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C.Vale: um pilar na produção de grãos e proteína animal no Brasil

As perspectivas da cooperativa para os próximos anos são promissoras, com foco especial em inovação e expansão, além da busca continua por novos associados em diferentes regiões, como ocorreu com a expansão para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraguai.

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Fotos: Divulgação/C.Vale

Para se produzir proteína animal, é preciso produzir grãos. E muito! A C.Vale, uma das maiores cooperativas agroindustriais do Brasil, é referência no recebimento dessa matéria-prima essencial que torna o Brasil referência mundial na produção de carne, ovos e leite. Com nada menos que 27 mil produtores associados espalhados pelos estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e no Paraguai, a cooperativa se destaca pelo grande volume de produção de soja, milho, trigo e mandioca, além de leite, frango, peixes e suínos.

Em 2023, a cooperativa recebeu 50 milhões de sacas de soja, o que representa 1,9% da produção nacional, e 46 milhões de sacas de milho, perfazendo 2% da produção nacional. Ao todo, no ano passado a cooperativa recebeu o equivalente a 102 milhões de sacas, considerando trigo e mandioca.

Presidente da C.Vale, Alfredo Lang: “A industrialização nos possibilitou gerar mais renda, empregos e melhorar a rentabilidade da cooperativa”

Os grãos produzidos são armazenados em locais com temperatura e aeração controladas. A C.Vale dispõe de 142 unidades de recebimento que juntas possuem capacidade para armazenar 2.938.322 toneladas de produtos. Em 2023, a C.Vale aumentou em 13,21% a capacidade de armazenagem. Em uma década, a cooperativa ampliou sua capacidade de armazenagem em 85,08%.

Mas até figurar entre as gigantes do setor foi um longo caminho, que teve início em 1963. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da C.Vale, Alfredo Lang, relembra dos principais desafios enfrentados pelos agricultores que impulsionaram a mudança e a criação da cooperativa. As estradas, predominantemente de terra na época, representavam um obstáculo significativo para o transporte da produção agrícola aos armazéns, especialmente em períodos chuvosos. “Com o tempo, a renda e os tributos gerados pelo campo permitiram investimentos na melhoria dessas estradas. A erosão do solo também era um grande problema, que foi enfrentado com a implementação de microbacias e a adoção do plantio direto. Além disso, havia dificuldades no acesso a crédito e os frequentes problemas climáticos. Dependentes dos grãos, a renda dos agricultores caía drasticamente quando a safra era prejudicada” recorda Lang.

Determinados a driblar a ausência de crédito, a assistência técnica e a falta de infraestrutura adequada para armazenar e escoar a safra, o que dificultava a sustentabilidade da produção, 24 agricultores uniram forças e fundaram a Cooperativa Agrícola Mista de Palotina Ltda (Campal). Em 1969, a empresa começou a operar em Palotina, PR, com o recebimento de trigo. Um ano depois iniciou a construção do primeiro armazém da cooperativa, que ficou pronto no início de 1971.

O rápido crescimento da produção levou a Campal a iniciar a fase de estruturação física, começando pela construção de unidades para o recebimento de cereais em Palotina. Esse desenvolvimento acelerou a expansão da cooperativa para outros municípios do Oeste paranaense, levando os associados a modificar a razão social em 1974 para Cooperativa Agrícola Mista Vale do Piquiri Ltda (Coopervale). Em 1981, a empresa expandiu suas operações para o Mato Grosso e, em 1984, para Santa Catarina.

Nova era da cooperativa

No início da década de 90, a Coopervale desenvolveu um plano de modernização para tornar a empresa mais competitiva e agregar valor aos produtos primários, marcando o início de uma nova era para a cooperativa. Esta fase começou em outubro de 1997 com a inauguração do complexo avícola, permitindo aos cooperados produzir frango em grande escala. “A industrialização nos possibilitou gerar mais renda, empregos e melhorar a rentabilidade da cooperativa”, ressalta o presidente Alfredo Lang.

A industrialização foi ampliada em 2002 com o início das operações de uma amidonaria em Assis Chateaubriand, PR. Em 21 de novembro de 2003, a cooperativa passou a se chamar C.Vale – Cooperativa Agroindustrial, refletindo sua expansão e diversificação.

Em janeiro de 2004, a C.Vale iniciou a duplicação do abatedouro de frangos e a construção da indústria de termoprocessados de aves, obras que foram inauguradas em 2005. Com essas melhorias, a capacidade de produção aumentou de 150 mil para 600 mil aves/dia.

Outro marco histórico ocorreu em 2009, quando a C.Vale firmou um acordo com a Coopermibra, cooperativa com sede em Campo Mourão, PR, passando a atuar no Centro-Oeste paranaense administrando 19 unidades de recebimento de grãos da Coopermibra. Seis anos depois, em 2015, a C.Vale estabeleceu uma parceria com a Marasca, assumindo as operações de 26 unidades da cerealista gaúcha, expandindo suas atividades para o Rio Grande do Sul.

O processo de agroindustrialização avançou ainda mais em 2017 com a inauguração de um abatedouro de peixes, capaz de processar 150 mil tilápias por dia. Esse empreendimento marcou o início de um novo sistema de integração, gerando mais renda e empregos.

Em 2020, a cooperativa colocou em operação um segundo frigorífico de frangos. Localizada em Umuarama, PR, essa indústria foi implementada através de uma parceria com a Pluma Agroavícola e tem capacidade para abater 200 mil aves por dia. Nesse mesmo ano, a C.Vale incorporou a Agropar, cooperativa com sede em Assis Chateaubriand, PR, expandindo ainda mais suas operações.

Em 2021, a C.Vale incorporou a Cooatol Cooperativa Agroindustrial, de Toledo, PR, assumindo 19 unidades de negócio em nove municípios do Paraná e um em Santa Catarina. “Para otimizar a produção e o recebimento de grãos como soja e milho expandimos nossa rede de unidades de recebimento de grãos para melhor atender os produtores. Além disso, investimos em modernização, instalando tombadores para facilitar a descarga, introduzindo sementes adaptadas às peculiaridades de cada região e fortalecendo nossa assistência técnica, agora altamente especializada” detalha Lang, enfatizando: “A cooperação com grandes empresas nacionais e estrangeiras permitiu a transferência de tecnologias de ponta para os nossos agricultores, resultando em grandes avanços na produção e na qualidade do agronegócio”.

Em 2022, a C.Vale inaugurou a décima loja de sua rede de supermercados em Rio Brilhante, MS, expandindo uma rede que já conta com outras nove unidades no Paraná e no Mato Grosso.
Em parceria com a Pluma Agroavícola, a C.Vale colocou em operação um incubatório em Iporã, no Noroeste do Paraná, com capacidade de produção de 13,5 milhões de pintinhos por mês e um abatedouro de frangos com capacidade inicial de 200 mil aves/dia.

Em fevereiro de 2023, a C.Vale inaugurou a nova Unidade Produtora de Leitões Desmamados (UPD). Com 31.250 m² de área construída na região de Vila Floresta, interior de Palotina, a instalação aloja cinco mil matrizes, produzindo anualmente 160 mil leitões. Na fazenda Coodetec, uma nova Central de Recria para 22 mil leitões também foi construída.

Ainda em 2023, a cooperativa inaugurou uma esmagadora de soja com capacidade para processar 60 mil sacas por dia, concretizando um sonho dos primeiros associados após 60 anos de sua fundação. O empreendimento, que recebeu mais de R$ 1 bilhão em investimentos entre 2021 e 2023, é a terceira maior esmagadora do Brasil em plantas industriais de uma única linha de produção e a primeira em nível tecnológico.

Logística de recebimento e armazenamento de grãos

A cooperativa tem investido em sua infraestrutura logística, contando com uma frota própria robusta e empregando tecnologias avançadas para o beneficiamento e conservação de grãos. Além de ampliar suas estruturas de armazenagem existentes, a C.Vale deu um grande passo com a inauguração da esmagadora de soja, projetada para receber até quatro milhões de sacas. “Este avanço fortalece a capacidade de processamento da cooperativa e também reduz a necessidade de construção de armazéns em unidades menores, otimizando recursos e melhorando nossa eficiência operacional” salienta Lang.

Integração com a produção de proteína animal

A utilização dos grãos na produção de rações representa um passo estratégico para a C.Vale. Segundo Lang, esta integração agrega valor aos grãos, transformando soja e milho em alimentos para a criação de carnes e leite, ao mesmo tempo em que permite à cooperativa comercializar produtos de maior valor agregado, proporcionando margens mais atrativas. “Essa abordagem além de otimizar a utilização dos recursos disponíveis, também fortalece a sustentabilidade econômica dos produtores associados, criando um ciclo virtuoso de benefícios para todos os envolvidos” reforça o presidente.

No entanto, os desafios na produção de proteína animal utilizando grãos como base para a alimentação são diversos, afirma Lang. Entre os principais, ele cita o desequilíbrio na oferta de grãos, que eleva de forma acentuada os custos de produção e impacta negativamente a rentabilidade do segmento de carnes. “A dependência do mercado externo e a volatilidade cambial também são questões críticas, pois nem sempre as variações cambiais conseguem compensar os custos elevados dos grãos” aponta o executivo.

Além disso, Lang reforça que há a necessidade de estimular o consumo no mercado interno, o que implica em melhorar o poder de compra dos consumidores nacionais. “Aumentos salariais, por exemplo, podem impulsionar o consumo de alimentos, incluindo carnes” relata.

Outro ponto de melhoria é a logística, especialmente no Oeste do Paraná, principal região produtora de proteína animal, que enfrenta desafios devido à distância dos portos, o que encarece significativamente os custos de transporte. “Estes são alguns dos principais desafios enfrentados, que demandam estratégias integradas e soluções inovadoras para garantir a sustentabilidade e a competitividade da produção de proteína animal pela cooperativa” salienta Lang.

Tecnologia e inovação

Para aprimorar a eficiência e a qualidade na produção de proteína animal, uma das inovações de maior impacto implementadas pela C.Vale, segundo Lang, foi a climatização dos aviários, tecnologia pioneira introduzida pela cooperativa no Brasil e agora amplamente adotada. “Esta inovação resultou em melhores índices de conversão alimentar, redução da mortalidade e aumento do bem-estar animal” ressalta.

Com a evolução da informatização, os equipamentos nos aviários foram modernizados, permitindo agora o monitoramento das condições ambientais através de dispositivos móveis como celulares e computadores. “Isso facilita o acesso do produtor a todas as informações necessárias de forma rápida e eficiente” evidencia.

Sustentabilidade e responsabilidade social

Entre as práticas sustentáveis adotadas pela C.Vale está a rastreabilidade dos grãos até o produto final disponível ao consumidor. “Isso permite que tanto consumidores quanto empresas que compram carne da C.Vale saibam exatamente quem produziu a soja ou o milho, quais produtos foram utilizados no manejo, as variedades ou híbridos plantados, e os medicamentos fornecidos aos frangos. Trata-se de um raio-x completo da cadeia produtiva” enfatiza Lang.

Além disso, a cooperativa investe no consumo de energia renovável, no uso racional da água e no reaproveitamento ou reciclagem de materiais, iniciativas que refletem o compromisso da C.Vale com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental.

O presidente da C.Vale afirma que as práticas adotadas pela cooperativa promovem um melhor aproveitamento dos recursos naturais. “Essas iniciativas têm um efeito multiplicador, influenciando positivamente funcionários, associados e fornecedores a seguir os mesmos princípios sustentáveis” destaca, lembrando que para reforçar esse compromisso, a C.Vale criou uma assessoria de ESG dedicada exclusivamente a tratar dessas questões, assegurando que a sustentabilidade seja uma prioridade em todas as operações da cooperativa.

Desenvolvimento de funcionários e associados

A C.Vale tem um compromisso sólido com o desenvolvimento de seus associados, especialmente no que se refere à capacitação e ao acesso a novas tecnologias. A cooperativa investe de forma intensiva nessa área, oferecendo cursos e treinamentos que beneficiaram mais de 21 mil pessoas somente em 2023. “Todas as novas tecnologias são rigorosamente testadas antes de serem disponibilizadas para os associados utilizarem na produção comercial” pontua Lang, acrescentando: “Nossos funcionários participam constantemente de cursos e treinamentos para se manterem atualizados com as mudanças. Tudo o que eles aprendem e comprovam como avanço é repassado aos nossos associados. Isso é fundamental para nos manter competitivos, especialmente em um segmento tão concorrido como o de carnes”.

Essa estratégia de contínua atualização e transferência de conhecimento assegura que os associados da C.Vale estejam sempre na vanguarda das práticas agrícolas, garantindo maior eficiência e qualidade na produção.

Desafios atuais e futuros

O presidente da C.Vale destaca que entre os vários desafios enfrentados no setor de grãos e de produção de proteína animal um dos principais gargalos é a logística cara, seja pela distância dos portos ou por pedágios. Além disso, Lang menciona que problemas climáticos têm se tornado cada vez mais frequentes nos últimos anos, com estiagens severas que reduziram a produção de soja e milho, forçando a cooperativa a trazer grãos de regiões mais distantes. “Precisamos de mais recursos para subsídio ao seguro agrícola para que os produtores não percam capacidade de investimento no cultivo de grãos em face das adversidades climáticas”, reforça, enfatizando: “Outro ponto em que o país precisa avançar é na melhoria da renda para aumentarmos o consumo no mercado interno”.

Perspectivas

As perspectivas da C.Vale para os próximos anos são promissoras, com foco especial em inovação e expansão. A cooperativa continua a buscar novos associados em diferentes regiões, como ocorreu com a expansão para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraguai.

Primando pela sustentabilidade em suas operações, Lang ressalta que um dos principais focos da cooperativa vai continuar sendo o manejo sustentável do solo. “Entendemos que é possível melhorar a produtividade tratando melhor o solo com estratégias simples e eficientes como aumentar sua fertilidade e a matéria orgânica, proteger contra chuvas excessivas e aumentar a capacidade de retenção de umidade e tudo isso sem a necessidade de desmatamento”.

Com a implementação de boas práticas, Lang acredita ser possível alcançar produtividades de até 100 sacas de soja por hectare, desde que as atividades sejam bem conduzidas e o clima coopere. “Isso nos dá condições de aumentar a produtividade e a produção sem necessidade de desmatamento de novas áreas. Com o benefício extra de melhorar a renda e a viabilidade do produtor” frisa.

O acesso é gratuito e a edição Especial de Cooperativismo pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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ASEMG lança ASEMG TECH e aposta em inovação para fortalecer a suinocultura mineira

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A Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG) está lançando o novo projeto, o ASEMG Tech, voltado ao estímulo da inovação e ao fortalecimento da competitividade da suinocultura no estado. 

A iniciativa surge com o objetivo de aproximar tecnologias já aplicadas e validadas da realidade das granjas, promovendo um espaço qualificado para apresentação, avaliação e debate de soluções com potencial de gerar ganhos concretos de produtividade, eficiência e gestão. O projeto também busca preencher uma lacuna no setor, ao propor um evento focado exclusivamente em inovação prática na suinocultura. As inscrições podem ser realizadas até o dia 11 de abril de 2026 através do site da entidade (clique aqui).

Podem participar empresas nacionais e internacionais, startups, scale-ups, universidades, centros de pesquisa, cooperativas e instituições tecnológicas que atuem com soluções aplicadas à produção suinícola. As áreas contempladas incluem genética, nutrição, sanidade, automação e equipamentos, gestão e monitoramento, inteligência de dados, sustentabilidade, eficiência produtiva e outras inovações voltadas ao setor.

Segundo o presidente da ASEMG, Donizetti Ferreira Couto, o ASEMG Tech representa um avanço estratégico para o setor. “O ASEMG Tech nasce com a proposta de conectar tecnologia e prática produtiva. Queremos criar um ambiente onde produtores possam conhecer, avaliar e discutir soluções que realmente tragam resultados para as granjas. É uma iniciativa que reforça o papel da ASEMG como promotora da inovação e do desenvolvimento da suinocultura em Minas Gerais”, afirma.

Para serem elegíveis, as tecnologias devem atender a critérios técnicos estabelecidos em edital, como aplicação comprovada em campo, resultados mensuráveis na produção e potencial de gerar ganhos de eficiência, produtividade ou gestão. Todo o processo de seleção será conduzido por uma Comissão Técnica formada por especialistas, garantindo rigor e credibilidade à iniciativa.

Ao todo, nove empresas serão selecionadas para apresentar suas soluções durante o ASEMG Tech, em painéis técnicos presenciais voltados exclusivamente a produtores associados da entidade. A proposta é promover um ambiente qualificado de troca, aproximando as demandas do campo das soluções tecnológicas disponíveis no mercado.

Além da oportunidade de apresentar diretamente ao público produtor, as empresas participantes terão a chance de posicionar suas marcas como referência em inovação no setor e fortalecer conexões estratégicas dentro da cadeia produtiva.

As inscrições para as empresas que têm interesse em apresentar as suas propostas já estão abertas. Acesse e faça já a sua inscrição.

Cronograma:

  • Encerramento das inscrições: 11 de abril de 2026 

  • Divulgação das selecionadas: até 05 de maio de 2026 

  • Realização do evento: 29 de maio de 2026 

  • Local: Sede da ASEMG – Belo Horizonte (MG) 

O ASEMG Tech se consolida como uma vitrine de inovação aplicada à suinocultura, promovendo a integração entre tecnologia, conhecimento e produção para o avanço do setor em Minas Gerais.

Fonte: Assessoria
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Notícias

Fenagra chega à 19ª edição e consolida liderança em feed & food na América Latina

Feira e congressos técnicos reunirão 14 mil participantes em São Paulo, com foco em nutrição animal, pet food e inovação tecnológica.

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A 19ª edição da Feira Internacional da Agroindústria Feed & Food, Tecnologia e Processamento (Fenagra) reafirma seu protagonismo na América Latina ao reunir os principais players de Pet Food, Nutrição Animal, Graxarias, Biodiesel e Óleos e Gorduras. O evento será realizado de 12 a 14 de maio, das 11 às 19 horas, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Em paralelo à feira, acontecerão os congressos técnicos promovidos pelo Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA). Entre eles estão a 36ª Reunião Anual CBNA – Aves, Suínos e Bovinos, o 9º Workshop sobre Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos e o 25º Congresso CBNA PET. A expectativa é reunir cerca de 14 mil visitantes e congressistas ao longo dos três dias.

Presidente do CBNA, Godofredo Miltenburg: “Reuniremos especialistas nacionais e internacionais, criando um ambiente promissor para troca de conhecimento, networking e desenvolvimento de soluções que impulsionem o mercado de nutrição animal” – Foto: Divulgação

Daniel Geraldes, diretor da Fenagra, destaca a parceria de longa data com o CBNA e reforça o papel do evento no fortalecimento da agroindústria. “Essa integração reforça o compromisso com o fortalecimento da agroindústria, promovendo a conexão entre ciência, tecnologia e mercado, além de impulsionar a inovação e o desenvolvimento sustentável da indústria de alimentação animal”, afirma.

Para Godofredo Miltenburg, presidente do CBNA, o sucesso do evento está ligado à qualidade técnica e à presença de empresas líderes. “Reuniremos especialistas nacionais e internacionais, criando um ambiente promissor para troca de conhecimento, networking e desenvolvimento de soluções que impulsionem o mercado de nutrição animal”, enfatiza.

Programação técnica detalhada
A 36ª Reunião Anual CBNA – Aves, Suínos e Bovinos terá como tema central Nutrição além da nutrição e contará com mais de 20 palestras distribuídas em cinco painéis. Especialistas da academia, da agroindústria e de empresas do setor discutirão tendências, tecnologias e inovações na nutrição de aves, suínos e bovinos.

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O 9º Workshop sobre Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos, organizado pela SBNutriPet em parceria com o CBNA, abordará os desafios da nutrologia felina, estratégias nutricionais, melhores práticas clínicas e apresentação de trabalhos científicos. Palestrantes virão de universidades do Brasil, Estados Unidos e Canadá.

O 25º Congresso CBNA PET terá como tema Desafios na alimentação de felinos e dividirá sua programação em quatro painéis: Nutrição, Processo e Segurança, Mercado e Comunicação ética em nutrição de cães e gatos. Serão debatidos nutrientes na formulação de dietas, processamento de ração, aditivos e ingredientes potencialmente tóxicos, indicadores de desempenho em fábricas de ração e perspectivas de mercado.

Expositores e volume de negócios
A Fenagra reunirá 250 expositores nacionais e internacionais vindos de Estados Unidos, Rússia, Austrália, Europa, Ásia, América do Sul e Arábia Saudita. A feira ocupará dois pavilhões do Distrito Anhembi, com 26 mil m² de área de exposição.

A maior parte dos expositores pertence aos segmentos de Pet Food e Nutrição Animal, seguida por Frigoríficos e Graxarias, Biodiesel e Óleos e Gorduras Vegetais, destinados à nutrição humana e à produção de biocombustíveis. O volume de negócios durante a feira deve superar R$ 1 bilhão, consolidando a Fenagra como principal plataforma de negócios do setor na América Latina.

Fonte: O Presente Rural
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Colunistas

Produtividade recorde do agro brasileiro ameaça ser sufocada por gastos públicos improdutivos

Enquanto soja, milho e pecuária impulsionam até 27% do PIB e elevam o IDH em municípios produtores, ineficiência fiscal e juros altos pressionam crédito e aumentam pedidos de recuperação judicial no setor.

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Foto: Shutterstock

Enquanto a produtividade floresce nos campos do agronegócio, a gestão pública brasileira parece estagnada em modelos que privilegiam o gasto improdutivo em detrimento do investimento estruturante. Não há inclusão social sem uma economia saudável! Hoje, a “galinha dos ovos de ouro” brasileira – o agronegócio – enfrenta uma ameaça que não vem do clima ou do solo, mas da ideologia e da insensatez de Brasília.

Há anos, o agronegócio é o principal responsável pela expansão econômica brasileira. Segundo dados do Cepea (USP) em parceria com a CNA, o setor responde por aproximadamente 24% a 27% do PIB nacional. Em 2023, enquanto outros setores patinavam, o PIB da agropecuária saltou 15,1%, sendo o fiel da balança para evitar uma recessão técnica e garantir o superávit comercial.

Esse sucesso é fruto de um crescimento de produtividade sem precedentes. A Produtividade Total dos Fatores (PTF) no agro cresce, em média, 3,2% ao ano — um ritmo que humilha a média da indústria nacional e de muitos países desenvolvidos.

É sempre importantíssimo frisar que o Brasil não só planta, mas desenvolve tecnologia biológica de ponta!

É fundamental compreender que o agronegócio não se resume ao “dentro da porteira”. O termo “Agribusiness” foi cunhado em 1957 pelos professores de Harvard, John Davis e Ray Goldberg, justamente para descrever a soma total de todas as operações envolvidas na fabricação e distribuição de suprimentos agrícolas.

O agronegócio é, portanto, uma cadeia complexa que integra:

  1. O Agro “dentro da porteira”: a agricultura e pecuária propriamente ditas, onde o manejo do solo e a gestão biológica ocorrem.
  2. Indústria: fabricação de insumos, defensivos, fertilizantes e máquinas pesadas, além do processamento agroindustrial de alimentos e biocombustíveis.
  3. Serviços: logística de transporte, armazenamento, crédito agrícola sofisticado e tecnologia da informação (Agtechs).

Essa visão sistêmica revela, por exemplo, que o sucesso da colheita movimenta desde uma fábrica de tratores no interior de São Paulo, até o porto em Santos, sustentando milhões de empregos indiretos.

Nada disso seria possível sem o papel histórico da EMBRAPA. Criada na década de 70, a Embrapa foi a arquiteta da “revolução tropical”, transformando o Cerrado — antes considerado terra ácida e improdutiva — no celeiro do mundo através da ciência brasileira.

O ganho de eficiência do campo transborda diretamente para o capital humano. Municípios com forte presença do agro apresentam indicadores de qualidade de vida muito superiores à média nacional. Cidades como Sorriso (MT), Lucas do Rio Verde (MT), Rio Verde (GO) e Toledo (PR) são exemplos disso.

Essas localidades figuram constantemente no topo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) regional porque a riqueza gerada pela produtividade se converte em:

  • Infraestrutura urbana de qualidade;
  • Melhores escolas e centros de capacitação técnica;
  • Sistemas de saúde mais robustos e acessíveis.

A prosperidade agrícola é o maior vetor de descentralização do desenvolvimento que o Brasil já conheceu, criando polos de dignidade longe das metrópoles litorâneas.

Entretanto, esse vigor produtivo encontra um obstáculo na insustentabilidade fiscal. O Brasil gasta muito e gasta mal. Consumimos cerca de 33% do PIB em impostos, mas o retorno em investimento público em capital humano, ciência e inovação, além de infraestrutura, é irrisório, mal chegando a 2%.

O desperdício e a má gestão são flagrantes:

  • Privilégios Estruturais: Gastos exorbitantes com pensões e aposentadorias de elite (como as de juízes e alta cúpula do funcionalismo), mantendo castas que consomem recursos que deveriam financiar laboratórios de biotecnologia ou ferrovias.
  • Corrupção e Ineficiência: O dinheiro é drenado por desvios e por uma burocracia que “cria dificuldades para vender facilidades”, além do custo de manter estatais ineficientes e obras inacabadas que nunca se tornam ativos para o país.

Essa “gastança desordenada” eleva a dívida pública, forçando o Banco Central a manter a Taxa Selic elevada para conter a inflação. Juros altos significam financiamento inviável.

O produtor, que depende de crédito para comprar sementes e maquinário, está sendo asfixiado. Dados da Serasa Experian mostram um aumento alarmante de mais de 500% nos pedidos de Recuperação Judicial no setor agropecuário entre 2023 e 2024.

Não podemos permitir que a ineficiência do Estado destrua a engrenagem que sustenta o país. A justiça e a inclusão social exigem um governo que respeite quem produz. É urgente:

  1. Melhorar a qualidade do gasto: cortar privilégios e priorizar investimentos em ciência, tecnologia e educação.
  2. Responsabilidade fiscal: tornar a dívida sustentável para baixar os juros de forma estrutural, fomentando o agro.
  3. Incentivo à inovação: reduzir a burocracia para que o empreendedorismo inclusivo no campo possa prosperar.

O agronegócio é a prova de que o Brasil pode ser uma potência. Mas, para que a colheita continue farta, é preciso parar de consumir as sementes do amanhã com os gastos perdulários de hoje.

Gestão ética e compromisso com a realidade são os únicos caminhos para o Brasil que queremos.

Fonte: Artigo escrito por André Naves, defensor público federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, mestre em Economia Política e doutor em Economia.
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