Conectado com

Notícias No Paraná

Capacidade de produção e boom populacional favorecem agropecuária paranaense

A estimativa é que a população saia dos atuais 7,8 bilhões de habitantes para 9,7 bilhões em 2050, o que vai demandar mais alimento. Assunto foi discutido no Transforma Agro Paraná 2023, em Ponta Grossa, que tem apoio do Estado.

Publicado em

em

Foto: Evandro Fadel

O secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, destacou a força e as oportunidades que se abrem para a agropecuária brasileira diante do crescimento populacional e do aumento de capacidade de consumo mundial, ao proferir palestra nesta sexta-feira (22) para participantes do Transforma Agro Paraná 2023, que se realiza em Ponta Grossa entre os dias 19 e 24 de setembro.

“Ninguém mais que o Brasil tem capacidade de crescer e ser mais relevante nesse setor, seja na produção, com modelos mais sustentáveis, seja na visão estratégica de agredir positivamente o mundo, porque se a gente não fizer outros farão”, afirmou.

Segundo ele, há necessidade de trabalhar para que todas as condições existentes e as que se criarem concorram para ajudar e sejam bem aproveitadas. “A ciência, a tecnologia e a inovação são importantes para isso, cabe a nós exercitar com maestria”, salientou. “Vamos reforçar cada vez mais um conceito: fazer uma boa agropecuária é o negócio do Brasil e particularmente do Paraná”.

Ortigara apresentou os números de produção e estimativas do governo federal que reforçam a importância brasileira no mercado de alimentos. O setor emprega 18 milhões de pessoas (20% da população) e gera 25% (R$ 2,6 trilhões) em Produto Interno Bruto (PIB). Nos últimos 10 anos, US$ 895 bilhões, ou 48% do esforço exportador nacional, vieram diretamente da agropecuária.

Segundo os dados oficiais, 9% do território brasileiro (78 milhões de hectares) são ocupados pela agricultura. Outros 26% estão com pastagens e formação natural (224 milhões ha), 48,2% são vegetação nativa protegida (408 milhões ha) e 0,8% (7 milhões ha) são florestas plantadas.

“Poucos espaços do mundo têm capacidade para produzir biomassa o ano inteiro como nós, a gente tem de aproveitar as condições de sol, de água, de solo e de conhecimento para produzir mais riquezas”, afirmou o secretário.

Por isso o Brasil saiu de 58 milhões de toneladas de grãos produzidos em 39 milhões de hectares durante a década de 90 para 317 milhões de toneladas em 78 milhões de hectares hoje. “Crescemos na capacidade de produzir mais por metro quadrado”, disse. Para Ortigara, é possível chegar na safra 2032/33 com 389 milhões de toneladas, o que representaria aumento de 18% em área e de 23% em produção.

No setor animal, a expectativa é de que o Brasil evolua das 26,6 bilhões de toneladas deste ano para 36,6 bilhões em 10 anos. Crescimento expressivo que também deve ocorrer no setor de papel e celulose, com salto de 24,2 milhões de toneladas para 30,7 milhões de toneladas.

População

A população mundial igualmente dará grande salto, partindo dos atuais 7,8 bilhões de habitantes para 9,7 bilhões em 2050. Os aumentos devem ocorrer particularmente na Ásia, onde sai de 4,60 bilhões de para 5,24 bilhões, e na África, que sobe dos 1,33 bilhão de pessoas para 2,52 bilhões.

Percentuais crescentes também devem ser percebidos na América do Sul, evoluindo de 620 milhões para 780 milhões. As projeções são de que a América do Norte mantenha os mesmos 390 milhões de habitantes, enquanto a Europa reduza de 780 milhões para 680 milhões.

Segundo o secretário, o que se tem de certeza diante disso é que o mundo precisará cada vez mais de comida. “Com essas previsões, que são reais, de mudança, de guinada, de crescimento da população, precisamos mirar os mercados promissores atendendo os clientes em suas exigências”, afirmou. “Precisamos estar sempre atentos aos movimentos populacionais e de consumo e produzir qualidade para não perder a mão”.

Paraná

Diante desse cenário mundial, o Paraná já se firmou como uma das maiores lideranças do agronegócio brasileiro. O Estado é o primeiro na produção de feijão, com 665 mil toneladas em 2022, de cevada, com 394,1 mil toneladas, e de fécula de mandioca, com 422 mil toneladas, o que representa dois terços do que se produz no País.

O Estado também é o principal produtor de proteínas animais, principalmente com frangos, segmento em que abateu mais de 2 bilhões de cabeças no ano passado, e peixe, com cerca de 180 mil toneladas. Em fio de seda, o Paraná é forte, com produção de 1,5 mil toneladas de casulos em 2022, garantindo pelo menos 86% do que o Brasil coloca no mercado, com qualidade reconhecida pelas principais consumidoras de seda mundial.

O Paraná também tem liderança em produção florestal com fins comerciais, colocando 46,6 milhões de metros cúbicos de tora no mercado. Nesse segmento, projeta-se a produção de erva-mate. As 764 mil toneladas do ano passado colocam o Estado na liderança nacional.

O solo paranaense garantiu posição de destaque na produção de grãos de forma geral, com 46,6 milhões de toneladas em 2022. Nos três produtos mais requisitados mundialmente, o Paraná tem a segunda colocação nacional. A soja rendeu 22,5 milhões de toneladas, o milho, 17,7 milhões, e o trigo, 4,4 milhões de toneladas.

Em proteínas animais também houve destaque paranaense na produção de suínos, com 11,5 milhões de cabeças abatidas, e em leite, segmento que totalizou 4,4 bilhões de litros. Em ambos o Paraná desponta na segunda colocação.

Tecnologia

Ortigara apresentou o mapa brasileiro de Produtividade Total dos Fatores, que mostra uma alteração nas forças produtivas nos últimos anos. Em 1995 o trabalho representava 31,3% do esforço no campo, a terra, 18,1% e a tecnologia, 50,6%. Em 2017, quando foi feito o último levantamento, o trabalho reduziu-se para 19,4%, a terra ficou responsável por 8,3%, enquanto a tecnologia apresentou 72,3% do peso para se ter uma agropecuária de qualidade.

“Hoje, de cada quatro sacas ou quilos que a gente produz, três tem a ver com ciência, com conhecimento, com inovação, com a capacidade de levar para o campo um jeito diferente de fazer e produzir mais resultado”, disse. “A tendência é que continue crescendo tendo como desafio aumentar sempre a produtividade, pois a tecnologia, a agricultura de precisão, processos refinados, cuidar do solo, da matéria orgânica, ter menos carga química vão nos levar muito além de onde estamos”.

Transforma agro

O Transforma Agro Paraná 2023 é um evento organizado pela prefeitura de Ponta Grossa com apoio do Governo do Estado. Ele reúne mais de 200 expositores e oferece dezenas de palestras, workshops e vitrines tecnológicas, além de roteiros gastronômicos. Ele se realiza no Centro de Eventos.

Presenças

O evento foi prestigiado pela prefeita do município, Elizabeth Silveira Schmidt, pelo secretário municipal da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Bruno Costa, o chefe do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Marcelo Hupalo, e dezenas de servidores do Sistema Estadual da Agricultura (Seagri).

Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná

Notícias

Sementes sem comprovação de origem são apreendidas durante fiscalização no Rio Grande do Sul

Produtos permanecem retidos até julgamento dos autos de infração e podem ser condenados.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

OMinistério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou, na última semana, operação conjunta em Dom Pedrito (RS), que resultou na apreensão de 368 toneladas de sementes de azevém com irregularidades documentais e operacionais.

Durante a fiscalização, duas empresas produtoras de sementes de espécies forrageiras de clima temperado e duas empresas cerealistas foram inspecionadas. As irregularidades constatadas motivaram a autuação dos responsáveis e a apreensão de produtos avaliados em mais de R$ 1,5 milhão.

Além da apreensão, motivada pela ausência de comprovação de origem e procedência da produção e pela prestação irregular de serviço de beneficiamento, os estabelecimentos foram devidamente autuados pelos órgãos de defesa agropecuária. Como, a princípio, as irregularidades constatadas não podem ser sanadas, os produtos permanecem apreendidos até o julgamento dos autos de infração, podendo ser condenados.

A operação ocorreu em conjunto com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI) e com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS), por meio das Delegacias de Polícia Especializadas de Combate aos Crimes Rurais e de Abigeato (DECRABs) de Bagé e Alegrete.

Fonte: Assessoria Mapa
Continue Lendo

Notícias

Gargalos logísticos pressionam custos e desafiam a qualidade da produção no Mato Grosso

Pressão no corredor logístico da BR-163 tem aumentado preços dos fretes e prejudicado o escoamento de grãos.

Publicado em

em

Foto: Mateus Dias/Aprosoja MT
Os produtores de Mato Grosso enfrentam uma safra marcada por custos logísticos elevados e menor previsibilidade no escoamento. No eixo de exportação que conecta o estado ao distrito de Miritituba, no estado do Pará, as limitações de acesso e a saturação operacional têm ampliado o tempo de viagem e encarecido o transporte, com efeitos diretos sobre a competitividade.O corredor logístico que integra a BR-163 ao sistema portuário registrou forte expansão de demanda. Em 2025, a movimentação na região de Miritituba alcançou cerca de 15.3 milhões de toneladas, avanço de 24,6% frente a 2024. O crescimento, no entanto, ocorre em um ambiente ainda sensível a restrições de fluxo e intervenções no trecho final de acesso aos terminais, o que reduz a eficiência do transporte justamente no período de maior concentração de embarques.

A pressão operacional já aparece no frete e, para o produtor, isso significa menor margem em um cenário de preços internacionais mais comprimidos. Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), o quadro reforça a necessidade de melhorias estruturais de capacidade e previsibilidade logística.

Foto: RRRufino

O acesso atual aos terminais segue em processo de melhorias emergenciais, enquanto um novo acesso pavimentado, em traçado paralelo, está em construção com previsão de conclusão em novembro de 2026. Até lá, o sistema permanece sensível ao alto volume de caminhões e às limitações físicas do trecho.

De acordo com vice-presidente norte da Aprosoja MT, Ilson José Redivo, o crescimento do volume exportado não foi acompanhado por melhorias proporcionais na infraestrutura. “A produção aumenta ano após ano, mas as condições das rodovias continuam precárias. Há trechos finais de acesso que não são asfaltados e, em períodos de chuva, caminhões precisam ser rebocados um a um em subidas íngremes, formando filas que podem ultrapassar 30 quilômetros”, afirmou.

Segundo ele, o impacto econômico é direto na renda do produtor. “Hoje o frete entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) gira em torno de R$ 20 por saca. Com a soja sendo comercializada próxima de R$ 106 bruto, e menos de R$ 100 líquidos após encargos, o custo logístico compromete significativamente a margem e reduz a competitividade do produtor”, destacou. Ilson Redivo também chama atenção para um problema estrutural adicional: a capacidade de armazenamento do estado, estimada em cerca de 52% do volume produzido, o que obriga a comercialização e o escoamento em ritmo acelerado.

A produtora do município de Santa Rita do Trivelato, Katia Hoepers, acrescenta que os custos operacionais e a estrutura insuficiente nos pontos de recebimento agravam o cenário. “Para nós, o que mais impacta a rentabilidade é o frete e o custo do diesel, que pressiona toda a conta do transporte. O problema também está no porto em Miritituba, onde falta estrutura para receber os caminhões e tudo acaba travando. Além disso, houve expansão das áreas plantadas sem crescimento proporcional da armazenagem, o que gera longas filas nas tradings durante a colheita”, relatou.

Foto: Fernando Dias/Seapi

No campo, os efeitos são percebidos no dia a dia da operação. A incerteza quanto a prazos de entrega e a elevação do custo logístico impactam decisões de manejo, armazenamento e comercialização, além de ampliar riscos ao produto até a chegada ao porto.

Produtor no extremo norte do estado, Mateus Berlanda relata que as dificuldades começam ainda nas estradas regionais. “Nossa região tem alto índice de chuvas e solos com muita argila, o que dificulta o tráfego. Há muitos trechos de estrada de chão, pontes e bueiros danificados e, em períodos críticos, os caminhões simplesmente não conseguem avançar”, explicou. Ele acrescenta que o problema se estende à etapa seguinte da cadeia: “Mesmo quando conseguimos transportar a produção, enfrentamos filas de três a quatro dias nos armazéns, reflexo do déficit estrutural de capacidade e da pressão logística sobre toda a região”.

Berlanda, que produz na região de Alta Floresta, ressalta que a combinação entre infraestrutura precária, chuvas intensas e limitações de armazenagem aumenta custos operacionais e amplia o risco de perdas indiretas. “O produtor da ponta do estado enfrenta uma sucessão de obstáculos desde a colheita até a entrega final, o que encarece o processo e aumenta a insegurança da operação”, afirmou.

A expectativa do setor produtivo é que a conclusão do novo acesso pavimentado traga maior fluidez ao corredor, reduzindo o tempo de viagem e contribuindo para estabilizar os custos logísticos. Até que as melhorias estruturais se consolidem, produtores de Mato Grosso seguem absorvendo os efeitos dos gargalos sobre a competitividade da produção destinada ao mercado internacional.

“O produtor contribui com o FETHAB esperando que os recursos sejam destinados à melhoria da logística e da infraestrutura das estradas. No entanto, esse retorno não tem chegado de forma efetiva à ponta. Reconhecemos os avanços promovidos pela atual gestão do governo do estado, mas, em um cenário de margens cada vez mais apertadas, é necessário reavaliar o FETHAB. O produtor não pode seguir arcando com esse custo sem perceber resultados concretos na infraestrutura fundamental para o escoamento da produção”, afirma o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.

Foto: Divulgação

Nesse cenário, o fortalecimento de políticas públicas voltadas à armazenagem rural se apresenta como estratégia complementar para reduzir a pressão sobre o sistema logístico. Com maior capacidade de estocagem nas propriedades, o produtor pode planejar melhor o escoamento e evitar a concentração do transporte no pico da colheita, quando a demanda por frete aumenta e o fluxo intenso de caminhões sobrecarrega os principais corredores de exportação.

Em uma perspectiva estrutural, a Ferrogrão, ainda não leiloada e distante da entrada em operação, é apontada pelo setor produtivo como um projeto estratégico e potencialmente disruptivo para o enfrentamento dos gargalos da BR-163. A migração de parte significativa das cargas para o modal ferroviário tende a reduzir o volume de caminhões nos acessos ao distrito de Miritituba, promovendo maior eficiência logística, melhor distribuição do fluxo de transporte e alívio da pressão sobre os principais corredores de exportação com destino aos portos do Arco Norte.

Fonte: Assessoria Aprosoja MT
Continue Lendo

Notícias

LCAs alcançam R$ 589 bilhões e lideram financiamento privado do agro

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram alta de 11% no estoque e avanço de 34% nos recursos reaplicados diretamente no crédito rural.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) seguem como a principal fonte de recursos privados destinados ao financiamento das atividades agropecuárias no país. Em janeiro, o estoque desses títulos alcançou R$ 589 bilhões, crescimento de 11% na comparação anual. Desse total, ao menos R$ 353 bilhões foram reaplicados diretamente no financiamento rural – um avanço expressivo de 34% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados são da nova edição do Boletim de Finanças Privadas do Agro que já está disponível no site do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A publicação é elaborada pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário e reúne dados do Banco Central do Brasil, da Comissão de Valores Mobiliários e das registradoras B3, CERC e CRDC.

Outro instrumento relevante para o crédito do setor, as Cédulas de Produto Rural (CPRs), também apresentaram desempenho positivo. O estoque total chegou a R$ 560 bilhões em janeiro, alta de 17% nos últimos 12 meses. Na safra atual, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foram registrados R$ 231 bilhões em CPRs. Apesar do volume significativo, o montante representa queda de 5% frente à safra anterior.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) mantiveram a trajetória de crescimento e atingiram R$ 177 bilhões em estoque, com aumento anual de 16%. Embora movimentem valores inferiores aos das LCAs e CPRs, os CRAs exercem papel estratégico ao ampliar a presença dos títulos do agronegócio no mercado de capitais, aproximando cadeias produtivas de investidores institucionais e pessoas físicas.

Na direção oposta, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) registraram retração. O estoque recuou 15% na comparação anual, totalizando R$ 31 bilhões ao fim de janeiro. Esses títulos são emitidos exclusivamente por cooperativas de produtores rurais ou por entidades que atuam nas cadeias do agronegócio, com foco no financiamento de suas próprias operações.

O boletim mais recente também marca a retomada da divulgação dos dados sobre o desempenho dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) no financiamento privado do setor. A divulgação havia sido interrompida em março do ano passado, em razão do período de adaptação desses fundos às novas regras do Anexo VI da Resolução CVM 175. Criados em 2021, os Fiagro alcançaram, após quatro anos de operação, um patrimônio líquido de R$ 47 bilhões em dezembro de 2025, distribuídos em 256 fundos em funcionamento.

Os dados podem ser consultados no Boletim de Finanças Privadas do Agro.

Fonte: Assessoria Mapa
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.