Avicultura Após quase dois anos
Carne de frango do Rio Grande do Sul volta a acessar um dos mercados mais disputados do mundo
Setor comemora retomada das exportações à China, destaca papel da diplomacia sanitária e reforça biosseguridade como pilar para manter acesso a mercados estratégicos.

A avicultura do Rio Grande do Sul voltou a ter acesso ao mercado chinês, considerado um dos mais relevantes para o comércio global de proteínas animais. A confirmação da reabertura foi recebida com alívio e expectativa pelo setor, que enfrentou quase dois anos de restrições, com impactos diretos sobre produtores, indústrias e toda a cadeia produtiva no Estado.

Foto: Jonathan Campos
Em nota, a Organização Avícola do Rio Grande do Sul (O.A.RS), que reúne a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e o Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas no Estado do Rio Grande do Sul (Sipargs), classificou a decisão como estratégica para a sustentabilidade econômica da atividade. De acordo a nota assinada em conjunto pelos presidentes José Eduardo dos Santos (O.A.RS) e Nestor Freiberger (Sipargs), a China combina grande capacidade de absorção de volumes com peso geopolítico e comercial no cenário internacional, o que amplia os efeitos da retomada das vendas.
O período de espera foi marcado por incertezas e dificuldades operacionais. Para a O.A.RS, houve momentos em que o processo poderia ter avançado com maior rapidez, mas o resultado final evidencia a importância do diálogo técnico e institucional conduzido ao longo das negociações.
A entidade atribuiu o desfecho positivo ao trabalho articulado de diferentes órgãos e instituições, entre eles o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Secretaria de Relações Internacionais, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). De acordo com o setor, a atuação técnica e diplomática foi determinante para atender às exigências sanitárias do mercado chinês.
Mais do que a retomada comercial, a experiência reforçou um alerta permanente para a avicultura brasileira. As entidades afirmam no

Foto: Jonathan Campos
documento que a biosseguridade precisa permanecer como um princípio inegociável, com investimentos contínuos em programas sanitários, vigilância ativa, rastreabilidade e capacidade de resposta rápida a emergências. Esses fatores, avalia as entidades, são decisivos tanto para preservar mercados já conquistados quanto para reduzir riscos diante de novos desafios sanitários.
Ao final da nota, os presidentes agradecem produtores, indústrias, técnicos e equipes de campo que mantiveram os padrões sanitários e produtivos durante o período de restrições. Para o setor, a reabertura do mercado chinês representa não apenas a retomada de um fluxo comercial relevante, mas também um aprendizado institucional que reforça a posição do Rio Grande do Sul como referência nacional e internacional na produção avícola.

Avicultura
Emirados Árabes e Arábia Saudita ampliam compras de frango brasileiro em fevereiro
Países do Golfo impulsionam exportações, que atingem 493,2 mil toneladas no melhor resultado já registrado para o mês.

Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, dois dos maiores importadores de carne de frango do Brasil, ampliaram suas compras em fevereiro. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os Emirados foram o segundo principal destino, atrás da China, com compras que somaram 44 mil toneladas, em alta de 13,4% em relação a fevereiro de 2024. Nesta mesma comparação, as vendas para a Arábia Saudita subiram 7,3%, para 33,8 mil toneladas. O país foi o quarto principal destino, atrás do Japão.

Foto: Shutterstock
Os números ainda não refletem o cenário do conflito dos Estados Unidos e Israel com o Irã, que tornou inacessíveis vários portos de países árabes do Golfo, dificultando as entregas de mercadorias. Os ataques foram lançados no sábado, 28 de fevereiro. Em material sobre os resultados de fevereiro, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, comentou os desafios que o conflito está impondo ao setor. “São grandes os esforços para a construção de alternativas logísticas que mantenham o fluxo para destinos afetados pelo conflito no Golfo do Oriente Médio”, afirmou.
Segundo a ABPA, as exportações de carne de frango do Brasil somaram 493,2 mil toneladas em fevereiro, no melhor resultado já registrado para este mês, em alta de 5,3% sobre o mesmo período de 2025. Em valores, os embarques somaram US$ 945,4 milhões, com aumento de 8,6%, o melhor fevereiro já registrado. Os dados do primeiro bimestre do ano, indica a ABPA, se consolidam como o melhor desempenho do período. No acumulado, foram exportadas 952,3 mil toneladas que somaram US$ 1,819 bi.
No comunicado da instituição, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, afirmou que as vendas para a China recuperaram os patamares praticados anteriormente nas vendas ao país, a exemplo das vendas para a União Europeia. “Os efeitos comerciais do foco de Influenza Aviária registrado, e já superado, na produção comercial do Brasil, em maio do ano passado, foram superados e devem influenciar positivamente o desempenho das exportações nos próximos meses, acompanhando a alta dos embarques para os principais países importadores”, disse.
Avicultura
Equipes concluem visitas a propriedades com aves após foco de gripe aviária no Taim
Ação monitorou 40 criações de subsistência no entorno da Lagoa da Mangueira para prevenir disseminação da doença.

As visitas em propriedades rurais com criação de aves de subsistência na região da Reserva do Taim, em Santa Vitória do Palmar, foram finalizadas na última sexta-feira (06) pelas equipes da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). A medida foi adotada após a confirmação do foco de gripe aviária em aves silvestres, da espécie Coscoroba coscoroba (cisne-coscoroba), na Lagoa da Mangueira, dentro da Reserva do Taim.
Ao todo, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS) visitou 40 propriedades com aves domésticas no entorno do foco, além da vistoria em granjas comerciais na regional Pelotas e criatórios de aves ornamentais em Santa Vitória do Palmar, para verificação de medidas de biosseguridade.

Foto: Sergiane Base Pereira/Seapi
“O objetivo dessa ação é monitorar a criação de aves nas áreas próximas e detectar de forma ágil qualquer indício suspeito, reduzindo o risco de disseminação da doença. As visitas também têm caráter orientativo, levando informações aos produtores e reforçando a necessidade de observar possíveis sinais da enfermidade nas aves e comunicar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial diante de qualquer suspeita”, enfatizou o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA) da Seapi, Fernando Groff.
Ações de educação sanitária também estão sendo realizadas com gestores públicos, entidades ligadas aos setores produtivos da região e lojas agropecuárias. O intuito é levar informações oficiais e atualizadas sobre o caso, sem gerar pânico a população.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos.
Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em animais devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Exportadores brasileiros de frango buscam rotas alternativas diante do conflito no Oriente Médio
Fechamento do Estreito de Ormuz leva empresas a avaliar portos como Jeddah e rotas pelo Cabo da Boa Esperança para manter entregas aos países árabes.

Instituições, governo e empresas que trabalham na produção e exportação de carne de frango estão atuando para garantir a entrega aos portos árabes em meio ao conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. De acordo com o presidente de Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, mesmo com o fechamento do Estreito de Ormuz, na costa iraniana, as empresas que exportam e as que transportam os contêineres com carne de frango (os armadores) estão escoando a produção para seus clientes. Nesta quarta-feira (4), ele afirmou à ANBA que ajustes nas entregas poderão ser feitos.
“Todos os ‘bookings’ (reserva de espaço em navios de carga) que estavam prontos para sair estão sendo mantidos. Esperamos que, pelo menos, se construam rotas alternativas para garantir que a gente possa colaborar com a segurança alimentar do Oriente Médio, que é um parceiro de tanto tempo”, afirmou Santin.
“Um navio que saiu, a ideia é que ele possa entrar [no país de destino] ou então aguarde em um porto de segurança, seja passando pelo Oriente Médio e indo para Singapura, seja parando no Sri Lanka, seja parando em algum lugar da África”, disse. Ele citou como rota alternativa entregar a carga no porto de Jeddah, na Arábia Saudita, e, de lá enviar por terra tanto para Riad, a capital saudita, como para outros destinos.
Jeddah fica na costa ocidental do país árabe, no Mar Vermelho, lado oposto ao Estreito de Ormuz, próximo do qual estão Emirados Árabes Unidos, Omã, Kuwait, Bahrein e Catar. Medidas que estão sendo avaliadas pelos exportadores poderão ampliar o tempo de trânsito da carga de 42 dias, em média, para em torno de 57 dias, o que é possível porque a carga é refrigerada.
“Hoje o Mar Vermelho está aberto, tem bookings para lá. Já se consegue entender que o grande risco está no Estreito de Ormuz”, disse Santin, lembrando que rotas pelo Cabo da Boa Esperança, que contorna a África do Sul, são uma opção. Alternativas, disse, geram desafios logísticos, porém permitem entregar os produtos ao seu destino.
Os países árabes estão entre os maiores consumidores de carne de frango do Brasil. Segundo Santin, importam, em média, entre cem mil e 120 mil toneladas por mês, o equivalente a entre 25% e 30% do total exportado pelo País. Empresas como a MBRF e a Seara têm fábricas e centros de distribuição nos países do Golfo.
O executivo disse que está em contato com as companhias e com o governo brasileiro. Ele conversou com o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa) do Brasil, Carlos Fávaro, na terça-feira (3), ocasião em que o ministro disse que o País fará esforços para garantir o abastecimento aos parceiros do Golfo.
“Conversei com o Fávaro, que se colocou à disposição para fazer todos os esforços possíveis no sentido de ajudar e minimizar os efeitos da guerra para a população que já está vivendo em tensão de um clima de guerra direta ou indireta. E, também, ajudar as empresas a fazer a comida chegar lá. Isso demanda algumas mudanças burocráticas”, disse Santin. Os custos com frete, seguro e combustível, entre outros, deverão subir, disse Santin.
Os países árabes, que são de maioria muçulmana, estão no mês sagrado do Ramadã, período em que seus seguidores jejuam durante o dia e se alimentam ao anoitecer. Geralmente, os países ampliam as compras de alimentos antes do mês sagrado e ampliam seus estoques de alimentos.



