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Suínos

Cada grau a mais na temperatura reduz em 462 g/dia o consumo de ração dos suínos

Além de comer menos, os animais mudam o padrão alimentar. Em dias quentes, concentram a ingestão de ração nos horários mais frescos, como o início da manhã e o fim da tarde ou da noite.

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Fotos: Shutterstock

O avanço das mudanças climáticas colocou a ambiência no centro das decisões da produção suína. O aumento da temperatura média global, impulsionado principalmente pelas emissões de gases de efeito estufa, já afeta de forma direta o desempenho, a saúde e o bem-estar dos animais.

Para sistemas intensivos, especialmente em regiões tropicais e subtropicais, o clima deixou de ser um elemento de fundo e passou a ser um fator limitante da eficiência produtiva. Desde o final do século XIX, a temperatura média da superfície da Terra subiu cerca de 1,14 °C. Além disso, as estações estão mudando de duração: verões mais longos e invernos mais curtos já são observados em várias regiões do mundo.

Nesse cenário, ambientes com altas temperaturas e umidade representam um desafio crescente para a produção de alimentos. Estimativas apontam que cerca de um terço da produção global pode estar em risco diante do aquecimento global.

Zootecnista Bruno Silva, mestre e doutor em Bioclimatologia Animal, PhD em Nutrição de Suínos e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): “A eficiência na produção de suínos em condições de calor extremo exige a combinação de ambiência adequada, manejo bem planejado e nutrição ajustada” – Foto: Divulgação/Abraves

Na suinocultura, os impactos são ainda mais evidentes. Os suínos possuem uma faixa estreita de conforto térmico, que varia conforme idade, genética e fase produtiva. Fora dessa zona, o animal precisa gastar energia para tentar manter a temperatura corporal, o que compromete o desempenho. “O clima é hoje um dos principais fatores que impedem a produção suína de atingir seu máximo potencial em regiões quentes”, afirmou o zootecnista Bruno Silva, mestre e doutor em Bioclimatologia Animal, PhD em Nutrição de Suínos e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Nas últimas décadas, a produção de suínos cresceu de forma acelerada em países da América Latina e da Ásia, regiões marcadas por temperaturas elevadas e alta umidade. Mesmo com avanços genéticos e nutricionais, o desempenho médio nesses locais ainda fica abaixo do observado em países de clima temperado, como os da Europa. “Em áreas tropicais, o estresse térmico não é um evento pontual, como as ondas de calor em regiões temperadas, ele é uma condição quase permanente”, ressaltou.

Efeito do calor

Quando expostos ao calor excessivo, os suínos adotam uma estratégia simples para tentar se proteger: comem menos. A redução do consumo de ração diminui a produção de calor gerada pela digestão, mas traz efeitos em cadeia. Há perda de peso, menor crescimento muscular, queda na produção de leite das porcas e prejuízos à reprodução e à longevidade produtiva dos animais.

Esse efeito é ainda mais forte em animais de alta genética, selecionados para crescimento rápido e alta deposição de carne magra. Esses animais produzem mais calor corporal por causa do metabolismo elevado. “O mesmo avanço genético que aumentou a produtividade também tornou os suínos mais sensíveis ao calor”, explica o zootecnista.

Estudos mostram que cada grau a mais na temperatura ambiente o animal pode reduzir a ingestão diária de ração em 462 gramas/dia. Em porcas lactantes, a ingestão pode cair para pouco mais de dois terços do necessário para atender às exigências nutricionais, comprometendo tanto a fêmea quanto a leitegada.

Além de comer menos, os animais mudam o padrão alimentar. Em dias quentes, concentram a ingestão de ração nos horários mais frescos, como o início da manhã e o fim da tarde ou da noite. “O comportamento alimentar passa a ser guiado pela tentativa de escapar do calor”, evidencia o doutor em Bioclimatologia Animal.

Papel da ambiência no galpão

A dificuldade dos suínos em dissipar calor agrava o problema. Diferentemente de outras espécies, eles têm poucas glândulas sudoríparas e praticamente não suam. A principal forma de perder calor é pela respiração ofegante e pelo contato com superfícies mais frias. “Quando a umidade do ar é alta, a evaporação fica menos eficiente, tornando o ambiente ainda mais estressante”, menciona Silva.

Por isso, a ambiência do galpão, que inclui temperatura, ventilação, umidade e radiação térmica, tem impacto direto sobre a produção. “Sistemas de ventilação, resfriamento evaporativo, resfriamento do piso e uso de gotejamento de água estão entre as estratégias mais adotadas para reduzir o calor sentido pelos animais. São soluções eficazes, mas muitas vezes caras, o que exige avaliação cuidadosa de custo e benefício”, observa o PhD em Nutrição de Suínos.

Além do manejo ambiental, ajustes na alimentação também ganham espaço. Dietas com maior densidade nutricional e menor produção de calor durante a digestão ajudam a compensar a menor ingestão de ração. Mudanças no horário de fornecimento dos alimentos, priorizando os períodos mais frescos do dia, também podem melhorar o desempenho. “A eficiência na produção de suínos em condições de calor extremo exige a combinação de ambiência adequada, manejo bem planejado e nutrição ajustada”, enfatiza o especialista, acrescentando: “Em um contexto de aquecimento global, cuidar do ambiente deixou de ser apenas uma questão de bem-estar animal e se tornou uma estratégia essencial para a sustentabilidade econômica da suinocultura”.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Suínos Em Santa Catarina

Embrapa destaca potencial dos dejetos suínos para substituir parte da adubação mineral

Palestra técnica durante assembleia do Sindicato Rural de Joaçaba mostrou como o uso correto dos dejetos melhora a fertilidade do solo, aumenta a produtividade agrícola e fortalece a sustentabilidade das propriedades.

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Foto: Lucas Scherer

O Sindicato Rural de Joaçaba (SC) reuniu produtores rurais, lideranças do setor, técnicos e representantes de entidades parceiras em sua Assembleia de Prestação de Contas. Além de apresentar o balanço das ações desenvolvidas pela entidade, o encontro promoveu uma discussão técnica sobre o aproveitamento agronômico dos dejetos de suínos e reforçou a importância da atuação conjunta em defesa do agronegócio regional.

Foto: Divulgação

A programação incluiu a palestra “Potencial Agronômico dos Dejetos de Suínos”, ministrada pelo pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Evandro Carlos Barros. Durante a apresentação, o especialista abordou o uso dos dejetos como fonte de nutrientes para a agricultura, destacando seu potencial para elevar a produtividade das lavouras, otimizar o aproveitamento dos recursos disponíveis nas propriedades e contribuir para a sustentabilidade ambiental.

Na assembleia, a diretoria do Sindicato Rural de Joaçaba também apresentou um balanço das atividades desenvolvidas, além dos projetos e das ações previstos para os próximos meses.

O presidente da entidade, Clemerson Argenton Pedrozo, ressaltou que a iniciativa buscou aliar a prestação de contas à atualização técnica dos produtores. “Realizamos uma assembleia de prestação de contas e, juntamente com ela, trouxemos um palestrante da Embrapa, sempre uma grande parceira, com muito conhecimento técnico, engrandecendo o nosso evento. Fizemos uma grande assembleia, apresentamos as novidades do Sindicato Rural de Joaçaba, conversamos sobre as nossas ações e sobre o que pretendemos ainda para o futuro”, afirmou.

Foto: Lucas Scherer

Pedrozo também destacou a atuação das instituições parceiras no fortalecimento do setor agropecuário. Segundo ele, o apoio do Sistema Faesc/Senar, do Icasa, da Cidasc, da Epagri e de outras entidades tem sido fundamental para ampliar o acesso dos produtores à assistência técnica e à capacitação. “É importante agradecer a parceria do Sistema Faesc/Senar, que tem nos apoiado e trazido os recursos necessários para aplicarmos em benefício dos produtores rurais. Também agradecemos ao Icasa, à Cidasc, à Epagri e a todas as entidades que trabalham em conjunto com o nosso Sindicato, levando conhecimento e defendendo o produtor rural”, destacou.

De acordo com o dirigente, o trabalho integrado fortalece a representatividade da categoria e amplia a oferta de conhecimento aos produtores. “O objetivo do Sindicato é fazer a defesa do produtor rural e, por meio da parceria com o Senar/SC, levar conhecimento ao nosso público”, completou.

O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, ressaltou o papel dos sindicatos rurais na organização do setor e na aproximação dos produtores de informações estratégicas, assistência técnica e oportunidades de desenvolvimento.

Fonte: Assessoria Senar/SC
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Suínos No Oeste do Paraná

Produtores de suínos recebem orientações sobre descarte correto de carcaças

Encontro abordou exigências legais, medidas de biosseguridade e procedimentos para reduzir riscos sanitários e ambientais na suinocultura.

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Foto: Divulgação/Assuinoeste

Produtores de suínos de Pato Bragado, no Oeste do Paraná participaram, na quinta-feira (26), de um encontro técnico voltado ao descarte adequado de carcaças de animais. A iniciativa, promovida pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente em parceria com a Associação Regional de Suinocultores do Oeste (Assuinoeste), reuniu suinocultores, representantes da entidade e de empresa parceira para discutir procedimentos previstos na legislação e medidas de biosseguridade nas propriedades.

Foto: Divulgação/Assuinoeste

A programação destacou a importância da destinação correta das carcaças como parte das ações de prevenção sanitária da atividade. Além de atender às exigências legais, o manejo adequado contribui para reduzir riscos de contaminação ambiental e minimizar a possibilidade de disseminação de agentes causadores de doenças que podem comprometer os rebanhos.

Durante o encontro, os participantes receberam orientações técnicas sobre os procedimentos recomendados para o descarte de carcaças e esclareceram dúvidas relacionadas à legislação e às práticas adotadas nas propriedades.

Segundo os organizadores, a proposta foi ampliar o acesso dos produtores a informações técnicas que auxiliem na adoção de medidas de biosseguridade e reforcem a conformidade das granjas com as normas sanitárias e ambientais.

A ação integra as atividades de orientação promovidas pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente em parceria com a Assuinoeste, com foco na qualificação dos produtores e no fortalecimento das boas práticas de produção na suinocultura.

Fonte: Assessoria Assuinoeste
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Suínos

Tilvalosina e seus benefícios no controle das doenças respiratória em suínos

Estudos apontam que antibiótico combate Mycoplasma hyopneumoniae e ajuda a modular a resposta imunológica dos animais.

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Fotos: Divulgação/ECO Animal Health

Artigo escrito por José Lino Castro Jr., DVM, Swine Technical Services Manager, South and Southeast Asia, ECO Animal Health.

Para sobreviver na presença de patógenos nocivos, a natureza forneceu aos organismos vivos uma ferramenta especializada para se proteger, que a ciência denomina sistema imunológico (Fig. 1). O sistema imunológico é dividido em duas partes: o sistema imunológico inato e o sistema imunológico adaptativo.

O sistema imunológico inato é equipado com barreiras físicas e células de defesa residentes, incluindo macrófagos e neutrófilos. O sistema imunológico adaptativo é equipado com células T e células B. Quando um patógeno ultrapassa as barreiras físicas, ele aciona o sistema imunológico inato para ativar simultaneamente as células de defesa residentes para neutralizar o patógeno.

A ativação dessas células, particularmente macrófagos e neutrófilos, desencadeia a liberação de citocinas pró-inflamatórias (por exemplo, IL-1β, IL-6, IL-8, TNFα), levando à inflamação. Enquanto isso ocorre, o sistema imunológico adaptativo também é ativado por macrófagos e células dendríticas, que apresentam fragmentos do patógeno às células T.

As células T respondem de três maneiras: destroem as células infectadas (células T citotóxicas), ativam as células B para produzir anticorpos (células T auxiliares) e regulam a resposta imune adaptati­va geral (células T reguladoras).

Esses processos complexos e interligados continuam até que o patógeno seja eliminado. Uma vez eliminadas, as células T enviam sinais para desligar o sistema imunológico, permitindo que o corpo se cure e se recupere. No entanto, certas bactérias e vírus podem sobrecarregar o sistema imunológico, criando o pior cenário possível, do qual animal pode não se recuperar.

Nesse cenário, há liberação excessiva de citocinas pró-inflamatórias (tempestade de citocinas), desencadeando uma inflamação descontrolada, resultando em danos aos tecidos relacionados à inflamação.

Mycoplasma hyopneumoniae, assim como Actinobacillus pleuropneumoniae, PRRSV, coronavírus respiratório suíno e PCV2 são patógenos suínos capazes de alterar a resposta imune em detrimento do animal.

O Mycoplasma hyopneumoniae causa uma doença em suínos conhecida como Pneumonia En­zoótica. Ela afeta principalmente o trato respiratório, que se mani­festa clinicamente como tosse.

Sintomas

Esta doença é de importância econômica, pois está associada à redução do ganho de peso médio diário, diminuição da eficiência alimentar e aumento do custo com medicamentos. Estima-se que a doença custe US$ 0,84/suíno na terminação de rebanhos infec­tados. Afeta suínos de todas as idades e é comumente observada em suínos de terminação. Myco­plasma hyopneumoniae é um dos principais agentes do Complexo de Doenças Respiratórias dos Suínos, juntamente com outras bactérias e vírus.

Ele pode modular e/ou evadir a resposta imune. Portanto, as lesões pulmonares observadas durante a realização de necrop­sias podem, em parte, ser resulta­do de inflamação descontrolada, devido à capacidade dessa bac­téria de alterar a resposta imu­nológica. Além do manejo otimiza­do da granja e da vacinação, antibióticos com alegações li­cenciadas contra Mycoplasma hyopneumoniae são comumente necessários para controlar ou eliminar a doença.

Controle

Antibióticos adequados incluem macrolídeos, pleuromutilinas, fluoroquinolonas, lincosamidas, tetraciclinas, an­fenicóis e aminoglicosídeos. Esses antibióticos atuam inibindo ou eliminando bactérias. Além disso, alguns macrolídeos, incluindo a tilvalosina, apresentam atividade imunomoduladora e anti-inflamatória in vitro.

Imunomoduladores são substâncias naturais ou sintéticas que ajudam a regular ou normalizar o sistema imunológico. Estudos in vitro demonstram que a tilvalosina modula a liberação de citocinas pró-inflamatórias e reduz o recrutamento e a ativação de células inflamatórias. Um estudo in vitro2 também mostrou que a tilvalosina reduz o estresse oxidativo desencadeado pelo vírus da PRRS.

A tilvalosina também induz apoptose e eferocitose e promove a secreção de mediadores lipídicos pró-resolução (lipoxina e resolvina) que auxiliam no reparo e na cicatrização de tecidos.

No estudo in vivo mais recente realizado em leitões desafiados com Mycoplasma hyopneumoniae e PRRSV, a tilvalosina eliminou infecções pulmonares por Mycoplasma hyopneumoniae e reduziu as citocinas pró-inflamatórias locais e sistêmicas. Os pesquisadores também observaram aumento do IFNα sérico, geralmente suprimido pelo PRRSV, em suínos tratados com tilvalosina.

Esses achados indicam que a tilvalosina pode melhorar a saúde dos suínos, se usada criteriosamente em operações com infecções coexistentes por Mycoplasma hyopneumoniae e PRRSV.

Pontos Principais

  • O sistema imunológico é uma rede de processos complexos e interligados para ajudar o animal a sobreviver na presença de patógenos nocivos.

  • Alguns patógenos, incluindo Mycoplasma hyopneumoniae, alteram a resposta imune, causando danos teciduais relacionados à inflamação.

  • Além de seu efeito antimicrobi­ano, acredita-se que a imunomod­ulação seja um atributo importante de alguns antibióticos macrolídeos na melhoria dos resultados clínic­os.

  • In vitro, a tilvalosina auxilia na imunomodulação por meio de:

    • Modulação da liberação de cito­cinas.

    • Redução do estresse oxidativo.

    • Modulação do recrutamento e ativação de células inflamatórias.

    • Indução de apoptose e eferoci­tose.

    • Aumento da secreção de medi­adores lipídicos pró-resolução.

  • In vivo, a tilvalosina combate doenças respiratórias por meio de:

    • Redução da carga de micoplas­ma dos pulmões.

    • Redução de citocinas pró-in­flamatórias locais e sistêmicas.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: [email protected]

A edição digital do jornal está disponível gratuitamente para leitura online no portal de O Presente Rural, acesse clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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