Avicultura
Canetas emagrecedoras podem impulsionar consumo de proteína animal?
Medicamentos usados no tratamento da obesidade reduzem o apetite e podem levar consumidores a priorizar alimentos mais nutritivos, como carnes, ovos e lácteos.

Ozempic, Monjauro e similares podem aumentar o consumo de proteína animal no Brasil? O avanço dos medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, já produz efeitos que vão além da medicina e começam a repercutir no mercado de alimentos.

Médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, com especialização em Qualidade de Alimentos, Felipe Ceolin: “As pessoas passam a comer menos, então cada refeição precisa entregar mais nutrientes. Isso naturalmente leva a uma busca maior por alimentos mais completos do ponto de vista nutricional”
Esses fármacos, baseados em análogos do hormônio GLP-1, atuam diretamente nos mecanismos de controle do apetite, promovendo saciedade precoce e reduzindo a ingestão calórica. Com menos fome, os pacientes passam a comer menos. A consequência imediata é uma mudança no critério de escolha dos alimentos.
Segundo o médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias e com especialização em Qualidade de Alimentos, Felipe Ceolin, esse fenômeno pode desencadear um novo padrão alimentar, baseado menos em volume e mais em qualidade nutricional. “As pessoas passam a comer menos, então cada refeição precisa entregar mais nutrientes. Isso naturalmente leva a uma busca maior por alimentos mais completos do ponto de vista nutricional”, afirma.
Quando a ingestão total de alimentos diminui, a lógica da dieta muda. O desafio deixa de ser apenas reduzir calorias e passa a ser garantir nutrientes suficientes em porções menores.
Nesse contexto, a proteína ganha protagonismo. Além de contribuir para a manutenção da massa muscular, ela também exerce papel importante na saciedade e no equilíbrio metabólico. “Quando o paciente usa esses medicamentos, é muito comum que médicos e nutricionistas orientem o aumento da densidade proteica da dieta. A proteína ajuda a preservar massa muscular durante o emagrecimento e prolonga a sensação de saciedade”, explica Ceolin.
Essa orientação tem levado pacientes a priorizar alimentos capazes de concentrar mais valor nutricional em menores quantidades.
Proteína animal no centro do prato

Fotos: Shutterstock
Nesse novo cenário alimentar, a proteína animal tende a ganhar relevância. Carnes, ovos e lácteos reúnem características nutricionais que se tornam particularmente importantes em dietas com menor ingestão calórica. “A proteína animal tem alto valor biológico, porque oferece todos os aminoácidos essenciais que o organismo precisa. Além disso, fornece micronutrientes importantes como ferro, vitamina B12 e zinco”, diz Ceolin.
De acordo com ele, em um contexto de refeições menores, alimentos que entregam múltiplos nutrientes em uma única porção passam a ser mais valorizados. “Quando a pessoa come menos, ela precisa escolher melhor. Isso favorece alimentos com maior densidade nutricional”, acrescenta.
Impactos potenciais
A mudança de comportamento alimentar impulsionada por esses medicamentos pode ter repercussões relevantes para a cadeia produtiva de proteínas animais. A valorização da qualidade nutricional tende a fortalecer a demanda por alimentos que combinem alto teor proteico, segurança alimentar e praticidade.
“Existe um movimento crescente de consumidores que querem entender melhor o valor nutricional do que estão consumindo. Produtos que comunicarem de forma clara seus benefícios tendem a ganhar espaço”, avalia Ceolin, destacando que isso inclui desde cortes de carne até ovos, laticínios e produtos com maior teor proteico.
Comunicação e posicionamento do setor

Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural
Para o especialista, o fenômeno também abre espaço para uma mudança na forma como o setor de proteína animal dialoga com o consumidor.
Durante anos, grande parte do debate público sobre alimentação esteve centrada na redução de calorias ou na demonização de determinados nutrientes. Agora, começa a surgir uma abordagem mais ampla, baseada na densidade nutricional dos alimentos. “Existe uma oportunidade importante para o setor comunicar melhor o papel da proteína na saúde humana. Muitas vezes o consumidor não tem clareza sobre os benefícios nutricionais desses alimentos”, enaltece Ceolin.
Hábitos de consumo
O Brasil ocupa posição de destaque global na produção de proteína animal, sendo um dos maiores produtores e exportadores de carnes do mundo. Em um cenário de mudanças nos hábitos de consumo, compreender essas transformações passa a ser estratégico para toda a cadeia agroalimentar.

De acordo com Ceolin, alterações no comportamento alimentar costumam ocorrer de forma gradual, mas, quando se consolidam, podem redefinir mercados inteiros. “As canetas emagrecedoras surgiram como uma solução médica para a obesidade, mas seus efeitos já começam a ultrapassar o campo da saúde e chegar ao mercado de alimentos”, observa.
Se a tendência se confirmar, o prato do futuro poderá ser menor em volume, mas muito mais exigente em qualidade nutricional. E, nesse novo contexto, a proteína volta a ocupar um espaço central nas discussões sobre saúde, nutrição e produção de alimentos.

Avicultura
Cenário econômico e riscos ao comércio exterior levam avicultura gaúcha a reduzir produção
Setor cita retração do consumo, volatilidade internacional e preocupação com possíveis restrições às exportações brasileiras.

Na esteira do movimento anunciado na semana passada pela indústria de ovos, o segmento gaúcho de carne de frango também avalia reduzir o ritmo de produção. A medida vem sendo discutida por representantes da cadeia avícola diante do cenário econômico e comercial, marcado por incertezas no mercado interno e no ambiente internacional.
Segundo a avaliação do setor, a instabilidade da economia brasileira tem influenciado o comportamento do consumidor, que adota uma postura mais cautelosa diante das oscilações econômicas, afetando a demanda por alimentos.

Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN
Entre os fatores que pressionam o mercado, a indústria destaca o elevado nível de endividamento das famílias, agravado pelo crescimento das apostas online, que, segundo informações divulgadas recentemente pela mídia, vêm comprometendo uma parcela significativa da renda da população.
No cenário externo, as preocupações envolvem o agravamento das tensões geopolíticas, o aumento de tarifas e a criação de novas barreiras comerciais, fatores que elevam a insegurança para as empresas exportadoras.
Outro ponto de atenção é a retomada dos conflitos no Oriente Médio, que provocou oscilações na cotação internacional do petróleo. De acordo com o setor, esse movimento pode aumentar os custos de produção, especialmente nas indústrias de embalagens, plásticos e combustíveis.

Também preocupa a possibilidade de restrições da União Europeia às exportações brasileiras de proteína animal, previstas para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026. Na avaliação da indústria, a medida representa um risco relevante para a avicultura nacional.
Diante desse cenário, representantes da cadeia afirmam que o setor enfrenta um momento de elevada complexidade e defendem uma análise estratégica por parte de produtores e indústrias para preservar a sustentabilidade econômica das atividades.
Uma das alternativas em discussão é a desaceleração temporária da produção até que o ambiente econômico e comercial apresente maior estabilidade.

Apesar das dificuldades, o setor ressalta que a competitividade entre as empresas continua sendo um fator inerente à atividade e reforça a busca por eficiência. “A competitividade entre as empresas é inerente ao setor, impulsionando a busca por resultados e a valorização de cada empreendimento. O entendimento de que todos buscam excelência e têm capacidade para superar adversidades está presente no contexto diário das organizações.”
A indústria também avalia que o contexto atual exige planejamento e decisões criteriosas. “Em meio às mudanças globais e às oscilações da economia, agravadas por taxas de juros elevadas e incertezas, o momento exige esforços concentrados e decisões assertivas para enfrentar este período de desafios.”
Avicultura
Frango congelado acumula estabilidade após alta de 0,97% no dia
Cotação paulista encerrou a semana em R$ 7,26/kg, conforme o Indicador Cepea/Esalq.

O preço do frango congelado em São Paulo apresentou alta na sexta-feira (10), conforme o Indicador do Frango Congelado Cepea/Esalq. O produto foi negociado a R$ 7,26/kg, com valorização diária de 0,97% e estabilidade no acumulado do mês.
Na quinta-feira (09), a cotação ficou em R$ 7,19/kg, sem alteração no dia e com recuo de 0,96% no mês. Na quarta-feira (08), o preço também foi de R$ 7,19/kg, com leve alta diária de 0,14% e queda mensal de 0,96%.
No início da semana, o mercado registrou poucas oscilações. Na terça-feira (07), o frango congelado foi cotado a R$ 7,18/kg, estável no dia e com retração mensal de 1,10%. Na segunda-feira (06), a cotação também ficou em R$ 7,18/kg, com variação diária negativa de 0,28% e recuo de 1,10% no acumulado do mês.
Avicultura
Chile impulsiona alta nas exportações brasileiras de ovos
Maior demanda do mercado chileno fortalece os embarques brasileiros, embora o volume permaneça abaixo do registrado um ano antes.





