Notícias SEMANA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO
Campanha mundial alerta para os cuidados no uso de antimicrobianos
O Mapa participa desde 2015 da ação, que busca alertar para os riscos à saúde e o bem-estar de animais e humanos


Foto: Divulgação MAPA
Com o slogan ‘Antimicrobianos: Manuseie com Cuidado – compartilhe o alerta, detenha a resistência!’, a Aliança Tripartite – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e Organização Mundial de Saúde (OMS) – promove, de 18 a 24 de novembro, a Semana Mundial de Conscientização sobre o Uso de Antimicrobianos (WAAW 2021 – sigla em inglês).
A disseminação da resistência aos antimicrobianos (AMR) – quando microrganismos, como as bactérias, por exemplo, se tornam resistentes aos medicamentos de tratamento – é um problema mundial com reflexos na saúde humana e animal.
A campanha, realizada todos os anos no mês de novembro, visa sensibilizar, no contexto da Saúde Única, a conscientização global sobre a resistência aos antimicrobianos e incentivar as melhores práticas entre o público em geral, estudantes, trabalhadores da saúde e formuladores de políticas para evitar o surgimento e a disseminação da AMR.
“Os antimicrobianos são medicamentos utilizados no tratamento de infecções, principalmente as de origem bacteriana, e são essenciais para a preservação da saúde humana e animal, bem como do bem-estar animal. Para preservar a eficácia desses valiosos medicamentos é fundamental que seja garantindo o seu uso responsável e prudente”, orienta o diretor do Departamento de Saúde Animal, Geraldo Moraes.

Programação
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) participa da campanha desde 2015. Entre as ações realizadas durante a semana de 2021, no dia 22/11, o Mapa realizará, em parceria com a Aliança e o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), o evento virtual: “A Força-Tarefa do Codex Alimentarius para Resistência aos Antimicrobianos terminou. E agora?”
Nos dias 23 e 24/11, será realizado outro evento virtual em conjunto com o Ministério da Saúde, Anvisa e Organização Panamericana de Saúde (OPAS/OMS), a partir das 15h, transmitido pelo Youtube.
A programação completa da Semana Mundial de Conscientização sobre o Uso de Antimicrobianos e links para acesso aos eventos estão disponíveis no site do Ministério da Agricultura
As atividades para estimular o uso racional de antimicrobianos em animais estão previstas no Plano de Ação Nacional para Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária (PAN-BR AGRO), publicado em 2018 pelo Ministério da Agricultura. O uso inadequado ou excessivo de medicamentos aumenta o risco de resistência aos antimicrobianos e, em todo o mundo, pessoas, plantas e animais estão morrendo de infecções que não podem ser tratadas, mesmo com os mais poderosos antimicrobianos.
Resistência aos antimicrobianos
A resistência aos antimicrobianos (AMR) é um dos maiores desafios para a saúde pública, com importante impacto na saúde humana e animal. Estima-se que se nada for feito para reverter essa situação, a AMR em 2050 será responsável por 10 milhões de mortes anuais em humanos, tornando-se mais letal até mesmo do que o câncer.
Além de mortes de humanos e animais, há também prejuízos econômicos causados pela AMR, pela redução na produtividade e pelo aumento de custo de internações e tratamentos, entre outros. Segundo dados da FAO, US$ 1,2 trilhão de gastos adicionais com saúde por ano é esperado até 2050 devido ao aumento da resistência aos antimicrobianos. E, dentre as principais causas para o aumento da AMR, pode-se destacar o mau uso de medicamentos antimicrobianos veterinários e humanos.
“A conscientização dos médicos veterinários, técnicos, produtores, e sociedade em geral sobre a obrigatoriedade de prescrição para antimicrobianos de uso veterinário, sobre a importância do uso racional de antimicrobianos em animais, e sobre a necessidade de uma efetiva implementação de boas práticas e bem-estar na produção animal, são desafios prioritários no trabalho de enfrentamento à resistência aos antimicrobianos no Brasil e no mundo”, destaca o chefe da Divisão de Programas Especiais da coordenação-geral de Produtos de Uso Veterinário, Diego Brito.
No Brasil é obrigatório a prescrição veterinária para a comercialização dos produtos antimicrobianos de uso veterinário, estabelecido pela Instrução Normativa Mapa nº 26/2009, e para os produtos destinados à alimentação animal contendo esses medicamentos, de acordo com a Instrução Normativa SDA/Mapa nº 65/2006.
Programa de Vigilância da Resistência aos Antimicrobianos
Em março de 2021, o Mapa implementou o Programa de Vigilância e Monitoramento da Resistência aos Antimicrobianos no Âmbito da Agropecuária com objetivo de avaliar riscos, tendências e padrões na ocorrência e disseminação da AMR por meio de alimentos de origem animal produzidos no Brasil, bem como prover dados essenciais para análises de risco relevantes à saúde animal e humana.
As informações geradas a partir do programa irão embasar as tomadas de decisões, o estabelecimento de políticas públicas e a alocação apropriada de recursos nas ações de prevenção e contenção da AMR na cadeia de produção de alimentos.

Colunistas
Produtores mudam estratégia e priorizam investimentos com maior retorno
Decisões no campo passam a considerar desempenho operacional, tecnologia e redução de custos ao longo do ciclo produtivo.

O cenário do agronegócio atravessa uma transformação silenciosa, mas profunda. O que antes era uma decisão baseada puramente na necessidade mecânica, tornou-se uma complexa equação financeira e tecnológica. No campo, o produtor rural está abandonando a visão de que a máquina é um “custo necessário” para abraçá-la como um ativo estratégico de alto rendimento.
Esta mudança de paradigma não é fruto do acaso. É a resposta direta a um mercado de margens cada vez mais comprimidas, onde a eficiência operacional dita quem permanece na atividade. O setor vive hoje a era da especificação técnica orientada ao retorno sobre investimento (ROI), na qual a potência bruta cede espaço para métricas como consumo de combustível por hectare e disponibilidade mecânica.

Artigo escrito pelo engenheiro agrícola Micael Duarte.
Historicamente, o preço de aquisição era o principal balizador de compra. Hoje, o cálculo é mais sofisticado. O produtor moderno entende que o valor nominal de um trator é apenas a ponta do iceberg. O verdadeiro custo revela-se na operação: o gasto com diesel, a frequência de manutenção e, principalmente, a confiabilidade.
Em janelas de plantio e colheita cada vez mais estreitas devido às variações climáticas, uma máquina parada por falha técnica não representa apenas um gasto com peças e sim a perda de produtividade de toda a safra. É o custo da oportunidade perdida, que muitas vezes supera, em poucos dias, a economia feita em uma compra de equipamento inferior.
A grande virada de chave nesta nova lógica é a conectividade. Se antes o trator era uma peça isolada de ferro e aço, hoje ele é um terminal de dados móvel. Sistemas de telemetria e monitoramento remoto permitem que o gestor acompanhe, em tempo real, o desempenho da frota, identificando padrões de desperdício ou falhas iminentes. Essa visão de 360 graus permite uma gestão cirúrgica dos insumos.
Com o aumento constante no preço de fertilizantes e defensivos, a precisão na aplicação torna-se o divisor de águas entre o lucro e o prejuízo. O equipamento deixa de ser apenas quem executa o trabalho para ser quem fornece a inteligência necessária para otimizar os recursos da propriedade.
Essa evolução também é impulsionada por uma mudança geracional. Novos produtores, conectados à gestão de dados, enxergam a inovação como parte intrínseca da produtividade. Eles buscam ferramentas que ofereçam previsibilidade e robustez, entendendo que máquinas mais eficientes ajudam a reduzir custos operacionais e aumentam a rentabilidade por hectare no longo prazo.
Em suma, a lógica de compra no agronegócio evoluiu para uma análise de ciclo de vida. O produtor não compra mais apenas uma máquina; ele investe em uma solução capaz de reduzir perdas e maximizar resultados financeiros. Num mercado cada vez mais competitivo, investir melhor tornou-se tão crucial quanto produzir mais.
Notícias
Nova regra da União Europeia exige rastreabilidade digital de produtos do agro brasileiro
Regulamento que entra em vigor no fim do ano obriga exportadores a comprovar, com dados georreferenciados, que produtos não têm origem em áreas desmatadas.

A entrada em vigor do Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), prevista para 30 de dezembro deste ano para grandes operadores, deve ampliar as exigências sobre a rastreabilidade de produtos agropecuários exportados pelo Brasil. A norma determina que empresas comprovem, por meio de informações georreferenciadas, que commodities como soja e carne bovina não são provenientes de áreas desmatadas.
A mudança ocorre em um momento de forte presença do agronegócio brasileiro no mercado internacional. Em 2025, o setor registrou exportações recordes de US$ 169,2 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A União Europeia permanece como o segundo principal destino dos produtos brasileiros.

Fotos: Shutterstock
Segundo Diogo Bochnia Zuliani, professor do curso de Agronegócio da EAD UniCesumar, cadeias como as de soja e carne bovina serão as mais impactadas pelas novas exigências, devido ao grande número de fornecedores e intermediários envolvidos na comercialização.
“Exportadores de commodities como carne bovina e soja precisarão apresentar provas técnicas e georreferenciadas de origem. Como essas cadeias possuem múltiplos intermediários, a ausência de um sistema robusto de rastreabilidade pode levar o produto a ser classificado como de risco, reduzindo sua competitividade ou até impedindo o acesso ao mercado europeu”, ressalta.
Fiscalização passa a ser baseada em dados georreferenciados
Até agora, a comprovação da origem dos produtos era feita principalmente por meio de documentos como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), notas fiscais e auditorias documentais. Com o EUDR, a verificação passa a incorporar informações digitais capazes de acompanhar toda a trajetória do produto. “Na prática, cruza-se a geolocalização da fazenda com imagens de satélite e mapas de cobertura florestal. A carga precisa manter um vínculo documental e digital ininterrupto com a origem, passando por armazéns, frigoríficos, transporte e portos”, explica Zuliani.
Desafio varia conforme o perfil do produtor

Na avaliação do especialista, grandes empresas já vêm investindo em sistemas de rastreabilidade e monitoramento. Para pequenos produtores, entretanto, a adaptação dependerá do apoio de cooperativas, assistência técnica e da organização das informações necessárias para comprovar a origem da produção. “O papel mais estratégico da tecnologia é proteger quem produz corretamente. Ela separa o produtor regular daquele que contamina a cadeia com produtos de origem duvidosa”, pontua.
Brasil reúne condições para ampliar o monitoramento
A adoção de tecnologias de monitoramento em larga escala pode facilitar o atendimento às novas exigências. Em maio de 2026, um estudo conduzido por universidades norte-americanas com a ferramenta Fields of the World mostrou que sistemas de inteligência artificial identificaram corretamente 97% das áreas de produção agrícola brasileiras a partir de dados espaciais, indicando a viabilidade técnica desse tipo de monitoramento no país.
Para Zuliani, a integração de informações ambientais e de rastreabilidade pode fortalecer a posição do Brasil no comércio internacional. “A garantia de origem transforma sustentabilidade em evidência verificável. Se o país utilizar a integração de dados e o monitoramento ambiental como estratégia nacional, demonstrará que produz em escala com segurança jurídica e responsabilidade ambiental. Essa conformidade deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e pode se tornar um diferencial competitivo no mercado internacional”, afirma.
Notícias
El Niño pode impulsionar produtividade agrícola no Sul do Brasil, aponta estudo
Fenômeno tende a aumentar as chuvas na região Sul, enquanto eleva o risco de estiagem no Centro-Oeste e pode pressionar os preços de alimentos in natura.

A formação de um El Niño nos próximos meses, com possibilidade de atingir intensidade forte a muito forte, deve favorecer a produtividade das safras de soja e milho no Sul do Brasil durante a temporada 2026/27. O aumento das chuvas na região, previsto para o ciclo de verão, historicamente está associado a melhores rendimentos das lavouras. A avaliação consta de um estudo elaborado pelo Santander.

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN-PR
A análise cruzou dados de produtividade agrícola desde 1962 com o Índice Oceânico Niño (ONI), indicador que mede a intensidade do fenômeno no Oceano Pacífico. Os resultados mostram que episódios de El Niño costumam elevar o volume de chuvas no Sul justamente no período mais importante para o desenvolvimento das culturas de verão, refletindo em produtividades de soja e milho acima da tendência histórica. O comportamento também foi observado em eventos de grande intensidade, como o registrado em 2015/16.
O levantamento destaca, no entanto, que os efeitos do El Niño variam entre as regiões produtoras. Enquanto o Sul tende a ser beneficiado pelo aumento das precipitações, áreas do Centro-Oeste podem enfrentar condições mais secas, ampliando a variabilidade climática ao longo da safra. “O mesmo evento climático pode ao mesmo tempo beneficiar produtores do Sul do Brasil e pressionar o Centro-Oeste, onde as condições tendem a ficar mais secas. O que o El Niño realmente eleva é a volatilidade, e é justamente aí que uma leitura mais precisa do cenário se torna mais relevante”, afirma o economista e autor do estudo, Adriano Valladão.

Foto: Divulgação
Além dos impactos sobre a produção agrícola, o estudo avalia possíveis reflexos sobre a inflação dos alimentos. A maior pressão deve ocorrer sobre frutas, verduras e legumes, produtos mais sensíveis às oscilações climáticas de curto prazo. Já os alimentos industrializados e semiprocessados tendem a apresentar comportamento semelhante ao observado em períodos de neutralidade climática.
Segundo as projeções, a inflação dos alimentos consumidos nos domicílios deve atingir o pico em fevereiro de 2027, cerca de cinco pontos percentuais acima do nível projetado para agosto de 2026, com impacto estimado de 0,75 ponto percentual no IPCA. A expectativa é de desaceleração gradual ao longo de 2027 e 2028.
O estudo ressalta ainda que o cenário-base já incorpora parte desses efeitos climáticos, de modo que as principais incertezas estão relacionadas à intensidade e à duração do El Niño, fatores que poderão determinar a magnitude dos impactos sobre a produção agrícola e os preços dos alimentos.




