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Cargueiro barrado na Turquia inicia retorno após dois meses sem desembarque

Retorno deve durar cerca de um mês, com chegada prevista para 14 de dezembro. As condições a bordo têm sido descritas por testemunhas como degradantes, com forte odor, infestação de moscas e carcaças acumuladas no convés, em processo avançado de decomposição.

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Cerca de três mil vacas estão há dois meses confinadas em um navio que não obteve autorização para desembarcar sua carga na Turquia, após autoridades identificarem graves irregularidades na documentação sanitária e na identificação dos animais. A inspeção turca constatou que 146 bovinos estavam sem brincos de identificação ou com numeração ilegível, enquanto 469 apresentavam marcas que não correspondiam às listas oficiais de importação, falhas que acenderam o alerta para riscos sanitários, incluindo a possível transmissão de doenças. Também foi reportada a morte de 48 animais durante a viagem.

O cargueiro Spiridon II deixou Montevidéu, Capital do Uruguai, em 20 de setembro, e chegou à região do porto de Bandırma em 22 de outubro. Desde então, não recebeu permissão para desembarcar as vacas, destinadas à produção de leite. Após semanas ancorado, o navio deixou Bandırma na última sexta-feira (14), cruzou o Estreito de Çanakkale e agora navega de volta rumo ao Uruguai. Segundo dados da plataforma MarineTraffic, o retorno deve durar cerca de um mês, com chegada prevista para 14 de dezembro.

Fotos: Reprodução

Odor forte e infestação de moscas

As condições a bordo têm sido descritas por testemunhas como degradantes, com forte odor, infestação de moscas e carcaças acumuladas no convés, em processo avançado de decomposição. Além das mortes registradas, a organização Animal Welfare Foundation (AWF) relatou, com base em informações obtidas localmente, o nascimento de cerca de 140 bezerros durante a travessia.

Retorno a Uruguai

A especialista em bem-estar animal Maria Boada, da AWF, alertou que muitos dos bovinos não devem resistir a uma segunda viagem de um mês até Montevidéu e que o navio aparenta ter estoque insuficiente de alimento. Ela também afirmou ser provável que os animais mortos tenham sido descartados no mar.

Foto: Reprodução

A veterinária australiana Lynn Simpson, referência internacional em transporte marítimo de animais, lançou novos alertas ao relatar vazamento de fluidos provenientes de carcaças em decomposição no convés, destacando riscos ao bem-estar animal, à saúde pública e à segurança ambiental.

Esta não é uma situação isolada envolvendo a exportação de animais vivos. Ao redor do mundo, casos como esse se repetem, cada vez com maior frequência, devido à péssima condição dos chamados navios boiadeiros. A exportação de animais vivos é uma das atividades de maior impacto negativo da pecuária, as más condições de higiene e bem-estar nos navios causam intenso sofrimento animal e oferecem riscos à saúde pública e ao meio ambiente.

Outros casos

Em 2024, o navio transportador de animais vivos Al Kuwait atracou no porto da Cidade do Cabo para carregar ração. A chegada do curral flutuante poluiu o ar da capital legislativa da África do Sul e seu cartão-postal mais característico com o cheiro fétido de esterco de 19.000 touros embarcados no Brasil para serem enviados ao Iraque. O episódio foi exposto pela National Council of Societies for the Prevention of Cruelty to Animals (NSPCA).

A equipe da NSPCA que embarcou no navio descreveu o que testemunhou como abominável. Além de animais mortos, outros animais feridos e doentes foram encontrados a bordo, alguns dos quais tiveram que ser sacrificados. Havia escassez de medicamentos necessários para lidar com os problemas de saúde animal encontrados, entre eles um surto de conjuntivite bovina. Tampouco havia assistência médica suficiente: apenas dois veterinários, auxiliados por quatro tratadores, acompanhavam os 19.000 touros.

Em 2019, o Queen Hind naufragou no Porto de Midia na Romênia, pouco após zarpar carregado com milhares de ovinos vivos. Em 2022, o Al Badri 1, também carregado, adernou e afundou em um berço de atracação do porto de Suakin, no Sudão. O navio que afundou no porto romeno, o Queen Hind, esteve no Brasil apenas alguns meses antes do acidente. Investigações subsequentes indicaram diversas irregularidades, inclusive a existência de compartimentos de carga ocultos. Tanto o Haidar quanto o Queen Hind e o Al Badri 1 eram navios convertidos.

Em 2018, uma operação de exportação de bovinos vivos causou intensa poluição do ar na cidade de Santos-SP, em decorrência do acúmulo de fezes e urina dos animais na embarcação, o navio de bandeira panamenha MV Nada. Os 27 mil bois pertenciam à Minerva e tinham por destino a Turquia. A empresa foi multada pela prefeitura municipal por infração ambiental e maus tratos animais.

Em 2015, na cidade de Barcarena (PA), o navio Haidar, com quase 5 mil bois vivos, 28 tripulantes a bordo e 700 toneladas de óleo, naufragou no Porto de Vila do Conde. A decomposição dos corpos dos animais mortos e o vazamento de óleo do navio provocaram um dos piores desastres ambientais da história do estado. As carcaças e o óleo que vazou do Haidar deixaram um rastro de contaminação que alcançou a cidade de Belém, cerca de 60 km rio abaixo.

Em 2012, 2.750 bois morreram asfixiados a bordo do navio de bandeira panamenha MV Gracia Del Mar, em decorrência de uma pane no sistema de ventilação durante a viagem. Os animais, fornecidos pela Minerva, foram embarcados no porto de Vila do Conde, em Barcarena-PA, e tinham por destino o Egito.

No Porto de São Sebastião, o terceiro do país que mais exporta animais vivos, a população relata como fica a cidade nos dias de operação: o trânsito fica congestionado pelo grande fluxo de caminhões; o mau cheiro das fezes e da urina dos animais empesteia o ar e prejudica o turismo na região. Este cenário foi retratado no documentário “Elias: O Boi que Aprendeu a Nadar”, da Mercy For Animals.

Fonte: O Presente Rural com Animal Welfare Foundation

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Imac leva campanha tira-dúvidas sobre regeneração de áreas degradadas à região Leste de Mato Grosso

Ação do Imac levou suporte direto aos produtores, esclareceu pendências no sistema de autovistoria e reforçou a importância do Prem para recuperar áreas e garantir a continuidade das vendas de gado.

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Foto: Divulgação/IMAC

Pecuaristas de Confresa e Nova Xavantina receberam nesta semana técnicos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), como parte de uma campanha de orientação sobre a regeneração de áreas degradadas por meio do Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). Nesta semana, analistas do instituto percorreram propriedades rurais, conversaram com os produtores e auxiliaram no uso correto do sistema de autovistoria exigido durante o processo de recuperação das áreas.

Pecuarista há 33 anos em Confresa, Hélio Fernandes Vasques administra uma fazenda de 117 hectares e aderiu ao Prem há cerca de dois anos, depois de ficar impedido de comercializar gado para o frigorífico da região. Com dificuldades no uso do sistema, ele recebeu a equipe do Imac e teve todas as pendências esclarecidas. “As explicações foram bem produtivas, tiraram muitas dúvidas. Eu acho muito importante essa visita, ajuda muito. A maioria das pessoas que mora na roça tem os filhos que podem fazer a vistoria, mas nem sempre eles moram junto. Quase todo mundo é velho, tem muita dificuldade, às vezes só falando pelo celular a gente não consegue aprender”, afirmou o produtor.

Crédito: Divulgação/Rede ILPF

Criado em 2021 pelo Imac, o Prem funciona como uma ponte entre regularização ambiental e manutenção da atividade econômica. O programa orienta e acompanha a regeneração de áreas desmatadas ilegalmente, possibilitando que o produtor retorne ao mercado formal. Isso porque alertas de desmatamento podem gerar embargos e impedir a venda de animais aos frigoríficos, causando prejuízos significativos às fazendas.

Ao aderir ao Prem e iniciar a recuperação da área, o produtor recebe a Autorização de Comercialização Temporária (ACT), documento que confirma que ele está regularizando a propriedade e, por isso, pode continuar vendendo o gado enquanto o processo de regeneração avança. “O Prem é um programa que alia regularização, transparência e compromisso ambiental. As visitas em Confresa e Nova Xavantina mostraram que os pecuaristas estão abertos ao diálogo e querem fazer a coisa certa. Nosso papel é garantir que eles tenham todas as ferramentas e informações para conduzir a regeneração das áreas da forma correta e sustentável”, explica o gerente de Conformidade do Imac e coordenador do Prem, Tássio Bizelli.

A campanha também reforça o alinhamento de Mato Grosso às exigências dos mercados nacionais e internacionais, cada vez mais atentos à origem sustentável da carne. O Prem integra o conjunto de políticas que posicionam o estado na vanguarda da pecuária responsável, ao lado de iniciativas como o Passaporte Verde.

Para o próximo ano, já estão previstas novas ações de orientação aos produtores, incluindo caravanas, workshops e atendimentos regionais focados em dúvidas técnicas e uso da plataforma do Prem. “Somos aliados dos produtores e estamos sempre auxiliando em todo o processo de regeneração das áreas degradadas”, enfatiza Tássio.

Fonte: Assessoria IMAC
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Pressão do campo reacende debate sobre crise do leite em Brasília

Produtores e entidades conseguiram avanço nas discussões sobre antidumping e cobraram a retomada do grupo interministerial para ações urgentes na cadeia leiteira.

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Foto: Arnaldo Alves/AEN

A Abraleite, representada pelo presidente Geraldo Borges, participou na manhã desta terça-feira de uma reunião no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) com o ministro e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. A audiência reuniu parlamentares da situação e da oposição, sendo 3 deles membros da FPA, além das entidades CNA, Abraleite e OCB, com o objetivo de debater a crise que afeta a produção de leite no Brasil.

Durante a audiência, o MDIC anunciou que acolheu o recurso apresentado pela CNA referente à similaridade entre leite e leite em pó e informou que dará prosseguimento à investigação antidumping sobre as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai. A investigação, requerida pela CNA, conta com o apoio da Abraleite e da OCB.
Durante a reunião, o presidente da Abraleite, Geraldo Borges, agradeceu aos ministros e suas equipes pela atenção às demandas do setor, além do apoio dos deputados que têm conduzido as audiências sobre a crise do leite.
Ele reforçou a urgência de reativar o Grupo de Trabalho Interministerial, essencial para construir ações emergenciais e estruturantes, afirmando que Abraleite, CNA e OCB estão prontas para contribuir. A proposta recebeu sinalização positiva dos ministros.

Borges também destacou a união dos parlamentares, ressaltando que a cadeia do leite é uma questão de Estado, dada sua importância econômica e social.

A reunião contou com a participação, pelo MDIC, do ministro Geraldo Alckmin, do secretário-executivo Márcio Dias e de sua equipe; do ministro Paulo Teixeira (MDA); dos deputados federais Domingos Sávio (PL/MG) que solicitou a audiência, Ana Paula Leão (PP/MG), Elton Welter (PT/PR) e Zé Silva (Solidariedade/MG); de Tania Zanella, superintendente do Sistema OCB e presidente do IPA; de Geraldo Borges, presidente da ABRALEITE; e, pela CNA, de Jônadan Hsuan Min Ma, vice-presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite e presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da FAEMG, e de Guilherme Dias, assessor.

Fonte: Assessoria Abraleite
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Troféu Destaque Holandês celebra excelência da raça em ano desafiador

Gadolando reúne produtores, parceiros e entidades no dia 13 de dezembro, em Esteio (RS), para reconhecer resultados de destaque em genética, produção e dedicação à atividade leiteira em 2025.

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Foto: Cláudio Bergman/Divulgação

O reconhecimento do trabalho de produtores, parceiros, entidades e empresas junto à raça holandesa em 2025, em um ano desafiador para o setor, ocorre no próximo dia 13 de dezembro com a entrega do Troféu Destaque Holandês. Como de praxe, a homenagem será durante a confraternização de fim de ano da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), no pavilhão do Gado Leiteiro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS).

O presidente da Gadolando, Marcos Tang, destaca que, apesar dos desafios, com a deterioração nos preços da produção de leite, é importante valorizar, sobretudo, os produtores que desempenharam suas atividades com dedicação, sabedoria, uso de tecnologia e muito amor pelo que fazem, culminando em excelência na entrega de seus resultados. “Sabemos que haveria muitos mais a serem premiados, porém precisamos adotar critérios para essa escolha”, observou.

Tang reforça, inicialmente, o reconhecimento aos produtores, associados ou cooperados, que se sobressaíram nos serviços realizados junto à Gadolando, como registro genealógico, controle leiteiro e classificação. “Essas ações são fundamentais para o melhoramento genético da raça Holandesa e para o fortalecimento do nosso rebanho”, pontua, colocando que há produtores que obtêm resultados expressivos em volume de leite, qualidade e sólidos, “revelando verdadeiro domínio na condução da atividade e na excelência da raça”.

O dirigente também lembra das vacas diferenciadas em sua morfologia, como novilhas de primeiro parto classificadas acima de 85 pontos, assim como animais que atingem 90 pontos ou mais, demonstrando o avanço contínuo do rebanho Holandês do Rio Grande do Sul que, conforme salienta, é  fruto do mérito e do trabalho dedicado dos produtores. “Este é o momento de reconhecimento e gratidão por tudo o que fazem pela raça Holandesa e de homenageá-los junto com as suas famílias, pois apesar de seus resultados extraordinários, muitos destaques não participam de feiras tradicionais como a Fenasul  e a Expointer”, observa.

Segundo Tang, as entidades que caminham ao lado da Gadolando também precisam ser reconhecidas. “A nossa Associação não atua de forma isolada, conta com entidades parceiras e amigas que sempre nos apoiam em eventos e em nossos pleitos, especialmente neste momento em que a união se faz ainda mais necessária. Essas organizações, empresas, associações e federações merecem igualmente essa distinção, pois é por meio dessas parcerias que conseguimos avançar e fortalecer nosso trabalho”, enfatiza.

O presidente da Gadolando ressalta, ainda, o apoio  do setor jornalístico, que, segundo ele, cumpre um papel essencial ao levar ao grande público a verdadeira realidade do agro. “Esse trabalho evidencia o amor, o cuidado e o respeito com que nossos produtores tratam seus animais, sempre pautados no bem-estar animal e na produção consciente. Como sempre reforçamos: animal mal cuidado não produz, e a nossa atividade é feita com responsabilidade, carinho e dedicação”, reitera, agradecendo a todos que contribuíram para o fortalecimento da raça Holandesa e para o desenvolvimento da atividade leiteira no Rio Grande do Sul.

Fonte: Assessoria Gadolando
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