Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”

Suínos
Exportações de carne suína superam US$ 554 milhões no 1º bimestre
Volume embarcado cresce 8,1% e setor amplia presença em mercados da Ásia e das Américas.

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 122,1 mil toneladas em fevereiro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume é 6,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 114,4 mil toneladas.
Em receita, o desempenho também foi positivo. Ao todo, as vendas internacionais do setor somaram US$ 284,1 milhões, valor 4,1% superior ao obtido em fevereiro de 2025, quando as exportações alcançaram US$ 272,9 milhões.

No acumulado do primeiro bimestre do ano, as exportações brasileiras de carne suína chegaram a 238,4 mil toneladas, volume 8,1% maior em relação ao mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 220,5 mil toneladas. Em receita, o crescimento acumulado chega a 8,5%, com US$ 554,4 milhões obtidos nos dois primeiros meses de 2026, contra US$ 510,9 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
Na análise por país-destino, as Filipinas ampliaram sua posição como principal mercado para a carne suína brasileira. Em fevereiro, o país importou 40,9 mil toneladas, volume 77,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Em seguida aparecem Japão, com 12,1 mil toneladas (+34,8%), China, com 11,1 mil toneladas (-43%), Chile, com 8,8 mil toneladas (+6%), e Hong Kong, com 8 mil toneladas (-40%).
Também figuram entre os principais destinos Singapura, com 5,4 mil toneladas (-16,6%), Argentina, com 4,3 mil toneladas (-10,5%), Uruguai, com 4 mil toneladas (+8,7%), México, com 3,2 mil toneladas (+8%), e Geórgia, com 3,1 mil toneladas (+122%).

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: ““O avanço expressivo em mercados como Filipinas e Japão demonstra a confiança dos importadores no status sanitário, na regularidade de fornecimento e na competitividade da proteína produzida no Brasil” – Foto: Divulgação/Arquivo OPR
“O avanço expressivo em mercados como Filipinas e Japão demonstra a confiança dos importadores no status sanitário, na regularidade de fornecimento e na competitividade da proteína produzida no Brasil. Ao mesmo tempo, a diversificação de destinos tem ampliado a segurança da pauta exportadora, reduzindo a dependência de mercados específicos e abrindo novas oportunidades comerciais. Neste cenário, fatores como a credibilidade sanitária, a capacidade produtiva e a eficiência logística do setor brasileiro deixam de ser apenas condicionantes e passam a se consolidar como diferenciais estratégicos para sustentar o crescimento das exportações ao longo do ano”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Principal exportador de carne suína, Santa Catarina embarcou 57 mil toneladas em fevereiro, número 7,7% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida estão o Rio Grande do Sul, com 29,7 mil toneladas (+24,1%), Paraná, com 20,6 mil toneladas (+15,3%), Mato Grosso, com 3,9 mil toneladas (+39,2%) e Minas Gerais, com 3,1 mil toneladas (+34,3%).
Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná amplia difusão de conhecimento técnico
Evento reunirá produtores, cooperativas, técnicos e lideranças do setor para discutir desafios, inovação e estratégias que impulsionam a competitividade da suinocultura paranaense.

A suinocultura paranaense não se constrói em um único ponto da cadeia. Ela nasce e se fortalece na integração entre produtores, cooperativas, agroindústrias, técnicos e lideranças que, diariamente, transformam conhecimento em decisão e decisão em resultado. É dessa base – sólida, organizada e produtiva – que emerge a maior suinocultura do Paraná.
Ao longo dos anos, as cooperativas do Oeste paranaense formaram muito mais do que estruturas produtivas. Construíram sistemas, padronizaram processos, elevaram o nível técnico da atividade e deram escala a um modelo que hoje sustenta competitividade, sanidade e presença de mercado. São elas que conectam o campo à indústria, o produtor ao mercado e a informação à prática.
É exatamente nesse ponto que o jornal O Presente Rural reafirma seu compromisso. Levar informação de qualidade sempre foi – e continua sendo – a essência do nosso trabalho. No impresso, no digital e também na realização de eventos técnicos, o objetivo é o mesmo: qualificar o debate e apoiar quem produz.
Em 09 de junho, Marechal Cândido Rondon volta a ser palco de um encontro estratégico da suinocultura paranaense. O Congresso de Suinocultores do Paraná 2026 tem um propósito claro: unir conhecimento técnico, experiência prática e visão de futuro. Os convidados que compõem a programação representam exatamente essa força cooperativa que sustenta o setor. São profissionais e lideranças que conhecem a atividade por dentro, vivem os desafios do dia a dia e participam ativamente das decisões que moldam o presente e o futuro da suinocultura.
O Congresso é uma extensão natural do jornalismo que O Presente Rural pratica há décadas. Um jornalismo que não se limita a informar, mas que busca contextualizar, provocar reflexão e oferecer conteúdo que ajude o produtor a tomar melhores decisões. Ao ocupar diferentes plataformas – papel, tela e palco – o jornal amplia seu papel como elo entre informação, produção e desenvolvimento.
Informar é mais do que noticiar fatos. É sustentar a base com conteúdo relevante, confiável e aplicável. É isso que O Presente Rural faz no impresso, no digital e, cada vez mais, também fora das páginas e das telas. Porque uma suinocultura forte começa com informação de qualidade e se consolida quando essa informação chega a quem realmente produz.
Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!
Suínos
Master projeta investir R$ 1 bilhão e ampliar produção de suínos até 2030
Modelo de integração com produtores sustenta expansão da empresa de Santa Catarina, que pretende dobrar a capacidade industrial e ultrapassar 2 milhões de animais por ano.

A empresa Master Agroindustrial, de Videira (SC), dona da marca Sulita, adota o modelo de integração com produtores rurais como um dos pilares de seu negócio. Até 2030, a companhia pretende ampliar investimentos em processos produtivos, tecnologias, aumento da produção, assistência técnica e acesso a crédito aos integrados, com remuneração baseada em desempenho. A estimativa é que os investimentos no sistema como um todo cheguem a cerca de R$ 1 bilhão.
Fundada há 32 anos, a empresa tem origem no campo. O fundador, Mario Faccin, é médico veterinário e filho de agricultores. Antes de criar a empresa, atuava prestando assistência técnica a produtores rurais. “No início, eu prestava assistência a produtores. Vi de perto a evolução do agricultor, que deixou de ser chamado de colono para se tornar empresário rural”, relembra.

Foto: Shutterstock
Atualmente, a Master emprega cerca de 2 mil pessoas, mantém 350 pequenos produtores integrados e produz aproximadamente 1,1 milhão de suínos por ano. A meta é ampliar o plantel para 70 mil matrizes até 2030, alcançar a produção de mais de 2 milhões de suínos anuais e dobrar a capacidade industrial.
Mais de 70% da produção da empresa é destinada à exportação, com destaque para o Japão, considerado um dos mercados mais exigentes do mundo. No novo ciclo de expansão, cerca de R$ 250 milhões devem ser investidos diretamente nas propriedades rurais integradas. “O campo é a nossa raiz. É lá que estão nossos valores”, afirma Faccin.
A companhia também mantém o Instituto Master, responsável por ações sociais. Em 2025, os projetos somaram R$ 2,7 milhões em investimentos, além de iniciativas estruturadas de ESG desenvolvidas com apoio do SENAI.
No ano passado, a empresa anunciou R$ 800 milhões para ampliar suas operações em Santa Catarina. A expansão ocorre nas regiões do Planalto Norte e Meio-Oeste catarinense, onde a companhia já atua. A decisão de manter os investimentos no estado está ligada ao status sanitário diferenciado de Santa Catarina, único estado brasileiro autorizado a exportar carne suína para mercados como Japão, Coreia do Sul, México, Estados Unidos e Canadá.



