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Cadeia do leite passou por mudanças ao longo da história, mas vem mais por aí

Pesquisador expõe que a diferença entre a produção colonial de subsistência e a produção atual de leite, em termos de técnicas de manejo, alimentação e cuidados com o rebanho, está na importância econômica do produto, sendo que a primeira era voltada para a produção caseira de queijo, manteiga e consumo direto da família produtora.

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Os imigrantes que chegaram ao Sul do Brasil para colonizar a região, vindos de países europeus, enfrentaram tempos difíceis, marcados por guerras, doenças e escassez de alimentos. Nos seus países de origem, eles não eram proprietários de terras, mas trabalhavam no campo e enfrentavam restrições, inclusive, para o consumo de carne e pão de qualidade. Quando surgiu a oportunidade de virem para o Sul do Brasil, com poucas opções em mãos, trouxeram consigo a vontade de trabalhar e produzir, acreditando no potencial de seu esforço.

No entanto, ao chegarem em terras tupiniquins se deparam com uma extensa cobertura de Mata Atlântica, o que exigiu a derrubada da vegetação para abrir espaço para pastagens e cultivos. Foi um período de trabalho árduo, com a necessidade de limpar as áreas e desenvolver propriedades rurais a partir do zero.

A colonização do Sul do país teve início em meados de 1824 com os alemães, seguidos por outras etnias como italianos, portugueses, espanhóis, poloneses, russos, ucranianos, holandeses e tiroleses. Todas essas etnias estiveram envolvidas na produção de leite nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Inicialmente, a produção leiteira tinha um caráter de subsistência, voltada para o consumo das famílias. No entanto, alguns produtores logo perceberam que havia oportunidades para comercializar o leite e seus derivados. Logo depois surgiram as primeiras cooperativas, em 1902, entre as quais de laticínios no Rio Grande do Sul.

O pesquisador, consultor e sócio-diretor da Transpondo Pesquisa, Treinamento e Consultoria Agropecuária, Wagner Beskow, conta que no início o leite ocupava uma posição menos relevante em termos de importância econômica entre as principais atividades do campo. “Mas ao longo do tempo sua importância aumentou, passando a figurar entre a segunda ou terceira fonte de renda nas propriedades. Somente nas últimas décadas é que o leite se tornou a principal ou única fonte de renda em muitas propriedades brasileiras”, expõe Beskow.

Em suma, o pesquisador expõe que a diferença entre a produção colonial de subsistência e a produção atual de leite, em termos de técnicas de manejo, alimentação e cuidados com o rebanho, está na importância econômica do produto, sendo que a primeira era voltada para a produção caseira de queijo, manteiga e consumo direto da família produtora. “As técnicas de manejo eram mais simples e voltadas para atender às necessidades básicas da família. No entanto, com o surgimento de mercados consumidores houve uma mudança significativa na produção de leite. A partir da demanda por leite cru e, posteriormente, do leite pasteurizado na década de 70, a produção se tornou mais profissionalizada e comercial”, menciona o pesquisador.

Atualmente a produção de leite adquiriu uma importância econômica significativa dentro das propriedades. Existem produtores especializados que direcionam toda a sua atividade para a produção de leite, obtendo sua renda principal a partir da venda do produto e de animais do rebanho leiteiro. O manejo, as técnicas de alimentação e os cuidados com a saúde dos animais passaram por grandes transformações, visando maximizar a produtividade e a qualidade do leite. “A transição da produção colonial de subsistência para a produção comercial de leite envolveu conhecimento técnico, foco na comercialização e busca por eficiência produtiva, resultando em um setor leiteiro mais especializado e economicamente relevante”, ressalta o profissional.

Beskow conta que na produção colonial para subsistência as vacas tinham produtividade baixa e mínima exigência em termos de nutrição animal. À medida que a genética foi evoluindo e o Brasil começou a importar sêmen de touros melhoradores, houve um progresso gradual na qualidade genética do rebanho, o que demandou um cuidado maior com a alimentação, passando a cadeia a fazer uso de suplementação, concentrados e rações. “O principal avanço no setor foi a melhoria genética, que continua sendo superior ao que o homem consegue aportar de nutrição para o gado leiteiro, mas, embora tenha acompanhado com algum atraso as exigências da genética, a nutrição evoluiu consideravelmente em termos de práticas e alternativas disponíveis para atender a essas demandas. Contudo, segue sendo um dos principais desafios do setor, porque uma vez que as vacas são mal alimentadas não apenas produzem pouco, mas também têm dificuldades na reprodução”, analisa.

Além disso, surgiram diversas tecnologias e alternativas na produção de alimentos, tanto em pastagens perenes quanto anuais, bem como na produção de volumoso conservado, com destaque especial para a silagem de milho. “O uso de concentrados na alimentação se tornou obrigatório, mesmo que inicialmente fosse opcional para vacas que produziam até oito litros de leite. Atualmente, é impossível trabalhar com uma vaca que produza mais de 12 litros sem o uso de concentrados”, salienta o consultor.

Melhoramento genético

A genética expressa o potencial do que é possível aquele animal produzir combinado com o ambiente, que são as condições oferecidas para o animal se desenvolver. Nos últimos anos, o pesquisador diz que houve um aumento significativo desse potencial genético devido ao trabalho realizado com touros selecionados e à compra de sêmen pela cadeia produtiva.

Ele destaca que um marco importante nesse processo foi o surgimento das centrais de inseminação artificial, que possibilitaram a produção comercial de sêmen a preços acessíveis aos produtores. Conforme Beskow, o surgimento das centrais de inseminação, a disponibilidade de touros melhorados geneticamente, a venda de sêmen e o uso da inseminação artificial foram as grandes transformações que ocorreram no setor desde o início da colonização até os dias atuais.

Manejo e bem-estar animal

Pesquisador, consultor e sócio-diretor da Transpondo Pesquisa, Treinamento e Consultoria Agropecuária, Wagner Beskow – Foto: Divulgação

Beskow destaca a importância do manejo e do bem-estar animal, ressaltando que o gado leiteiro se tornou mais exigente ao longo do tempo. Anteriormente, as vacas eram mais rústicas, capazes de suportar condições desafiadoras, mas à medida que o rebanho leiteiro foi melhorado geneticamente, os produtores precisaram se preocupar mais com a alimentação e com as condições oferecidas aos animais.

No Brasil, a maioria dos produtores trabalha com sistemas baseados em pastagens, nos quais os animais ficam livres no pasto durante todo o ano. Neste modelo de produção, são distribuídos bebedouros pela propriedade e oferecido áreas de sombra para que as vacas reduzam sua temperatura corporal e desfrutem de conforto.

Por outro lado, existem também os sistemas de confinamento, que surgiram a partir dos anos 90 com o free stall e, nos últimos 15 anos, com o compost barn. “Essas técnicas de confinamento visam proporcionar conforto aos animais e requerem até mesmo o uso de ventiladores e aspersores de água para aumentar a umidade e reduzir a temperatura. Além disso, é importante oferecer camas limpas e confortáveis”, reitera Beskow.

Tecnologias adotadas no setor

As mudanças tecnológicas que ocorreram foram fundamentais para impulsionar o desenvolvimento da produção de leite brasileira, melhorar a eficiência, a qualidade e o bem-estar animal. Entre as principais, Beskow destaca a ordenha mecânica, que substituiu a ordenha manual, a qual ele considera um processo penoso, demorado e ineficiente.

Por sua vez, a introdução das ordenhadeiras do tipo balde ao pé acelerou significativamente o trabalho do pecuarista leiteiro, reduzindo o esforço das pessoas envolvidas no processo de coleta do leite, o que permitiu aos produtores ter um rebanho maior. Em seguida, surgiu o resfriador, que possibilitou o armazenamento refrigerado do leite. Anteriormente, os tarros de leite eram colocados à beira da estrada sem refrigeração adequada. “Depois com o resfriador de imersão foi uma revolução porque os tarros eram colocados em um tanque de água gelada, mantendo o leite refrigerado. Com isso, os caminhões passaram a entrar nas propriedades para coletar esses tarros, uma vez que o volume aumentou consideravelmente. E posteriormente, foi introduzido o resfriador a granel, no qual o leite é armazenado em um grande resfriador, eliminando a necessidade de tarros individuais”, enumera.

Mais recentemente surgiram os extratores automáticos, que permitem que a ordenha seja realizada por uma única pessoa. Esse equipamento detecta o fim do fluxo de leite e interrompe o vácuo, removendo as teteiras das vacas. “Esse equipamento se tornou fundamental nos dias atuais para os produtores aumentarem a produção de leite com menos mão de obra”, afirma o pesquisador, citando ainda que entre as tecnologias mais recentes estão os colares e chips digitais colocados nas vacas para monitorar seu comportamento, podendo detectar problemas de saúde e cios, por exemplo.

Em termos de redução de custos e praticidade, Beskow fala que as cercas elétricas são uma alternativa importante para segurar os animais na área delimitada, apresentando entre seus benefícios a construção fácil e rápida, facilidade no manejo e a versatilidade, sendo ideal para sistemas de integração.

E atualmente tem também os robôs que realizam a ordenha de forma autônoma. “No sistema de ordenha voluntária, as vacas escolhem quando se dirigir ao robô para serem ordenhadas. No entanto, esse sistema ainda é caro no Brasil devido à importação do equipamento, o que aumenta significativamente seu preço. A expectativa é que com a popularização esses sistemas se tornem mais acessíveis, pois o aumento das vendas possibilita a redução do valor unitário, tornando-os viáveis para outros produtores adotarem”, diz, esperançoso.

Qualidade do leite

A avaliação da qualidade do leite na pecuária moderna é realizada com base em critérios específicos, que evoluíram ao longo do tempo. Entre os principais utilizados para avaliar estão a contagem bacteriana (CBT), a contagem de células somáticas (CCS) e o teor de sólidos, como gordura e proteínas. “A contagem bacteriana é um indicador importante da higiene durante o processo de ordenha, armazenamento, transporte e industrialização do leite. Quanto menor a contagem bacteriana, melhor a qualidade do leite. A contagem de células somáticas é outro parâmetro relevante, pois reflete a saúde da glândula mamária da vaca. Uma CCS baixa indica uma glândula mamária saudável. Além disso, o teor de sólidos, em particular a porcentagem de gordura e proteínas no leite, também é um aspecto crucial da qualidade. Esses componentes afetam o rendimento do leite e suas propriedades sensoriais e nutricionais”, explica Bescow.

O pesquisador reforça que é fundamental que o leite seja ordenhado com higiene e não sofra nenhuma adulteração. “Os produtores são capacitados para garantir a excelência nesse processo, evitando a presença de resíduos ou aditivos indesejados. Caso ocorra algum desvio ou problema, o sistema de controle consegue detectá-lo e informar ao produtor para que o problema seja corrigido”, salienta e complementa: “No Brasil, o sistema de controle de qualidade do leite tem funcionado bem e vem sendo aprimorado a cada ano, garantindo produtos lácteos seguros e de alta qualidade para os consumidores”.

Tendências e demandas dos consumidores

Quando se trata das tendências e demandas dos consumidores, Beskow destaca que é preciso entender duas questões: a primeira é o que o consumidor realmente quer, conhece e procura; e a segunda o que dizem que ele quer, conhece e procura. “Todos os consumidores buscam qualidade e preço, porém o conhecimento sobre o que é um produto lácteo de qualidade ainda é superficial. É nesse momento que o produtor precisa de auxílio para mostrar como é o processo de produção do leite até chegar ao consumidor”, enfatiza.

De outro lado, o baixo poder aquisitivo de grande parcela da população é outro desafio que a cadeia precisa superar. Beskow também lembra que a partir da demanda de pessoas com intolerância à lactose ou que possuem alergia à proteína do leite a indústria passou a oferecer produtos como o leite tipo A2A2, obtido a partir de animais selecionados e capazes de produzir apenas a beta-caseína A2. “Por se acreditar que a gordura do leite pudesse ter efeitos negativos no organismo, a indústria passou a produzir o produto desnatado, processo pelo qual são removidas todas as gorduras encontradas nele. No entanto, hoje sabemos que a gordura do leite é saudável, tanto do ponto de vista nutricional quanto em relação ao ganho de peso, o que difere da percepção anterior”, sintetiza.

Em termos de perspectivas futuras, o pesquisador ressalta que os produtores enfrentam um grande desafio em relação à mão-de-obra, que está cada vez mais escassa e difícil de encontrar, especialmente com qualificação e disposição para permanecer na propriedade. Por esse motivo, busca-se automatizar o máximo possível, desde que o produtor tenha condições para investir nessa automação.

A questão do retorno financeiro da atividade está levando muitos produtores a sair da pecuária leiteira em razão da dificuldade de obter uma renda líquida que permita investimentos adequados para crescer na atividade. “Está ocorrendo uma saída acelerada de produtores de leite em todo o Brasil, especialmente na região Sul, local em que os produtores estão deixando a atividade de fornecimento de leite para a indústria devido à dificuldade de acompanhar o crescimento do setor em termos de volume mínimo viável para a coleta industrial e qualidade aceitável, além da viabilidade econômica”, diz demonstrando preocupação.

Por sua vez, Beskow vislumbra que a mesma situação deve começar a acontecer na indústria que, em razão do baixo volume de leite produzido, terá dificuldades em equilibrar as contas. “O mesmo que acontece com os produtores de leite eu prevejo que vai acontecer com as indústrias daqui para frente”, opina o consultor.

O Brasil não consegue exportar leite de forma significativa, pois o nosso o produto nacional é caro, o que o torna não competitivo no mercado internacional. Portanto, Beskow frisa que é essencial que o consumo interno seja estimulado, o que esbarra na renda dos consumidores, que segue deprimida no país. “Se houver uma recuperação na renda, com aumento no poder de compra do salário mínimo, aumento do emprego e ganhos reais de renda, o setor terá um crescimento promissor, do contrário vamos enfrentar um desafio significativo e até mesmo uma estagnação”, avalia.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital de Bovinos, Grãos e Máquinas. Boa leitura!

Fonte: O Presente R ural

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Países árabes ampliam compras e impulsionam exportações brasileiras de carne bovina

Argélia, Egito e Emirados Árabes Unidos registraram fortes altas nas importações em 2025, em um ano recorde para o Brasil, que embarcou 3,5 milhões de toneladas e alcançou receita de US$ 18,03 bilhões.

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Pelo menos três países árabes, a Argélia, o Egito e os Emirados Árabes Unidos, registraram aumentos expressivos nas importações de carne bovina do Brasil no ano passado em relação aos volumes de 2024, segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Abiec informou que a Argélia importou um volume 292,6% maior, enquanto as compras do Egito subiram 222,5% e as dos Emirados Árabes Unidos avançaram 176,1%.

O Brasil conseguiu no ano passado o seu maior volume de exportação de carne bovina, embarcando 3,50 milhões de toneladas, que significaram alta de 20,9% em relação a 2024. A receita gerada foi de US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais.  Os dados incluem carne in natura, industrializadas, miúdos e outros.

No total a carne bovina brasileira foi fornecida a mais de 170 países em 2025. A China foi o principal destino, respondendo por 48% do volume total exportado pelo Brasil, com 1,68 milhão de toneladas, que geraram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, os outros maiores mercados, por ordem decrescente, foram Estados Unidos, Chile, União Europeia, Rússia e México.

Fonte: ANBA
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Bovinos / Grãos / Máquinas No Oeste do Paraná

Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade

Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

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Foto: Coopavel

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.

Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.

Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.

Mais produtividade

Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.

Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.

Fonte: Assessoria Coopavel
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Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025

Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

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Foto: Divulgação/Adapar

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.

Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.

As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso

O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.

Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.

O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.

Antropozoonoses

Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato

brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.

No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.

Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.

Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN

Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.

Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.

Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.

Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação

a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.

O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.

Prevenção

A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.

Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.

Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves

Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.

Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.

Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves

A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.

Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.

A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo

Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.

O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.

Fonte: AEN-PR
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