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Calor extremo pode gerar perdas de US$ 2,4 trilhões na economia global até 2030

Estimativa da Organização Internacional do Trabalho aponta que o estresse térmico pode eliminar 2,2% das horas trabalhadas no mundo, com reflexos sobre a agricultura, a indústria e os serviços.

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As mudanças climáticas começam a produzir efeitos que vão além das lavouras e atingem diretamente a economia global e a segurança alimentar. Um novo levantamento da Unidade de Inteligência sobre Energia e Clima (ECIU da sigla em inglês) aponta que o aumento das temperaturas está reduzindo a capacidade de trabalho no campo, pressionando a produção agrícola e ampliando os riscos de instabilidade nos mercados de alimentos.

Foto: Divulgação

O estudo analisou 15 importantes países produtores de alimentos – Brasil, África do Sul, Índia, Vietnã, Costa do Marfim, Peru, Colômbia, Quênia, Egito, Equador, Argentina, Gana, Indonésia, Papua-Nova Guiné e México – e concluiu que todos apresentam elevada vulnerabilidade aos impactos climáticos.

Segundo o Índice de Vulnerabilidade Climática ND-GAIN, desenvolvido pela Universidade de Notre Dame, os países avaliados registram pontuação inferior a 50, indicador que considera tanto a exposição aos riscos climáticos quanto a capacidade de adaptação de cada nação.

Países estratégicos para o abastecimento global

Juntos, os 15 países desempenham papel relevante na oferta mundial de alimentos e matérias-primas agrícolas.

Foto: Divulgação

Entre os produtos fornecidos ao mercado internacional estão soja, arroz, café, cacau, frutas, chá, pescado, açúcar, castanhas e óleos vegetais.

Para os pesquisadores, o aumento das temperaturas representa um desafio crescente para essas cadeias produtivas. À medida que o calor se intensifica, trabalhadores rurais ficam mais expostos ao estresse térmico, o que reduz a capacidade laboral, afeta a produtividade e pode comprometer o volume das colheitas.

A consequência, segundo o estudo, não se limita às regiões produtoras. A redução da oferta tende a repercutir nos preços e na estabilidade dos mercados internacionais de alimentos.

Foto: Divulgação/Freepik

Brasil tem peso relevante no mercado internacional

Entre os países analisados, o Brasil ocupa posição estratégica no abastecimento global. De acordo com o levantamento, o país foi o principal fornecedor individual de alimentos para o Reino Unido fora da América do Norte e da Europa.

Somente em 2025, os britânicos importaram 1,4 bilhão de quilos de alimentos brasileiros, volume equivalente a 3,5% de todas as importações alimentares do país. O comércio movimentou cerca de 1,3 bilhão de libras esterlinas.

Os autores destacam que alterações climáticas capazes de afetar a produção agrícola em grandes exportadores, como o Brasil, podem ter reflexos em mercados consumidores de diferentes partes do mundo.

Perdas econômicas bilionárias

Os impactos do calor extremo também preocupam pelo potencial econômico.

Foto: Eduardo Monteiro

Em estimativa divulgada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2019, o estresse térmico poderá reduzir em 2,2% o total de horas trabalhadas globalmente até 2030, provocando perdas de aproximadamente US$ 2,4 trilhões no Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Dados mais recentes da entidade mostram que a exposição ao calor excessivo já atinge a maior parte da força de trabalho do planeta. Em 2024, cerca de 71% dos trabalhadores estavam expostos a temperaturas consideradas excessivas.

A situação é ainda mais intensa em algumas regiões. O percentual alcança quase 75% na Ásia, supera 83% nos Estados Árabes e chega a aproximadamente 93% na África.

Pressão sobre preços e abastecimento

Para Chris Jaccarini, analista de alimentos e agricultura da ECIU, os impactos climáticos já começam a influenciar a dinâmica dos mercados agrícolas. “As mudanças climáticas estão afetando de forma desproporcional a produção de alimentos em várias regiões do mundo. Muitos desses impactos já estão contribuindo para a inflação dos alimentos e para uma maior instabilidade nos mercados agrícolas”, afirma.

Foto: Divulgação

Segundo o especialista, a pressão sobre a produção ocorre em um momento particularmente sensível para o setor. Além dos efeitos climáticos, cadeias globais de abastecimento continuam sujeitas a interrupções logísticas e comerciais, enquanto a agricultura ainda atravessa um processo de transição para sistemas produtivos mais sustentáveis. “Eventos como interrupções em rotas comerciais globais acrescentam novas ameaças à segurança alimentar justamente em um momento em que a transição para formas mais sustentáveis de agricultura ainda está em andamento e a dependência de fertilizantes sintéticos permanece elevada”, destaca Jaccarini.

Na avaliação dos pesquisadores, a combinação entre eventos climáticos extremos, vulnerabilidade dos trabalhadores rurais e riscos às cadeias de abastecimento tende a ampliar a importância das estratégias de adaptação e resiliência para garantir a produção de alimentos nas próximas décadas.

Fonte: O Presente Rural

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NOAA vê risco de super El Niño e mercado acompanha impactos sobre as safras

Fenômeno climático pode elevar temperaturas e alterar o regime de chuvas em diversas regiões produtoras do mundo, com reflexos sobre culturas tropicais e preços das commodities agrícolas.

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A possibilidade de um novo e intenso episódio de El Niño voltou ao radar dos produtores rurais e dos mercados agrícolas internacionais. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do fenômeno e indicou que há 63% de probabilidade de ele atingir forte intensidade, no chamado “super El Niño”, até 2027.

Foto: Divulgação

Caso a projeção se confirme, o fenômeno poderá alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas em importantes regiões produtoras do mundo, influenciando a oferta global de alimentos e o comportamento dos preços agrícolas.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Oriental, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. O fenômeno ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e 12 meses.

Mudanças no clima afetam produção agrícola

Os efeitos do El Niño não se distribuem de forma uniforme pelo planeta. Historicamente, o fenômeno está associado a períodos de seca em regiões do Sul e Sudeste da Ásia, Austrália e África Austral, ao mesmo tempo em que favorece chuvas acima da média em áreas do sul da América do Sul e dos Estados Unidos.

Essas alterações climáticas têm impacto direto sobre a agricultura, especialmente em culturas tropicais, conhecidas

Foto: Jose Fernando

no mercado internacional como “soft commodities”. Nesse grupo estão produtos como café, açúcar, cacau, algodão e suco de laranja, cujas produtividades são altamente sensíveis a mudanças de temperatura e disponibilidade de água.

Secas prolongadas, ondas de calor ou excesso de chuvas podem comprometer a produtividade, atrasar colheitas e alterar a qualidade dos produtos, reduzindo a oferta global.

Mercado acompanha riscos para as commodities

Além dos efeitos sobre a produção, episódios anteriores de El Niño costumam influenciar os preços agrícolas.

Foto: Divulgação

Historicamente, os mercados registraram valorização de diversas commodities em períodos marcados pelo fenômeno, especialmente quando eventos climáticos extremos afetaram grandes países produtores.

A preocupação atual é ampliada pelo ambiente já desafiador enfrentado pelos agricultores em várias regiões do mundo. Custos elevados de produção, oscilações nos preços dos fertilizantes e do diesel e as tensões geopolíticas recentes aumentam a sensibilidade do mercado a qualquer risco climático adicional.

Especialistas observam que ainda é cedo para estimar a intensidade dos impactos sobre cada cultura. No entanto, a confirmação do fenômeno pela NOAA e a possibilidade de um episódio mais intenso colocam novamente o clima entre os principais fatores de atenção para produtores, tradings e investidores.

Se o El Niño ganhar força nos próximos meses, as consequências poderão ir além das lavouras, influenciando preços de alimentos, fluxos de comércio internacional e a rentabilidade de diversas cadeias do agronegócio.

Fonte: O Presente Rural
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Cooperativas passam a ter acesso a fundos regionais e ganham reconhecimento como patrimônio cultural do Brasil

Novas leis ampliam as fontes de financiamento para projetos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste e reconhecem oficialmente a contribuição histórica do cooperativismo para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

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O cooperativismo brasileiro ganhou duas novas legislações a partir desta quarta-feira (17). Publicadas no Diário Oficial da União, a Lei Complementar nº 231 e a Lei nº 15.433 ampliam o acesso das cooperativas a recursos de fundos regionais de desenvolvimento e reconhecem oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.

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A Lei Complementar nº 231 inclui as cooperativas entre os beneficiários do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Já a Lei nº 15.433 estabelece que o cooperativismo integra o patrimônio cultural brasileiro e determina que o Estado garanta a livre atividade das cooperativas e apoie seu desenvolvimento, conforme previsto na Constituição Federal.

As duas medidas têm potencial para ampliar investimentos em setores estratégicos, especialmente no agronegócio, agroindústria e infraestrutura, além de reforçar o papel econômico e social desempenhado pelas cooperativas em diferentes regiões do país.

Acesso a recursos

A principal mudança econômica vem com a Lei Complementar nº 231. Com a nova regra, as cooperativas organizadas de acordo com a legislação específica do setor passam a poder acessar recursos dos fundos regionais para financiar projetos produtivos.

Na prática, a medida amplia as fontes de financiamento para investimentos em agroindústria, armazenagem,

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infraestrutura, logística e outras iniciativas com potencial de gerar emprego e renda.

Os fundos regionais têm justamente a função de estimular atividades produtivas e reduzir desigualdades econômicas, com foco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Para o cooperativismo agropecuário, a mudança abre novas possibilidades de investimentos em cadeias produtivas que já têm forte presença nessas regiões.

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Reconhecimento cultural

A segunda medida publicada é a Lei nº 15.433, que reconhece oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.

O texto destaca a contribuição histórica do modelo para a formação econômica e social do país e associa o cooperativismo a valores como colaboração, ajuda mútua, participação democrática e gestão coletiva.

Além do reconhecimento simbólico, a lei determina que o Estado assegure a livre atuação das cooperativas e incentive seu desenvolvimento, em consonância com os princípios previstos na Constituição Federal.

Importância econômica

O reconhecimento institucional ocorre em um momento de expansão do cooperativismo brasileiro.

Foto: Shutterstock

No agronegócio, as cooperativas respondem por parcela expressiva da produção e exportação de grãos, carnes, leite e diversos outros produtos. Também desempenham papel relevante na assistência técnica aos produtores, no fornecimento de insumos e no acesso ao crédito.

Com maior acesso a recursos e respaldo legal ampliado, o setor ganha novos instrumentos para investir e ampliar sua participação no desenvolvimento econômico regional e nacional.

Fonte: O Presente Rural
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Chuvas reduzem áreas de seca e favorecem milho e trigo no Paraná

Monitor de Secas mostra recuo da estiagem em regiões produtoras do Estado. Com maior umidade do solo, milho alcança área recorde de 2,9 milhões de hectares e trigo já foi semeado em 67% da área prevista.

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Foto: Fernando Dias

As chuvas registradas nos últimos meses no Paraná reduziram as áreas afetadas pela seca e melhoraram as condições para importantes culturas agrícolas do Estado. O cenário mais favorável já se reflete no campo: o milho de segunda safra ocupa área recorde de 2,9 milhões de hectares e o plantio do trigo alcançou 67% da área prevista, impulsionado pela maior disponibilidade de umidade no solo.

Foto: Divulgação/Pixabay

Os dados constam no Boletim Agroclimático do Simeagro e no Monitor de Secas, divulgado nesta quarta-feira (17) pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em parceria com instituições estaduais, entre elas o Simepar.

Segundo o levantamento, o extremo Noroeste, Norte, Norte Novo e a região Central do Paraná deixaram de registrar qualquer nível de seca relativa. Também houve redução das áreas classificadas com seca moderada no Norte Pioneiro, Noroeste, Campos Gerais, norte da Região Metropolitana de Curitiba e em municípios do Sul próximos à divisa com Santa Catarina.

Foto: Jaelson Lucas/AEN

Por outro lado, a estiagem ganhou intensidade em parte do Oeste e do Sudoeste, especialmente nas áreas de fronteira com Paraguai e Argentina. “A chuva foi acima da média no último bimestre em algumas regiões, o que motivou o recuo da seca. Já na área de fronteira a chuva ficou abaixo da média nos últimos meses, o que levou ao avanço da área com registro de seca moderada”, explica o meteorologista do Simepar Reinaldo Kneib, que participa da elaboração do Monitor de Secas.

Milho e trigo são beneficiados

A melhora das condições climáticas ocorre em um momento decisivo para duas das principais culturas do inverno paranaense.

De acordo com o Simeagro, o milho segunda safra se aproxima da colheita ocupando uma área estimada em 2,9

Foto: Aires Mariga

milhões de hectares, a maior já registrada para a cultura no Estado.

O trigo também apresenta bom ritmo de implantação. Favorecida pela umidade do solo, a semeadura já alcançou 67% da área prevista para a safra 2026.

Apesar do cenário mais favorável, os impactos da seca ainda exigem atenção em algumas regiões. Segundo o Monitor de Secas, os efeitos são de curto e longo prazo no Centro-Leste e Nordeste do Paraná, podendo influenciar a produtividade agrícola. Nas demais áreas afetadas, os impactos são considerados de curto prazo.

Maio teve chuva acima da média

Os dados meteorológicos reforçam a mudança de cenário observada no campo.

Entre as 45 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de operação, apenas nove registraram volumes de chuva abaixo da média histórica em maio. Em 18 delas, o acumulado médio esperado para todo o mês foi atingido já nos primeiros dez dias.

Foto: Divulgação/Freepik

Com mais chuva, as temperaturas ficaram dentro ou abaixo da média histórica em todas as regiões do Paraná.

As menores temperaturas do ano até agora ocorreram entre os dias 11 e 13 de maio, período em que também houve registro de geadas em municípios da metade Sul do Estado e chuva congelada em General Carneiro.

A menor temperatura foi registrada em Guarapuava. No distrito de Entre Rios, os termômetros marcaram -2,4°C às 7 horas do dia 11. Em General Carneiro, a sensação térmica chegou a -7°C devido à intensidade dos ventos.

Situação no Brasil

O Monitor de Secas mostra que o Paraná segue em situação menos crítica do que a observada em anos anteriores e

Foto: Marco Favero

também em comparação com outros estados.

No mapa divulgado em junho, referente às condições de maio, não há registro de seca extrema ou excepcional em nenhuma unidade da federação.

A seca grave aparece apenas em uma pequena área do Estado de São Paulo. Já a seca moderada atinge, além do Oeste e Sudoeste paranaense, regiões de Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Tocantins e diversos pontos do Nordeste.

A seca fraca está presente em praticamente todas as regiões brasileiras. Apenas Roraima, Amapá e Mato Grosso aparecem sem qualquer registro de seca relativa no levantamento mais recente.

Fonte: O Presente Rural
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