medidas de biosseguridade”, ressalta Virgínia.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

Suinocultura é mais que suinocultor e agroindústria

A cadeia de valor da suinocultura é formada muito mais do que por suinocultores e agroindústrias. Produtores de grãos, técnicos, médicos veterinários, zootecnistas, empresas de equipamentos para os galpões, caminhoneiros, criadores de softwares, pesquisadores… A própria imprensa especializada, como O Presente Rural. A suinocultura envolve centenas de milhares de pessoas, todos os dias, direta e indiretamente no Brasil.

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Arquivo/OP Rural

A cadeia de valor da suinocultura é formada muito mais do que por suinocultores e agroindústrias. Produtores de grãos, técnicos, médicos veterinários, zootecnistas, empresas de equipamentos para os galpões, caminhoneiros, criadores de softwares, pesquisadores, donos de restaurantes, produtores de aditivos alimentares, fiscais sanitários, estivadores e empresas de transporte marítimo… A própria imprensa especializada, como O Presente Rural. A suinocultura envolve centenas de milhares de pessoas, todos os dias, direta e indiretamente no Brasil.

Diretor do Negócio de Suínos da Seara, Fábio Soares – Foto: Divulgação/Seara

Para entender um pouco mais sobre toda essa cadeia, O Presente Rural entrevistou Fábio Soares, diretor do Negócio de Suínos da Seara. “É um importante setor que movimenta a economia do país, gerando milhares de empregos e renda para toda a cadeia produtiva, que vai do produtor rural ao consumidor”, sustenta o diretor.

A JBS é a líder global em alimentos à base de proteína e a suinocultura representa um importante setor nessa cadeia de valor. No segmento de suínos, a companhia conta, no Brasil, com a Seara, que é uma de suas principais Unidades de Negócios. De acordo com o último balanço, a Seara – que opera na produção de suínos, alimentos preparados e aves – registrou uma receita líquida de R$ 9,6 bilhões no terceiro trimestre 2021, crescendo 38% na comparação anual. Até o final de 2022, a empresa completará investimentos de R$ 3 bilhões, que irão gerar um faturamento adicional de R$ 7 bilhões.

Os números da empresa demonstram a importância da suinocultura para milhares de famílias. “A marca Seara conta, atualmente, com cerca de 86 mil colaboradores, sendo mais de 12 mil dedicados à produção industrial e outros 3,5 mil no campo. Todos os suínos são criados por mais de 2,6 mil produtores em granjas com controle de ambiência, critérios de bem-estar animal, ou seja, com as melhores condições de alimentação, ventilação, umidade, temperatura e biosseguridade. Esses produtores ficam, geralmente, nas mesmas localidades ou regiões próximas das plantas frigoríficas”, destaca Soares.

São oito unidades de processamentos de suínos no Brasil, que estão localizadas nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. A matéria-prima que sai das fazendas percorre um longo caminho até chegar a várias partes do mundo. “Com o desenvolvimento de linhas de valor agregado, baseado sempre em qualidade, os produtos da Seara estão tanto nas prateleiras dos pequenos mercados, quanto nas das grandes redes varejistas, além de serem exportados para cerca de 130 países”, destaca o diretor.

Ele menciona que a suinocultura ajudou a viabilizar financeiramente pequenas propriedades rurais. “A garantia de qualidade da cadeia de produção está baseada na relação diferenciada entre Seara e seus 2,6 mil fornecedores integrados, que produzem com exclusividade para a companhia. É uma parceria em que os produtores recebem todos os insumos – leitões, 100% da ração e assistência técnica. Ao produtor cabe a responsabilidade sobre a mão-de-obra e o cuidado com os animais. Desse modo, formamos uma parceria em que há viabilidade econômica para os integrados e à indústria”, cita.

Investimentos

Na parte de suínos, a Seara tem investido na expansão da produção de algumas de suas unidades e no lançamento de produtos de maior valor agregado e na ampliação da participação no mercado nacional e internacional, diz Soares.

A suinocultura usa cada vez mais tecnologias para ter uma produção de precisão. Isso significa mais gente dentro da cadeia de valor. “A JBS faz investimentos contínuos em pesquisas e tecnologias de ponta. A cultura inovadora da companhia está presente no desenvolvimento de novos produtos, no monitoramento de matérias-primas e nas operações fabris. A Seara, por exemplo, emprega sistemas de rastreabilidade aos seus mais de 2,6 mil produtores integrados para buscar a melhor gestão da cadeia, focada na qualidade, sanidade e bem-estar animal”.

O papel de cada ator do negócio tornam, na opinião de Fábio Soares, a suinocultura “um importante setor que movimenta a economia do país, gerando milhares de empregos e renda para toda a cadeia produtiva, que vai do produtor rural ao consumidor. Isso faz com o que o país produza produtos suínos de qualidade, com marcas conceituadas, como a Seara, que atendem o mercado interno e também enviam seus produtos para todo o mundo. A carne suína brasileira é reconhecida pela qualidade e custo competitivo”.

Futuro

O engajamento cada vez maior de empresas como a Seara em questões relativas a sustentabilidade também expande a cadeia de valor e torna as atividades ainda mais harmônicas entre todos que contribuem para que a carne chegue ao prato do consumidor. “Temos nos dedicado a garantir as condições necessárias para que nós e nossos parceiros da cadeia de valor continuemos prosperando. Temos como missão alimentar o mundo com o que há de melhor. Fizemos da sustentabilidade a nossa estratégia de negócio, promovendo a transição para uma economia de baixo carbono em toda a nossa cadeia de valor. Assim, a JBS tornou-se a primeira grande empresa do nosso setor a assumir o Compromisso Net Zero, comprometendo-se, até 2040, a zerar o balanço das emissões de gases causadores do efeito estufa em toda a nossa cadeia de valor”, destaca Soares.

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Fonte: O Presente Rural
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