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José Zeferino Pedrozo

Campo futuro: informação para o agronegócio

Uma das principais dificuldades que o produtor enfrenta é a falta de informações gerenciais na sua propriedade

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José Zeferino Pedrozo é presidente da Federação da Agricultura e Pecuária Do Estado de SC (Faesc) 

A informação tornou-se o maior insumo da vida cotidiana. O projeto Campo Futuro, desenvolvido em âmbito nacional pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, BM&F, CEPEA, Conab e, em Santa Catarina, Faesc, Senar e Sindicatos de produtores rurais, é um exemplo.

A gestão financeira da propriedade rural deve receber a mesma atenção que as atividades de produção. As atividades que envolvem a gestão são bastante intuitivas, por isso, muitas vezes, não são encaradas de forma técnica. Uma das principais dificuldades que o produtor enfrenta é a falta de informações gerenciais na sua propriedade. Hoje, ele tem acesso a dados técnicos e financeiros de diversos países, porém possui poucos registros de sua própria atividade. Além disso, o excesso de informações sobre o mercado, muitas vezes, dificulta a seleção do que realmente faz diferença na gestão do negócio. Todavia existem mecanismos que, quando bem utilizados, trazem bons resultados, como o preço futuro dos principais produtos agropecuários negociados em bolsa, como a BMF&Bovespa. Se o produtor está no início da safra, mesmo sem atuar nesse mercado, ele consegue ter uma ideia do preço para o final da safra, mesmo sem atuar nesse mercado, ele consegue ter uma ideia do preço para o final da safra e, assim, calcular a sua rentabilidade potencial.

O projeto Campo Futuro levanta informações por meio de painéis realizados nas principais regiões produtoras. Consiste em uma reunião técnica in loco, com a participação dos agentes da cadeia produtiva (produtores, técnicos da agroindústria e representantes de lojas de insumos), para definição de uma propriedade modal. Após a realização dos painéis, as matrizes de custos e as informações sobre as receitas médias são atualizadas mensalmente pelas instituições parceiras.

No ano passado foram criados os Dias de Mercado eventos desenvolvidos nas regiões onde foram promovidos os painéis de levantamentos de custos de produção. A programação desses seminários segue uma lógica que apresenta a realidade da região, comparando-a com o resto do Brasil e destacando suas potencialidades e gargalos. Na sequência, especialistas levam a esses produtores o que há de mais atual em cada cultura analisada. É assim, com informação e capacitação que o agronegócio brasileiro avança.

Fonte: Assessoria

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José Zeferino Pedrozo Opinião

Em busca da pacificação

É hora da pacificação, de substituir os discursos de incitação ao conflito por gestos de concórdia, cooperação e busca da harmonia

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José Zeferino Pedrozo - Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc)  e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)- Foto: Divulgação

Há uma dose muita alta de incertezas na sociedade. As pessoas estão inseguras quanto a praticamente tudo – emprego, renda, saúde, futuro do País. A crise sanitária provocada pela pandemia do novo coronavírus amalgamou-se com a crise econômica e agravou-se com a crise política. Há uma sensação geral de desamparo. Enquanto milhares de famílias choram a perda de entes queridos no seio de uma crise de saúde que ainda está sem controle, outros milhões amargam a perda de emprego e a precarização da qualidade de vida.

No mundo inteiro a pandemia impactou a economia e a opção dos países atingidos foi a mais racional possível: cuidar das pessoas em primeiro lugar e, depois ou concomitantemente (quando possível), tentar harmonizar com a funcionalidade da economia. No Brasil, pode-se dizer que, de modo geral, entre erros e acertos tentou-se atingir esse objetivo, obtendo-se diferentes níveis de sucesso nas diversas e multifacetadas regiões brasileiras.  O auxílio emergencial e outras medidas governamentais também ajudaram. Enfim, é uma aprendizagem geral para as três esferas da Administração Pública: União, Estados e Municípios.

Com a saúde pública e a economia claudicando, é ainda mais revoltante tomar conhecimento de inúmeros casos de corrupção, superfaturamento de materiais, equipamentos médicos e hospitais de campanha – ou seja, a corrupção não cessa nem mesmo em um quadro dramático que estamos vivendo. A sociedade exige que a Polícia, o Ministério Público e a Justiça investiguem, processem, julguem e punam esses abutres que lucram com a infelicidade geral da Nação.

No plano econômico, são lúcidas e sensatas as orientações que o ministro Paulo Guedes oferece para estimular investimentos e empreendimentos privados, em um momento em que os desajustes das contas públicas crescem e o déficit fiscal atinge níveis estratosféricos – cujo agravamento vem sendo creditado às ações de combate à Covid-19.

Digamos que essa realidade sanitária e econômica seja imperiosa, inevitável e fruto de acontecimentos planetários imprevisíveis e incontroláveis. A agravar esse cenário surge a crise política, expressa pelos excessos de protagonistas de todos os Poderes da República. Não é nosso intuito apontar culpados, pois em diferentes atos, diferentes atores ocuparam a cena sendo, aqui, inútil apontar quem mais contribuiu para esse mal-estar institucional. Cabe lamentar que manifestações exacerbadas, descontextualizadas, inoportunas e infelizes impregnem a cena política gerando nocivas e deletérias consequências em muitas áreas. No mercado internacional, afastam investidores e alarmam compradores de nossos produtos, em um estágio em que é premente aumentar as exportações e melhorar o superávit da balança comercial. No mercado doméstico, criam insegurança e angústia em investidores, trabalhadores e na família brasileira, quando seria vital melhorar a taxa de confiança do empresariado, ampliar os investimentos públicos e privados, estimular a produção e gerar empregos.

Colho aqui o exemplo da agricultura nacional que, heroicamente, com os desafios da nossa deficiente infraestrutura logística e a crescente expansão da doença na área rural, não parou de produzir para, assim, assegurar que não faltem alimentos na mesa do brasileiro. O produtor rural não parou um só dia nessa pandemia, porque sem ele não haveria carne, leite, pão, cereais, frutas e hortigranjeiros nos lares.

Apesar de vozes alarmistas de diferentes correntes ideológicas e de alguns pequenos grupos, a grande verdade é que todas as instituições da República brasileira funcionam plena e robustamente. Não há, concretamente, nenhuma ameaça da quebra da normalidade constitucional. Governo, Congresso e Judiciário cumprem suas respectivas missões. Entretanto, também é fato que as manifestações retrorreferidas não produzem nenhum benefício e deveriam ser suprimidas do cotidiano do País.

É hora da pacificação, de substituir os discursos de incitação ao conflito por gestos de concórdia, cooperação e busca da harmonia. Assim, o Governo e a sociedade poderão se concentrar no que realmente importa e é essencial nesse momento: combater a epidemia e, na medida do possível, não paralisar a economia. É preciso salvar vidas e empregos, preservando o presente e assegurando o futuro.

 

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

Aftosa: 20 anos sem vacinação, 28 anos sem a doença

Esse reconhecimento revolucionou o mercado de carnes, proporcionando  o início das negociações para exportação de carne suína, bovina e de aves para diversos países do mundo

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc)  e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Em outubro de 2006, o Ministério da Agricultura pediu a convocação de assembléia extraordinária da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), em Paris, o que ocorreria em 2007, para que esse organismo internacional fizesse o reconhecimento de Santa Catarina como área livre de aftosa sem vacinação. Na ocasião, o então ministro Luiz Carlos Guedes Pinto atendia pedido de uma comissão de alto nível formada por dirigentes da Faesc, do Sindicarne, da Secretaria de Estado da Agricultura e do governador Eduardo Pinho Moreira.

A comissão entregou ao ministro, em Brasília, um dossiê comprovando que, na prática, o Estado já desfrutava dessa condição (área livre sem vacinação), mas  faltava a chancela da instituição mundial.

Na ocasião, como presidente da Faesc, ressaltei ao ministro que o Estado estava há 14 anos sem ocorrência de aftosa e há seis anos sem vacinação, configurando um status sanitário único no Brasil. Hoje já são 28 anos sem a doença e 20 anos sem a vacinação. O ministro não apenas assumiu o compromisso de defender o Estado junto à OIE como também apresentou o cronograma de trabalho, com o detalhamento das atividades que sustentariam o projeto de definição de Santa Catarina como zona livre de aftosa sem vacinação.

Nossa missão foi vitoriosa. A reunião da comissão científica da OIE ocorreu em março de 2007 e aprovou o pedido brasileiro. Em maio do mesmo ano, em Paris, a 66ª  assembleia anual da OIE proclamou Santa Catarina como área livre de aftosa sem vacinação, da qual tive a honra em participar.

Esse reconhecimento revolucionou o mercado de carnes, proporcionando  o início das negociações para exportação de carne suína, bovina e de aves para diversos países do mundo.

Hoje, ao festejar essa conquista, é justo e necessário assinalar que o Estado de Santa Catarina, em razão de um sério e perseverante trabalho dos produtores rurais, das agroindústrias e do Governo catarinense, criou, manteve e aperfeiçoou um notável sistema de defesa e vigilância sanitária animal que se tornou um paradigma nacional com reconhecimento internacional.

Importante também realçar o papel do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (ICASA) dentro do Sistema Único de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA) em Santa Catarina. Parceiro do Sistema FAESC, o ICASA contribui para a manutenção do status sanitário catarinense e realiza por ano,  com o apoio dos Sindicatos Rurais, aproximadamente, 50 mil visitas orientativas às propriedades com criação de animais.

Assim, Santa Catarina tornou-se uma ilha de sanidade em todo o país porque, paralelamente à produção de alimentos cárneos, opera um avançado e competente sistema de vigilância, fiscalização e controle sanitário que monitora todas as fases da produção pecuária. Esse sistema foi estruturado arduamente e exigiu sacrifícios, investimentos, estudos e pesquisas da sociedade, tornando-se, portanto, um patrimônio dos catarinenses, dos produtores rurais e das agroindústrias.

Uma avaliação retrospectiva revela que chegar a essa conquista, hodiernamente consolidada, não foi fácil. Recordo que houve quem entrou em juízo contra a suspensão da vacinação. O conceito era avançado para a época, muitos não entendiam que o status de área livre de aftosa sem vacinação permitiria – como de fato permitiu – que os produtos catarinenses chegassem aos mais remotos mercados do globo, gerando  milhões de dólares em divisas para o país e sustentando milhares de empregos no campo e na cidade. A febre aftosa é uma das mais temidas doenças dos grandes animais, a sua existência impede a comercialização de outras espécies, quer na forma viva ou de seus produtos cárneos e industrializados.

Podemos festejar e planejar. Potencial para crescimento é o que não falta ao Brasil e a Santa Catarina, que possuem  aptidão natural para pecuária em função de suas excepcionais condições edafoclimáticas e ainda possibilidades de obtenção  de expressivos ganhos de produtividade. Isso é resultado de trabalho, pesquisa, ciência e dedicação.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

Dois atores essenciais: o produtor rural e a agroindústria

O que precisamos agora é permitir que os produtores e as agroindústrias produzam dentro das condições ideais em que já trabalham

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo -Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc)  do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

A epidemia do novo coronavírus que assola o Brasil afetou amplos setores da atividade humana e desorganizou importantes segmentos da economia. Empresas e famílias ficaram devastadas por perdas de ordem pessoal ou material. Um dos setores que, a todo custo, precisa continuar em operação é o de alimentos. Se faltar alimentos no País, nesse estágio da pandemia, o que está crítico ficará caótico.

Dois atores trabalham tenaz e obstinadamente para garantir a produção de alimentos nos gigantescos volumes que o Brasil e o mundo necessitam: os produtores rurais no campo e as indústrias de processamento da matéria-prima vegetal e animal, nas cidades. Os primeiros produzem grãos, frutas, hortigranjeiros, leite e carne que as agroindústrias processam e/ou industrializam e geram produtos acabados para consumo final.

Duas longas cadeias produtivas brasileiras ganharam notoriedade mundial nas últimas décadas pela sua complexidade: a avicultura industrial e a suinocultura industrial. Elas são paradigmas do uso de tecnologia nas fases de campo e de indústria.

Essas duas cadeias trabalham no sistema de integração, uma parceria que há 60 anos une criadores de frangos e de suínos com as agroindústrias em território brasileiro. A indústria fornece os principais insumos e o produtor participa com mão de obra e os recursos de sua propriedade. O sistema de integração levou bem-estar às famílias rurais e transferiu tecnologia aos criadores. O produtor rural repassa às empresas/agroindústrias os seus produtos na condição de matéria-prima a ser processada e transformada no produto final. Graças a ela fortaleceu-se a economia dos municípios e fixou-se a família rural no campo, amenizando o êxodo rural.

Para evitar a disseminação do coronavírus são adotados rígidos protocolos de produção no campo e nas fábricas. Os tradicionalmente rígidos procedimentos das indústrias de processamento de carne ficaram ainda mais rigorosos: medição de temperatura, uso de botas, paramentos especiais, jalecos, máscaras, toucas, luvas, desinfecção de pés e mãos, distanciamento social etc. são rotinas do cotidiano desses trabalhadores.

Apesar de deter um elevado nível de segurança sanitária na produção rural e industrial, os frigoríficos entraram injustamente na mira de críticas, fake news e uma campanha de desinformação de pessoas mal-intencionadas ou que desconhecem a dimensão e a complexidade desse setor da indústria de alimentos.

O perigo é que, embalado nesse clima, alguns frigoríficos podem ter  atividades paralisadas. Essa hipótese é assustadora, porque pode significar a perda de milhares de empregos, a falência de toda uma cadeia produtiva com milhares de produtores rurais e – o que é muito grave – a necessidade de sacrifício sanitário de milhões de aves e milhares de suínos. Isso, sem mencionar a decorrente escassez de alimentos no mercado nacional. É imprescindível sublinhar que a indústria da carne vem garantindo extraordinários superávits na balança comercial.

Devemos trabalhar para evitar esse quadro. Os produtores rurais  precisam da indústria e a indústria não produz sem os criadores de aves e suínos etc.  Se os frigoríficos paralisarem, os produtores ficarão em situação delicada. Esses dois atores precisam continuar em ação para assegurar o abastecimento do Brasil.

Produtor  e indústria mantêm essa exitosa parceria com a garantia do equilíbrio e justiça econômica de ambos os lados, fortalecendo a economia dos municípios e desenvolvendo o hinterland brasileiro. O sistema de produção em integração é um dos grandes responsáveis pelo padrão de excelência e de qualidade alcançados pelo Brasil. Graças a este sistema, o País ganhou competitividade, estandardização e padronização da produção, ampliando a presença brasileira no mercado mundial, chegando à liderança mundial nos embarques de carne de frango e ao quarto posto global nas exportações de suínos.

O que precisamos agora é permitir que os produtores e as agroindústrias produzam dentro das condições ideais em que já trabalham, sem exigências descabidas ou ameaças constantes. O Brasil precisa desses dois atores.

Fonte: Assessoria
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