Avicultura Cadeia avícola nacional
Cage free, gaiolas enriquecidas, free-range: conheça três sistemas de produção de ovos
Os últimos anos têm sido de muitas mudanças e desafios para os avicultores e à indústria de ovos, que precisam estar cada vez mais atentos à segurança dos alimentos, ao bem-estar animal e até mesmo às variações climáticas. Neste sentido, cada vez mais os sistemas alternativos de produção estão ganhando mercado.

Os últimos anos têm sido de muitas mudanças e desafios para os avicultores e à indústria de ovos, que precisam estar cada vez mais atentos à segurança dos alimentos, ao bem-estar animal e até mesmo às variações climáticas. Neste sentido, cada vez mais os sistemas alternativos de produção estão ganhando mercado.

Representante da Cargill na Colômbia, Ramiro Hernán Delgado: “A impossibilidade de se adaptar às novas tendências e o crescente poder das novas gerações de consumidores têm sido a causa da extinção de muitas empresas” – Foto: Rafael Cavalli
Durante o painel sobre Nutrição Animal na 3ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos (Conbrasul Ovos), evento realizado em novembro pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), em Gramado, RS, o médico- veterinário, zootecnista e diretor técnico da Cargill na Colômbia, Ramiro Hernán Delgado, apresentou diferentes sistemas de produção de aves poedeiras e as vantagens do sistema de produção de piso. Delgado alertou para as mudanças que são necessárias frente a novos hábitos de consumo e de relação com as empresas. “Não ouvir as mudanças e tendências do mercado pode acabar em um final infeliz para marcas que adotam uma atitude de cegos, surdos e mudos”, citou.
No sistema de gaiolas enriquecidas, o ambiente é modificado para que as aves tenham mais espaço para que consigam manifestar seu comportamento natural. Nele são oferecidos ninhos e poleiros, além de cama para realizarem o banho de areia. Outro sistema é o free-range (ao ar livre), no qual as aves são criadas soltas no galpão, que dispõe de área de alimentação, água, ninhos, poleiros e de saídas laterais para as áreas de pastejo, além de espaço para circulação das aves, ventilação e luminosidade apropriados, piso coberto com maravalha, pó de pinus ou casca de arroz para que as aves possam expressar seus comportamentos naturais, como tomar banho de areia.
E ainda Delgado cita o sistema de aviários, com um espaço maior para confinar as aves e onde os processos são em sua maioria automatizados, com os comedouros com regulagem de altura, os bebedouros tipo nipple, sistema de aquecimento digitalizado, nebulizadores de alta pressão, sistema de ventilação com exaustores, placas evaporativas e painéis isotérmicos. Nestes ambientes, a temperatura e a umidade são controladas para que as poedeiras coloquem ovos de mais qualidade e com maior frequência.
Já no sistema cage free ou produção de piso, livre de gaiolas, as aves são criadas soltas e não têm acesso a pasto, ficando apenas dentro de galpões. “Um ponto negativo talvez deste sistema é que ele requer mais trabalho do que em um sistema de gaiola, é definitivamente muito mais exigente no manuseio e requer mais espaço para as instalações”, pontua Delgado.
Benefícios da produção de piso
Dentre os benefícios do sistema de produção de piso, Delgado cita menor mortalidade, melhor gestão ambiental e menos problemas com a gestão de dejetos das aves e cheiros, melhor controle sanitário em comparação com outros sistemas sem gaiola, menor conversão alimentar, menor consumo cumulativo de ração, mais ovos de aves alojadas em comparação com sistema de produção de gaiolas. Destaca ainda que o controle de patógenos não é afetado. “A prevalência de Salmonella não resulta das aves estarem em piso ou gaiola, porque o controle desta doença depende da implementação de um programa de controle que inclui: progênie, vacinação, matéria-prima, qualidade da água, biossegurança, manejo e controle de roedores”, enfatiza.
Por fim, o profissional destaca que as empresas que não inovarem na atividade correm o risco de desaparecer. “Essa é a dura verdade na era digital. A impossibilidade de se adaptar às novas tendências e o crescente poder das novas gerações de consumidores têm sido a causa da extinção de muitas empresas. Não ouvir as mudanças e tendências do mercado pode acabar em um final infeliz para marcas que adotam uma atitude de cegos, surdos e mudos”, frisa Delgado.

Avicultura
Simpósio de Avicultura arrecada mais de R$ 10 mil para entidade em Chapecó
Valor foi obtido com vendas durante o evento e destinado à associação que apoia hospitais da região.

O Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) realizou, entre os dias 7 e 9 de abril, o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), em Chapecó. Durante o evento, os participantes tiveram acesso à NúcleoStore, loja com produtos personalizados cuja arrecadação é destinada a uma instituição local a cada edição.
Foram comercializados itens como bótons, camisetas, meias, lixocar e mousepads, com comunicação voltada ao setor avícola. Ao todo, a iniciativa arrecadou R$ 10.723,93, valor integralmente destinado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro).

A Avhro completa em 2026 24 anos de atuação, destacando-se como uma das principais entidades de voluntariado da região oeste – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
A ação integra as iniciativas do Nucleovet para associar eventos técnicos a atividades de apoio à comunidade. Segundo a presidente da entidade, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o objetivo é ampliar o impacto das ações realizadas durante o simpósio.
A presidente da Avhro, Édia Lago, informou que parte dos recursos já foi aplicada na melhoria da estrutura da sede da instituição. Entre as ações, está a revitalização de um espaço externo, com reorganização da área de acesso, o que deve facilitar o fluxo de veículos e ambulâncias.
A Avhro completa 24 anos de atuação em 2026 e reúne mais de 300 voluntárias. A entidade presta apoio ao Hospital Regional do Oeste (HRO), ao Hospital da Criança de Chapecó e ao Hospital Nossa Senhora da Saúde, em Coronel Freitas, com ações voltadas ao atendimento de pacientes e suporte às famílias.
Entre as atividades desenvolvidas estão a produção anual de cerca de 43 mil fraldas descartáveis, 350 enxovais de bebê, além de roupas hospitalares e outros itens utilizados nos atendimentos. A associação também organiza a entrega de cestas básicas para pacientes em tratamento oncológico.
Outro eixo de atuação é o brechó solidário, que destina roupas gratuitamente a pessoas em situação de vulnerabilidade e apoia ações emergenciais. A entidade também participa de campanhas de doação para municípios afetados por desastres em diferentes regiões do país.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, iniciativas que conectam o setor agropecuário a ações sociais têm ganhado espaço no Brasil, reforçando o papel do setor além da produção.
Avicultura
Queda na demanda externa reduz 36% das exportações brasileiras de ovos
Embarques somaram 1,87 mil toneladas em março, o menor volume desde dezembro de 2024, enquanto a receita recuou 27% frente a fevereiro.

As exportações brasileiras de ovos registraram forte retração em março, refletindo a redução da demanda dos principais mercados importadores. Dados da Secex, compilados por pesquisadores do Cepea, indicam que o país embarcou 1,87 mil toneladas de ovos in natura e processados no período.

Foto: Giovanna Curado
O volume representa queda de 36% em relação a fevereiro e equivale à metade do registrado em março do ano passado, quando os embarques somaram 3,77 mil toneladas. Trata-se do menor patamar mensal desde dezembro de 2024.
Apesar da retração mais acentuada no volume, o faturamento recuou em menor intensidade. As vendas externas geraram US$ 4,53 milhões em março, redução de 27% frente ao mês anterior e de 48% na comparação anual.
A diferença entre a queda em volume e em receita indica sustentação relativa dos preços médios de exportação, ainda que insuficiente para compensar a perda de ritmo nos embarques.
Avicultura Recorde histórico
Exportação de carne de frango soma 1,45 milhão de toneladas no 1º trimestre
Volume supera em 0,7% o recorde de 2025, mas preços internos recuam em março e voltam a reagir em abril com alta de fretes e demanda inicial do mês.





