Avicultura Nutrição
Carboidrases ganham destaque na alimentação animal
Uso das enzimas exógenas é uma das ferramentas que têm apresentado os melhores resultados, tanto em performance, como em redução nos custos de formulação das rações

Artigo escrito por Idiana Mara da Silva, zootecnista, mestre em Nutrição Animal e profissional do Departamento de Nutrição Animal da Tectron
Os aditivos são adicionados às dietas a fim de otimizar o desempenho zootécnico e os custos de produção. Dentre os diversos aditivos empregados na alimentação animal, o uso das enzimas exógenas é uma das ferramentas que têm apresentado os melhores resultados, tanto em performance, como em redução nos custos de formulação das rações.
Os ingredientes de origem vegetal empregados na alimentação animal possuem, em sua maioria, teores consideráveis de fibras em sua composição, e consequentemente teores variados de Polissacarídeos Não Amiláceos (PNAs). Os PNAs são componentes da parede celular dos vegetais, que devido à natureza das suas cadeias de ligações de açucares, são resistentes a hidrólise no trato gastrointestinal, principalmente dos monogástricos.
A inclusão de enzimas exógenas às dietas, surge como uma alternativa para que os animais possam hidrolizar de forma mais eficiente esses componentes fibrosos. O milho, como fonte energética e principal ingrediente da dieta, não apresenta grandes quantidades de PNAs, entretanto, o farelo de soja, principal fonte proteica, pode conter quantidades consideráveis desse fator antinutricional.
Dentre as diversas classificações de enzimas exógenas disponíveis no mercado, as carboidrases são as recomendadas para uso em dietas contendo alimentos fibrosos, com a finalidade principal de minimizar o impacto de seus compostos indigestíveis sobre o desempenho zootécnico. A xilanase, arabinoxilanase, β-glucanase, β-mananase, hemicelulase e pectinase são algumas das enzimas carboidrases recomendadas para suplementar alimentos contendo PNAs.
Maximizando nutrientes
Como principal mecanismo de ação, além de suplementar a produção de enzimas endógenas dos animais, as carboidrases irão auxiliar na ruptura das paredes celulares das fibras. De modo específico, a ação das carboidrases terá efeito direto na hidrólise dos PNAs, reduzindo o efeito de encapsulamento provocado pelas paredes celulares dos vegetais, diminuindo a viscosidade da digesta e, consequentemente, maximizando a utilização dos nutrientes.
O uso de carboidrases e seus benefícios vêm sendo atestados desde a indústria até o campo, em diferentes espécies animais. Estudos recentes têm demonstrado respostas positivas quanto à digestibilidade de nutrientes e o desempenho de suínos e aves alimentados com rações à base de milho e soja, quando estas foram suplementadas com enzimas carboidrases. Além dos benefícios nutricionais, observa-se uma melhora significativa na qualidade das excretas através da melhor absorção de nutrientes, reduzindo, consequentemente, possíveis problemas ambientais.
Para ruminantes, o uso de carboidrases ainda é considerado recente, entretanto, estudos afirmam que a inclusão de enzimas que degradam as fibras pode aumentar a taxa e a extensão da digestão de forragem para ruminantes, principalmente nas fases iniciais. Dentre os principais benefícios, uma melhora na conversão alimentar e uma diminuição no consumo diário de matéria seca, consequência do melhor aproveitamento do alimento.
Na indústria, o uso de carboidrases permite buscar ingredientes alternativos ao milho e à soja, trabalhando com uma maior flexibilidade na formulação. Dúvidas quanto ao uso de enzimas ainda são frequentes, entretanto, seu uso já está consolidado na nutrição moderna.
Havendo conhecimento pleno sobre o modo de ação de cada enzima, as dosagens recomendadas, suas faixas ótimas de temperatura e pH e, sobretudo, sobre o substrato da matéria-prima onde cada enzima irá atuar, as carboidrases podem ser aplicadas para todas as espécies animais, com resultados satisfatórios, principalmente em redução nos custos de produção de carne, ovos e leite.
Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



