Suínos
Carne suína ganha destaque na Páscoa diante do alto preço do bacalhau
Com cortes nobres do peixe ultrapassando R$ 400 o quilo, consumidores brasileiros buscam alternativas mais acessíveis, e a suinocultura aposta em marketing estratégico para aumentar vendas.

O aumento expressivo no preço do bacalhau nesta Páscoa, com cortes nobres ultrapassando R$ 400 o quilo, tem provocado uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro. Diante do impacto no orçamento familiar, cresce a busca por alternativas mais acessíveis, abrindo espaço para a carne suína ganhar protagonismo na data.
Atenta a esse cenário, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), com apoio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), produziu o primeiro pacote de marketing do ano, voltado especialmente para a Páscoa. A iniciativa transforma o momento de mercado em oportunidade estratégica para toda a cadeia.

O material reúne conteúdos prontos para uso, incluindo reels, posts estáticos, carrosséis e stories, além de sugestões de receitas que vão do almoço principal às sobremesas com chocolate. A proposta é mostrar, de forma prática e inspiradora, como a tradição pode ser reinventada sem abrir mão do sabor. Além de destacar o custo-benefício, o pacote reforça atributos como versatilidade e facilidade de preparo. Cortes como lombo e filé mignon suíno permitem desde preparações clássicas até combinações criativas, como receitas com toque agridoce e sobremesas inovadoras, ampliando as possibilidades para o consumidor.
A estratégia dialoga diretamente com o momento do mercado. Com preços até oito vezes menores que o bacalhau, a carne suína se consolida como uma alternativa viável para o almoço de Páscoa. Para a contribuinte do FNDS pela Del Veneto e especialista em cortes suínos Flávia Brunelli, essa mudança reflete uma nova lógica de consumo. “O consumidor passa a avaliar o conjunto da experiência e entende que pode construir um prato principal completo com outras proteínas”, afirmou em entrevista.
Exclusivo para contribuintes do FNDS, o pacote foi entregue no mês de março e contempla um conjunto completo de peças digitais, com reel, posts estáticos, carrosseis e stories, além de textos prontos para uso. Os conteúdos abordam desde comparativos entre bacalhau e carne suína até ideias de receitas para o almoço de Páscoa e sobremesas que misturam bacon com chocolate, oferecendo suporte prático para campanhas e ações promocionais para potencializar as vendas de carne suína neste período.

Suínos
Mato Grosso mira experiência catarinense para destravar suinocultura no estado
Comitiva liderada pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso visita a Associação Catarinense de Criadores de Suínos e a Embrapa Suínos e Aves para conhecer a organização produtiva do maior polo nacional do setor.
Suínos Da eficiência à sustentabilidade
Especialista aponta como a nutrição de precisão pode mudar a produção de suínos
Abordagem alia ciência, tecnologia e manejo individualizado para reduzir desperdícios, melhorar o desempenho dos animais e tornar a produção mais sustentável.

Diante da pressão por sustentabilidade e do desafio de alimentar uma população global crescente, a nutrição de precisão desponta como uma das principais ferramentas para garantir eficiência produtiva sem esgotar os recursos naturais. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que a demanda global por alimentos aumente em cerca de 50% nas próximas décadas, impulsionada pelo crescimento populacional e pela elevação da renda per capita em países emergentes.

Doutora em Zootecnia, PhD em Alimentação de Precisão para Suínos e professora da Université Laval–AgroParisTech, no Canadá, Marie-Pierre Létourneau Montminy: “A produção de proteína animal precisa ser vista dentro de um sistema circular. Nada deve ser descartado, tudo deve ser transformado. Essa é a base de uma agricultura sustentável” – Foto: Arquivo pessoal
Nesse cenário, a pecuária, responsável por aproximadamente 30% das emissões globais de gases de efeito estufa, é chamada a se reinventar. E a resposta pode estar na nutrição de precisão, uma abordagem científica e tecnológica que busca oferecer a cada animal exatamente o que ele precisa, no momento certo e na quantidade certa, reduzindo desperdícios e emissões. “A alimentação de precisão é, antes de tudo, uma questão de conhecimento e eficiência. Não se trata apenas de reduzir custos ou impacto ambiental, mas de compreender como o animal usa cada nutriente e ajustar o sistema para que nada seja desperdiçado”, explicou a doutora em Zootecnia e PhD em Alimentação de Precisão para Suínos Marie-Pierre Létourneau Montminy, professora da Université Laval–AgroParisTech, no Canadá, durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).
Desafio global: produzir mais, com menos
Nos últimos 50 anos, a intensificação da produção animal aumentou a produtividade e reduziu custos, mas trouxe um efeito colateral: a ruptura dos ciclos naturais de nutrientes, especialmente do fósforo e do nitrogênio.
A suinocultura, embora eficiente na conversão alimentar, ainda enfrenta perdas expressivas de fósforo e nitrogênio, que, quando excretados em excesso, contribuem para a eutrofização de corpos d’água e a emissão de gases de efeito estufa. “Estamos diante de uma escassez de fósforo nos recursos naturais e de uma superabundância dele no meio ambiente. Isso é um paradoxo que a ciência precisa resolver com inteligência. A nutrição de precisão é justamente a ferramenta para isso”, frisou.
A abordagem propõe uma mudança de paradigma: substituir a lógica de alimentar para garantir pela de alimentar para atender, ou seja, ajustar a dieta de acordo com a necessidade real do animal, considerando variáveis como genética, sexo, idade e desempenho.
Do ingrediente ao indivíduo

A base da nutrição de precisão está na caracterização detalhada dos ingredientes. Avaliar os teores digestíveis de fósforo e aminoácidos, e não apenas a composição bruta, permite prever com mais acurácia o que o animal realmente absorve.
Mas essa conta não é simples. O cálcio, por exemplo, pode reduzir a absorção intestinal do fósforo ao formar compostos insolúveis, embora seja indispensável para a retenção óssea do mineral. “Equilibrar cálcio e fósforo é um desafio fisiológico e nutricional. O cálcio é necessário, mas o excesso impede o aproveitamento eficiente do fósforo”, ressaltou a especialista.
Para contornar essas interações, uma prática comum é o uso de fitases exógenas, enzimas que quebram a fitina presente nos grãos e liberam fósforo antes inacessível ao animal. “A fitase é uma aliada poderosa, mas sua eficácia depende da formulação da dieta e da matriz nutricional usada. Não é uma solução única, e sim parte de um sistema ajustado”, expõe a doutora em Zootecnia.
Adoção de tecnologias na produção
A nutrição de precisão só se torna viável quando apoiada em dados e automação. Em granjas de ponta, comedouros inteligentes já permitem medir a ingestão individual e ajustar, em tempo real, a quantidade e a composição da ração oferecida. “Cada suíno tem uma curva de crescimento diferente. O desafio é acompanhar essas diferenças e adaptar o fornecimento diário. Isso é o que torna a produção mais eficiente e sustentável”, reforça Marie-Pierre.
Esse modelo dinâmico de manejo, conhecido como alimentação multifásica ou individualizada, reduz o desperdício de nutrientes, melhora a conversão alimentar e diminui a excreção de fósforo e do nitrogênio.
Rumo à agricultura circular

A PhD em Alimentação de Precisão para Suínos reforça que o debate sobre nutrição não pode ficar restrito à granja. A pecuária faz parte de um sistema agroalimentar integrado, em que os dejetos animais podem retornar à lavoura como fertilizantes, fechando o ciclo de nutrientes. “A produção de proteína animal precisa ser vista dentro de um sistema circular. Nada deve ser descartado, tudo deve ser transformado. Essa é a base de uma agricultura sustentável”, salienta Marie-Pierre.
Entre as estratégias em desenvolvimento, a especialista cita a redução da proteína bruta das dietas, substituindo parte por aminoácidos sintéticos, e a depleção-reposição de cálcio e fósforo, técnica que explora a homeostase natural do organismo para melhorar a eficiência de absorção.
Futuro é preciso, sustentável e inteligente
Com o avanço da ciência e da tecnologia, a nutrição de precisão está se consolidando como um eixo central da suinocultura, um modelo que alia produtividade, sustentabilidade e bem-estar animal. “O futuro da produção animal será cada vez mais baseado em dados e decisões inteligentes. A suinocultura que vai prosperar será aquela que souber usar a ciência para equilibrar eficiência e responsabilidade ambiental”, sustenta.
Para a professora, esse futuro já começou. E a precisão, mais do que um conceito técnico, representa uma mudança cultural, que envolve a transição de uma pecuária intensiva para uma pecuária inteligente, guiada pela ciência e pelo respeito aos limites do planeta.
Pilares da nutrição de precisão
Conhecimento e dados: análise precisa dos ingredientes e monitoramento contínuo do desempenho animal.
Automação: uso de comedouros inteligentes e sensores para ajustar dietas em tempo real.
Modelagem nutricional: ferramentas que integram genética, idade, sexo e fase de crescimento para personalizar o fornecimento de nutrientes.
Principais estratégias aplicadas
Redução da proteína bruta com uso de aminoácidos sintéticos;
Uso de fitases exógenas para liberar fósforo presente nos grãos;
Depleção-reposição de cálcio e fósforo, baseada na homeostase mineral;
Alimentação multifásica, adaptada às fases de crescimento.
Impactos positivos
Diminuição da excreção de nitrogênio e fósforo;
Redução da pegada ambiental da suinocultura;
Maior eficiência alimentar e menor desperdício;
Integração com a agricultura circular e melhor aproveitamento de nutrientes no solo.
A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!
Suínos
Frimesa renova marca para acelerar expansão e fortalecer conexão com o consumidor
Com a essência “cooperação que alimenta, do campo à mesa”, nova identidade visual traz o roxo na cor principal da marca.

A Frimesa, uma das maiores cooperativas brasileiras do setor de proteína animal, anuncia o lançamento de seu novo posicionamento de marca e identidade visual. O projeto de rebranding e abertura estratégica de um escritório corporativo em São Paulo, consolida a transição de uma força produtiva regional para uma marca presente no maior mercado consumidor do país, com foco em valor agregado e sustentabilidade.
O Roxo como Identidade Estratégica
A mudança mais emblemática da nova identidade é a adoção do roxo como cor proprietária. A escolha é fundamentada na psicologia do consumo e no comportamento de gôndola: no imaginário coletivo, os tons de roxo e vinho já se consolidaram como a principal referência de qualidade para carnes suínas e lácteos premium.
Ao assumir este color code, a Frimesa alinha sua estética à percepção de “comida de verdade”, unindo a sofisticação de uma marca contemporânea à praticidade exigida pelo dia a dia. O novo visual funciona como um farol nos pontos de venda, facilitando a identificação de um portfólio que atende a mais de 48 mil clientes.
Tradição e Modernidade: “Do Campo à Mesa”
Sob a essência da “cooperação que alimenta”, o reposicionamento da marca busca humanizar toda a cadeia produtiva. A nova logomarca apresenta traços modernos e sutis que respeitam os quase 50 anos de tradição da cooperativa, mas que agora conversam com um consumidor mais exigente quanto à origem e aos valores de ESG (Governança, Ambiental, Social e Corporativa).
“O rebranding expõe de forma clara a consistência de uma marca que não se transforma apenas para se modernizar, mas se adequa à sua própria evolução. Deixamos de ser vistos apenas como uma indústria de processamento para nos posicionarmos como um ecossistema que gera valor do campo à mesa”, afirma o Presidente Executivo, Elias José Zydek.
O trabalho de marca reflete a maturidade da Frimesa diante do seu Plano 2032, que estabelece a meta de faturamento de R$ 15 bilhões. Segundo Zydek, a nova comunicação traduz a “Força do Coletivo”, dando clareza ao consumidor de que, ao escolher um produto Frimesa, ele apoia um ciclo sustentável que envolve milhares de famílias produtoras.
O movimento em direção ao maior mercado consumidor do país (São Paulo) reforça o compromisso da marca em oferecer qualidade e transparência em cada etapa, unindo a alta tecnologia industrial ao propósito humano do cooperativismo.






