Notícias Apesar da Crise
BRDE chega a 2,31 bilhões em contratações e tem maior diversificação de fontes de recursos da história
Valor superou os resultados de 2017 e atingiu a maior diversificação de fontes de recursos de sua história

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) superou em 2018 os resultados do ano anterior e atingiu a maior diversificação de fontes de recursos de sua história. As contratações nos três Estados do Sul chegaram a R$ 2,31 bilhões até a última semana de dezembro, valor superior ao registrado em 2017, quando as operações somaram R$ 2,18 bilhões.
“Chegamos a esses resultados, atingindo a meta para 2018, mesmo com o cenário econômico ainda desfavorável, as limitações de investimentos nos municípios estabelecidas pela legislação eleitoral, a redução nos repasses do BNDES e as alterações nas taxas de juros, com a substituição da TJLP pela TLP”, comemora o presidente do BRDE, Orlando Pessuti.
Além da receita operacional, contribuíram para os bons resultados de 2018 a redução de custos, proveniente do programa de demissão voluntária, e a manutenção de níveis aceitáveis de inadimplência, medidas que promoveram o crescimento sustentável do Patrimônio Líquido do banco em 6,8%, o que permitirá a alavancagem de mais financiamentos nos próximos anos.
As contratações feitas pela Agência Paraná do BRDE representam 34,39% do total de R$ 2,31 bilhões em financiamentos até o momento, o equivalente a R$ 774,8 milhões investidos em empreendimentos no Estado. Dado o perfil econômico do Estado, o agronegócio é o setor com maior representatividade nos financiamentos no Paraná em 2018.
Desafio
O grande desafio do BRDE em 2018 foi buscar novas fontes de recursos, (fundings), diante da redução de repasses do BNDES, historicamente o maior parceiro do banco. Para diminuir a dependência do BNDES e principalmente captar mais recursos, o BRDE elaborou uma política de diversificação de fundings, buscando parceiros dentro e fora do país.
Foi assim que o BRDE tornou-se agente financeiro do Fundo Geral de Turismo (Fungetur), do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) e do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e operacionalizado via BNDES. Além disso, o BRDE fechou as duas primeiras parcerias com instituições financeiras internacionais em 57 anos de existência.
O Banco captou 50 milhões de euros na Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), recursos destinados ao financiamento de projetos relacionados à produção e consumo sustentáveis na Região Sul. E assinou recentemente contrato com o Banco Europeu de Investimentos (BEI) para captação de até 80 milhões de euros.
Os recursos captados no BEI serão investidos em projetos voltados a energias renováveis, eficiência energética e mobilidade. As parcerias internacionais foram possíveis devido ao compromisso do BRDE com o desenvolvimento sustentável. Hoje, o banco tem 83% de suas operações alinhadas com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU.
Além disso, o BRDE ampliou os seus limites junto a outras instituições parceiras, como a FINEP – mantendo a sua condição de maior repassador de recursos de inovação do Brasil -, a Caixa/FGTS, viabilizando recursos para o financiamento a municípios da Região Sul e o Banco do Brasil/FCO para financiamento a projetos em Mato Grosso do Sul.
Desenvolve Sul
Outro impacto positivo na política de diversificação de fundings foi o aumento no orçamento do programa BRDE Desenvolve Sul, que opera com recursos próprios para todos os portes de empreendimentos e setores da economia. As operações do programa chegaram a R$ 96, 8 milhões até o momento.
A diversificação na captação dos financiamentos adotada pelo BRDE proporcionou uma redução significativa na dependência de repasses do BNDES. Em 2018, essas novas fontes de recursos passaram a representar 26,7% do total das contratações do BRDE em sua região de atuação ante 6,6% no ano anterior.
Para reforçar a captação de novos fundings, como complemento às receitas de crédito, o BRDE manteve a prestação de serviços a outras instituições, tendo como maior caso de sucesso as operações por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). O FSA, que é operacionalizado pela Agência Paraná, gera receitas expressivas sem risco de crédito.

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Agro brasileiro registra mais de 39 mil ataques cibernéticos em 2025
Levantamento aponta média superior a 3,2 mil tentativas por mês e identifica avanço de sondagens estratégicas antes de ataques como ransomware, ampliando o risco de paralisação de sistemas no campo.

Nesta quarta-feira (25) é celebrado o Dia do Agronegócio, setor que corresponde a cerca de 25% do PIB nacional. No entanto, a pujança do campo atrai um efeito colateral perigoso: o interesse crescente de grupos cibercriminosos. De acordo com o levantamento feito pela ISH Tecnologia, o setor encerrou 2025 com um total de 39.034 mil ataques cibernéticos registrados, mantendo uma média alarmante de mais de 3,2 mil tentativas de invasão por mês.
O relatório revela que os criminosos não estão apenas tentando entrar nos sistemas, mas realizando um trabalho meticuloso de inteligência. Observou-se uma concentração relevante de alertas nas fases iniciais do que a cibersegurança chama de Cyber Kill Chain, o roteiro percorrido pelo hacker desde o primeiro contato até a execução do roubo. Esse cenário evidencia uma intensa atividade de reconhecimento e tentativas de exploração, onde o atacante estuda as defesas do produtor antes de desferir o golpe final.
Cerco nas fronteiras digitais do campo

Diretor de Inteligência de Ameaças da ISH Tecnologia, Hugo Santos: “Investimento em monitoramento de rede 24×7 e a conscientização dos colaboradores sobre esses estágios iniciais de sondagem são hoje elementos tão fundamentais”- Foto: Divulgação
Eventos relacionados a ataques de negação de serviço (DDoS) na borda dos sistemas e a execução de scripts suspeitos indicam esforços consistentes de sondagem. De acordo com o diretor de Inteligência de Ameaças da ISH Tecnologia, Hugo Santos, os criminosos estão testando as fechaduras digitais do agronegócio de forma persistente. “Após essas tentativas iniciais, surgem indícios de evolução para etapas de execução e descoberta, com comportamentos associados ao mapeamento das redes internas e geração de alertas de alta severidade diretamente nos computadores e dispositivos de campo”, pontua.
Santos explica que o agronegócio brasileiro se tornou uma indústria de dados a céu aberto, onde um ataque de ransomware não apenas bloqueia computadores, mas pode paralisar sistemas de irrigação inteligentes ou descalibrar sensores de plantio. “A estratégia dos invasores hoje foca na progressão silenciosa. Ao detectar o ataque ainda nos estágios iniciais de sondagem, o produtor evita que o criminoso chegue à fase de criptografia de dados ou sequestro de maquinário, o que geraria prejuízos medidos em toneladas de grãos perdidos por hora de inatividade”, alerta Santos.
Urgência da detecção precoce
Essa vulnerabilidade é acentuada pelo desafio da última milha. Embora muitos produtores invistam pesado em biotecnologia, a maturidade digital em segurança ainda é desigual. O panorama de 2026 indica a necessidade urgente de fortalecer controles preventivos e mecanismos de detecção precoce.
Santos reforça que garantir a segurança digital no campo deixou de ser um custo de TI e passou a ser uma estratégia de sobrevivência logística. “Investimento em monitoramento de rede 24×7 e a conscientização dos colaboradores sobre esses estágios iniciais de sondagem são hoje elementos tão fundamentais para a estabilidade do trabalho quanto o próprio seguro da safra”, enaltece.
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O custo bilionário da política tarifária de Trump
Decisão da Suprema Corte dos EUA desmonta a estratégia de tributação por decreto, abre passivo estimado em US$ 175 bilhões ao Tesouro e reprecifica risco fiscal, juros e fluxos globais de capital.
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Estudo revela setor de R$ 2,72 trilhões que dita tendências de consumo, cultura e estilo de vida no Brasil
Pesquisa inédita mapeia a transformação do agronegócio em fenômeno cultural que influencia moda, entretenimento, mercado imobiliário e comportamento dos brasileiros.

O agronegócio brasileiro atravessa uma revolução que transcende a produção rural e se consolida como uma das principais forças culturais, econômicas e de consumo do país. É o que revela o estudo Novo Agro, desenvolvido pela Estúdio Eixo, que traça uma fotografia inédita do setor que mais cresce no Brasil.
Com uma metodologia que combina desk research, análise semiótica, netnografia de mais de 100 mil comentários em redes sociais e

Foto: Shutterstock
entrevistas com especialistas dos setores de agro, tech, moda e música, a pesquisa revela como o agronegócio vem moldando novos estilos de vida, valores e práticas culturais pelo Brasil.
Responsável por R$ 2,72 trilhões, em torno de ⅓ do PIB brasileiro, e mais de 28 milhões de empregos, ou seja, 26% dos postos de trabalho do país, o agronegócio transformou cidades do interior em polos de desenvolvimento. Municípios como Sorriso (MT), São Desidério (BA) e Rio Verde (GO) lideram o ranking nacional de produção agrícola, enquanto Goiânia emerge como a Dubai brasileira o epicentro de luxo, com crescimento de 80% em lançamentos imobiliários de alto padrão e porta de entrada prioritária para grifes como Chanel, Tiffany e Christian Louboutin.
Por outro lado, Balneário Camboriú (SC) se consolida como a Riviera do Agro, destino preferencial da nova elite rural, com o metro quadrado mais valorizado do Brasil, em torno de R$ 14,3 mil e crescimento de 11,16% em 12 meses.
Do AgroRaiz ao AgroFuture
A pesquisa mapeia a evolução dos códigos culturais do agro a partir de três camadas complementares. Na base estão os códigos residuais, reunidos sob o conceito de AgroRaiz, que refletem valores fundadores como fé, família, centralidade do trabalho e uma masculinidade associada à rusticidade e à resistência no campo.

PhD em Comunicação, Política, Ciência de Dados, Lucas Reis: “O Novo Agro não pode ser tratado apenas como um segmento econômico, mas como um ecossistema cultural complexo, guiado por dados, símbolos e comportamentos” – Foto: Arquivo pessoal
Na sequência aparecem os códigos dominantes, classificados como AgroStyles, que incorporam vertentes como AgroTech, AgroPop e AgroLuxo, marcadas pela combinação entre tradição produtiva, adoção intensiva de tecnologia e uma estética cada vez mais cosmopolita.
Por fim, a camada emergente, denominada AgroFuture, aponta para novos direcionamentos simbólicos e estratégicos do setor, com destaque para a sustentabilidade orientada por soluções GreenTech e para o avanço do protagonismo feminino no campo, identificado como FeminAgro. “O agro brasileiro não é mais homogêneo. Existem múltiplas identidades do produtor tech que pilota drones ao vaqueiro pop que mescla botas texanas com grifes internacionais. É um remix cultural que combina raízes locais com referências globais”, destaca o estudo.
Para o PhD em Comunicação, Política, Ciência de Dados, Lucas Reis, entender essa transformação é decisivo para marcas que desejam atuar de forma relevante nesse universo. “O Novo Agro não pode ser tratado apenas como um segmento econômico, mas como um ecossistema cultural complexo, guiado por dados, símbolos e comportamentos. Quando analisamos consumo, mídia e performance, fica claro que as marcas que prosperam são aquelas que traduzem esses códigos em estratégias consistentes de comunicação, experiência, relacionamento e não em ações pontuais”, afirma.
Cadeia multibilionária conecta lifestyle e entretenimento
O chamado Novo Agro impulsiona uma cadeia multibilionária que ultrapassa a produção rural e se consolida como força estruturante de

Foto: Divulgação/Agrishow
lifestyle e entretenimento no país. A música sertaneja é um dos principais vetores desse movimento: sete em cada 10 brasileiros consomem o gênero e nove dos 10 álbuns mais ouvidos no Brasil são sertanejos, evidenciando a centralidade cultural do universo agro na indústria fonográfica.
Os rodeios também refletem essa potência econômica e simbólica. São mais de mil eventos por ano, movimentando cerca de R$ 9 bilhões e reunindo aproximadamente nove milhões de pessoas. A Festa do Peão de Barretos, principal vitrine do setor, sozinha gerou R$ 600 milhões em 2025, se consolidando como plataforma de negócios, entretenimento e construção de marca.
No calendário técnico, a Agrishow 2025 registrou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios e recebeu 197 mil visitantes, reforçando o peso do agro como motor de investimentos e inovação.

Foto: Divulgação/Pexels
O reflexo desse posicionamento também aparece no mercado automotivo, com crescimento de 74% nas vendas de picapes premium. A RAM se consolida como símbolo do agro de luxo, associando potência, status e identidade produtiva.
Na moda, o impacto cultural é igualmente expressivo: as buscas por botas western cresceram 379%, enquanto camisas com franja
avançaram 265%, sinalizando que a estética rural se transformou em tendência urbana e elemento de distinção social.
Tendências estruturais
O estudo aponta duas tendências estruturais que reposicionam o perfil do produtor rural brasileiro. A primeira é o avanço do FeminAgro. Hoje, mais de um milhão de produtoras rurais estão à frente de propriedades no país, com crescimento de 109% no emprego formal feminino no campo e cerca de 30 milhões de hectares sob gestão de mulheres.
Esse movimento não é apenas quantitativo, mas simbólico. Perfis como a AgroPaty, herdeiras conectadas, com formação em agronomia e visão orientada por critérios ESG; e a AgroPeoa, mulheres que ocupam a arena produtiva com domínio técnico e presença operacional, traduzem a consolidação de um novo protagonismo feminino no setor.

CEO da Estúdio Eixo, Kika Brandão: “O Novo Agro representa um Brasil que produz, consome e comunica com orgulho sua identidade” – Foto: Arquivo pessoal
A segunda tendência é a sucessão jovem. A idade média do produtor está em 46 anos, e 21% já possuem ensino superior. Essa geração lidera a incorporação de tecnologias como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA) e práticas associadas à agricultura 5.0, acelerando a digitalização e a gestão orientada por dados no campo.
O resultado é um agro mais tecnificado, conectado e alinhado às dinâmicas globais de inovação. “O Novo Agro representa um Brasil que produz, consome e comunica com orgulho sua identidade. É um universo cultural potente, que influencia tendências, linguagem e comportamento muito além do campo”, aponta Kika Brandão, CEO da Eixo.
Mas não basta patrocinar eventos. “As marcas precisam entender os códigos culturais, construir passion points autênticos e entregar valor que reforce identidade e pertencimento. O Novo Agro exige estratégia, não oportunismo”, exalta Kika.








