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Câmara aprova PEC da Irrigação em 2º turno

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O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira (11), em segundo turno, a prorrogação por 15 anos (até 2028) da aplicação de percentuais mínimos dos recursos para irrigação nas regiões Centro-Oeste e Nordeste (20% e 50%, respectivamente). A matéria será enviada ao Senado para votação em dois turnos. O texto aprovado é um substitutivo da comissão especial que analisou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 368/09, do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT). A proposta foi aprovada unanimemente com 354 votos.
O texto original de Bezerra previa a prorrogação dos percentuais por dez anos. Essa aplicação vinculada já constava do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição de 1988, cujo prazo inicial era de 15 anos. Os recursos para o Nordeste devem ser direcionados preferencialmente ao Semiárido.
A primeira mudança no ADCT ocorreu em 2004, um ano depois do fim do período inicial (2003), por meio da Emenda Constitucional 43. Ela estendeu a aplicação específica por mais dez anos, mas o prazo continuou a ser contado a partir de 1988. Assim, o período acumulado atualmente acaba em 2013, porque são contados 25 anos a partir da promulgação da Constituição.
Agricultura familiar
O substitutivo aprovado, de autoria do deputado Assis Carvalho (PT-PI), determina que a metade desses recursos vinculados seja destinada a projetos de irrigação que beneficiem agricultores familiares que atendam aos requisitos previstos em legislação específica.
A Lei 11.326/06, que fixou as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais, define os requisitos para enquadramento do trabalhador como agricultor familiar ou empreendedor familiar rural.
Segundo essa lei, o agricultor não poderá ser posseiro ou proprietário de área maior que quatro módulos fiscais e deverá usar predominantemente mão de obra da própria família.
A renda familiar tem de vir principalmente das atividades econômicas vinculadas à sua propriedade, que deverá ser dirigida por ele próprio e sua família. No caso da renda, o Executivo define o percentual mínimo da renda familiar originada de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento para permitir a classificação como agricultura familiar.

Fonte: Agência Câmara

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Bovinos / Grãos / Máquinas Em 1º de junho

Dia do Leite apresenta cenário de desafios e oportunidades do setor para a cadeia produtiva

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, evento será realizado no formato híbrido, com participação presencial para convidados e com transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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O Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, promove o Dia do Leite em 1º de junho. Um evento inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, que será realizado no formato híbrido, com participação presencial para convidados e com transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Para trazer uma visão ampla do cenário atual da bovinocultura leiteira, apresentando os desafios e oportunidades do setor, o Dia do Leite terá três palestras com profissionais reconhecidos a nível nacional, com relevante atuação na cadeia produtiva.

O evento inicia às 09 horas com o credenciamento. Após, às 09h30, está marcada a solenidade de abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

O ciclo de palestras inicia às 10 horas, com o secretário de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná, Norberto Anacleto Ortigara, que vai tratar sobre a “Importância do status sanitário das propriedades leiteiras no Paraná”.

Com uma vasta experiência no âmbito da agricultura, Ortigara é técnico agrícola e economista, com especialização em Economia Rural e Segurança Alimentar. Desde 1978 é servidor público da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), onde ocupou as funções de pesquisador, gerente, coordenador, analista, diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), diretor-geral e secretário de Estado de janeiro de 2011 a abril de 2018, cargo que voltou a ocupar a partir de janeiro de 2019. Também já foi secretário municipal de Abastecimento de Curitiba por cinco anos.

Leite 4.0

Em seguida, a partir das 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

Ele também já foi chefe-geral da Embrapa Gado de Leite por 11 anos (2004 a 2008 e 2014 a 2021) e pelo mesmo período foi membro da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (CSLEI/Mapa), integrou a equipe de assessoria do Governo de Minas Gerais e participou da direção da Itambé Alimentos por três anos.

Mercado do leite

A programação segue, a partir das 13h30, com a palestra “Reflexões sobre o mercado do leite”, ministrada pelo engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara do Leite da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto.

Netto está à frente da Cooperativa dos Produtores Rurais do Triângulo Mineiro (Cotrial), é representante da OCB na CSLEI/Mapa e sócio-diretor da Tropical Genética de Embriões. Também já foi chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Federação Pan-Americana de Leite (Fepale).

O encerramento do evento está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

 

Programação Dia do Leite

09h – Credenciamento

09h30 – Presidente da Frimesa, Valter Vanzella

10h – Palestra “Importância do Status Sanitários das Propriedades Leiteiras do Paraná”, ministrada pelo Secretário de Agricultura do Estado do Paraná, Norberto Ortigara

11h – Palestra “Leite 4.0. Desafios e Oportunidades” ministrada pelo pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins

12h – Almoço

13h30 – Palestra “Reflexões sobre o mercado de leite”, ministrada pelo Coordenador da Câmara do Leite, da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto

15h – Encerramento

Fonte: O Presente Rural
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Redução das emissões de nitrogênio com suplementação de aminoácidos na nutrição animal

Estratégias nutricionais com a suplementação de aminoácidos para atender a real necessidade dos animais permite reduzir a proteína bruta das dietas, consequentemente a eliminação de determinados nutrientes para o meio ambiente.

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Arquivo/OP Rural

O crescimento da população mundial e aumento da fome impactam o ciclo ambiental natural de diversas maneiras. De acordo com o modelo de fronteiras planetárias proposto por pesquisadores ambientais, a humanidade tem mudado o ciclo do nitrogênio em um grau que poderia desencadear mudanças irreversíveis em grande escala e alterar substancialmente o funcionamento do sistema terrestre. As soluções nutricionais para produção animal podem reduzir a carga sobre o meio ambiente, reduzindo a proteína bruta das dietas e consequentemente a excreção de nitrogênio.

Em 2009, pesquisadores liderados por Johan Rockström, do Centro de Resiliência de Estocolmo, e Will Steffen, da Universidade Nacional Australiana, apontaram os holofotes para o impacto da humanidade nos processos do sistema terrestre, pontos de inflexão e “zonas seguras de operação” dentro das fronteiras ambientais. Desde então, os pesquisadores definiram nove processos-chave como parte do quadro de fronteiras planetárias, incluindo integridade da biosfera, poluição química, mudanças climáticas e uso de água doce. Para cada processo, os pesquisadores definiram um limite, que, se excedido, significa que o funcionamento do “sistema da Terra pode ser substancialmente alterado”, como os pesquisadores expressam.

Interrupção de longo alcance do ciclo de nitrogênio

As mudanças climáticas são frequentemente comunicadas como o desafio ambiental mais urgente de nosso tempo. Portanto, pode ser uma surpresa ver que, de acordo com a estrutura de fronteiras planetárias, o ciclo de nitrogênio – parte da fronteira de fluxos biogeoquímicos – está em território vermelho profundo, muito além da mudança climática.

Figura 1: As fronteiras planetárias. J. Lokrantz/Azote baseado em Steffen W et al. (2015)

O desafio em poucas palavras: Como o nitrogênio é um elemento essencial para o crescimento das plantas, grandes quantidades de nitrogênio são usadas em fertilizantes agrícolas. A necessidade por proteínas de origem animal está crescendo devido a uma combinação de crescimento populacional, aumento da renda per capita e urbanização progressiva, com a OCDE projetando uma expansão de 12% da produção global de carne ao longo da década de 2020-2029. Dessa maneira, o aumento do número de animais requer um número crescente de plantações a serem cultivadas para alimentá-los, o uso adicional de fertilizantes coloca uma carga pesada sobre os fluxos naturais de nitrogênio.

O nitrogênio tomado pelas culturas não é um problema em si. Mas muito disso se perde, explicaram pesquisadores do Centro de Resiliência de Estocolmo: “As atividades humanas agora convertem mais nitrogênio atmosférico em formas reativas do que todos os processos terrestres combinados. Grande parte desse novo nitrogênio reativo é emitido para a atmosfera de várias formas, em vez de aproveitado pelas culturas. Quando chove, polui as vias navegáveis e zonas costeiras ou se acumula na biosfera terrestre”.

Esse excesso de nitrogênio ameaça sistemas marinhos e aquáticos, criando enormes “zonas mortas” onde a maioria dos peixes e mamíferos marinhos não podem mais sobreviver. O Golfo do México, por exemplo, contém uma zona morta que abrange cerca de 5.400 milhas quadradas devido ao escoamento de nitrogênio de fazendas no Centro-Oeste dos EUA. O impacto ambiental não é distribuído uniformemente em todo o mundo, mas particularmente pesado no Centro-Oeste dos EUA, Europa Ocidental e Central, Norte da Índia e grande parte da China.

O Relatório Global de Desenvolvimento Sustentável (RSDA) de 2019 reconhece a importância dos fertilizantes nitrogenados para acabar com a pobreza e a fome, bem como para melhorar a saúde e o bem-estar, mas afirma: “O escoamento e o lixiviação de nitrogênio são responsáveis por flores tóxicas de algas aquáticas, que resultam em níveis de oxigênio esgotados, morte de peixes e perda de biodiversidade. O fertilizante nitrogenado também é responsável por mais de 30% das emissões relacionadas à agricultura, sendo o setor a principal fonte de emissões globais de N2O, ele um dos principais gases de efeito estufa e, portanto, potencial para contribuir para as mudanças climáticas.”

Figura 2: Distribuição geográfica da variável de controle para nitrogênio, destacando grandes zonas agrícolas onde o limite N é transgredido. ​

Emissões de nitrogênio na produção animal

A produção de carne é uma das principais causas da poluição por nitrogênio nos solos e na água. De acordo com uma avaliação recente, “as cadeias de suprimentos de gado global alteraram significativamente os fluxos de nitrogênio (N) nos últimos anos, ameaçando assim a saúde ambiental e humana”. A avaliação conclui que “o setor de proteína animal global atualmente emite equivalente a um terço das atuais emissões de N induzidas pelo homem, suficientes para atingir à fronteira planetária para N. Desse montante, 68% estão associados à produção de ração”.

De acordo com os pesquisadores, as cadeias de fornecimento de leite, carne e coprodutos ruminantes causam 71% das emissões totais de N da produção de proteína animal, enquanto a produção de ovos e carne de frango e suína contribuem com os 29% restantes. A utilização de nitrogênio difere significativamente entre espécies animais, linhas de reprodução e sistema de criação. A avicultura é relativamente eficiente, com eficiência de uso nitrogênio do ciclo de vida para frangos que variam entre 32 e 67%, para frango caipira, entre 6 e 60% e poedeiras, entre 3 e 60%. Os sistemas para produção de carne vermelha (ruminante) são geralmente menos eficientes em média, enquanto exibem uma faixa maior entre 1 e 72%.

Embora uma mudança das proteínas de origem animal para uma dieta mais rica em frutas, legumes, nozes e leguminosas possa aliviar as cargas de nitrogênio, isso não é de se esperar a médio prazo – muito pelo contrário: De acordo com a FAO, a produção animal anual global pode chegar a 455 milhões de toneladas em 2050, em comparação com 258 milhões de toneladas em 2005/2007 e 336 milhões de toneladas em 2018.

As organizações ambientais e de proteção animal promovem o menor consumo de produtos de origem animal, ou o abandono deles na medida do possível, quanto a adoção de uma abordagem de produção mais voltada para o bem-estar animal. Colocar apenas este último em prática, mantendo a produção alta, no entanto, seria contraproducente em relação às emissões de nitrogênio, uma vez que mais espaço e atividade física para os animais acabam diminuindo a eficiência dos nutrientes.

Todavia, temos oportunidades para mitigar o impacto da produção animal nos ciclos naturais de nitrogênio – por exemplo, ajustando a composição da ração: A suplementação com aminoácidos auxilia no balanceamento da ração com dietas de baixa proteína, promovendo uma nutrição eficiente e precisa, reduzindo assim a eliminação do nitrogênio que será mais bem aproveitado na produção animal.

Redução da proteína bruta, suplementação com aminoácidos

Um desafio na produção animal é balancear as dietas com todos os nutrientes necessários. O químico alemão Justus von Liebig (1803-1873) popularizou a “lei do mínimo”, onde o recurso mais escasso (como um nutriente específico) limita o crescimento da cultura. Na metáfora do “barril” amplamente utilizada, réguas de madeira de diferentes comprimentos ilustram essa ideia: Quanto mais curta a régua, mais deficiente um recurso específico. Assim, a menor régua limita a capacidade de enchimento do barril. O barril de Liebig também pode ser aplicado ao potencial nutricional da alimentação animal, onde as réguas representam os aminoácidos essenciais.

Ingredientes comuns de ração, como trigo, milho e soja são “incompletos”, o que significa que são todos baixos em um ou mais aminoácidos essenciais. Para ofertar aos animais todos os aminoácidos necessários, os produtores podem simplesmente fornecer “mais do mesmo” adicionando fontes proteicas à base de plantas, como a soja. No entanto, essa abordagem não seletiva resulta em superalimentação, pois o ingrediente adicional também contém aminoácidos que já são abundantes.

O reflexo de uma nutrição não precisa e eficiente representa maior custo alimentar, grande dependência de matérias primas, baixa eficiência metabólica, além de contribuir com impacto ambiental com excesso de nutrientes não aproveitados. Além de múltiplas desvantagens como o desmatamento para terras agrícolas adicionais, contribuição de emissões com transportes, maior consumo de água por ingestão de uma dieta com alta proteína.

A suplementação com aminoácidos promove uma dieta precisa, que atende as necessidades nutricionais e reduz as excreções para o meio ambiente. Na metáfora do barril, a régua seria um nutriente, e para atender os requisitos nutricionais do animal para uma ótima performance, esse nutriente específico precisa ser suplementado. Dessa forma, elevamos apenas a régua mais curta para atender à necessidade animal.

A nutrição de precisão oferece exatamente isso! Precisão na formulação. Inclusão de fontes proteicas na formulação sem exceder outros nutrientes, podendo assim, a necessidade ser atendida com a suplementação de aminoácidos. Consequente, reduzimos a entrada de ingredientes proteicos como a soja, oferecendo uma nutrição mais eficiente e sustentável, com menor impacto ambiental.

Figura 3: O barril de Liebig ilustra a utilidade da suplementação de aminoácidos direcionados. ​

Para vacas leiteiras, a metionina geralmente é o aminoácido mais deficiente – e, portanto, seria o limitante. A suplementação de metionina protegida que contém moléculas de DL-Metionina revestidas e possui liberação lenta no intestino delgado da vaca alonga a menor régua para combinar com o comprimento do segundo aminoácido limitante. Essa suplementação melhora significativamente a produtividade – ou eficiência alimentar – sem os efeitos prejudiciais da alimentação de mais proteína bruta.

De acordo com uma regra geral na indústria de ração animal, a redução de um ponto percentual no teor de proteína da dieta, associado ao ajuste de seu perfil de aminoácidos, leva a uma redução de 10% da excreção de nitrogênio com o impacto ambiental negativo associado. A redução da proteína bruta também impacta o consumo de água: os animais precisam de água para os processos metabólicos para descartar o nitrogênio excedente derivado da proteína excedente como ureia (suínos) ou ácido úrico (aves) com urina. Além disso, a abordagem ajuda a reduzir a quantidade de ingredientes de ração à base de plantas, aumenta a eficiência de conversão de ração e resulta em uma dieta mais saudável e equilibrada.

Dessa forma, a nutrição de precisão permite atender as necessidades de cada espécie e objetivos de produção animal com dietas de baixo custo, eficiência alimentar e sustentável. Estratégias nutricionais com a suplementação de aminoácidos para atender a real necessidade dos animais permite reduzir a proteína bruta das dietas, consequentemente a eliminação de determinados nutrientes para o meio ambiente. Em particular, uma enorme contribuição para o meio ambiente, reduzindo a poluição de nitrogênio no solo e água, emissão de gases efeito estufa, e, portanto, em última instância, a função do sistema terrestre.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: Por Equipe técnica da Evonik
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Como identificar, tratar e prevenir a cetose em bovinos

Principal causa da cetose é a hipoglicemia (diminuição de glicose no sangue); as vacas em lactação garantem 10% da energia na forma de glicose, o restante vem de outras fontes conhecidas como ácidos graxos voláteis (AGV’s).

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A principal espécie que sofre com cetose são as vacas em lactação. A cetose é um distúrbio metabólico que se caracteriza pela elevação de corpos cetônicos no sangue e ocorre devido ao balanço energético negativo (BEN). O distúrbio está relacionado ao metabolismo energético que ocorre no período de transição – final da gestação e início da lactação – sendo a principal enfermidade que acomete os bovinos de leite, também conhecida como: acetonemia, hipoglicemia ou acetonúria. A cetose bovina afeta certa de 15% dos rebanhos leiteiros de alta produção.

O período de transição é uma fase muito crítica para vacas leiteiras devido as alterações endócrinas. Nesta etapa, o animal necessita de muita energia para o crescimento fetal e o seu consumo de matéria seca é limitado devido ao tamanho do rúmen. Além disso, após o parto, o animal eleva sua produção de leite e demanda muita energia para suprir suas exigências metabólicas e, em muitos casos, os animais mobilizam muita gordura corporal, aumentando os ácidos graxos no sangue.  É importante ressaltar que a demanda por glicose e aminoácidos nesta fase é muito alta.

A principal causa da cetose é a hipoglicemia (diminuição de glicose no sangue); as vacas em lactação garantem 10% da energia na forma de glicose, o restante vem de outras fontes conhecidas como ácidos graxos voláteis (AGV’s). Dentre eles, os mais importantes são:  acetato, butirato e propionato.

Um detalhe importante sobre a cetose em bovinos são as rotas metabólicas desses AGV’s: o acetato é responsável pela síntese de gorduras, podendo não ser a principal fonte de glicose para ruminantes e cerca de 70% são mobilizados e boa parte ingressa no ciclo de Krebs. O butirato é parcialmente oxidado a corpos cetônicos e o propionato entra diretamente no ciclo de Krebs e é responsável pela formação de 30-50% da glicose em ruminantes.

A síntese de AGV´s nos ruminantes pode ser controlada pela dieta, lembrando que vacas em período de transição necessitam de um DECAD negativo (diferença cátion – aniônica).

A hipoglicemia ocorre devido a diminuição de glicose no sangue nas vacas em lactação, principalmente no pós-parto, onde o organismo demanda alta produção de energia e a glicose produzida pelo organismo ocorre via precursores (propionato, lactato e piruvato) e, esses precursores, desviam a rota metabólica para produzir a lactose do leite usando a glicose periférica, sendo ela maior que a do fígado, resultando em hipoglicemia.

Sintomas

A cetose bovina se classifica como cetose clínica e subclínica. A forma clínica consiste em uma leve perda em produção de leite, perda de peso, o animal apresenta uma alta taxa de corpos cetônicos no organismo. Já a cetose subclínica identifica alta presença de corpos cetônicos no leite e na urina, porém sem sinais clínicos. Ela pode aumentar a probabilidade de deslocamento de abomaso. Os sinais mais comuns são fezes secas e firmes, depressão moderada, motilidade ruminal reduzida, depravação de apetite, odor de corpos cetônicos na respiração, no leite e urina.

Prevenção

A presença de cetose gera gastos com medicamentos, aumento de serviços especializados e despesas com mão de obra. Para a prevenção desta enfermidade é recomendado um bom manejo nutricional no período de transição, acompanhamento de escore corporal e também o fornecimento de aditivos que forneçam um aporte energético para o fígado, principalmente aqueles que auxiliam no transporte de VLDL melhorando a saúde hepática.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: Por Juliana Reolon Pereira, doutora em Nutrição de Ruminantes e coordenadora técnica e comercial de Ruminantes da NutriQuest
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