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BRDE bate recorde histórico e movimenta R$ 4,4 bilhões no Sul
Paraná também supera meta dos últimos quatro anos, com R$ 1,7 bi

Com exatos R$ 4.418.007.598,71 bilhões, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul bateu seu recorde histórico em movimentação de negócios na Região Sul em 2022. Com 1,7 bilhões contratados e o setor de Agropecuária com 31,7% das movimentações, o Paraná também supera sua meta histórica, uma vez que em 2021, atingiu R$ 1,4 bi, com média aproximada de R$ 1,2 bi desde 2019.
O crescimento das operações do banco, que envolvem o setor produtivo (Agro, Indústria, Comércio e Serviços e Infraestrutura), chega a quase 185% nos últimos quatro anos. Em 2019, o total movimentado foi de R$ 2,3 bi e no ano de 2021, R$ 4,1 bilhões em créditos para o fomento de municípios (atingem 95% do Sul). Além de aproximadamente 78% das linhas oferecidas, que se enquadram em ao menos um ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável) com quase 40 mil clientes nos seus 61 anos de atuação.
Os investimentos na Indústria representaram 30,7%, seguido pelo mesmo índice, 24,6% nos setores de Comércio e Serviço e Agro, e 19,8% no segmento Infraestrutura. O desempenho do banco teve o Paraná com R$ 1,7 bilhões, Rio Grande do Sul R$ 1,5 bi e Santa Catarina R$ 1,2 bi.
“O resultado do BRDE é reflexo da nova mentalidade das nossas equipes, gestão e parceiros; um novo BRDE formado pelo Banco Verde com o mote da sustentabilidade e inovação, diálogo com a sociedade e a participação na construção de políticas públicas em consonância com as diretrizes estaduais”, analisou o presidente do BRDE, Wilson Bley Lipski. “Somos o maior banco de desenvolvimento social e econômico do Sul, pautado pela transformação social, a transparência dos atos e especialmente vocacionado à geração de empregos, ao compromisso com a agenda 2030 e nossa efetividade à Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática” – concluiu Bley, à frente da presidência do banco desde novembro de 2021.
Paraná

As obras da esmagadora de soja da C.Vale, um dos grandes projetos financiados pelo BRDE em 2022. Foto: Divulgação/ C.Vale
A atuação do BRDE do Paraná se destacou na Agropecuária com 31,7% de contratações. O Banco do Agricultor Paranaense, contratou 537 operações somando R$ 126.993.370,.93. No total são R$ 168.709.881,84 movimentados pelo programa do Governo do Estado, que concede subvenção econômica a produtores rurais, cooperativas e associações de produção, comercialização e reciclagem, e a agroindústrias familiares, além de projetos que utilizem fontes renováveis de geração de energia e programas destinados à irrigação, entre outros.
O programa Trator, Implementos e Equipamentos Solidários para a Agricultura Familiar do Estado do Paraná, que possibilita o financiamento, com preços mais acessíveis, de tratores, pulverizadores e colhedoras para pequenos produtores, teve contratadas pelo BRDE, 763 operações em 2022 com, valor de R$ 137.075.977,79. No total do programa, já são R$ 415.410.174,82. Trata-se de parceria entre a Secretaria de Agricultura e Abastecimento o IDR-Paraná, a Fomento Paraná, agentes financeiros e cooperativas de crédito, além de fabricantes de implementos, equipamentos, tratores e máquinas agrícolas.
O presidente Bley afirma que o BRDE consolida sua reaproximação às políticas públicas estaduais ao focar nos programas Banco do Agricultor e Trator Solidário no Paraná: “Estar alinhado aos programas de governo fortalece a atuação do BRDE e alavanca os negócios, inclusive reduzindo riscos para o banco, quando tecnicamente bem definidas as políticas”, salienta.
Diversificação
A diversificação de fundos de investimentos, foi um dos fatores para o avanço do BRDE como maior banco de desenvolvimento do Sul do país. Foram 10.415 mil contratos no total, com destaque aos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social , seguido do Finame, Financiamento de Máquinas e Equipamentos e do próprio BRDE.

BRDE e Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) celebraram em outubro de 2022 parceria para novos financiamentos em cidades da região sul do país. Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini
Ainda em 2022, o banco obteve junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) aprovação para novas operações através de organismos internacionais que somam R$ 2 bilhões pela cotação atual das moedas estrangeiras. O aval é para captações junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na ordem de US$ 150 milhões, Banco Mundial (89,6 milhões de euros) e outros 134,6 milhões de euros do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB).
Para o diretor de Planejamento, Otomar Vivian, os resultados históricos que o BRDE alcançou no ano passado, tanto no estado (RS) como em toda a região Sul, reforçam o papel estratégico da instituição. “O BRDE está fechando um ciclo com crescimento contínuo nos últimos anos. Foram muitos os desafios neste período por conta da pandemia, mas o banco se mostrou um parceiro importante, apoiando projetos cada vez mais voltados à inovação e à sustentabilidade”, frisou.
Macroprogramas
Ao se tornar um banco alinhado com os novos tempos, o BRDE renomeou seus programas e linhas, a fim de facilitar as operações e possiblidades de crédito aos diversos segmentos. Meu Agro BRDE teve maior movimentação com R$ 2,10 bilhões, Meu Negócio é BRDE R$ 871, 5 milhões e BRDE Energia Sustentável R$ 642,6 mi. Entre os outros macroprogramas, há o BRDE Turismo, Inovação, Sustentabilidade Ambiental, Municípios, Microcrédito, Responsabilidade Social, Jovem Empreendedor e Empreendedoras do Sul.
O BRDE modernizou seu aplicativo e 76% das solicitações virtuais se convertem em contratações. Ao efetuar o login, qualquer pessoa pode fazer uma solicitação de financiamento de forma simples com as principais informações sobre o produtor rural ou a empresa que deseja o crédito. A análise é acompanhada pelo solicitante por ali mesmo e, quando aprovada a contratação, o envio de documentos e o acompanhamento dos pagamentos também são feitos diretamente pelo app disponíveis para baixar nas duas versões Google Play e App Store.
Concurso Público
E em dezembro passado, o BRDE abriu concurso público com 31 vagas e outras para cadastro reserva, com inscrições até dia 23 de janeiro. As funções são para pessoas com nível médio, superior com salários de até R$ 9, 268,39.

Colaboradores do BRDE no Paraná em foto comemorativa de 61 anos do banco, completados em 2022. Foto: Rodolfo Büher
A data prevista para realização das provas é no dia 12 de março de 2023. De acordo com o diretor administrativo do BRDE, Luiz Carlos Borges da Silveira, os candidatos serão avaliados pela etapa discursiva e avaliação de títulos para cargos de nível superior. “Os candidatos serão avisados das provas por meio das publicações legais e pelo site da Fundatec. E os aprovados poderão trabalhar nas agências do BRDE em Curitiba, Florianópolis ou Porto Alegre. Essa é mais uma iniciativa do banco para expandir sua atuação, com profissionais qualificados para contribuir com o desenvolvimento da região Sul”, concluiu Borges da Silveira.

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Pesquisa gaúcha avança em projeto internacional sobre resistência a carrapaticidas
Missão técnica na Austrália inclui intercâmbio com a Queensland Alliance for Agriculture and Food Innovation, visitas a propriedades e apresentação de resultados na Northern Beef Research Update Conference 2026.

O pesquisador do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF/Seapi), Guilherme Klafke, está em missão técnica na Austrália com o objetivo de fortalecer a cooperação científica internacional na área de resistência de carrapatos a carrapaticidas. A visita iniciou na última segunda-feira (02) e segue até 13 de março.
A missão integra ações de alinhamento de um projeto colaborativo entre o IPVDF e a University of Queensland (UQ), por meio da Queensland Alliance for Agriculture and Food Innovation (QAAFI), voltado à análise genômica de populações de carrapatos resistentes. “A iniciativa busca aprofundar o entendimento dos mecanismos envolvidos na resistência e aprimorar estratégias de diagnóstico e vigilância”, destaca Klafke.
Durante a missão, serão promovidas atividades de intercâmbio técnico-científico e troca de experiências entre as equipes brasileiras e australianas, com foco na integração de abordagens laboratoriais, ferramentas moleculares e estratégias de monitoramento em campo.
Segundo o pesquisador, a missão representa uma oportunidade estratégica de aproximação entre duas regiões com características produtivas semelhantes. “O Rio Grande do Sul e o estado de Queensland possuem sistemas de produção pecuária comparáveis e enfrentam desafios semelhantes relacionados ao carrapato bovino. A troca de experiências entre os grupos permite comparar cenários epidemiológicos, estratégias de manejo e abordagens diagnósticas, fortalecendo soluções baseadas em evidências para realidades produtivas muito parecidas”, afirma Klafke.
Programação
A programação inclui visita ao Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), uma das principais instituições de pesquisa da Austrália e pioneira no desenvolvimento dos primeiros testes diagnósticos de resistência a carrapaticidas na década de 1960. Esses protocolos, posteriormente aprimorados ao longo das décadas, continuam sendo referência internacional e base para os métodos utilizados atualmente no diagnóstico de resistência.
Além de conhecer as estruturas e rotinas de pesquisa australianas, o pesquisador do IPVDF apresentará aos grupos da UQ e do CSIRO a experiência do Rio Grande do Sul na área de diagnóstico e vigilância da resistência, destacando as metodologias desenvolvidas e aplicadas pelo laboratório, bem como as ações de monitoramento conduzidas junto ao setor produtivo.
Estão previstas também visitas a propriedades de gado de corte, com realização de coletas de carrapatos e execução de testes de resistência, possibilitando a integração entre a pesquisa laboratorial e a realidade produtiva.
A missão inclui ainda a participação e apresentação de trabalho científico na Northern Beef Research Update Conference (NBRUC 2026), em Brisbane, onde serão divulgados os avanços das pesquisas conduzidas no IPVDF voltadas ao diagnóstico rápido da resistência a carrapaticidas.
O projeto desenvolvido em parceria entre o IPVDF e a University of Queensland (UQ) tem uma previsão de quatro anos de execução. Uma nova visita está programada para o ano de 2028.
De acordo com o pesquisador, a iniciativa reforça o compromisso da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e do IPVDF com a inovação, a cooperação internacional e o desenvolvimento de estratégias sustentáveis para o controle de carrapatos, problema sanitário que impacta diretamente a produtividade e a competitividade da pecuária.
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Área de trigo tropical cresce 80% no Brasil e chega a 360 mil hectares em 2025
Expansão ocorre no Cerrado e na Mata Atlântica, com avanço do cultivo em estados do Centro-Oeste e Sudeste.

O cultivo de trigo em ambiente tropical tem avançado no Brasil e pode ser realizado tanto em sistema irrigado quanto em sequeiro. A escolha depende do nível de investimento e da organização do sistema produtivo, mas em ambos os casos o planejamento é decisivo para o resultado da lavoura.
Antes mesmo da implantação, é necessário definir fatores como tipo de solo, altitude, clima, época de semeadura, disponibilidade de insumos, estrutura de colheita, armazenagem e logística de comercialização. Também é fundamental considerar o calendário agrícola da propriedade, especialmente a rotação de culturas. A colheita da soja ou do milho precisa estar alinhada ao período ideal de semeadura do trigo, e áreas que receberam hortaliças podem aproveitar o residual de adubação.

Foto: Cleverson Beje
A área apta ao cultivo de trigo em ambiente tropical, especialmente nos biomas Cerrado e Mata Atlântica, vem crescendo nos estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e no Distrito Federal. Em 2018, o trigo tropical ocupava cerca de 200 mil hectares. Em 2025, essa área chegou a 360 mil hectares.
No sistema de sequeiro, a produtividade média é de 40 sacas por hectare, embora existam cultivares com potencial superior a 70 sacas por hectare. A semeadura ocorre, em geral, entre março e abril, aproveitando o final do período chuvoso no Cerrado. Apesar do menor custo de implantação e da oportunidade de cultivo em uma janela com menos alternativas agrícolas, o risco climático é elevado, especialmente em caso de estiagem durante o desenvolvimento e enchimento de grãos.
Em Minas Gerais, uma propriedade em Sacramento cultivou 1.100 hectares de trigo em 2025 no sistema de sequeiro. A interrupção das chuvas em abril resultou em produtividade média de 45 sacas por hectare. Já em área experimental, outra cultivar apresentou rendimento médio de 67 sacas por hectare. A escolha da variedade também influencia o manejo, já que algumas são mais suscetíveis a doenças como a brusone quando semeadas antes do período recomendado, enquanto outras permitem antecipar o plantio e aproveitar melhor as chuvas.
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Processamento eficiente impulsiona presença do óleo de soja na indústria alimentícia
Refino garante padronização e desempenho técnico exigidos por fabricantes e serviços de alimentação coletiva.

Da prateleira do supermercado às cozinhas industriais, o óleo de soja se consolidou como o principal óleo vegetal consumido no Brasil. A liderança é resultado de um conjunto de fatores históricos, econômicos e industriais que conectam a expansão da soja no campo à eficiência do processamento e à padronização exigida pela indústria alimentícia.
A popularização do produto acompanha a própria expansão da soja no país, intensificada a partir das décadas de 1970 e 1980 com o avanço da produção no Cerrado. A industrialização do grão transformou a soja em base de uma cadeia produtiva ampla, que envolve alimentos, ração animal e derivados industriais.
Segundo o vice-presidente oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, o processamento do grão foi decisivo para viabilizar a agricultura em larga escala. “A industrialização agregou valor e estruturou uma cadeia completa. O farelo está praticamente em todas as rações animais, e cada subproduto encontra destino no mercado. Isso fortaleceu a produção e ampliou a presença da soja na alimentação dos brasileiros”, afirma.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Além do impacto econômico, o dirigente destaca o papel direto do grão na dieta nacional. “Grande parte das proteínas consumidas no país tem origem indireta na soja, presente na alimentação animal. Já o óleo se tornou uma opção dominante pela versatilidade e pelo sabor neutro, que se adapta a diferentes preparações culinárias.”
A consolidação do óleo de soja no consumo doméstico está ligada à disponibilidade de matéria-prima em grande escala e ao custo competitivo. O produto é resultado do processamento do grão, que origina diferentes tipos de óleo conforme o nível de tratamento industrial.
Na prática, o óleo bruto é a base inicial do processamento, com coloração mais intensa e presença de impurezas, sendo destinado principalmente à indústria para refino e transformação. O óleo refinado, submetido a etapas de purificação, branqueamento e desodorização, apresenta sabor neutro e estabilidade térmica, características que explicam sua predominância no consumo doméstico. Já os óleos mistos combinam diferentes matérias-primas e podem apresentar variações de sabor, desempenho e composição nutricional.
Para a chef e empreendedora Ariani Malouf, a neutralidade sensorial e o desempenho técnico explicam a preferência do setor alimentício. “O óleo de soja não interfere no sabor das preparações e mantém estabilidade mesmo em altas temperaturas. Isso garante padronização, qualidade e segurança, especialmente em produções em larga escala”, explica.
Ela ressalta que a disponibilidade nacional do produto também pesa na escolha. “O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de soja, então há oferta constante e custo competitivo. Para cozinhas profissionais e industriais, essa regularidade de abastecimento é fundamental.”
A liderança do óleo de soja também se sustenta em fatores logísticos e econômicos. A ampla produção agrícola, aliada à capacidade de processamento e distribuição, garante fornecimento contínuo para a indústria alimentícia, que demanda grandes volumes com padrão uniforme.
Além da versatilidade culinária, o produto apresenta rendimento elevado, facilidade de processamento e padronização, atributos valorizados por fabricantes de alimentos e serviços de alimentação coletiva.
Mesmo com a presença de alternativas como óleo de milho, girassol ou palma, o custo-benefício e a disponibilidade mantêm o óleo de soja como principal escolha no país. A competitividade do produto está diretamente ligada à força da produção agrícola nacional e à integração entre campo, indústria e mercado consumidor.
Para o setor produtivo, essa cadeia representa mais do que abastecimento alimentar. “O produtor rural tem papel central não apenas na produção de alimentos, mas na geração de riqueza e na segurança alimentar do país”, afirma Gilson Antunes de Melo. Assim, da lavoura ao prato, o domínio do óleo de soja reflete a combinação entre escala produtiva, eficiência industrial e adaptação ao padrão de consumo brasileiro.




