Notícias Receita líquida obteve aumento de 13,7%
BRF reverte lucro e registra prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre
Dívida líquida da companhia ficou em R$ 12,588 bilhões, R$ 2,73 milhões a menos que o reportado de janeiro a março de 2021.

No primeiro trimestre de 2022, A BRF registrou prejuízo líquido de R$ 1,546 bilhão, revertendo lucro de R$ 22 milhões reportado no primeiro trimestre do ano passado, informou a companhia em comunicado divulgado na quarta-feira (04). A receita líquida no período foi de R$ 12,04 bilhões, aumento de 13,7% em relação aos R$ 10,592 bilhões de igual trimestre de 2021.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da BRF chegou a R$ 121 milhões nos primeiros três meses do ano, queda de 90,2% ante a soma de R$ 1,234 bilhão registrado no mesmo intervalo do ano anterior. A margem do Ebitda ajustado foi de 1%, ante 11,6% na mesma base comparativa. A empresa atribuiu o resultado ao cenário econômico brasileiro e geopolítico mundial que pressionou negativamente o desempenho da companhia no primeiro trimestre.
Em comunicado enviado à imprensa, a BRF informou que a dívida líquida ficou em R$ 12,588 bilhões, R$ 2,73 milhões a menos que o reportado de janeiro a março de 2021. Com isso, a companhia encerrou o trimestre com o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) em 2,83 vezes, contra 2,96 vezes no mesmo período do ano anterior.
“A queda de renda da população brasileira, somada à alta da inflação global, impactou o planejamento operacional da BRF no período, com uma perceptível quebra de volumes. Este cenário afetou o varejo alimentar, levando o setor a adequar seus estoques nos primeiros meses de 2022, o que também impactou as vendas da companhia”, relatou em nota.
Os meses de março e abril já registraram, no entanto, uma retomada de volumes e preços no Brasil e no exterior. A margem bruta de março, por exemplo, foi cinco pontos percentuais maior do que a de janeiro. “Confiamos na nossa capacidade de transpor os desafios que se apresentam para manter a BRF eficiente e rentável. Para simplificar, ganhar agilidade e buscar a geração de resultados e lucros ainda em 2022, estamos adequando de forma ampla a nossa maneira de trabalhar e os nossos processos”, salienta o CEO global da BRF, Lorival Luz.
Já está em curso um conjunto de iniciativas que visam colocar a companhia em um novo patamar de eficiência e atuação. “Estas medidas estão focadas na revisão das nossas prioridades, na otimização da estrutura e no redimensionamento dos processos. Nosso objetivo é reverter as perdas deste primeiro trimestre ao longo dos próximos meses e gerar melhores resultados aos acionistas”, complementa.
Vale destacar que, ainda no primeiro período do ano, a BRF realizou seu follow-on, que captou R$ 5,4 bilhões, o que permitiu reforçar sua estrutura de capital, liquidez e solidez financeira.
De acordo com o executivo, a companhia está também revisando seu planejamento estratégico ‘Visão 2030’ para os próximos trimestres, conforme previsto, com as adequações necessárias ao ambiente de negócios que se apresenta. “A rápida disrupção e a deterioração do cenário utilizado para o planejamento, já percebidas neste primeiro trimestre, nos levam agora a considerar ciclos menores, de até cinco anos. Adequações fazem parte da jornada de uma empresa global como a BRF, que precisa acompanhar as mudanças que afetam o negócio, sem se afastar de sua ambição maior e de seus compromissos fundamentais”, expôs.
Internacional
O crescimento de receita foi puxado, principalmente, pelo mercado internacional, sobretudo o mercado Halal, que teve aumento de 27%. O Ebitda da região dobrou na mesma comparação. A Banvit ganhou participação de mercado na Turquia, com aumento de 1,7 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado. Houve também melhor performance de demanda e preço no Golfo. “Reforçamos nossa liderança neste mercado estratégico com aumento de 60% com produtos de valor agregado. É um momento muito positivo para os mercados locais e, com um ótimo trabalho da nossa equipe na região, estamos conseguindo atingir um crescimento constante, com melhor performance em volume, margens e receita”, avaliou o executivo.
De acordo com Luz, a BRF ainda conseguiu recentemente a habilitação de oito de suas unidades produtivas para exportação de produtos Halal derivados de frango ao Iraque.
Nos demais mercados internacionais, houve aumento de volume de exportações para o México e melhor desempenho de preço para frango no Japão e na Coreia. No mesmo período, a companhia obteve duas habilitações novas para suas unidades, para exportação de salsichas à África do Sul e suínos para o Vietnã. Outro destaque positivo foi o Chile, onde a BRF lançou seu primeiro e-commerce B2B na América Latina. O país conta com a maior operação da BRF na América depois do Brasil.
Em outros segmentos, a companhia viu alta no volume de Ingredients, 6,8% maior do que no mesmo período de 2021. A operação de PET segue em seu movimento de estruturação e expansão, após as aquisições anunciadas no último ano, apresentando volume de 52 mil toneladas nos primeiros três meses de 2022, crescimento de mais de 360% ao ano ao consolidar as operações da Mogiana e Hercosul e expansão de 3,6 pontos percentuais na comparação anual da margem Ebitda.
Agenda ESG
Alinhada à agenda ESG, a companhia obteve avanços em diversas iniciativas durante o período. Foi anunciado o closing deal da parceria firmada com a AES para a construção de um parque eólico em Cajuína, no Rio Grande do Norte, em linha com a joint venture anunciada em 2021. Na Turquia, a Companhia, por meio da Banvit, lançou o projeto ‘Smart Kids Table’, com o objetivo de criar hábitos alimentares corretos nas crianças e conscientizar sobre o desperdício de alimentos. Em relação ao Instituto BRF, a frente de Educação evoluiu por meio de uma parceria inédita firmada com o Instituto Ayrton Senna para ajudar a reduzir a defasagem educacional de milhares de estudantes durante a pandemia.

Colunistas
Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?
Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.
Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.
Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.
Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.
Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.
O sucesso desta ação teve três pontos centrais:
1) Análise
O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.
2) Integração
O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.
3) Correção
Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.
A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.
Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?
Notícias
Mercado de fertilizantes no Brasil mantém forte dependência de importações
Volume soma 40,9 milhões de toneladas até outubro de 2025, com Mato Grosso liderando o consumo nacional.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 5,08 milhões de toneladas em outubro de 2025, alta de 2,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram comercializadas 4,98 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA). No acumulado de janeiro a outubro foram registradas 40,94 milhões de toneladas entregues, com alta de 8,4% em comparação a igual período de 2024, quando o total foram entregues 37,78 milhões de toneladas.
O Estado de Mato Grosso manteve a liderança no consumo, com participação de 22,1% do total nacional, o equivalente a 9,05 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paraná (4,97 milhões), São Paulo (4,35 milhões), Rio Grande do Sul (4,21 milhões) Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões).
A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou outubro de 2025 em 631 mil toneladas, registrando uma queda de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a outubro, o volume chegou a 6,20 milhões de toneladas, avanço de 5,7% em relação com as 5,87 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
As importações alcançaram no mês de outubro de 2025, 4,38 milhões de toneladas, redução de 1,1% sobre igual período do ano anterior. De janeiro a outubro, o total importado somou 35,88 milhões de toneladas, com crescimento de 7,1% em relação as 33,49 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada do insumo, foram importadas 8,89 mil toneladas no período, crescimento de 5,8% frente a 2024 (8,40 milhões de toneladas). O terminal representou 24,8% do total de todos os portos, segundo dados do Siacesp/MDIC.
Notícias
Produtores têm até 31 de janeiro para regularizar inconsistências fiscais
Receita Federal intensifica fiscalização sobre rendimentos rurais e alerta para risco de autuações e multas após o prazo.

A Receita Federal do Brasil intensificou as orientações voltadas à conformidade fiscal no setor rural, com atenção especial aos rendimentos oriundos de arrendamentos de imóveis rurais. A iniciativa integra uma ação nacional de conformidade cujo objetivo é estimular a autorregularização dos contribuintes, permitindo a correção de inconsistências até janeiro de 2026, antes do avanço para etapas de fiscalização mais rigorosas.
Segundo o órgão, é recorrente a subdeclaração ou o enquadramento incorreto dos valores recebidos com arrendamentos, seja por desconhecimento da legislação tributária, seja por falhas no preenchimento das declarações. Para identificar divergências, a Receita Federal tem ampliado o uso de cruzamento de dados, recorrendo a informações de cartórios, registros de imóveis rurais e movimentações financeiras, em um ambiente de fiscalização cada vez mais digital e integrado.

Foto: Jonathan Campos/AEN
O advogado tributarista Gianlucca Contiero Murari avalia que o atual movimento do Fisco representa um ponto de atenção relevante para produtores rurais e proprietários de terras. “A autorregularização é uma oportunidade valiosa para o contribuinte rural corrigir falhas, evitar autuações, multas elevadas e até questionamentos mais complexos no futuro. A Receita Federal tem adotado uma postura cada vez mais preventiva, mas com fiscalização altamente tecnológica”, afirma.
Murari ressalta que os rendimentos provenientes de arrendamento rural exigem cuidado específico no enquadramento e na declaração, de acordo com as regras do Imposto de Renda. Isso inclui a avaliação sobre a tributação como pessoa física ou jurídica, conforme a estrutura da operação. “É fundamental que o produtor ou proprietário busque orientação especializada para avaliar contratos, natureza dos rendimentos e a forma correta de declarar. Um ajuste feito agora é muito menos oneroso do que uma autuação depois”, completa.



