Avicultura
Bronquite infecciosa das galinhas ameaça produtividade
Dados obtidos de abatedouros com SIF de frangos de corte demonstram perda de US$ 8,46 para cada mil aves abatidas e de 5,6 pintos a menos por matriz alojada
Artigo escrito por Dra. Josiane Tavares de Abreu, que é diretora do Centro de Diagnóstico e Monitoramento Animal (CDMA) e professora da PUC Minas – Doenças de aves
A bronquite infecciosa das galinhas (BIG) ainda é considerada um grande problema para a indústria avícola decorrente das perdas econômicas vistas tanto em lotes de frangos de corte como aquelas em lotes de reprodução e postura. Em lotes de frangos de corte observa-se aumento da condenação de abatedouro, de mortalidade no lote e refugagem, além de perda da qualidade de cama quando os rins estão afetados. Em lotes de reprodução e postura há queda na produção de ovos, podendo ocorrer em qualquer fase do pico de produção e atingir níveis tão elevados quanto 50% ou mais de queda, além de piora na qualidade interna (albúmen mais liquefeito) e externa dos ovos (casca fina, sem casca, despigmentada, deformada) e piora na eclosão. Dados obtidos de abatedouros com SIF de frangos de corte demonstram perda de US$ 8,46 para cada mil aves abatidas e de 5,6 pintos a menos por matriz alojada. Num sistema com 6.660.000 matrizes pesadas e que abate num ano 1,10 bilhões de frangos de corte com pelo menos 14 e 11% destes com quadro clínico de BIG, respectivamente, a perda estimada num ano ultrapassa US$ 10 milhões.
Em frangos de corte e aves de reprodução na cria e recria, o quadro clínico observado geralmente é o respiratório, com tosse, espirro, dispneia e secreção nasal, podendo afetar todo o sistema respiratório, até a presença de fezes mais fluidas com maior eliminação de ácido úrico devido a lesões renais de moderada a severa (síndrome nefrite nefrose). Quadros entéricos normalmente não têm sido associados à infecções somente por Coronavírus e normalmente envolvem vários agentes virais além do VBIG, além de patógenos bacterianos. Em aves de postura e reprodutoras os quadros mais comumente vistos a campo têm sido problemas na produção dos ovos, com perdas na quantidade e qualidade dos mesmos.
As complicações bacterianas são comuns em BIG e aumentam a morbidade e mortalidade dos lotes infectados. As condições ambientais também apresentam suma importância na severidade dos quadros clínicos, principalmente àqueles relacionados a qualidade do ar, como sua renovação, níveis de amônia e outros gases e de poeira em suspensão, que facilitam a infecção respiratória por Escherichia coli.
O agente da BIG é um vírus pertencente à família Coronaviridae, gênero Gammacoronavirus, com genoma RNA fita simples e envelopado, sendo este relativamente sensível à maioria dos desinfetantes e detergentes quando utilizados de acordo com as recomendações do fabricante. Porém apresenta capacidade de se manter por longos períodos nas aves infectadas (cerca de 20 semanas, sendo eliminado pelas fezes), de rápida transmissão, sendo a via aerógena extremamente eficiente, e com capacidade de sofrer mutações e/ou recombinações, o quê permite o escape de imunidade prévia dependendo do grau de modificações sofridas em importantes proteínas do vírus.
Não somente no Brasil, como em diversas regiões do mundo, a detecção de grupos virais exclusivos de uma determinada região é uma característica deste vírus, sendo encontrados no Brasil os subtipos BR-I e BR-II, que apresentam grande diversidade gênica e antigênica e com diferenças de até 65% quando comparados com estirpes vacinais, dependendo do segmento do genoma estudado. Esta diferença genômica e antigênica entre os vírus vacinais comumente usados em lotes de aves industriais no Brasil (tipo Massachusetts) e alguns subtipos virais encontrados (BR-I e BR-II) explicam parte das falhas vacinais encontradas e das dificuldades de controle a campo da doença. Porém, outro ponto a ser considerado são os erros comumente encontrados nos procedimentos de vacinação, com elevado número de aves inapropriadamente vacinadas num lote e entre lotes próximos (baixa cobertura vacinal), o que permite o reaquecimento viral, a recombinação entre vírus de campo e /ou vacinais e a geração de variantes.
A transmissão do VBIG ocorre somente por via horizontal por aerossóis, fezes, de forma direta e indireta, via fômites, poeira, cama, veículos e pessoas. A elevada concentração de aves numa dada região, com idades múltiplas e diferentes esquemas vacinais associados a falhas no programa de biosseguridade, favorecem a transmissão e a manutenção do agente no ambiente, propiciando o surgimento de variantes que podem ou não causar quadros clínicos nos lotes. Os VBIGs chamados de variantes são assim classificados basicamente porque são diferentes de vírus previamente caracterizados e podem se manter ou não em lotes consecutivos, causar problemas clínicos ou não a campo. Não necessariamente a presença de um variante de VBIG significa que o lote adoecerá, sendo encontradas também a campo VBIGs dos mesmos sorotipos vacinais (tipo Massachusetts) com capacidade de reduzir a eficiência produtiva dos lotes e levar a quadros clínicos de maior ou menor severidade. Para definir a importância deste patógeno numa dada região e empresa o monitoramento dos lotes é imprescindível, sendo mais prático e barato o uso da sorologia e a criação de históricos sorológicos dos lotes (baselines) e na necessidade de maior caracterização do agente o uso de técnicas moleculares associadas a achados microscópicos. Somente baseado em dados pautados na clínica, epidemiologia e laboratoriais é possível definir o programa vacinal a ser usado e modificar os procedimentos de um programa de biosseguridade.
O diagnóstico deve ser baseado nos achados clínicos, anatomo-patológicos, dados epidemiológicos e auxiliares de laboratório, sendo estes últimos sorológicos (Elisa), moleculares (RT-PCR, Real time PCR, RFLP, sequenciamento) e histopatológicos. O isolamento viral em ovos embrionados SPF, apesar de ser considerada prova padrão ouro, é pouco utilizada na prática em virtude de ser laboriosa, de elevado custo e depender posteriormente de outras técnicas para caracterização do agente viral. Considerando um quadro agudo da doença, os órgãos de escolha para as provas moleculares são a traqueia, tonsilas cecais e rins de pelo menos cinco aves do lote e/ou fezes ou suabes cloacais quando consideramos lotes em produção de ovos. Estas amostras devem ser encaminhadas resfriadas num menor prazo de tempo possível para evitar degradação do material genômico, o que pode levar a falsos negativos. Para as provas sorológicas recomenda-se o envio de 18 a 23 soros resfriados para lotes de frangos de corte e de 23 a 30 soros para lotes de poedeiras e matrizes. Para histopatologia considerar o envio de amostras que também permitam o diagnóstico diferencial de outras enfermidades respiratórias que podem confundir com a BIG ou estar associada a mesma, como o metapneumovírus aviário (ART/APV), micoplasmoses, colibaciloses, vírus da doença de Newcastle (vírus lentogênico), laringotraqueíte infecciosa e bactérias da família Pasteurellaceae. Estes órgãos devem ser coletados de aves em diferentes estágios da doença e encaminhados em formol tamponado a 10% em frasco de boca larga, sendo estes todo o sistema respiratório incluindo conjuntivas, conchas nasais, laringe, traqueia, brônquios, pulmões e sacos aéreos, além de rins, intestinos com tonsilas cecais e outros tecidos acometidos, como articulações, ossos e vísceras, como fígado e baço.
O controle deve ser baseado em melhorias das medidas de biosseguridade, com ênfase naquelas relacionadas à higienização, tráfego de pessoas e veículos e isolamento do sistema de produção. O programa vacinal deve considerar os achados a campo (zootécnicos, epidemiológicos e clínicos) e laboratoriais quanto aos títulos obtidos e cobertura vacinal, as lesões microscópicas e a genotipagem, sendo a introdução e a remoção de uma vacina baseada na associação destes dados. Ressalta-se que o procedimento de vacinação apresenta grande relevância no controle da doença, sendo recomendado que todas as aves numa dada região sejam vacinadas ao mesmo tempo e com o mesmo tipo viral para evitar o surgimento de novos subtipos virais que por ventura venham a se tornar epidemiologicamente e clinicamente importantes para uma região de produção avícola. Além disso, melhorias nas condições ambientais das aves, com ênfase em qualidade do ar, auxiliam no controle da severidade da doença como também medidas que minimizem as infecções oportunistas.
Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2016.
Fonte: O Presente Rural

Avicultura
SBSA debate como transformar conhecimento técnico em resultados na avicultura
Especialistas discutem gestão, eficiência e aplicação prática durante evento em Chapecó.

A conexão entre conhecimento técnico, gestão e resultados práticos na produção avícola será discutida durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). O tema Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura será apresentado pelos especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, na quarta-feira, 08 de abril, às 16h30, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio. Com mais de 18 anos de atuação na avicultura industrial brasileira, construiu sua trajetória profissional em empresas como BRF e Seara Alimentos, onde atuou como extensionista, supervisor, especialista agropecuário e gerente agropecuário.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Ao longo de sua carreira, prestou consultoria técnica a mais de 30 plantas industriais, desenvolvendo atividades relacionadas à gestão agropecuária, ambiência, manejo de frangos de corte, elaboração de padrões técnicos, condução de testes zootécnicos e formação de equipes técnicas em extensão rural. Atualmente é empreendedor e sócio-proprietário da Granjas Pampeano, no Rio Grande do Sul, onde atua no desenvolvimento de projetos avícolas voltados à eficiência produtiva, sustentabilidade e excelência operacional.
Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atua há 22 anos no setor agroindustrial, com experiência nas áreas de extensão rural, gestão e performance agroindustrial na produção de frangos, suínos, perus, postura comercial, matrizes e avós.
Atualmente dedica-se ao aperfeiçoamento dos sistemas de produção, com foco no desenvolvimento das pessoas que atuam na cadeia produtiva, buscando alavancar ganhos em eficiência, produtividade, qualidade, bem-estar animal, competitividade e sustentabilidade agropecuária, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais do agronegócio.
A palestra abordará os desafios de transformar informações técnicas e orientações produtivas em resultados concretos no campo, considerando fatores como gestão de equipes, eficiência operacional, aplicação de tecnologias e aprimoramento contínuo dos sistemas de produção. O tema destaca a importância de alinhar conhecimento científico, experiência prática e capacitação de profissionais para garantir competitividade e sustentabilidade na avicultura moderna.

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio
De acordo com a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o Simpósio busca promover discussões que conectem ciência e prática. “O SBSA tem como proposta reunir especialistas que compartilhem experiências aplicáveis à realidade da produção. Discutir como transformar conhecimento em resultados é fundamental para fortalecer a cadeia produtiva e apoiar profissionais que atuam diretamente no campo”, destaca.
A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado para ampliar a visão estratégica do setor. “A produção avícola evolui rapidamente e exige cada vez mais integração entre conhecimento técnico, gestão e desenvolvimento de pessoas. Trazer especialistas com experiência prática na indústria contribui para que os participantes compreendam como aplicar as orientações técnicas de forma eficiente e sustentável”, afirma.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 07/04 – Terça-feira
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 08/04 – Quarta-feira
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 09/04 – Quinta-feira
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Frango cai 5,2% em março e atinge menor preço desde julho de 2023
Cotação média de R$ 6,73/kg no atacado paulista reflete demanda interna fraca e incertezas no mercado externo. Recuo amplia vantagem frente às carnes suína e bovina.

Os preços da carne de frango seguem em queda nas principais praças acompanhadas pelo Cepea, pressionados pela demanda doméstica enfraquecida e por incertezas no mercado externo. O cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, importante destino das exportações brasileiras, tem gerado cautela entre agentes do setor e influenciado as negociações.

Foto: Shutterstock
No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado é negociado à média de R$ 6,73 por quilo na parcial de março, até o dia 18, recuo de 5,2% em relação a fevereiro. Em termos reais, considerando deflação pelo IPCA de fevereiro de 2026, trata-se do menor patamar desde julho de 2023.
Com a queda mais acentuada nos preços, a carne de frango amplia sua competitividade frente às demais proteínas. No caso da suína, embora também haja desvalorização, o ritmo de recuo do frango é mais intenso. Já em relação à carne bovina, o diferencial é ainda maior, uma vez que os preços da carcaça casada seguem em alta, ampliando a atratividade do frango para o consumidor.
Avicultura
Diferença de preço entre ovos brancos e vermelhos supera 40% em março
Menor oferta de ovos vermelhos e demanda da Quaresma ampliam descolamento de preços. Granjas operam com produção ajustada.

A diferença entre os preços dos ovos brancos e vermelhos se ampliou ao longo de março nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Cepea. Em Santa Maria de Jetibá (ES), maior polo de produção do país, o diferencial já supera 40% na parcial até o dia 18, acima do observado em fevereiro.

Foto: Divulgação/Asgav
De acordo com o Cepea, o movimento é puxado principalmente pela menor disponibilidade de ovos vermelhos no mercado interno. A oferta mais restrita dessa categoria tem sustentado reajustes mais intensos em comparação aos ovos brancos, ampliando o descolamento entre os preços.
A demanda sazonal também contribui para esse cenário. Durante a Quaresma, há aumento no consumo de ovos, o que pressiona ainda mais as cotações, especialmente dos vermelhos, tradicionalmente mais valorizados em períodos de maior procura.
Com a produção mais enxuta, agentes do setor relatam que parte das

Foto: Divulgação
granjas tem operado com entregas previamente programadas, limitando negociações no mercado spot. Esse ajuste entre oferta e demanda resultou em elevação dos preços médios dos ovos nos últimos dias, com maior intensidade para a variedade vermelha.
