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Cana recua e abre espaço para proteínas e grãos no agro paulista

Mesmo com a queda, a cultura mantém-se como o principal componente do faturamento agropecuário do estado, mas perde participação relativa no conjunto da produção.

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O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de São Paulo alcança R$ 162,0 bilhões em 2025, crescimento nominal de 1,2% frente aos R$ 160,0 bilhões registrados em 2024, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgados em 21 de novembro. Apesar do avanço absoluto, a participação paulista no VBP nacional recua de 12,63% para 11,47%, reflexo do crescimento mais intenso observado em outros estados.

A principal mudança no perfil do agro paulista está no desempenho de seus maiores produtos. A cana-de-açúcar, líder histórica do VBP estadual, registra retração, passando de R$ 55,32 bilhões em 2024 para R$ 52,64 bilhões em 2025. Mesmo com a queda, a cultura mantém-se como o principal componente do faturamento agropecuário do estado, mas perde participação relativa no conjunto da produção.

Em sentido oposto, as proteínas animais ganham espaço. A bovinocultura de corte apresenta uma das maiores altas nominais entre os principais produtos, avançando de R$ 20,10 bilhões para R$ 24,82 bilhões, consolidando-se como o segundo maior faturamento do agro paulista. A avicultura de corte também cresce, saindo de R$ 12,61 bilhões para R$ 13,21 bilhões, enquanto a suinocultura registra leve avanço, de R$ 3,10 bilhões para R$ 3,15 bilhões. O segmento de ovos mantém trajetória positiva, crescendo de R$ 5,93 bilhões para R$ 6,72 bilhões.

Lavouras

Entre as lavouras, os grãos apresentam expansão relevante. A soja cresce de R$ 7,77 bilhões em 2024 para R$ 10,93 bilhões em 2025, elevando seu peso no VBP estadual. O milho também avança, passando de R$ 3,55 bilhões para R$ 4,58 bilhões, reforçando sua presença entre os dez principais produtos de São Paulo. O café apresenta crescimento expressivo, saindo de R$ 7,99 bilhões para R$ 10,77 bilhões, ampliando sua importância relativa na composição do VBP.

A laranja, outro produto tradicional do estado, registra retração na comparação anual, passando de R$ 18,14 bilhões para R$ 14,79 bilhões, movimento que altera o ranking interno e reduz sua participação no total estadual. O leite apresenta crescimento moderado, de R$ 5,71 bilhões para R$ 5,97 bilhões, mantendo-se entre os dez principais produtos do agro paulista.

Conjunto

O histórico do VBP mostra crescimento contínuo em valores correntes, com São Paulo passando de R$ 118,7 bilhões em 2018 para R$ 162 bilhões em 2025. É importante destacar que os valores não consideram a inflação acumulada do período, o que significa que parte das variações reflete alterações nominais de preços.

No conjunto, os dados indicam que, embora o VBP paulista avance de forma moderada em 2025, ocorre uma reorganização interna relevante, com redução do peso da cana-de-açúcar e maior participação de proteínas animais e grãos, redesenhando o perfil produtivo do agro de São Paulo do ano passado.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural

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Dia de Campo da Coopavel reúne mais de 250 produtores no Sudoeste do Paraná

Evento técnico em Pato Branco apresentou tecnologias e estratégias de manejo para as culturas de soja e milho, com participação de agricultores de três municípios da região.

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Foto: Divulgação

Mais de 250 produtores rurais de Pato Branco, Bom Sucesso do Sul e Vitorino participaram, na quinta-feira, 5, de um Dia de Campo de Verão promovido pela Coopavel em sua unidade central no Sudoeste do Paraná, em Pato Branco. O evento técnico reuniu agricultores das três filiais da cooperativa na região e teve como foco principal a difusão de tecnologias voltadas às culturas de soja e milho.

Ao longo da programação, os participantes tiveram acesso a informações estratégicas sobre manejo, escolha de cultivares e novas soluções agronômicas apresentadas por empresas parceiras da cooperativa. A proposta foi aproximar produtores das mais recentes inovações do setor, permitindo que conheçam alternativas capazes de melhorar a produtividade e a sustentabilidade das lavouras.

O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, prestigiou o encontro e ressaltou a importância de iniciativas desse tipo para a rápida transmissão de conhecimentos no campo. Segundo ele, o contato direto com tecnologias e especialistas contribui para que o produtor tome decisões cada vez mais assertivas, rápidas e com resultados melhores, sempre conectado aos conceitos da sustentabilidade. “Eventos como esse são uma oportunidade de conhecer tecnologias desenvolvidas para potencializar resultados e garantir mais eficiência e competitividade à atividade agrícola”, reforça Dilvo.

Aproximação

O gerente de Filiais Sudoeste da Coopavel, Adelar Roberto Goehl, também enfatizou o papel do encontro na aproximação entre cooperativa, empresas e produtores rurais da região. Segundo ele, o Dia de Campo se consolida como um importante espaço de troca de experiências e atualização técnica. “Aqui, o produtor consegue ver soluções na prática, conversar com especialistas e esclarecer dúvidas sobre manejo e tecnologias que podem fazer diferença no desempenho das lavouras”.

O evento também funcionou como uma vitrine das marcas próprias da cooperativa, reforçando a diversidade de soluções oferecidas aos associados. Foram apresentadas tecnologias e produtos das linhas Fertilizantes Coopavel, Sementes Coopavel, Nutriagro Fertilizante Foliar, Biocoop, Rações Coopavel, Coopclean e Credicoopavel, além de soluções voltadas à agricultura de precisão.

Parceiros

Os parceiros presentes no dia de campo foram: Corteva Agriscience, Adama Agricultural Solutions, Bayer, Syngenta, BASF, FMC Corporation, Ourofino Agrociência, UPL, Ihara, Sumitomo Chemical, Brasmax, TMG – Tropical Melhoramento & Genética, Cordius, SoyTech e Golden Harvest.

Fonte: Assessoria Coopavel
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Zoneamento agrícola conecta produção, crédito e inovação no campo

Ferramenta desenvolvida pela Embrapa já orienta mais de 40 culturas em cerca de 5.500 municípios brasileiros.

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Foto: Jonathan Campos

Do vinho gaúcho ao café amazônico e ao zoneamento do dendê, mapeamentos da Embrapa mostram como a ciência aplicada orienta decisões no campo e fundamenta políticas públicas. Em diferentes regiões do Brasil, dados sobre clima, solo e uso da terra antecipam riscos, fortalecem a produção e balizam crédito, seguro e investimentos, com impacto direto na expansão sustentável da agricultura.

A base técnica construída a partir desses levantamentos alimenta bancos de dados públicos, fundamenta zoneamentos e programas de regularização ambiental e orienta decisões que vão do crédito rural ao manejo de cultivos. Para além da geração de mapas, consolida-se como ferramenta de gestão territorial que ajuda o País a prever riscos climáticos, a definir o uso do solo e a conciliar produção e conservação.

Fotos: Gilson Abreu

Para a chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial (SP), Lucíola Magalhães, os mapeamentos e os zoneamentos são ferramentas cruciais para o desenvolvimento agropecuário. “Eles expressam, de forma mais simples e direta, a complexidade de diferentes fenômenos que ocorrem em um território, onde as políticas e ações acontecem. A capacidade de retratar um fenômeno ou de sintetizar dados de múltiplas dimensões (ambientais, sociais, agrícolas, econômicas, fundiárias e de infraestrutura) é vital para apoiar o desenvolvimento sustentável da agropecuária nacional. Traduz-se em melhor governança e em aprimoramento do planejamento e gestão do uso das terras, e fornece a base essencial para a formulação, execução e monitoramento de políticas públicas”, afirma.

À medida que essas informações se consolidam como instrumentos estratégicos de planejamento, cresce a demanda por dados territoriais. Governos, bancos, cooperativas e empresas têm recorrido a esse conhecimento para planejar políticas públicas, avaliar riscos e orientar investimentos. Nesse cenário, os mapeamentos da Embrapa ganham cada vez mais importância como referências técnicas para influenciar decisões econômicas e de gestão.

Zarc abrange mais de 40 culturas em 5.500 municípios

Esse movimento aparece com clareza no crédito e no seguro rural. Boa parte dos financiamentos do campo só é aprovada quando o plantio segue as indicações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta desenvolvida pela Embrapa. Em 2023, o custeio agrícola movimentou cerca de R$ 143,9 bilhões, segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e grande parte desse valor depende, direta ou indiretamente, do zoneamento.

Nesse contexto, o Zarc se tornou um elo entre produção, crédito e política agrícola. Lançada em 1996, inicialmente para o trigo, a ferramenta abrange atualmente mais de 40 culturas e orienta políticas de crédito e de seguro rural, influenciando milhares de produtores e dando suporte às principais decisões financeiras no campo.

Além disso, o Zarc tem impacto direto na pesquisa e na inovação. Ao identificar regiões sujeitas a excesso ou déficit hídrico, geadas ou temperaturas elevadas, direciona estudos para desenvolver cultivares adaptadas e práticas de manejo específicas. A ferramenta também subsidia modelos de simulação de culturas, indica janelas de semeadura e colheita de menor risco e valida novas tecnologias – de cultivares a insumos – em diferentes cenários agroclimáticos.

O funcionamento do Zarc depende de uma engenharia científica robusta, que combina dados de clima, solo e fenologia das plantas, séries históricas, capacidade de armazenamento de água no solo e exigências hídricas das culturas. A análise é probabilística e apoiada em décadas de registros, integrando dados meteorológicos e de solos harmonizados, além da calibração de milhares de cultivares.

Todo o processo envolve uma rede nacional de pesquisadores da Embrapa, instituições estaduais e universidades, com infraestrutura computacional sediada na Embrapa Agricultura Digital (SP) capaz de rodar milhões de simulações para culturas, tipos de solo e períodos de semeadura em mais de 5.500 municípios.

Nos próximos anos, a ferramenta deve passar por aprimoramentos significativos, segundo o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Eduardo Monteiro, coordenador da Rede Zarc Embrapa. Ele acredita que o avanço da modelagem dinâmica – integrando cenários climáticos, modelos de crescimento de culturas e inteligência artificial – permitirá análises mais detalhadas. Além disso, a expansão de sensores de campo, imagens de satélite de alta resolução e drones ampliará o volume de informações disponíveis e permitirá uma diferenciação das recomendações para microrregiões e até talhões específicos, além do monitoramento quase em tempo real do estresse hídrico e do desenvolvimento das culturas.

Essas melhorias mostram como o Zarc pode transformar decisões no campo, oferecendo dados precisos que orientam produtores e políticas agrícolas.

Fonte: Assessoria Embrapa Territorial
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Mulheres representam 36% da força de trabalho no agro da América Latina e Caribe

Lançamento do Ano Internacional da Agricultora destaca papel feminino na produção, processamento e comercialização de alimentos.

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Fotos: Freepik

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), QU Dongyu, liderou o lançamento regional do Ano Internacional da Agricultora 2026, iniciativa proclamada pela Assembleia Geral da ONU. O anúncio foi feito durante o 39º período de sessões da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe (LARC39).

A iniciativa busca ampliar a visibilidade do papel das mulheres nos sistemas agroalimentares, além de promover políticas públicas, mobilizar investimentos e fortalecer parcerias voltadas à redução das desigualdades de gênero no setor.

Na América Latina e no Caribe, as mulheres desempenham funções importantes em diversas etapas da cadeia de alimentos, como produção, processamento, distribuição e comercialização. Elas representam 36% da força de trabalho nos sistemas agroalimentares da região. Nos segmentos não agrícolas, a presença feminina é ainda maior: 71% das mulheres atuam em atividades como processamento e comercialização de alimentos.

Foto: Shutterstock

Apesar dessa participação expressiva, persistem desigualdades estruturais. As mulheres rurais têm menor acesso à posse da terra, a serviços financeiros e a tecnologias, além de enfrentarem maior carga de trabalho doméstico e de cuidados não remunerados.

A desigualdade também aparece nos indicadores de segurança alimentar. Na região, mais mulheres do que homens enfrentam fome. Em 2022, a diferença de gênero na insegurança alimentar moderada ou grave chegou a 9,1 pontos percentuais, após ter atingido 11,5 pontos em 2021, aumento associado, em parte, aos impactos da pandemia de Covid-19.

Outro desafio apontado é a exposição às mudanças climáticas. Eventos extremos, como secas e enchentes, têm afetado a produção agrícola e ampliado as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no meio rural.

Durante o evento, ministras e ministros da Agricultura da América Latina e do Caribe destacaram avanços em políticas públicas voltadas ao fortalecimento das agricultoras, mas ressaltaram que ainda há desafios para reduzir as desigualdades no setor.

Ao longo de 2026, o Ano Internacional da Agricultora deverá promover ações em nível nacional, regional e global. Entre os objetivos estão ampliar o acesso das mulheres à terra, financiamento, tecnologia e serviços, além de incentivar a inclusão da igualdade de gênero nas políticas agroalimentares.

O lançamento contou com a participação de René Orellana Halkyer, subdiretor-geral e representante regional da FAO para a América Latina e o Caribe; Fernanda Machiaveli, vice-ministra de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil; María Fernanda Rivera, ministra da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala; Martha Carvajalino, ministra da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Colômbia; Lisa Jawahir, ministra da Agricultura de Santa Lúcia; e María Ignacia Fernández, ministra da Agricultura do Chile.

Também participaram Vânia Marques, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), representando a Marcha das Margaridas, e Soraya Suárez, coordenadora regional das Frentes Parlamentares contra a Fome da América Latina e do Caribe.

Fonte: Assessoria FAO
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