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Brasil vê importação de trigo e consumo recordes em 2020

Brasil, que está em processo de plantio do cereal em 2020, vem de uma safra em 2019 prejudicada pelo clima em muitas regiões

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A importação de trigo pelo Brasil em 2020 deve atingir recorde de 7,3 milhões de toneladas, em meio a uma revisão de dados de moagem do cereal no país realizada pela associação dos moinhos (Abitrigo), que aponta para um consumo histórico do cereal neste ano, disse na terça-feira (12) à Reuters um gerente da estatal Conab.

O Brasil, que está em processo de plantio do cereal em 2020, vem de uma safra em 2019 prejudicada pelo clima em muitas regiões, e o consumo de farinha de trigo e derivados está firme, com as famílias aumentando a demanda em momento de isolamento social para proteção contra o coronavírus, afirmou o gerente de produtos agropecuários da Conab, Thomé Guth.

Essa conjuntura deverá colaborar também para consumo recorde de trigo em 2020 no país, estimado em 12,513 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Entre as maiores empresas do setor estão Bunge, M. Dis Branco e J. Macêdo.

O país, um dos maiores importadores globais do cereal, ainda realizou importações mensais recordes em abril, com a maior parte vindo da Argentina, disse Guth. “Foi a maior importação mensal que já tivemos de trigo… E eu entendo que, diante do cenário de isolamento, o consumo de trigo deve ter aumentado… se olhar as famílias dentro de casa, elas partem para esse tipo de alimento, comem mais pão, macarrão…”, disse Guth, que destacou também que os estoques finais neste ano estarão em mínimas históricas, apesar das grandes compras externas.

Dados do governo apontam desembarques 747,8 mil toneladas no mês passado (sendo 700 mil da Argentina), ante 619 mil toneladas no mesmo período de 2019.

Uma revisão dos números de moagem pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) foi repassada à Conab, que assim alterou seus dados no balanço de oferta e demanda divulgado na terça-feira.

Segundo o gerente de produtos agropecuários da Conab, com a revisão, a estatal também alterou o dado de importação de trigo pelo Brasil em 2019, para 7,2 milhões de toneladas, ante 7 milhões de toneladas da projeção de abril.

Até o mês passado, a Conab estimava importações neste ano em 7,2 milhões de toneladas —100 mil toneladas a menos que a projeção atual—, mais próximos dos históricos volumes vistos em 2006.

Com as revisões, que remontam dados desde 2018, o consumo de trigo pela indústria no Brasil em 2020 foi estimado em recorde de 12,2 milhões de toneladas, sendo que 300 mil serão destinadas a sementes.

Para 2018, por exemplo, a Conab agora estima consumo de trigo pelos moinhos do Brasil em 12,175 milhões de toneladas, versus 10,7 milhões de toneladas anteriormente previstas para aquele ano.

Procurada, a Abitrigo confirmou as revisões realizadas e encaminhadas à Conab.

Estoques em mínimas

A revisão dos dados de moagem impactou os números de estoques das estatísticas de trigo do Brasil, deixando mais evidente que país tem uma baixa relação de estoques/consumo, disse o gerente da Conab.

O estoque final de trigo do país em 2020 foi estimado em apenas 170 mil toneladas, o menor da história, ante 468,5 mil toneladas na previsão de abril.

Neste contexto, as importações brasileiras no primeiro quadrimestre cresceram para 2,58 milhões de toneladas, ante 2,5 milhões no mesmo período de 2019, isso em um período em que o dólar renovou máximas históricas frente ao real, aumentando os custos e elevando os preços do cereal no país.

A Abimapi, associação da indústria de pães, massas e biscoitos do Brasil, havia informado anteriormente à Reuters que estava repassando custos.

As cotações recordes do trigo no Brasil devem, por outro lado, ser um estímulo para o país plantar mais este ano, e há possibilidade de a colheita superar a projeção atual da Conab, de 5,4 milhões de toneladas, se o clima colaborar.

Ainda assim, destacou o gerente da Conab, as projeções de importação devem ser manter elevadas, já que os estoques estão historicamente baixos.

“Pode ter ajuste, se a safra for maior que essa, se for igual a 2016 (de 6,7 milhões de toneladas), a importação não chega a 7,3 milhões, mas se for uma safra normal, 7,3 é o mínimo”, afirmou.

Do total importado pelo Brasil, a Argentina forneceu quase 2,4 milhões de toneladas de janeiro a abril, com Estados Unidos, Paraguai e Uruguai completando as cargas, segundo dados do governo.

Fonte: Reuters
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Departamento de Agricultura dos Estados Unidos destaca investimentos de SC para ampliar produção de grãos

O documento destaca o investimento de R$ 24 milhões da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural.

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Julio Cavalheiro/Arquivo Secom

Novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que orienta lideranças e monitora as safras do mundo todo, ressalta os esforços de Santa Catarina para aumentar a produção de grãos. O documento destaca o investimento de R$ 24 milhões da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural a fim de incentivar o cultivo de milho e cereais de inverno.

“Santa Catarina é um estado com vocação para o agronegócio, 30% do nosso Produto Interno Bruto vem do setor produtivo e 70% das nossas exportações têm origem no agro. E o milho é um insumo fundamental para que essa engrenagem continue girando. Estamos reforçando os investimentos para que os produtores tenham acesso à tecnologia e possam ampliar a produção de grãos, investindo também na produção de cereais de inverno”, afirma o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Altair Silva.

O relatório cita os esforços da Secretaria da Agricultura para reduzir o deficit de grãos, que neste ano deve chegar a 5 milhões de toneladas devido à quebra na safra catarinense. Os investimentos do Governo do Estado estão concentrados em duas frentes: apoio para aquisição de sementes de milho e pesquisa para ampliar a produção de cereais de inverno.

Com o Programa Terra Boa, o Exceutivo estadual irá incentivar a aquisição de 200 mil sacas de semente de milho em todo o estado. Serão R$ 23 milhões em recursos para disponibilizar sementes de médio a altíssimo valor genético, que geram um rendimento maior por hectare plantado.

Santa Catarina irá investir ainda R$ 1 milhão em pesquisas para ampliar a área plantada com grãos de inverno (trigo, triticale, aveia e cevada), em uma parceria entre Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e Epagri. As estimativas são de que o estado tenha 600 mil hectares de área potencial para a produção desses cultivares.

O relatório do USDA está disponível neste link.

https://apps.fas.usda.gov/newgainapi/api/Report/DownloadReportByFileName?fileName=Grain%20and%20Feed%20Annual_Brasilia_Brazil_04-01-2021

Safra de milho em Santa Catarina

A cigarrinha-do-milho e a estiagem causaram estragos nas lavouras de Santa Catarina. O estado, que esperava colher 2,9 milhões de toneladas, terá uma redução de 20% na produção esperada. Segundo o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), os produtores catarinenses deixarão de colher mais de 800 mil toneladas de milho, principalmente nas regiões de Chapecó e São Miguel do Oeste.

Fonte: Assessoria
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Setor de biogás cresceu 27% em 2020 com incentivo de cooperativas agropecuárias e empresas

A expectativa da associação é que o mercado siga em expansão pelos próximos anos

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Divulgação / Créditos: Pixabay

O setor de biogás encerrou 2020 com 69 novas usinas de geração de energia elétrica em operação no país e um crescimento de 27%, segundo a gerente executiva da Associação Brasileira de Biogás (Abiogás), Tamar Roitman. A informação foi prestada em entrevista ao site BiomassaBR.

A expectativa da associação é que o mercado siga em expansão pelos próximos anos diante do cenário favorável à diversificação da matriz elétrica nacional, o que inclui a realização de investimentos para o fomento da atividade.

As novas usinas foram instaladas, em sua maioria, por empresas e cooperativas agropecuárias que perceberam a oportunidade de diversificar a produção e aumentar a renda a partir da reutilização de resíduos. Os empreendimentos representam incremento de 50 megawatts (MW) da capacidade instalada, o que elevou a potência total do sistema para 200 megawatts (MW).

Na avaliação do vice-presidente da Abiogás, Gabriel Kropsch, o crescimento em meio aos desafios impostos pela realidade da Covid-19 consolidou a força do setor no Brasil. “A pandemia causou uma redução muito forte no consumo de energia. Então, o apetite por novos projetos, não apenas de biogás, mas de todas as fontes, foi postergado”, analisa, em entrevista para o site da associação. “Mas, curiosamente, apesar da postergação, vimos alguns projetos, inclusive de grande porte, que já estavam empenhados, saindo do papel e entrando em operação.”

Em 2021, a previsão para o setor de biogás segue positiva, tendo em vista que o debate energético tem ganhado força neste primeiro trimestre. Além de vislumbrar oportunidades na atividade industrial, o setor de transporte se apresenta como um potencial nicho a ser explorado. Os consecutivos reajustes no valor do diesel realizados pela Petrobras, um total de cinco desde janeiro, também podem favorecer o aumento da participação do biogás no mercado.

De acordo com Kropsch, o biometano tem potencial de substituir até 70% da demanda por diesel no Brasil. A substituição acarretaria em economia e impactos positivos ao meio ambiente.

Investimentos

A longo prazo, as perspectivas incluem os resultados de investimentos e medidas de fomento ao setor, como o recém-criado programa BNDES Gás, anunciado no final de fevereiro.

A iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) prevê soluções financeiras para os interessados em investir em biogás e gás natural. Além de linhas de crédito, é oferecido apoio para o lançamento de debêntures de infraestrutura para financiamento de projetos.

Mas, afinal, o que é biogás?

O biogás é o gás bruto naturalmente produzido pela decomposição de resíduos de origem vegetal ou animal. Já o biometano, também chamado de gás natural renovável, é o resultado da purificação do biogás.

A produção pode ser realizada por meio de usinas sucroenergéticas, cadeia de proteína animal, produção agrícola, estações de tratamento de esgoto (ETE) e resíduos sólidos urbanos (RSU).

Na prática, um biodigestor realiza a digestão anaeróbia dos resíduos. A decomposição da energia química geradora do gás é transformada em energia mecânica, responsável por ativar um gerador que produz a energia elétrica.

Por ser uma fonte de energia limpa e renovável, o gás natural apresenta muitas vantagens para o meio ambiente, além de impactos econômicos positivos. Dentre os principais desafios para a ampliação da sua participação na matriz elétrica nacional estão a necessidade de um ambiente regulatório e o incentivo ao aproveitamento de coprodutos do setor agropecuário e de saneamento.

Fonte: Assessoria
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Corte orçamentário afeta prioridades da agropecuária, alerta a Faesp

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Arquivo / OP Rural

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) explica que a Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2021 – PLN nº 28/20, aprovada no final de março pelo Congresso Nacional, não foi bem recebida pelo setor. Houve corte de R$ 2,75 bilhões nos recursos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, afetando diversas linhas de crédito rural que têm juros menores do que os de mercado.

No projeto original do governo (PLOA 2021), a Pasta contaria com dotação orçamentária de R$ 11,9 bilhões. Após os cortes do relator-geral, o senador Marcio Bittar (MDB-AC), o texto-base aprovado destina apenas R$ 9,15 bilhões. Trata-se de redução de 23%, que atinge projetos muito importantes para a agropecuária: o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural contará com menos R$ 84,2 milhões (-8%); as operações de crédito da agricultura familiar uma perda de R$ 1,35 bilhões (-35%); as de investimento, custeio e alongamento de dívidas para os médios e grandes produtores com menos R$ 1,25 bilhões (-28%); e os programas de apoio à comercialização um volume menor de recursos de R$ 68,6 milhões (-7%).

A situação é muito preocupante, pois os cortes comprometem tanto a execução da etapa final do Plano Safra 2020/21, que vai até 30 de junho, quanto a sua próxima edição. A paralisação do que está em curso poderá resultar na interrupção imediata de linhas de financiamento rural. Isso vai na contramão das reais necessidades do setor, que já estima aumento da demanda por crédito subvencionado em 15%, como reflexo dos aumentos dos custos de produção, da taxa básica de juros e da área plantada, esta última estimulada pelos preços mais atrativos das commodities.

A Faesp está empenhada em sensibilizar as autoridades quanto à necessidade de recursos adicionais por ocasião do lançamento do Plano 2021/22. “Não se pode admitir retrocessos, principalmente para as ações estratégicas ligadas à agricultura familiar, seguro rural, defesa, assistência técnica e pesquisa agropecuária”, pondera o Presidente da entidade, Fábio Meirelles. Ele reitera a importância da rápida reconstituição do orçamento da agropecuária, visando garantir a execução da etapa final do Plano 2020/2021, bem como para permitir a elaboração de uma edição robusta para o próximo período.

“Nesta conjuntura de pandemia, a agropecuária brasileira tem respondido com aumento de produção para o abastecimento do Brasil e do mundo, gerando empregos e renda. A Federação acredita que este é um momento propício para apoiar o crescimento do setor, com a oferta adequada de instrumentos de crédito e seguro rural”.

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CONBRASUL/ASGAV

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