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Carne suína ganha espaço no prato do consumidor, mas atual excesso de oferta derruba preços

Excesso da proteína no mercado interno intensificou os esforços de entidades ligadas ao setor para incentivar o consumo de carne suína no Brasil.

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O Brasil exporta carne suína para 86 países e os principais destinos são a China, seguido por Hong Kong, Chile, Rússia e Argentina - Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Durante o Dia do Suinocultor O Presente Rural/Frimesa, em Marechal Cândido Rondon (PR), o diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Luís Rua, palestrou sobre o tema “produção, consumo e exportações, novos mercados e perspectivas do setor de carne” para suinocultores e outros profissionais da área. Rua destacou a resiliência dos suinocultores brasileiros, especialmente ao longo do primeiro semestre, para transformar um dos momentos mais desafiadores para o setor dos últimos 20 anos. “Vemos muita dificuldade entre os suinocultores, mas espero trazer também boas notícias ou ao menos um alento depois de um período bem complicado que temos vivido”, ressaltou.

Diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Luís Rua: “Temos que entender que uma parcela dos consumidores que já tem alimento na mesa está atenta às questões de sustentabilidade, saúde humana, nutrição e bem-estar animal” – Foto: Giuliano De Luca/OP Rural

O diretor de mercado da ABPA evidenciou a posição do Brasil no cenário mundial como quarto maior produtor, com 4,7 milhões de toneladas produzidas em 2021, e quarto maior exportador, com 1,1 milhão de toneladas exportadas no mesmo período, aumento de 25% em participação nas exportações mundiais em cinco anos. “Um crescimento bastante importante, causado pelo aumento das exportações para países da Ásia, principalmente a China”, lembrou Rua.

Entretanto, as exportações caíram de janeiro a junho de 2022 e o país reduziu 9,3% o volume de exportações. Nesse período, as receitas caíram 17,4%. O principal motivo dessa redução é a queda no volume de importação realizada pela China e Hong Kong.

Em sua explanação, Rua apresentou também dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) do primeiro trimestre de 2022, que apontam aumento de 6,8% na produção e redução de 6,3% nas exportações. O resultado foi o aumento em cerca de 10% de carne no mercado interno em comparação ao mesmo período de 2021. “São 95 mil toneladas de carne a mais no trimestre e cerca de 200 mil no primeiro semestre. Isso gerou uma depreciação geral nos preços”, ressaltou Rua.

Produção paranaense

O palestrante destacou também a importância da suinocultura paranaense para o Brasil. No primeiro semestre desse ano o Paraná foi responsável por 15% do volume de carne suína exportada, atrás apenas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Estado foi o único que apresentou um incremento nas exportações nos primeiros seis meses de 2022, com crescimento de 5,7% em comparação ao mesmo período de 2021.

O destino da carne suína produzida no Estado são países onde as exigências quanto a exportação não são tão rígidas, como Uruguai, Argentina, Singapura e Vietnã. “Tenho certeza que quando conseguirmos acessar o Japão, a Coreia (do Sul), os Estados Unidos, entre outros países que exigem livre de aftosa sem vacinação, o Paraná terá capacidade para avançar nas exportações”, ressaltou Rua.

Excesso de carne

O excesso de carne suína no mercado interno intensificou os esforços de entidades ligadas ao setor como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABSC) para incentivar o consumo de carne suína no Brasil.

Ruas destacou o trabalho o trabalho desenvolvidos pelas associações em parcerias com outras instituições. “O Brasil consome metade do registrado na União Europeia, que é de cerca de 30 quilos por pessoa. Precisamos melhorar isso”, menciona.

Rua expôs dados referentes a última década que mostram a estabilização do consumo médio per capita de carne de frango no Brasil, que é entre 43kg/per capita a 46kg/per capita. A carne bovina apresentou queda, passou de 38kg/per capita para 34kg/per capita.

Já o consumo de carne de porco no país está em ascensão. Passou de 15kg/per capita em 2018 para 16,7kg/per capita em 2021. De acordo com Rua, provavelmente, nesse ano o consumo fique perto dos 18 kg por pessoa.

Rua citou a dificuldade de muitos produtores fecharem o mês com as contas em dia em razão da alta dos custos de produção e indagou: “A que custo chegaremos a esse consumo? Precisamos fazer essa pergunta. Vale a pena atingir números semelhantes com essas condições?”, questionou.

O diretor de mercado da ABPA destacou o trabalho realizado pelas agroindústrias para aumentar o leque de cortes e outros produtos derivados. “Vejo um trabalho de excelência que as empresas estão fazendo, como a Frimesa e tantas outras, de descomoditizar a carne suína”, mencionou Rua.

Projeções

Durante a palestra, Rua apresentou números que demonstram a expectativa do setor na produção, exportação, disponibilidade e consumo per capita (kg) de carne suína no Brasil.

Conforme ele, as projeções podem sofrer pequenas alterações, entretanto a estimativa é de que a produção passe de 4,701 milhões de toneladas em 2021 para 4,750 milhões de toneladas este ano.

Em relação às exportações, as previsões sugerem 1,150 milhão de toneladas caso a China volte a comprar algo próximo das 45 mil toneladas/mês.

A disponibilidade de carne suína no mercado interno, segundo as projeções, é de 3,6 milhões de toneladas. “Achamos que o consumo deva se aproximar dos 18kg per capita”, destacou Rua.

Ainda dentro das projeções para o consumo em 2022, Rua cita alguns fatores dever impulsionar e outros que podem frear o consumo de carne suína no Brasil até o fim do ano. Entre os pontos positivos, destaque para a ampliação de benefícios sociais como o Auxílio Brasil, ampliado de R$ 400 para R$ 600, dentre outros benefícios.

Entre os aspectos negativos, Ruas cita a inflação que, segundo ele, corrói o poder de compra dos consumidores, o endividamento da população, os custos produtivos, logística e a incerteza política. “A gente não sabe o que vai ser. Cada um tem sua opinião, mas isso acaba gerado incertezas no ponto de vista econômico”, menciona.

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Fonte: O Presente Rural

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Preços do suíno na China atingem menor nível em 16 anos e aceleram descarte de plantéis

Perdas de até US$ 55 por animal pressionam produtores enquanto o país reduz dependência de soja dos EUA e amplia uso de ração fermentada.

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Foto: Shutterstock

Os produtores de suínos na China atravessam o período mais adverso desde 2010. O preço do animal vivo caiu ao menor patamar em 16 anos, em torno de 9,17 yuans por quilo, equivalente a cerca de US$ 0,62 por libra-peso, insuficiente para cobrir os custos de produção. A conta não fecha: estima-se prejuízo entre US$ 50 e US$ 55 por cabeça, o que tem provocado descarte acelerado de matrizes e redução forçada dos plantéis.

Foto: Shutterstock

A crise combina oferta elevada, demanda doméstica enfraquecida e um ambiente econômico pressionado. Em setembro do ano passado, autoridades chinesas reuniram os maiores produtores do país para discutir cortes coordenados na produção. Desde então, as cotações continuaram em queda, ampliando o período de perdas consecutivas na suinocultura do país.

O cenário ocorre em paralelo a uma mudança estrutural na estratégia de abastecimento de insumos para ração. A China reduziu de forma expressiva a participação dos Estados Unidos nas suas compras de soja. Em 2024, os chineses responderam por 47% das exportações norte-americanas do grão. Em 2025, essa fatia caiu para 19%. A diferença passou a ser suprida principalmente pelo Brasil, que ampliou espaço como fornecedor prioritário.

A alteração no fluxo comercial não se limita à origem da soja. O governo chinês passou a estimular práticas alimentares que diminuem a dependência do farelo de soja importado. A diretriz ganhou força após o acirramento das tensões comerciais com os EUA e foi incorporada como prioridade na política de segurança alimentar do país.

Principal mudança

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A principal mudança ocorre dentro das granjas. Parte dos produtores substitui a ração seca tradicional, rica em soja, por ração líquida fermentada. O processo utiliza insumos locais, como farelos diversos, restos vegetais e subprodutos agroindustriais, que passam por fermentação em tanques, em um método comparável ao da produção de iogurte. A fermentação quebra proteínas complexas, facilita a digestão e permite reduzir em até 50% o uso de farelo de soja em algumas operações.

A adoção desse sistema cresce. A ração fermentada representava 3% do volume industrial em 2022. Hoje alcança 8% e a projeção é atingir 15% até 2030. A mudança ocorre em um momento em que a alimentação responde por cerca de 70% do custo de produção do suíno, tornando qualquer redução no uso de ingredientes importados um fator relevante para tentar conter prejuízos.

A combinação entre preços historicamente baixos, ajuste forçado de oferta e reconfiguração das dietas animais indica que a atual crise da suinocultura chinesa ultrapassa um ciclo típico de mercado. Trata-se de um movimento que envolve política comercial, estratégia de segurança alimentar e reestruturação produtiva com efeitos diretos sobre o comércio global de soja, milho e carne suína.

Fonte: O Presente Rural
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Paraná se mantém como principal fornecedor de carne suína no Brasil

Dados do IBGE e Agrostat mostram domínio no mercado interno, à frente de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado na quinta-feira (9), destaca que em 2025 o Paraná destacou-se como principal fornecedor de carne suína para o mercado interno brasileiro pelo oitavo ano consecutivo, segundo dados da Pesquisa Trimestral de Abate do IBGE e do Agrostat/Mapa.

Do total de 1,23 milhão de toneladas (t) produzidas no Estado, aproximadamente 990,48 mil t foram destinadas ao consumo interno. Esse montante representa 23,7% do comércio interno de carne suína no Brasil, que alcançou 4,18 milhões de t.

Santa Catarina manteve-se na segunda colocação, com 851,91 mil t comercializadas internamente, equivalentes a 20,4% do total. Na sequência vieram Rio Grande do Sul, com 676,96 mil t (16,2%), Minas Gerais, com 642,31 mil t (15,3%), e Mato Grosso do Sul, com 263,59 mil t (6,3%).

O desempenho do Paraná como principal fornecedor pode ser atribuído a um conjunto de fatores. Entre eles, destaca-se o fato de o Estado ser o segundo maior produtor de carne suína do País e o terceiro maior exportador, tendo destinado apenas 19,2% de sua produção ao mercado externo no último ano. Em comparação, Santa Catarina, líder em produção e exportação, direcionou 46,8% de sua produção às exportações, enquanto o Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor e segundo maior exportador, destinou 33,5% ao mercado externo.

Bovinos

Na pecuária de corte, o cenário para os bovinos é de cotações firmes no atacado, ao longo de março, impulsionadas pela oferta restrita de animais prontos e pela demanda externa aquecida. Dados do Deral apontam valorização de 4% e 4,3% no dianteiro e traseiro, respectivamente, no atacado. Vale ressaltar que, mesmo durante a Quaresma, quando o consumo tende a enfraquecer, não houve pressão relevante de queda nas cotações.

Chuvas no campo

A resiliência do setor agropecuário paranaense diante dos desafios ocasionados pela falta de chuvas em algumas regiões do Estado também é destaque do boletim. No Paraná, as lavouras de milho e feijão da segunda safra enfrentam um período de atenção devido à irregularidade das chuvas e ondas de calor.

Mas, segundo o Deral, o retorno recente das precipitações em algumas regiões trouxe um alívio momentâneo ao estresse hídrico, mantendo a perspectiva de recuperação produtiva caso o clima se estabilize. “No campo do feijão, por exemplo, os produtores viram uma valorização expressiva do tipo carioca, que acumulou alta de 48% em 12 meses, incentivando um aumento de 3% na área deste cultivar”, explica o engenheiro agrônomo e analista do Deral, Carlos Hugo Godinho.

Fonte: AEN-PR
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Primeiro clone suíno da América Latina nasce em São Paulo

Avanço inédito combina ciência da USP com estrutura do Instituto de Zootecnia e reforça papel da pesquisa paulista na geração de soluções para a saúde e o agro.

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Primeiro clone da América Latina nasceu na unidade de Tanquinho do Instituto de Zootecnia - Foto: Divulgação/IZ/APTA

O primeiro clone suíno da América Latina nasceu na unidade do Instituto de Zootecnia, em Piracicaba (SP), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O feito inédito é resultado de pesquisa conduzida pela Universidade de São Paulo, com apoio da Agência Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), responsável pela estrutura, manejo e cuidado dos animais por meio do Instituto de Zootecnia.

O nascimento ocorreu no dia 24 de março, na unidade experimental do IZ em Tanquinho, onde as instalações foram readequadas conforme a legislação para a produção desses animais, com rigor em biossegurança, bem-estar e controle sanitário.

A iniciativa integra um projeto voltado à produção de suínos com potencial para doação de órgãos e tecidos para humanos, dentro do campo do xenotransplante, técnica que busca reduzir a fila por transplantes e ampliar as possibilidades de compatibilidade entre doadores e receptores.

A pesquisa mobiliza uma equipe multidisciplinar, envolvendo especialistas em zootecnia, medicina veterinária e biotecnologia. No Instituto de Zootecnia, foram desenvolvidos protocolos específicos de manejo produtivo, sanitário, nutricional e ambiental, além de técnicas reprodutivas e cirúrgicas para implantação dos embriões, incluindo sincronização de cio e procedimentos de alta complexidade.

De acordo com a equipe envolvida, os manejos são minuciosamente acompanhados para garantir o sucesso da gestação e o desenvolvimento dos animais. A próxima etapa do projeto prevê o monitoramento dos clones até a maturidade sexual, com geração de dados para subsidiar futuras aplicações científicas e tecnológicas. “O trabalho conduzido pelo Instituto de Zootecnia e pela Universidade de São Paulo marca um avanço decisivo para a ciência paulista e reforça o papel da pesquisa em gerar soluções concretas. O trabalho das nossas instituições abre novas fronteiras para a saúde humana, a produção animal e a bioeconomia. É esse investimento em ciência que sustenta a liderança de São Paulo e prepara o Estado para o futuro”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

O manejo dos animais nas baias do Instituto de Zootecnia segue protocolos técnicos rigorosos, especialmente por se tratar de uma pesquisa sensível, voltada à produção de suínos com finalidade biomédica – Foto: Divulgação/IZ/APTA

O coordenador do Instituto de Zootecnia destaca o papel da instituição no projeto. “A estrutura e a expertise do IZ são fundamentais para garantir o manejo adequado dos animais, com foco em biossegurança e bem-estar. É essa base que permite que a ciência avance com segurança e responsabilidade”, afirma.

As pesquisas voltadas ao xenotransplante têm como objetivo enfrentar um dos principais desafios da saúde pública: a escassez de órgãos para transplante. Segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes, pacientes morrem diariamente à espera de um órgão compatível, cenário que reforça a relevância de iniciativas científicas dessa natureza.

Além do impacto na saúde humana, o avanço posiciona São Paulo na vanguarda da biotecnologia aplicada ao agro, consolidando o papel das instituições públicas de pesquisa como ativos estratégicos para o desenvolvimento do Estado.

O projeto segue em desenvolvimento, com novas etapas já em andamento, incluindo a gestação de outros clones, ampliando o potencial de aplicação da tecnologia e reforçando a integração entre ciência, produção e inovação no Estado de São Paulo.

De acordo com a pesquisadora do Instituto de Zooctenia, Simone Raymundo de Oliveira, os manejos produtivos – sanitário, nutricional e ambiental – são minuciosamente estudados pela equipe para garantir o sucesso da gestação. “Nosso objetivo agora é acompanhar o crescimento dos clones até a maturidade sexual, fornecendo dados sobre este animal para futura tomadas de decisões”, enaltece. 

Fonte: Assessoria
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