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Caravana FertBrasil compartilha tecnologias para reduzir dependência internacional por fertilizantes
Esta etapa foi realizada em São Paulo.

Diminuir a dependência externa de mais de 80% dos fertilizantes para em torno de 50% é o objetivo do Plano Nacional de Fertilizantes. Segundo o assessor especial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), José Carlos Polidoro, alcançando essa meta, o país terá capacidade de abastecer o mercado interno em tempos de crise e também de manter a estabilidade dos preços e a oferta de insumos aos produtores brasileiros. Ainda, de acordo com ele, o Plano busca tornar o país autônomo em desenvolvimento de tecnologias adequadas ao ambiente de produção tropical. “Hoje, o Brasil importa as tecnologias que são usadas na agropecuária. A caravana FertBrasil está alinhada a essas metas. A essência é levar as tecnologias e os conhecimentos, de forma interativa, discutindo com os elos da cadeia a melhor maneira de aplicá-los no campo”, destaca Polidoro.
Dando continuidade às ações da Caravana, no dia 11 de outubro, ocorre mais uma etapa no estado de São Paulo. Desta vez, o evento será em Piracicaba, na Esalq (USP), das 14 às 18 horas, durante a 66ª Semana “Luiz de Queiroz”. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui.
Para o professor Paulo Pavinato, do departamento de Ciência do Solo da Esalq, a organização da Caravana como parte da programação técnico-científica da edição de 2023 da Semana será prestigiada por alunos de graduação, pós-graduação e profissionais da área que buscam melhorar a produção agropecuária com sustentabilidade.
A ideia é tornar mais racional e eficiente o uso de fertilizantes. Para isso, os especialistas da Embrapa abordam vários temas de interesse de técnicos e produtores, como planejamento do melhor uso das terras, práticas para utilização de nutrientes, novos fertilizantes e insumos, tecnologias sustentáveis de manejo e soluções digitais.
Conforme o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Alberto Bernardi, que coordena essa etapa, a eficiência brasileira no uso de insumos é baixa. “Os dados de pesquisa têm mostrado que a agricultura interna, infelizmente, não utiliza bem os nutrientes de uma maneira em geral. A caravana vem para reforçar os conhecimentos aos técnicos, produtores e futuros profissionais da área. Já temos tecnologia disponível para sermos mais eficientes, usando novas fontes, soluções apropriadas às nossas condições tropicais e utilizando sistemas de produção mais sustentáveis. Queremos, com isso, diminuir a dependência externa de nutrientes”, explica Bernardi.
A caravana já percorreu 18 estados brasileiros, sendo realizada em 46 municípios das principais regiões produtoras do país.
Desde 2022, os pesquisadores da Embrapa levam às regiões brasileiras boas práticas, tecnologias e o manejo apropriado dos insumos para aumentar a eficiência no campo.

Notícias
Agro do Paraná vê impacto limitado após proposta de nova tarifa dos Estados Unidos
Principais produtos exportados pelo Estado ao mercado norte-americano permanecem isentos da cobrança adicional de 25%.

Os Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira (1º), uma proposta de implementação de tarifa adicional de 25% aos produtos brasileiros. Caso entre em vigor, a medida deve afetar itens como alguns dos produtos florestais, pescados e mel. No entanto, outros itens, considerados estratégicos pelos EUA, estarão isentos da sobretaxa, incluindo carnes, frutas e café. Esses são produtos considerando relevantes da pauta da exportação do Paraná para os Estados Unidos.

Foto: Edinan Ferreira
“Embora a nova tarifa americana represente um sinal de alerta e deva afetar alguns dos setores, o impacto na agropecuária do Paraná tende a ser limitado. Isso porque parte expressiva da exportação agropecuária paranaense aos Estados Unidos segue isenta dessa sobretaxa”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Entre janeiro e maio de 2026, o Paraná exportou para os EUA cerca de US$ 24,5 milhões em café, US$ 11 milhões em carnes e US$ 165 mil em frutas.
Entre as categorias que sofrerão o acréscimo de 25%, estão alguns tipos de produtos florestais. Ao todo, somando o que será taxado e o que ficou de fora, o segmento florestal representou US$ 90 milhões nas exportações do Paraná para os Estados Unidos neste ano.
“Ainda que a taxação não atinja todo o setor, não podemos ignorar o peso dessa medida, que deve atingir produtores que movimentam um segmento considerável das exportações paranaenses”, avalia Meneguette.
O prazo para o início da aplicação da taxa adicional de 25% vai até 15 de julho — período em que é possível haver negociações entre os dois países.

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep: “Embora a nova tarifa americana represente um sinal de alerta e deva afetar alguns dos setores, o impacto na agropecuária do Paraná tende a ser limitado”
A proposta partiu do Escritório de Comércio dos EUA, após uma investigação do órgão concluir que o Brasil adota “práticas comerciais desleais”. A investigação aconteceu no âmbito da Seção 301, mecanismo legal dos EUA que permite investigar e retaliar países cujas políticas sejam consideradas prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos. Entre as práticas apontadas no documento, estão o uso do PIX como método de pagamento, a pirataria e uma suposta falta de fiscalização e de regulamentações ambientais, o que contribuiria para o desmatamento ilegal.
O relatório afirma que áreas desmatadas ilegalmente seriam utilizadas para atividades agropecuárias, o que proporcionaria às exportações do agronegócio brasileiro uma vantagem competitiva considerada injusta.
“Classificar a nossa produção dessa forma é um erro. O agronegócio do Paraná segue legislações ambientais rigorosas, com rastreabilidade e um compromisso real com a preservação”, observa o presidente do Sistema Faep. “O produtor paranaense trabalha rigorosamente dentro da lei e não deveria ser penalizado.”
Colunistas
Quando a proteção ambiental deixa de ser fiscalização e passa a ser parceria
A aproximação entre a Polícia Militar Ambiental e os produtores rurais fortalece a segurança, a preservação dos recursos naturais e o desenvolvimento sustentável em Santa Catarina.

A Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina desempenha um papel fundamental na proteção dos recursos naturais, na preservação da ordem pública e na promoção da segurança das comunidades urbanas e rurais. Trata-se de uma instituição que reúne preparo técnico, compromisso com a legislação e profundo senso de responsabilidade com as atuais e futuras gerações. Sua atuação vai muito além da fiscalização ambiental. Ao proteger florestas, mananciais e a biodiversidade, combater crimes ambientais, atuar em situações de emergência, monitorar o território com o apoio de tecnologias modernas e desenvolver ações educativas, a corporação contribui diretamente para o desenvolvimento sustentável de Santa Catarina.

Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC).
Para o setor produtivo rural, a Polícia Militar Ambiental tem se consolidado, cada vez mais, como uma parceira estratégica. O campo catarinense depende da harmonia entre produção e preservação ambiental, e essa relação somente se fortalece quando há diálogo, orientação e cooperação. Nesse aspecto, é importante reconhecer os avanços conquistados nos últimos anos, especialmente a partir de uma gestão pautada pela aproximação institucional, pelo equilíbrio e pela construção de pontes entre os produtores rurais e as forças de proteção ambiental.
A realidade atual demonstra que a confiança mútua produz resultados mais consistentes do que qualquer relação baseada exclusivamente na fiscalização. O produtor rural catarinense tem mostrado, ao longo do tempo, seu compromisso com a preservação dos recursos naturais e com o cumprimento da legislação. Quando encontra orientação adequada e canais permanentes de diálogo, torna-se um aliado ainda mais importante na defesa do meio ambiente e na promoção da sustentabilidade.
Nesse contexto, merecem destaque iniciativas que aproximam a Polícia Militar Ambiental das comunidades rurais. Um exemplo é a Operação Campo Seguro, desenvolvida em parceria com a Polícia Militar, que reforça a presença das forças de segurança no meio rural, combate crimes que afetam diretamente os produtores, como o furto de gado, e amplia a sensação de proteção das famílias que vivem e trabalham no campo. A presença policial, aliada ao diálogo e ao conhecimento da realidade rural, contribui para prevenir delitos, fortalecer vínculos e ampliar a confiança da população nas instituições responsáveis pela segurança pública.
Outro exemplo de grande relevância é o Programa Protetor Ambiental Rural (PROA Rural), iniciativa do Comando de Polícia Militar Ambiental desenvolvida em parceria com o Sistema Faesc/Senar. O programa representa um modelo moderno de atuação preventiva e educativa, voltado à disseminação de conhecimentos sobre legislação ambiental, práticas sustentáveis e preservação dos recursos naturais. Mais do que orientar, o PROA Rural promove integração, aproxima instituições e fortalece a consciência ambiental nas comunidades rurais.
Inspirado no tradicional Programa Protetor Ambiental, que há anos forma jovens multiplicadores de boas práticas ambientais em diversas regiões catarinenses, o PROA Rural amplia esse trabalho ao envolver diretamente produtores, trabalhadores rurais, crianças e adolescentes. Por meio de atividades teóricas e práticas, contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e comprometidos com a preservação da fauna, da flora e dos recursos naturais que sustentam a atividade agropecuária.
A experiência demonstra que a prevenção, a educação e a proximidade são ferramentas indispensáveis para a construção de um ambiente rural mais seguro, produtivo e sustentável. Quando o produtor se sente respeitado, ouvido e orientado, fortalece seu compromisso com a legalidade e com a preservação ambiental. Da mesma forma, a Polícia Militar Ambiental amplia sua capacidade de atuação ao contar com o apoio e a colaboração daqueles que conhecem profundamente a realidade do campo.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) reconhece a importância dessa parceria e reafirma seu compromisso de seguir trabalhando lado a lado com a Polícia Militar Ambiental em iniciativas que promovam segurança, educação ambiental e desenvolvimento sustentável. O fortalecimento dessa cooperação é essencial para que Santa Catarina continue sendo referência nacional tanto na produção agropecuária quanto na preservação dos recursos naturais.
A Polícia Militar Ambiental é, sem dúvida, um patrimônio dos catarinenses. Sua presença firme, técnica e equilibrada contribui para proteger o meio ambiente, garantir a segurança das famílias rurais e assegurar condições para que o setor agropecuário continue produzindo riqueza, oportunidades e desenvolvimento. O diálogo permanente, o respeito mútuo e a cooperação institucional são os caminhos para consolidar essa relação e construir um futuro cada vez mais sustentável para o campo catarinense.
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Tecnologias sustentáveis já estão presentes em 3,6 milhões de propriedades rurais no Brasil
Agricultura de Baixa Emissão de Carbono alcança 65 milhões de hectares e já entregou quase 205 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em benefícios climáticos.

As tecnologias associadas à Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) já fazem parte da realidade de 3,61 milhões de estabelecimentos rurais brasileiros. Os dados são da Plataforma ABC+, ferramenta de monitoramento do Plano ABC+, que contabiliza cerca de 65 milhões de hectares sob sistemas produtivos sustentáveis em todo o país.
O número equivale a aproximadamente 71% dos 5,07 milhões de estabelecimentos agropecuários identificados pelo último Censo Agropecuário do IBGE, realizado em 2017.

Fotos: Shutterstock
Criado para estimular práticas que conciliam aumento de produtividade, adaptação às mudanças climáticas e conservação ambiental, o Plano ABC+ estabeleceu como meta expandir a adoção dessas tecnologias para 72,68 milhões de hectares até 2030. Com os atuais 65 milhões de hectares monitorados, o país já se aproxima desse objetivo.
Além da expansão da área, os resultados também aparecem na redução das emissões. Segundo a Plataforma ABC+, as tecnologias adotadas já proporcionaram benefícios climáticos equivalentes a 204,87 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, o que representa 19,65% da meta total prevista pelo programa para 2030.
O objetivo do plano é alcançar aproximadamente 1,04 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente em benefícios climáticos até o final da década.
Sustentabilidade e competitividade
Para o engenheiro agrônomo e especialista em gestão do agronegócio Hugo Centurion, a sustentabilidade passou a ocupar um papel estratégico dentro da produção agropecuária. “A sustentabilidade deixou de ser apenas uma exigência ambiental e passou a ser um fator de competitividade para o agro brasileiro. O produtor que investe em tecnologias mais eficientes consegue produzir mais, utilizar melhor os recursos naturais e atender às demandas de mercados cada vez mais atentos à origem dos alimentos”, afirma.
Segundo ele, o crescimento da adoção dessas tecnologias demonstra que o setor tem incorporado práticas que aliam eficiência produtiva e responsabilidade ambiental. “A agricultura sustentável não é construída por uma única tecnologia, mas pela combinação de inovação, manejo adequado e conhecimento técnico. O desafio do setor é continuar evoluindo para produzir mais em áreas já consolidadas, preservando recursos naturais e contribuindo para os compromissos climáticos do país”, destaca.
Tecnologias priorizadas

Instituído em 2010 e reformulado em 2020, quando passou a se chamar Plano ABC+, o programa federal busca tornar a agropecuária mais resiliente às mudanças climáticas e reduzir a intensidade das emissões de gases de efeito estufa.
Entre as principais tecnologias incentivadas estão a recuperação de pastagens degradadas, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), o sistema de plantio direto, as florestas plantadas e práticas de manejo sustentável do solo e da água.
Para Centurion, o avanço dessas estratégias será cada vez mais importante diante dos efeitos climáticos observados nos últimos anos. “As mudanças climáticas estão impondo novos desafios ao campo. Por isso, práticas que melhoram a saúde do solo, a eficiência do uso da água e a resiliência das lavouras são fundamentais para garantir produtividade e segurança alimentar nas próximas décadas”, ressalta.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 05 de junho, os números mostram que a agricultura brasileira já avançou em direção às metas climáticas estabelecidas para 2030, mas ainda tem pela frente o desafio de ampliar a adoção de tecnologias sustentáveis e acelerar os ganhos ambientais previstos pelo Plano ABC+.



