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Cálcio e Fósforo digestível para nutrição de suínos: Implicações atuais e potencial futuro

Vários autores enfatizaram a importância de compreender a absorção, utilização e excreção de Ca não apenas para melhorar suas estimativas atuais, mas também para otimizar a utilização de P

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Divulgação/Embrapa

 Artigo escrito por Alexandre Barbosa de Brito, médico veterinário, PhD em Nutrição Animal e gerente Técnico LAM da AB Vista

O Fósforo (P) e o Cálcio (Ca) são elementos de alta relevância para a alimentação dos monogástricos. Desta forma, para atender os requerimentos destes macro minerais quanto a performance e mineralização óssea dos animais, além do estudo das fontes alimentares (seja de origem animal ou vegetal), devemos abordar o entendimento das fontes complementares (ingredientes de origem minerais), e ainda a sua interação com uso de enzimas exógenas (como é o caso das fitases).

Embora Ca e P sejam interdependentes e interajam em sua absorção e utilização, historicamente, o Ca não gerou tanto interesse em pesquisas quanto o P. Isso ocorre porque o P é um dos componentes mais caros na dieta dos monogástricos devido à baixa digestibilidade deste mineral nos ingredientes vegetais e a consequente necessidade de adicionar suplementos de P de mais alto custo. Por outro lado, a suplementação de Ca inorgânico é barata, amplamente acessível e a excreção excessiva de Ca não causa explicitamente qualquer preocupação ambiental. No entanto, vários autores enfatizaram a importância de compreender a absorção, utilização e excreção de Ca não apenas para melhorar suas estimativas atuais, mas também para otimizar a utilização de P.

A ingestão excessiva destes nutrientes, pode contribuir para problemas ambientais em áreas com alta densidade de criação animal, além de reduzir a performance, caso tenhamos participações em desequilíbrio. Tradicionalmente trabalhamos com dietas ajustadas a atender relações de Ca total x P disponível, variando de 2:1 (em dietas de suínos). Estas relações tradicionais têm sido utilizadas devido a uma dificuldade na determinação precisa das necessidades de Ca e, em certa medida, da utilização de P. Como resultado, as diretrizes atuais das principais tabelas de requerimentos nutricionais (UFV, NRC, CVB, etc.), associam o conteúdo de Ca em dietas dos monogástricos em base ao seu conteúdo total, que ignora as perdas endógenas e o processo de digestão.

Este fato frequentemente leva à super suplementação de Ca inorgânico, que promove a formação de complexos indigestíveis de Ca-fitato-P (PP) no intestino dos animais, interferindo na digestibilidade do P. Consequentemente, um sistema de recomendações dietéticas baseado em valores digestíveis de Ca, em vez de totais, pode melhorar a eficiência alimentar e reduzir o impacto ambiental negativo causado pelo seu excesso. Este cenário corresponde a um dos principais temas envolvendo as investigações científicas destes macro ingredientes nos centros de pesquisas mundiais na atualidade.

Sobre este tema, as avaliações em suínos estão realmente mais avançadas do que outras espécies de interesse zootécnico, com um fluxo de determinações de metodologias de níveis em ingredientes e requerimentos animais já amplamente estudados. Um bom exemplo desta afirmação, refere-se ao trabalho publicado pela equipe da Universidade de Perdue. Estes autores realizaram um estudo com o objetivo de comparar diferentes técnicas de determinação da digestibilidade de Ca e P para suínos, utilizando técnicas como digestibilidade aparente ileal (AID) e total do trato digestivo (ATTD). A hipótese avaliada seria que, para medir a digestibilidade das fontes de macro minerais, a primeira pergunta que precisa ser respondida é se a digestibilidade ileal ou do trato total (levando-se em consideração os eventos da fermentação do cólon destes animais) deve ser usada. A secreção ou absorção no cólon de Ca foi relatada em estudos anteriores. Pesquisadores relataram que não houve absorção líquida de Ca, mas houve secreção líquida de Ca no cólon de suínos com diferentes níveis de Ca na dieta. No entanto, outros demonstraram uma absorção aparente de Ca no cólon de suínos, particularmente em condições de P marginal.

Para isso, dois experimentos foram conduzidos sendo que no experimento 1, foram formuladas três dietas semi purificadas com farelo de soja, farelo de canola ou farelo de girassol como única fonte de Ca (apenas ingredientes de origem vegetal); já no experimento 2, dietas com quatro concentrações de Ca foram formuladas com carbonato de cálcio como fonte de Ca. Para ambos experimentos, foram utilizados suínos canulados, de peso corporal inicial variando de 66 a 73kg, sendo alojados seguindo um desenho experimental de bloco casualisados. Para o experimento 1, os resultados indicaram que, para Ca ou fósforo (P), o ATTD não foi diferente do AID nas três dietas (Tabela 01). De igual maneira, quando comparamos os resultados do experimento 2 (rico em fontes minerais), o ATTD do Ca não foi diferente do AID para todas as dietas. Além disso, a digestibilidade do Ca não foi afetada pelos tratamentos dietéticos, mas a digestibilidade do P melhorou linearmente (P <0,01) com o aumento das concentrações de Ca e P na dieta. Os autores, então concluíram que tanto AID quanto ATTD podem ser usados para descrever a digestibilidade do Ca para suínos em crescimento-terminação.

Apenas realizando um parêntesis no tema desta coluna para aproveitarmos os dados apresentados na Tabela 01 e falarmos sobre a grande diferença na digestibilidade de MS quando comparamos a metodologia AID x ATTD, independente das fontes e níveis de Ca adotada (P<0,01 para ambos experimentos). Este tema tem muito a ver com o que já discutimos em colunas anteriores, quanto ao padrão fermentativo do cólon dos animais, em especial ao aproveitamento das frações de fibra dietética ali presentes.

Um outro grande grupo de pesquisadores que igualmente contribuiu muito para o uso destas estratégias de digestibilidade de macro minerais para suínos, refere-se a equipe de pesquisadores da universidade de Illinois. Esta equipe realizou uma série de estudos dando passos quanto ao uso desta tecnologia, não só trabalhando as metodologias de determinação, mas gerando requerimentos de Ca e P digestíveis para suínos em diferentes idades, além de analisar a influência de enzimas exógenas neste cenário.

Um exemplo de trabalho desta equipe pode ser visto na publicação de cientistas que avaliaram o efeito do fitato, fitase microbiana, fibra e produtos da soja sobre os valores calculados para digestibilidade de Ca e P seguindo as metodologias ATTD e digestibilidade estandardizada total do trato digestivo (STTD) da farinha de peixe em suínos em crescimento. A STTD pode ser definida pelo valor de digestibilidade dos minerais corrigindo-se a ATTD pela perda endógena de minerais. Para isso, dois experimentos foram conduzidos, sendo que no experimento 1 quatro dietas foram utilizadas, seguindo um arranjo fatorial 2 × 2 (2 níveis de fitato – 0 ou 0,7%; e 2 níveis de fitase microbiana – 0 ou 500 FTU/kg). A dieta sem fitato foi baseada em sacarose, amido de milho, farinha de peixe, caseína e óleo de soja e a dieta contendo 0,7% de fitato foi baseada em milho, gérmen de milho, farinha de peixe, caseína e óleo de soja. Uma outra dieta, livre de Ca, foi usada para determinar as perdas endógenas basais de Ca. No experimento 2, os autores procuraram determinar os efeitos da fibra e do óleo de soja sobre o ATTD e STTD do Ca e ATTD de P na farinha de peixe. Para isso, os animais foram submetidos a duas dietas que continham sacarose, amido de milho, farinha de peixe, caseína e 0 ou 8% de uma fonte sintética de fibra; outras duas dietas adicionais com farinha de peixe, caseína, milho e 1 ou 7% de óleo de soja; além de uma dieta livre de Ca. Os suínos foram alojados individualmente em caixas de metabolismo e amostras fecais foram coletadas. Os resultados indicaram (Tabela 02) que a ATTD e STTD do Ca na farinha de peixe e o ATTD do P aumentaram (P<0,001) quando a fitase é usada e foram maiores (P<0,05) nas dietas à base de milho e gérmen de milho. De igual maneira, os resultados indicaram (Tabela 02) que a fibra aumentou (P<0,001) o ATTD e STTD do Ca e o ATTD do P, mas o ATTD e STTD do Ca ou o ATTD do P não foram afetados pelo óleo de soja. Em conclusão, a fitase e a fibra aumentaram o ATTD e STTD do Ca e o ATTD do P na farinha de peixe, mas a inclusão de óleo de soja não afetou a digestibilidade do Ca ou P. A observação de que os valores para o ATTD e STTD do Ca e o ATTD do P são maiores em dietas à base de milho do que em dietas à base de amido de milho, indicando que os valores para a digestibilidade de Ca e P obtidos em dietas à base de amido de milho podem nem sempre ser representativos para a digestibilidade em dietas práticas à base de milho (Tabela 02).

Este mesmo grupo de investigadores realizaram avaliações semelhantes para outras fontes de ingredientes, tais como farelo de soja, milho + farelo de soja + farelo de canola.

De uma forma geral, podemos resumir estes novos projetos de determinação de AID, ATTD e STTD para macro minerais, como uma forma de entender melhor as relações destes minerais, dando uma maior atenção para reduções dos níveis de Ca na dieta, melhores relações Ca e P digestíveis, além de entender o real papel de enzimas exógenas que incrementam a digestibilidade destes nutrientes. Uma maior ruptura do anel de fitato por parte de uma enzima de alta atratividade com seu substrato pode gerar coeficientes de digestibilidade de Ca e P diferentes para a mesma fonte de ingredientes, do que outras fontes de fitases de menor ação? Compreender melhor a interferência no padrão de fermentação de fibras no cólon dos suínos, além do uso de enzimas que maximizam estes processos, no incremento do ATTD e STTD destes minerais. Estas são perguntas que ainda devemos dar atenção no futuro.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Biosseguridade exige constância e disciplina para proteger a suinocultura brasileira

Especialista alerta, no Congresso da Abraves, que o avanço da produção e do comércio global amplia riscos sanitários e exige ações preventivas cada vez mais rigorosas.

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A biosseguridade permanece como um dos pilares mais estratégicos da suinocultura, especialmente em um cenário de intensificação produtiva, concentração regional de granjas e ampliação dos fluxos comerciais globais.

A biosseguridade reúne um conjunto de práticas voltadas tanto à prevenção da entrada de agentes patogênicos nos sistemas produtivos quanto ao controle da disseminação de doenças já presentes nas granjas. Trata-se de um conceito que ultrapassa os limites da propriedade rural e se estende aos níveis regional, nacional e até global, diante da interconexão sanitária entre os principais países produtores de suínos. “A suinocultura mundial convive com desafios sanitários importantes e interligados. Mesmo países com status sanitário favorável para determinadas doenças não estão livres de riscos, o que reforça a necessidade de vigilância permanente e protocolos rigorosos de biosseguridade”, alertou o médico-veterinário especialista em Saúde e Produção Suína, Maurício Dutra, durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).

Dados internacionais mostram que grandes produtores, como União Europeia, Estados Unidos, China, Rússia, Vietnã e Brasil, enfrentam a circulação contínua de agentes como PED/TGE, influenza, PCV-2, Aujeszky e PRRS. No entanto, a Peste Suína Africana (PSA) figura como o maior desafio sanitário da atividade, após sua disseminação acelerada na Ásia a partir de 2018.

De acordo com Dutra, o setor não tem observado o surgimento de novos agentes etiológicos nas últimas décadas, mas sim um aumento expressivo na virulência e na capacidade de adaptação de patógenos já conhecidos, o que torna o controle mais complexo. “Os principais desafios continuam sendo enfermidades virais de elevado impacto econômico, seja pela ausência de vacinas efetivas, seja pela elevada letalidade. Isso justifica a adoção de ações efetivas de prevenção”, enfatizou.

Lições da Peste Suína Africana

Embora a PSA esteja ausente no Brasil há mais de 40 anos, o especialista ressaltou que o país pode e deve aprender com experiências internacionais e com seu próprio histórico. A enfermidade, descoberta em 1921 e endêmica na África, provocou três grandes ondas de disseminação global. Na segunda delas, nas décadas de 1960 e 1970, o Brasil foi afetado após a introdução do vírus por restos de alimentos provenientes de voos internacionais. “A contaminação teve início em 1978, e o país só foi declarado livre em 1984, após perdas diretas estimadas em US$ 13 milhões, além de impactos sociais e econômicos expressivos, como falência de pequenos produtores, desemprego e queda de cerca de 40% no consumo de carne suína”, relembrou Dutra.

Foto: Ari Dias/AEN

O controle da doença, segundo ele, só foi possível com a adoção rigorosa de práticas de biosseguridade em duas fases distintas – emergencial e de erradicação, que deixaram como legado instrumentos ainda vigentes, como o monitoramento das Granjas de Reprodutores Suídeos Certificados (GRSC) e a regionalização sanitária para a Peste Suína Clássica.

Atualmente, mesmo com a existência de vacinas vivas contra a PSA, a baixa eficiência e o risco de reversão de virulência mantêm a biosseguridade como principal ferramenta de prevenção. Dutra destacou medidas como quarentena para animais de reposição, desinfecção adequada de caminhões, barreiras sanitárias com banho e troca de roupas e o controle rigoroso da entrada ilegal de produtos de origem animal no país.

PED e PRRS reforçam importância da prevenção

Outras enfermidades também reforçam o papel central da biosseguridade. A Diarréia Epidêmica Suína (PED), embora não seja nova, reemergiu com alta virulência após adaptação viral, causando mortalidade de até 100% em leitões lactantes sem imunização prévia. “Mesmo com vacinas disponíveis, a prevenção depende fortemente de cuidados com fômites, meios de transporte e contaminação alimentar”, explicou Dutra.

Já a Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS), confirmada laboratorialmente desde 1991, segue como uma das doenças de maior impacto econômico, com perdas estimadas entre USD 6,25 e USD 15,25 por animal vendido. Estratégias combinadas de vacinação, manejo e biosseguridade, incluindo práticas como McRebel, carregamento escalonado e uso de filtros de ar em regiões de alta densidade produtiva, têm mostrado resultados relevantes.

“A adoção integrada dessas medidas caracteriza a chamada ‘nova geração da biosseguridade’, que reduziu significativamente os surtos de PRRS nos Estados Unidos quando aplicada de forma completa”, ressaltou.

Desafios crescentes no Brasil

No contexto nacional, Dutra alertou para o aumento dos desafios sanitários nas últimas décadas, com a presença de influenza desde 2009, Doença de Aujeszky em 2011, cepas multirresistentes de Brachyspira, além do crescimento de casos de salmonelose, Senecavírus Tipo A, encefalomiocardite e diferentes genótipos de PCV-2.

Apesar disso, levantamentos indicam que ainda há espaço relevante para avanços na adoção plena das práticas de biosseguridade no país. “Essas práticas têm sido eficientes, mas a jornada é longa, árdua e contínua. Novos desafios surgem com cepas mais virulentas, reemergência de doenças e novas formas de transmissão”, afirmou.

Para Dutra, o fato de enfermidades como PSA, PED e PRRS ainda serem exóticas no Brasil representa uma oportunidade estratégica. “Temos o privilégio de aprender com os erros e acertos de outros países e agir de forma proativa e responsável, protegendo cada sistema de produção e a sustentabilidade da suinocultura brasileira”, concluiu.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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ABCS aposta em campanha para impulsionar consumo de carne suína

Iniciativa busca ampliar demanda interna diante da pressão sobre preços e aumento da produção.

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A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) decidiu lançar uma edição especial da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” como resposta estratégica ao atual cenário da suinocultura, marcado pelo aumento da produção, retração do consumo interno e pressão sobre os preços pagos ao produtor, apoiando assim os produtores em um cenário desafiador.

Apesar do bom desempenho das exportações em 2026, que cresceram expressivamente no primeiro trimestre, o volume exportado não tem sido suficiente para equilibrar o mercado doméstico. Isso ocorre porque o setor enfrenta dois fatores simultâneos: o aumento da produção e a retração do consumo interno. Essa combinação pressiona as cotações e impacta diretamente a rentabilidade do produtor, exigindo ações coordenadas para estimular a demanda dentro do país.

É nesse contexto que a ABCS antecipa a campanha Bom de Preço, Bom de Prato,  apostando de forma rápida e certeira no fortalecimento do consumo interno como principal alavanca para reequilibrar o mercado. A iniciativa reforça ao consumidor brasileiro que a carne suína é uma proteína com excelente custo-benefício, acessível, versátil, saborosa e adequada ao dia a dia, buscando ampliar sua presença na mesa das famílias e, consequentemente, aumentar sua venda no pequeno, médio e grande varejo.

A edição especial da campanha intitulada “A melhor escolha do momento” tem início imediato e deve alcançar milhões de consumidores com ações coordenadas em todo o país. A estratégia está estruturada em três frentes principais: varejo, influência digital e mobilização da cadeia produtiva. No varejo, a iniciativa prevê materiais de ponto de venda e comunicação em loja, com foco em destacar o custo-benefício e a versatilidade da carne suína, incentivando a decisão de compra e o aumento do giro da proteína.

Já no ambiente digital, a campanha contará com conteúdos e vídeos produzidos em parceria com influenciadores, como o médico, Dr. Bruno Monteze, o nutricionista, Jefferson Jorge, a nutrichef, Clariana Colaço, e o chef de cozinha Jimmy Ogro, que juntos somam mais de 3 milhões de seguidores nas redes, ampliando o alcance da mensagem e aproximando o produto do cotidiano do consumidor.

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira” – Foto: Divulgação/ABCS

A terceira frente envolve a ativação de toda a cadeia, com a disponibilização gratuita de materiais e conteúdos para o sistema ABCS os demais agentes da cadeia que queiram se juntar a força tarefa de promover o consumo, permitindo a replicação da campanha em diferentes regiões e ampliando sua escala nacional.

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que com essa iniciativa, a ABCS reforça seu compromisso com o setor, mostrando ao produtor que está atenta ao cenário e atuando de forma proativa para enfrentar os desafios. “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira”, concluiu.

A ABCS realizou na última quarta-feira (22), uma reunião para entregar essa campanha e explicar a estratégia de utilização para todo o Sistema, contribuintes do FNDS e varejos parceiros, onde o presidente da ABCS, reforçou a importância da participação de todos para multiplicar a campanha, convocando os presentes para que a iniciativa chegue a todos os brasileiros.

A ABCS também aproveitou a ocasião para apresentar um panorama de mercado atual, para ajudar a explicar o momento que o setor tem vivido. Ao final, o presidente da Asemg, Donizetti Ferreira, parabenizou a ABCS pela campanha e reforçou a necessidade do engajamento de todos: “Acreditamos que vai nos ajudar a alavancar o consumo, é só nos dedicarmos a replicar o material”. Renato Spera, presidente da Asumas, concordou: “Achei fantástico. A campanha será crucial para atravessarmos a crise.” Iuri Pinheiro Machado, diretor executivo da Agigo também parabenizou a ABCS por acelerar essa campanha diante do momento atual, e da demanda dos suinocultores, segundo ele: “A crise sempre gera oportunidade, e essa é uma grande oportunidade para ganhar mais espaço no varejo pela competitividade da carne suína”, finalizou.

Fonte: Assessoria ABCS
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Exportação recorde não segura queda das cotações do suíno

Alta de 32,8% nos embarques em março não impediu recuo dos preços no mercado interno, com pressão da oferta e piora na rentabilidade do produtor.

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O Brasil segue mantendo crescimento significativo de exportações de carne suína. Em março deste ano o país exportou 152,2 mil toneladas entre in natura e processados (tabela 1), 32,8% acima do embarcado em março/25. O volume ficou 1,4% superior ao até então recorde mensal, que havia sido atingido em setembro/25. Março também foi o mês com a maior média diária embarcada de carne suína in natura (5.980 toneladas/dia útil), a maior da série histórica da Secex, iniciada em 1997.

Tabela 1. Exportações brasileiras de carne suína total (in natura e processados) em MARÇO de 2026, em toneladas, comparado a março de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

No acumulado do ano, fechamos o primeiro trimestre de 2026 com 15,3% (+44,5 mil toneladas) a mais de carne in natura que o mesmo período do ano passado (tabela 2), com destaque para as Filipinas, que no período representou mais de 30% do volume exportado.

Tabela 2. Exportação brasileira de carne suína in natura por destino no PRIMEIRO TRIMESTRE de 2026 (em toneladas) comparado com o mesmo período de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Ainda não foram publicados os dados consolidados de abate do primeiro trimestre do ano, mas números preliminares do SIF (Serviço de Inspeção Federal), indicam um crescimento ao redor de 4% em número de cabeças em relação ao mesmo período de 2025, nos estabelecimentos sob esta inspeção. Se considerarmos que as exportações cresceram quase 16% no período, e que os embarques representam em torno de 25% da destinação da produção de carne suína do Brasil, pode-se inferir que quase tudo que se produziu a mais foi exportado, não havendo sobreoferta significativa no mercado doméstico. Porém, as cotações do suíno vivo e das carcaças (gráficos 1 e 2), especialmente nas últimas semanas, “derreteram”, indicando um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Gráfico 1. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, diário, nos últimos 30 dias úteis (até dia 20/04/26 em destaque). Fonte: CEPEA.

Gráfico 2. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, diário, nos últimos 60 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

No acumulado de abril/26, a queda acentuada do preço do suíno, concomitante à alta do boi gordo fez com que a competitividade da carcaça suína em relação à bovina atingisse o melhor patamar desde março de 2022 (gráfico 3). Por outro lado, em relação ao frango resfriado a competitividade da carcaça suína em abril/26 é a melhor desde setembro de 2022 (gráfico 4). Ou seja, no atacado o suíno está relativamente barato em relação ao boi e ao frango. Estas correlações não obrigatoriamente se repetem no varejo na mesma proporção, pois cada proteína e cada elo da cadeia de valor tem sua dinâmica, mas a tendência é que o consumidor, em algum momento, identifique estas diferenças que podem pesar na sua escolha.

Gráfico 3. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do quilograma da carcaça suína e o valor do quilograma da carcaça bovina em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de março/22, último mês em que esteve abaixo de 38%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Gráfico 4. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do kg de frango resfriado e o valor do quilograma da carcaça suína em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de setembro/22, último mês em que esteve acima de 78%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Com o plantio da segunda safra de milho finalizado a “sorte está lançada”. A irregularidade das chuvas em abril elevou os riscos de perdas. As cotações voltaram a cair (gráfico 5) e a percepção é que a safrinha, mesmo que ainda tenha perdas por clima, será grande. A Conab reviu a safra total de milho 2025/26 para 139,6 milhões de toneladas, mas, segundo o Mbagro, não está descartada uma alta de preços mais a frente caso a condição das lavouras piore.

Gráfico 5. Preço médio diário do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 30 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

Mesmo com o recuo das cotações do milho e o farelo de soja estável, a queda acentuada do preço do suíno fez com que a relação de troca com os principais insumos da atividade despencasse para um patamar “perigoso”, abaixo de 5,0; um valor considerado de alto risco para determinar prejuízo na atividade, dependendo da produtividade da granja. A última vez que esta relação de troca esteve abaixo de 5,0 foi em dezembro de 2023 (gráfico 6).

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de abril/23 a abril/26 (até dia 20/04). Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de abril de 2026 até dia 20/04/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

Considerações finais

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, apesar das exportações em alta os meses de março e abril/26 são os piores no quesito preço pago ao produtor, desde que saímos da última crise. “O quadro só não é mais grave por conta de uma relativa estabilidade nos preços dos principais insumos (milho e farelo de soja), mas a relação de troca já determina margens negativas na produção. Há um evidente desequilíbrio entre oferta e demanda da carne suína em um cenário que não deve mudar no curtíssimo prazo. Torcemos para que a entrada do inverno e o início da Copa do Mundo de Futebol, além da aproximação das eleições possam aquecer a demanda no médio prazo. Um alento é que a competitividade da carne suína em relação às outras carnes oportuniza expandir o consumo e ocupar mais espaço na mesa do consumidor brasileiro”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
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