Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

Campo ganha novo conceito para aproveitamento de tecnologias

Publicado em

em

No campo, sempre foi tradição as crianças aprenderem a operar um trator ou com o pai, o irmão mais velho, um tio… Foi, porque agora as empresas de máquinas agrícolas têm novas tecnologias e novos conceitos de operação. Muitas vezes, sendo necessário um treinamento específico. E é nisso que a Case IH está apostando, investindo em um programa de treinamento de técnicos e operadores de máquinas. A empresa está levando produtores e técnicos para simuladores e campos de treinamento para ensiná-los a extrair o máximo do potencial de suas máquinas.

Esse novo conceito de trabalho foi um dos assuntos tratados em entrevista coletiva, na manhã desta terça-feira (04), no Show Rural Coopavel, com a participação do vice-presidente da Case IH para a América Latina, Mirco Romagnoli, do diretor comercial César Di Luca, entre outros executivos da empresa. Na oportunidade, a Case IH também fez o lançamento dos seus quatro novos tratores da linhagem Puma, de média potência. Os lançamentos fazem parte da estratégia da empresa para aumentar sua participação no mercado de máquinas em cerca de 1 a 2 pontos só em 2014.

E a Case IH tem tudo para alcançar suas metas. Em 2013 foi eleita pela Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) como a marca mais desejada do mercado. No Show Rural Coopavel, que segue até sexta-feira (07), você conhece mais sobre o programa de capacitação e as novidades da multinacional. Você também pode ler reportagem completa na próxima edição de O Presente Rural.

Fonte: O Presente Rural

Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Bovinos / Grãos / Máquinas Mercado

Após exportação recorde em 2018, pecuária aposta em demanda interna

Fundamento vem das perspectivas de retomada da economia nacional, que tende a elevar o poder de compra da população

Publicado em

em

Divulgação/Seab

Depois de fechar 2018 registrando recorde nas exportações de carne bovina in natura, o setor pecuário nacional aposta, agora, em incremento nas vendas domésticas da proteína em 2019, de acordo com pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O fundamento vem das perspectivas de retomada da economia nacional, que tende a elevar o poder de compra da população.

Projeções do Banco Central indicam crescimento de 2,5% do PIB neste ano. Além disso, espera-se controle da inflação e taxa de juros em baixa, favorecendo investimentos. O setor também está de olho na mudança de governo (que gera perspectivas de melhora nos indicadores econômicos), na maior safra nacional de grãos (que tende a reduzir os custos com a ração, importante insumo de confinamentos) e na possível diminuição na oferta de animais (em decorrência do maior abate de fêmeas) – estes últimos fatores, inclusive, podem melhorar as margens de produtores no correr de 2019.

Esse contexto tende a aumentar a renda da população e, consequentemente, estimular o consumo de carnes, especialmente bovina. O setor espera incremento também na demanda por carne premium. Neste caso, isso se deve à mudança de padrão do consumidor brasileiro nos últimos anos, que busca cada vez mais padronização, maciez e precocidade da carne, o que, por sua vez, exigiu uma modificação também no padrão de produção.

Ressalta-se, no entanto, que o mercado internacional ainda é forte foco do setor. O Brasil vem se consolidando cada vez mais no contexto internacional – em 2018, o País embarcou o recorde de 1,353 milhão de toneladas de carne in natura, registrando faturamento de US$ 5,6 bilhões –, e isso se deve ao fato de o País conseguir ofertar elevado volume da carne e de qualidade.

Ainda no front externo, para 2019, está a favor do Brasil o dólar valorizado e a dificuldade de outros países em ofertar carne com custo baixo e em volume. Atualmente, os principais concorrentes do Brasil, como Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Uruguai e Austrália – este último enfrentando severas secas e aumento nos abates de fêmeas –, operam com preços mais altos, favorecendo a competitividade brasileira.

Nesse sentido, o setor pecuário nacional acredita que China e Hong Kong, importantes demandantes de proteína bovina, devem seguir importando a carne brasileira, assim como observado ao longo de 2018. Soma-se a esse cenário a reabertura do mercado russo às carnes brasileiras e a habilitação de novas plantas de bovinos para o mercado chinês.

Pelo lado da oferta, o maior abate de animais ao longo de 2018, especialmente de fêmeas (novilhas), traça um cenário de oferta mais restrita, o que também pode sustentar os preços internos da arroba. Por outro lado, o aumento de produtividade de animais nascidos pode garantir uma boa oferta de carne em 2019.

Confinamento

O pecuarista deve ficar atento principalmente no segundo semestre. Isso porque a expectativa de uma safra maior de grãos e a sinalização do mercado futuro de preços firmes para setembro e outubro de 2019 tendem a elevar o volume de animais a serem confinados, o que poderia pressionar os valores da arroba.

Por enquanto, projeções do Cepea, utilizando como base dados de 11 confinamentos acompanhados ao longo de 2018, mostram que os números de rentabilidade devem ser positivos para 2019, desde que haja gestão de preços por parte do pecuarista.

Considerando-se o preço de boi magro de R$ 2.205/cabeça, peso de 14,7 arrobas, ganho de peso diário de 1,7 kg, 95 dias de confinamento e 55% de rendimento de carcaça, a rentabilidade pode chegar a 10,85% no período. Foram considerados custo de diária por animal de 9,26 reais, preço do milho em maio (de R$ 36,00/saca de 60 kg) e o do boi gordo em outubro/19 (de R$ 158,05/arroba).

Fonte: Cepea
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Estagnada em 2018, pecuária de leite deve crescer este ano

Análise é de pesquisadores da equipe de socioeconomia da Embrapa Gado de Leite (MG)

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Melhora no cenário econômico e safra recorde de grãos devem fazer este ano ser de retomada de crescimento para a pecuária leiteira brasileira. A análise é de pesquisadores da equipe de socioeconomia da Embrapa Gado de Leite (MG) que fizeram um balanço do setor leiteiro no ano que se passou.

Segundo Glauco Carvalho, um dos integrantes da equipe, quando forem publicados os índices do período, a atividade deve fechar o ano estagnada ou crescer muito pouco em relação a 2017. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), naquele ano, a produção de leite inspecionado cresceu 5%, após um biênio complicado: 2015 (queda de 2,8%) e 2016 (queda de 3,7%). Isso significa que o setor deve fechar 2018 com um volume anual menor que o ano de 2014, antes da intensificação da crise econômica, quando a produção inspecionada foi de 24,7 bilhões de litros de leite e o volume total chegou a 35,1 bilhões de litros.

“Embora o produtor de leite esteja acostumado com desafios e sobressaltos, 2018 foi atípico, desafiando o produtor em diversos aspectos”, observa Carvalho. O primeiro desafio, de acordo com o especialista, foi o preço do litro de leite pago ao produtor, que começou o ano em cerca de R$1,20 (pouco acima do que era pago em 2016, no auge da crise). 

Além dos preços baixos no início do ano, o custo de produção ficou elevado, fechando o primeiro semestre com alta de quase 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os itens que mais tiveram impacto na rentabilidade do pecuarista foram os ligados à alimentação do rebanho (concentrado, produção de volumosos e sal mineral). Os preços do milho e da soja subiram em plena safra devido à quebra da produção de grãos na Argentina e à redução da safra brasileira de milho, entre outros fatores.

Alta de 18,5% dos custos em 12 meses

Os preços internacionais dos grãos também foram influenciados pela forte valorização do dólar frente ao real e pelos reflexos da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Somados ao aumento dos preços da energia e do combustível no Brasil, isso levou a uma alta de 18,5% nos custos de produção no período de outubro de 2017 a outubro de 2018. Dessa forma, o preço real ao produtor em 2018, deflacionado pelo custo de produção, registrou queda de 1,5% em relação a 2017.

Outro desafio foi a greve dos caminhoneiros, que além de afetar a produção primária, comprometendo a alimentação dos animais, paralisou as atividades da indústria e consumiu os estoques dos laticínios e dos varejistas. Em maio, quando ocorreu a greve, registrou-se o pior índice que se tem notícia para um único mês, com a produção ficando 9,3% mais baixa em relação a maio do ano anterior. Esse número revela que deixaram de ser captados 176,7 milhões de litros de leite. Sem poder escoar a produção durante os dez dias de paralisação, a conta da greve foi paga pelos pecuaristas e laticínios.

Leite argentino e uruguaio mais competitivo

O terceiro desafio veio de fora. Argentina e Uruguai, os principais exportadores de leite do Mercosul,apresentaram preços mais competitivos que o Brasil, com o produto chegando a custar R$ 1,00 o litro. Por aqui, no pico do preço, o produtor chegou a receber pelo litro de leite acima R$ 1,50. Com valores dos países vizinhos tão baixos, a importação foi estimulada, principalmente no último trimestre. “O País continua sendo um importador líquido e devemos fechar 2018 com um déficit de meio bilhão de dólares, o que equivale a um bilhão de litros de leite”, frisa Carvalho.

O cenário mundial, para além do Mercosul, também não é favorável aos preços. Segundo o índice do Global Dairy Trade (GDT), o leite em pó integral foi vendido, na primeira semana de dezembro, a US$ 2.667,00 a tonelada. Nos últimos três anos, a melhor cotação ocorreu em dezembro de 2016: cerca de US$ 3.600,00.

Já o quarto desafio é um velho conhecido da cadeia produtiva do leite: o fraco desempenho do consumo de produtos lácteos, associado à baixa renda da população. Apesar da tímida recuperação da economia, a taxa de desemprego ainda é alta (11,6%). O pesquisador da Embrapa Gado de Leite João César Resende diz que o consumo de lácteos é bastante sensível às variações do poder de compra do consumidor. Segundo ele, quando há uma retração da economia, produtos como iogurte e queijo são alguns dos primeiros a serem eliminados da lista de compras.

Mesmo com o litro do leite UHT sendo vendido a R$ 1,85 em alguns supermercados, no quarto trimestre, a demanda não demonstrou fôlego para se aquecer. As previsões para o PIB também decepcionaram. Em janeiro, a expectativa dos economistas era de que o PIB fechasse 2018 com um crescimento de 2,66%. No fim do ano, a expectativa caiu para 1,30%

Os pesquisadores acreditam que 2019 será melhor para a cadeia produtiva do leite. A primeira barreira a ser superada diz respeito aos preços dos concorrentes no Mercosul. O analista da Embrapa, Denis Teixeira da Rocha, afirma que os preços praticados pelos parceiros do Cone Sul não são sustentáveis e devem, em algum momento, voltar à realidade. “Devido à rentabilidade negativa, nos últimos anos, três grandes laticínios fecharam suas portas no Uruguai”, destaca Rocha.

O mundo precisará de mais leite

Com relação ao mercado global, durante a conferência anual da International Farm Comparison Network (IFCN), em 2018, realizada em Parma, na Itália, os especialistas estimaram um crescimento um pouco mais robusto na demanda de lácteos para 2019. Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Lorildo Stock, que representou o Brasil na conferência, as estimativas do IFCN são que, para atender à demanda por produtos lácteos em 2030, o setor deverá aumentar a produção em 304 milhões de toneladas por ano. Isso equivale a três vezes a produção leiteira dos Estados Unidos, atualmente. Para ativar essa produção, o IFCN acredita que o preço do leite mundial atinja US$0,40, valor superior à média histórica.

Internamente, a expectativa de mudanças na economia com o novo governo tem animado o mercado. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê um crescimento da economia brasileira de 2,1%. Já o mercado espera por um índice um pouco maior: 2,5%. De qualquer forma, segundo Carvalho, será o ritmo de andamento das reformas que irá ditar o compasso do mercado para este ano.

Para o pesquisador, há uma demanda reprimida por produtos lácteos que se arrasta por anos e algum crescimento econômico irá impulsionar a venda desses produtos. Carvalho acredita ainda em melhoria nas margens de lucro dos laticínios, que se encontram baixas desde meados de 2016.

Mais grãos, menos custos com alimentação

No que diz respeito aos lucros do produtor, 2019 começou com os preços em patamares um pouco mais elevados que os do início do ano anterior. A boa produção de grãos da safra 2018/2019, que pela expectativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deve superar 230 milhões de toneladas, é um ponto positivo para a pecuária de leite. O recorde nas safras de soja e milho contribui para o recuo nos custos com a alimentação das vacas, sobretudo a produção de concentrados. “A redução do preço de importantes insumos deve melhorar a rentabilidade das fazendas, culminando na expansão da produção leiteira em 2019”, conclui Carvalho.

Fonte: Embrapa Gado de Leite
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Meio Ambiente

Produtor do Paraná reduz em 50% uso de defensivos agrícolas

Produtores rurais utilizam MIP e MID na propriedade para maior produção e menor utilização de defensivos

Publicado em

em

Francine Trento/OP Rural

Sustentabilidade, maior produção e lucratividade no plantio da soja, além de mais assertividade na tomada de decisão. Estas são as situações que melhor descrevem a atividade quando o agricultor adota o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e o Manejo Integrado de Doenças (MID) na lavoura. Os dois programas são desenvolvidos com produtores rurais do Paraná através de uma parceria entre Emater-PR e Embrapa. Entre os benefícios dos programas estão o menor uso de inseticidas nas propriedades, consequentemente menor investimento para compra destes produtos, e uma maior rentabilidade nos resultados finais da safra.

 Quem fala com propriedade sobre o assunto é o produtor rural Sandro Rogério Tagliari, de Assis Chateaubriand, do Oeste do Estado. Com uma área de 30 alqueires, ele adotou estes manejos há cinco anos. Agora, não quer mais saber de outra forma de trabalhar na propriedade. “Trabalhei com o auxílio da Emater-PR. No início fizemos somente em cinco alqueires. Porém, com os ótimos resultados que tive, passei a aplicar em 100% da área”, conta.

Ele comenta que, como agricultor, estabeleceu um dia de semana em que faz o monitoramento de toda a área para ver o dano das pragas e a questão de doenças. “A Emater tem um coletor de esporos que me passa essas informações”, diz. Com estes dados em mãos, o produtor faz a aplicação de inseticidas somente no momento certo, sem o perigo de aplicar quando não é necessário e perder dinheiro.

Tagliari informa que desde que adotou os manejos, a diferença em toda a produção foi perceptível. “Eu tive áreas na propriedade em que a aplicação de inseticida foi zero. Eu diminui em média 50% da aplicação de defensivo agrícola. Tudo isso por meio dos dados que hoje eu tenho da minha propriedade, porque antigamente eu não tinha tanta informação e agora, com o que eu tenho, eu possuo maior critério para fazer as minhas aplicações, para não fazer nos momentos indevidos e assim perder dinheiro”, explica.

O produtor rural conta que a produção dele não aumentou em números, porém, o lucro que tira da propriedade passou a ser maior. “A rentabilidade que eu tiro de cada safra está maior porque o que está acontecendo é que eu estou produzindo igual, mas estou gastando menos. Dessa forma posso dizer que a rentabilidade aumentou”, comenta.

Inimigos e amigos

Para Tagliari a força de vontade do produtor é um quesito essencial para o bom funcionamento dos manejos na propriedade. “Eu recomendo para outros fazerem também. Não é fácil, é o nosso meio de vida e sobrevivência. Eu preciso estar na minha propriedade toda semana monitorando. Tiro um dia inteiro para fazer tudo o que é necessário e tomar a minha decisão de aplicar ou não o inseticida, para que eu vou aplicar e quando”, diz. Além do mais, com o manejo integrado, agora o produtor sabe a diferença dos inimigos e amigos naturais. “Temos assim o controle das pragas invasoras, que são os inimigos e temos que cuidar deles. Dessa forma trabalhamos para eliminar as pragas e manter os amigos naturais, que são fundamentais para a produção”, afirma.

Produção é de grãos, não de folha

“A hora que o agricultor entende o manejo de pragas, ele perde o medo e fica tranquilo. Já não é mais aquela coisa de que furou uma folhinha tem que aplicar o inseticida. Ele já vê que não precisa fazer isso, porque ele não está vendendo folha, soja não é alface, ele está vendendo o grão”, afirma o engenheiro agrônomo e coordenador estadual da área de grãos do Instituto Emater-PR, Nelson Harger. 

O profissional, que coordena o programa de manejo com os agricultores do Paraná, comenta que o produtor está sempre muito atento e preocupado em fazer um bom controle de pragas e doenças, mas ele tem muita dificuldade em tomar decisão de qual o melhor momento em iniciar as aplicações. “E é exatamente isso que estes programas ajudam”, diz.

Segundo Harger, o agricultor que sabe o que está acontecendo na lavoura em termos de praga, acompanha toda a semana, vê se a população de pragas tem aumentado ou diminuído, que praga tem aumentado, não se assusta e toma a decisão baseada em critérios técnicos e acaba iniciando as aplicações mais tarde. “Os nossos trabalhos, que estamos desenvolvendo há cinco anos, têm mostrado que em média o agricultor que cuida desses detalhes faz a aplicação de inseticida 31 dias mais tarde. Isso para a cultura da soja é fantástico, porque ao invés de aplicar no início do ciclo da soja, ali pelos 40 dias, ele passa a aplicar somente aos 70 dias. Isso é um resultado incrível”, avalia.

Pesquisa a campo

Trabalhando dessa forma, o profissional comenta que o foco principal tem ficado nos percevejos, já que nos últimos anos não há problemas sérios com lagarta no Paraná. “Então, porque fazer aplicações muito cedo sem necessidade? Isso são trabalhos totalmente referendados pela pesquisa”, argumenta.

Harger conta que o MIP e o MID já foram desenvolvidos em 612 propriedades do Paraná. “São locais que trabalhamos para que os outros produtores visitem e adotem. Para eles terem certeza de que isso funciona”, informa. De acordo com ele, este manejo tem dado muito certo. O engenheiro agrônomo conta que o produtor e a assistência técnica precisam entender que o comportamento da doença não é o mesmo todos os anos. “Em 2017 tivemos geada e seca em setembro, o que matou aquelas sojas voluntárias, então não havia uma multiplicação inicial da ferrugem cedo. A doença apareceu no começo de dezembro. Quem fez alguma aplicação antes, perdeu dinheiro”, conta. Para ele, o produtor precisa fazer as contas do que é necessário.

O profissional explica que já no ano passado foi diferente. “Não tivemos geada, houve muita chuva desde agosto, e com isso muita soja voluntária sobrou nas lavouras, então, a ferrugem começou mais cedo. Houve focos importantes nas regiões de Palotina e Marechal Cândido Rondon”, comenta. Ele reitera que cada ano varia, e é preciso que o produtor observe isso.

A grande questão que deve ser encarada pelo produtor rural é quanto a correta tomada de decisão para a aplicação dos inseticidas na propriedade. “Nós temos nas propriedades os coletores de esporos. Em algumas regiões sabemos se já está circulando esporos de alguma doença. O agricultor a assistência técnica vêm isso e sabem que já existe risco de infecção. Dessa forma, em conversa, eles já decidem pela aplicação e o melhor momento a fazer. Assim usamos o critério técnico”, afirma. O profissional comenta que este trabalho é um avanço para o produtor rural. “É algo feito para ele ter mais rentabilidade, feito para o setor produtivo ter mais informação”, diz.

Mais sustentabilidade

Um dos grandes ganhos com a utilização do MIP e do MID vem também para o meio ambiente. Isso porque, com a utilização dos inseticidas somente no momento certo e se há necessidade, a utilização de defensivos nas propriedades acaba sendo menor. Em uma pesquisa realizada durante cinco safras pelo Emater mostra que o número de aplicações de inseticidas diminui pela metade com a utilização destes manejos.

“O agricultor aplica mais tarde, produz uma agricultura mais sustentável e ganha mais dinheiro”, destaca Harger. Dessa forma, o produtor acaba tendo avanços ambientais e econômicos ao mesmo tempo, reitera o profissional. “Isso faz com que acabe casando as questões. Não é que o produtor deixa de ganhar dinheiro, ele continua ganhando e ganha mais, agredindo menos o meio ambiente, porque ele só vai fazer a aplicação quando é realmente necessário”, assegura. Para o profissional, esta forma de manejo acaba sendo melhor para todos, para os agricultores e pessoas da cidade.

Profissionalismo

O engenheiro agrônomo menciona que o agricultor é um empresário e quer fazer as coisas da melhor forma possível. “Ele está mudando o comportamento de ver e decidir, de querer informação de qualidade e querer dinheiro no bolso. Estamos passando por uma fase muito radical de mudanças nessa questão, o agricultor está evoluindo muito, está mais exigente, quer mais informação e assistência técnica de qualidade”, expõe Harger.

Para o profissional, a agricultura evoluiu bastante nos últimos anos e continuará evoluindo nos próximos. “Imagina o agricultor daqui a 10 anos, já vai ser outra realidade. A agricultura vai evoluir muito, ela nem começou a evoluir ainda, tem muito o que andar. Em uma visão empresarial, de mais competitividade, o Brasil realmente vai ser a grande referência mundial de produção de alimentos, não tenho dúvidas disso”, afirma.

Capacitação

Para aqueles produtores que ainda não conhecem e querem começar a aplicar o MIP na propriedade, Harger informa que ele pode procurar o Senar, que oferece um curso de manejo de pragas. “Toda semana tem um grupo em uma propriedade que está fazendo esse curso, com questões práticas de campo. Com essa parceria, o melhor caminho para mais agricultores entrarem no MIP é tentar se encaixar em um curso do Senar”, recomenda o profissional.

E foi exatamente isso que o produtor Sandro Rogério Tagliari fez. Ele conta que quando soube do curso, fez a inscrição. “Eu estava fazendo outro curso no Senar quando ouvi falar que tinha este. Entrei em contato e estava na reta final do curso, inclusive em duas regiões próximas à minha cidade não tinha mais vaga. Mas como eu tinha total interesse, deixei meu nome em uma lista de espera”, lembra. Para a sorte de Tagliari, um dia antes de começar o curso houve uma desistência e ele conseguiu uma vaga no curso do Senar do município de Toledo. “Eles me ligaram e eu fiquei bastante contente. Eu tive que me locomover 40 quilômetros toda a semana, mas o curso foi muito produtivo, valeu muito a pena”, afirma.

E o produtor não parou por ali. Depois de três anos que fez o curso, tem a certeza de que é preciso fazer novamente. “Neste ano preciso fazer uma reciclagem. Como é pelo Senar, é totalmente grátis para nós, e precisamos buscar conhecimento para fazer a nossa tomada de decisão”, afirma. Fazer o curso foi uma decisão acertada, segundo o produtor. “Precisamos ter rentabilidade na nossa lavoura. As vezes meu vizinho pode colher mais do que eu, mas sobrar menos para ele. Então, é isso que temos que buscar para nos aprimorar, rentabilidade e sustentabilidade. Gostamos da área rural e queremos nos manter vivos por muito tempo no campo”, declara.

O MIP

O uso do MIP extrapola os resultados econômicos e contribui para o controle biológico natural no agroecossistema, assim como reduz o risco de contaminação ambiental, uma vez que menos produtos são pulverizados no ambiente. Porém, o sucesso desse tipo de manejo exige dedicação, acompanhamento e presença do agricultor na lavoura. Sua adoção deve ter início antes mesmo da instalação da cultura, por meio da realização de monitoramento do grupo de pragas presentes na área a ser manejada para o plantio.

Entre as tecnologias sugeridas pelo MIP, destacam-se a observação de pontos simples, como: os níveis de ação estabelecidos pela pesquisa, especialmente em relação a lagartas e os percevejos; os métodos efetivos de amostragens e de monitoramento das pragas e de inimigos naturais; o controle biológico natural e aplicado na cultura; e a disponibilidade de produtos químicos e biológicos seletivos para serem aplicados quando for realmente necessário. O MIP-Soja também preconiza o cultivo das plantas transgênicas Bt que expressam proteínas que afetam insetos desfolhadores, como lagartas da soja e a falsa-medideira.

Harger explica que os técnicos acompanham a propriedade, fazem o monitoramento semanal e vão discutindo com o produtor para ele fazer a melhor tomada de decisão. “Quando chega o momento oportuno, em que as pragas estão em populações mais altas, se discute com o agricultor a aplicação, mas a decisão final é dele. Com isso ele vai criando confiança e vai adotando o melhor caminho nos próximos anos. Essa é a ideia”, afirma.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
APA
Nucleovet 2

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.