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Brasil tem potencial para liderar sustentabilidade agrícola global, afirma Tereza Cristina
O setor agropecuário brasileiro se destaca como altamente sustentável, preservando mais de 60% da vegetação nativa do país.

O Brasil, com seu investimento histórico na agricultura tropical e o papel da Embrapa no desenvolvimento de tecnologia e inovação ao longo dos últimos anos, aliados às condições climáticas favoráveis, consolidou sua posição como uma potência global no setor agropecuário, evidenciou a senadora Tereza Cristina (PP/MS), ex-ministra da Agricultura, durante sua palestra sobre as Potencialidades do Agro no Inovameat Toledo, um dos principais eventos voltados para a proteína animal do Paraná, realizado em meados de abril.
Segundo ela, o aumento significativo na produção agropecuária resultou em uma redução nos preços dos alimentos, promovendo benefícios tangíveis à saúde e à qualidade de vida da população brasileira. Somado a isso, com essa produção robusta o país conseguiu não apenas atender à demanda interna, mas também gerar um excedente considerável para exportação, alcançando mais de 160 países ao redor do mundo, o que contribui para reduzir a vulnerabilidade externa da economia nacional. “Este crescimento tem sido um motor para a economia, criando mais de 25 milhões de empregos diretos e impulsionando outros setores produtivos. A agroindústria, em particular, tem se destacado como um setor de sucesso, contribuindo significativamente para a geração de vendas e para a economia como um todo”, ressaltou.

Senadora Tereza Cristina (PP/MS), ex-ministra da Agricultura: “Além de ter o potencial de cobrir o crescimento da demanda mundial por alimentos no futuro, o setor agropecuário brasileiro tem grande potencial para suprir as demandas por energia limpa e serviços ambientais mitigadores”
Para a ex-ministra, o Brasil tem condições adequadas, como solo, água e sol, para a produção agrícola. “Temos um lugar privilegiado do mundo para produzir. Tanto é que temos três safras. Com irrigação podemos produzir mais safras no mesmo espaço, poupando terra, e é por isso que a nossa agricultura é altamente sustentável. Nestes últimos 50 anos nos tornamos uma grande potência mundial”, enfatizou Tereza Cristina a uma plateia atenta, formada por lideranças políticas e empresariais, produtores, especialistas e profissionais da indústria de proteína animal.
A senadora mencionou o sucesso da agricultura brasileira na produção e exportação de diversos produtos agrícolas, ressaltando a necessidade de agregar valor à produção para garantir maior lucratividade. “O Brasil detém 58,2% do share mundial de soja, 30,8% de café, 75,8% de suco de laranja, 48,2% de açúcar, 35,5% da carne de frango e 24,6% de carne bovina, produtos que se posicionam como pilares da economia brasileira, influenciando diretamente o desenvolvimento sustentável do país”, afirmou, acrescentando que a valorização dessas commodities é essencial. “O Brasil tem feito esforços para agregar valor à sua produção, não só em termos de volume, mas também em qualidade e sustentabilidade”, frisou.
Em relação à produção de alimentos, Tereza Cristina ressaltou a necessidade contínua de explorar novos mercados. Ela enfatizou que a agricultura brasileira é adaptada às diferentes regiões do país e possui um forte compromisso com a responsabilidade ambiental. Tereza destacou o Código Florestal brasileiro como um dos mais avançados do mundo, com diretrizes que variam de 20% a 80% de proteção, dependendo do bioma. “Temos que colocar em prática as determinações do Código Florestal e efetivar o Cadastro Ambiental Rural. O agronegócio é um setor capaz de liderar esse processo e mostrar a potência agroambiental que é o Brasil”, observou.
Diante dessa realidade, em nível global, é fundamental que o Brasil defenda suas práticas agrícolas sustentáveis e enfrente de forma realista os desafios comerciais que afetam a competitividade de seus produtos. Além disso, a senadora destacou a importância da rastreabilidade dos alimentos em toda a cadeia produtiva, da produção de energia limpa e da redução das emissões de gases de efeito estufa, incluindo o compromisso do Brasil com a redução do metano até 2030.
Ela evidenciou que essa exigência está se tornando cada vez mais difícil de ser contornada, destacando a importância de investimentos e estratégias para atender a essas demandas. “Além de ter o potencial de cobrir o crescimento da demanda mundial por alimentos no futuro, o setor agropecuário brasileiro tem grande potencial para suprir as demandas por energia limpa e serviços ambientais mitigadores, com destaque para o mercado futuro de créditos de carbono”, pontua, mencionando que o projeto, atualmente em análise no Senado, representa um novo nicho de mercado para o setor agropecuário, envolvendo uma ampla gama de serviços ambientais.
Outras potencialidades
O setor agropecuário brasileiro se destaca como altamente sustentável, preservando mais de 60% da vegetação nativa do país. Tereza Cristina ressalta que essa característica faz do Brasil uma parte de extrema importância da solução global para garantir não apenas a segurança alimentar, mas também a segurança energética em todo o mundo. “O país é um pioneiro no mercado de etanol e líder na produção de energia renovável, graças a iniciativas e tecnologias que visam reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater as mudanças climáticas”, pontuou.
Além disso, Tereza faz um apelo em relação aos compromissos internacionais, observando que os países desenvolvidos ainda não cumpriram a promessa de aportar US$ 100 bilhões no Acordo de Paris para auxiliar as nações em desenvolvimento. “Hoje, mais do que nunca, é necessário estabelecer metas qualificadas e pressionar pela ampliação dos investimentos para lidar com a emergência climática global”, declara a senadora.
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Notícias Em Chapecó (SC)
Maior feira da indústria da carne da América Latina deve movimentar mais de R$ 1 bilhão
Mercoagro acontece em março, projeta mais de 25 mil visitantes e três mil empregos diretos e indiretos.

A realização da Feira Internacional da Indústria de Processamento e Industrialização da Carne (Mercoagro), organizada pela Associação Comercial, Industrial, Agronegócio e Serviço de Chapecó (ACIC), movimenta significativamente a economia de Chapecó (SC). A edição de 2026 ocorrerá entre os dias 17 a 20 de março e promete superar as anteriores em volume de negócios, geração de empregos e arrecadação de impostos.
A feira mobiliza mais de 120 fornecedores locais e deve gerar cerca de R$ 15 milhões em movimentação econômica local. A Mercoagro deve projetar mais de 3 mil empregos diretos e indiretos, R$ 1 bilhão em contratos nacionais e internacionais, e atrair mais de 25 mil visitantes.

A feira mobiliza mais de 120 fornecedores locais e deve gerar cerca de R$ 15 milhões em movimentação econômica local – Foto: MB Comunicação
“Desde o início da montagem, movimentamos toda uma cadeia produtiva, desde hotelaria e alimentação até segurança, limpeza e transporte. O impacto é extremamente positivo e fortalece cada vez mais a economia local”, frisa o diretor institucional e de feiras da ACIC, Fabio Luis Magro.
Para ele, uma das prioridades da organização é incentivar a contratação de empresas de Chapecó. “Sempre tivemos esse olhar de fomentar o fornecedor local. Transformamos muitos serviços que antes vinham de fora em oportunidades para prestadores chapecoenses”, ressalta Magro.
A sinergia entre o setor empresarial e o poder público é fundamental para o desenvolvimento das feiras de negócios na cidade. “A Mercoagro só funciona porque envolve fornecedores locais e conta com apoio institucional. É um esforço coletivo que posiciona Chapecó como referência em turismo de negócios”, observa o diretor da ACIC.
Além do evento
A feira também influencia diretamente o setor hoteleiro, restaurantes, bares, lojas e os serviços de mobilidade. A Mercoagro recebe entre 70% e 80% de visitantes de fora da região sul. “Queremos que o visitante leve uma boa impressão de Chapecó, desde o atendimento em um restaurante até o serviço em um hotel. Isso faz parte do nosso DNA como polo de negócios”, afirma.
A importância da Mercoagro vai além do período do evento. O planejamento começa com dois anos de antecedência e já está em andamento para a edição de 2028. Na última edição, muitos expositores renovaram seus contratos ainda durante a feira. A mostra reunirá 250 expositores, destes, 62 (25%) são de Chapecó. “A feira contribui para o surgimento de novas empresas e para o fortalecimento de setores como o metalmecânico, que hoje exporta tecnologia desenvolvida aqui para o mundo”, salienta Magro.
“Recentemente, visitamos a maior feira do mundo do setor, a IFA na Alemanha, e ouvimos repetidas vezes menções a Chapecó e à Mercoagro, o que demonstra o impacto mundial do evento e o reconhecimento da qualidade das nossas agroindústrias e equipamentos”, finaliza o diretor.
A feira conta com parceria da Prefeitura de Chapecó e patrocínio da Aurora Coop, BRDE, Unimed Chapecó e Sicoob, além do apoio institucional do Nucleovet, Chapecó Convention & Visitors Bureau, Fiesc/Senai, Sebrae/SC, SESI, Unochapecó e Pollen Parque. O credenciamento e a informações comerciais estão disponíveis no site oficial, acesse clicando aqui.
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Educação técnica em agro acompanha crescimento do setor no Brasil
Formação técnica é vista como porta de entrada para carreiras no campo e serve como base para cursos superiores.

O Brasil vive um momento de forte expansão na educação técnica, especialmente nas áreas ligadas a agropecuária e ao agronegócio. Isso é reflexo tanto do desempenho econômico do setor quanto da crescente demanda por mão de obra especializada. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agropecuária nacional cresceu 10,1% no segundo trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Isso representa crescimento de 2,2% do Produto Interno Bruto frente a igual período do ano anterior.

Alunos do Instituto Cristão Mackenzie, de Castro (PR), durante aula prática de agropecuária: demanda por bons profissionais é uma necessidade do setor – Foto: Divulgação/ICM
Ainda de acordo com o IBGE, já no primeiro semestre de 2025, o PIB cresceu 2,5%, com a agropecuária liderando o desempenho positivo entre os setores, com 10,1% contra 1,7% da indústria e 2% no setor de serviços.
O crescimento dos cursos técnicos em agropecuária está diretamente ligado ao desempenho e à importância do agronegócio na economia brasileira. O setor responde por uma fatia significativa do PIB nacional e registra crescimentos substanciais mesmo em cenários macroeconômicos desafiadores, reforçando a necessidade de mão de obra especializada e atualizada.
Na região dos Campos Gerais paranaenses, cuja maior vocação é o agronegócio, os cursos técnicos na área têm grande procura. Em Castro, o colégio Instituto Cristão Mackenzie (ICM) oferece o curso técnico em agropecuária há 58 anos, desde 1968. Fundado em 1915, o colégio é uma das principais referências do estado no ensino voltado ao agro.
Segundo a diretora do ICM, Mônica Jasper, a instituição formou mais de 2.000 alunos nesse período. “É um número bastante significativo de formandos, entre os quais, muitos ocupam posições de destaque em empresas do setor hoje em dia. Isso é motivo de muito orgulho para nós”, ressalta Mônica. O curso técnico do Instituto é oferecido concomitante ou subsequente ao ensino médio.
Fazenda escola com 330 hectares
A diretora do ICM, Mônica Jasper, atribui a permanência do curso técnico em agropecuária e a procura recorrente dos estudantes a um

Foto: Divulgação/Pixabay
conjunto de fatores ligados à proposta pedagógica da instituição. Segundo ela, o ensino combina tradição acadêmica com práticas alinhadas às demandas atuais do setor, incluindo parcerias com cooperativas e empresas do agronegócio, atividades práticas nos setores produtivos da fazenda da escola e visitas técnicas a propriedades e instituições parceiras. O currículo também contempla temas contemporâneos, como tecnologia e inovação no agro, gestão no campo e gestão de projetos.
Outro aspecto que contribui para a formação dos alunos é a inserção do colégio em um dos principais polos agropecuários do país. Castro é reconhecida por lei federal como a maior bacia leiteira do Brasil, com produção anual superior a 450 milhões de litros, elevada produtividade e forte presença de cooperativas, além da influência histórica da imigração holandesa no desenvolvimento da atividade.
Desde 2023, sob a gestão do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM), o ICM conta ainda com uma fazenda escola de 330 hectares, onde são desenvolvidos sistemas de produção animal e agrícola. A estrutura inclui alojamento para estudantes de outros municípios. “Essa estrutura permite uma formação técnica conectada à realidade do campo, com atenção tanto à produtividade quanto à responsabilidade ambiental”, afirma Mônica.
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Paraná aposta no biometano e estrutura mercado e rodovias para atender frotas pesadas
Governo do Estado articula secretarias, cooperativas, transportadores e concessionárias de energia para viabilizar o uso do gás renovável tanto em rotas de longa distância quanto em “microcorredores” ligados à produção agropecuária.

O Paraná tem liderado em nível nacional algumas iniciativas verdes relacionadas ao transporte do futuro. Essa estratégia inédita no País busca acelerar a descarbonização do transporte de veículos comuns, com as eletrovias, e de cargas pesadas, criando condições para que o biometano produzido no campo substitua progressivamente o diesel nas rodovias.
Com uma cadeia produtiva estruturada do produtor rural ao caminhoneiro, o Governo do Estado articula secretarias, cooperativas, transportadores e concessionárias de energia para viabilizar o uso do gás renovável tanto em rotas de longa distância quanto em “microcorredores” ligados à produção agropecuária. O resultado é o surgimento de um novo mercado energético que transforma os dejetos da produção de proteína animal em combustível limpo e mais barato.
Os chamados Corredores Rodoviários Sustentáveis têm como objetivo ampliar a oferta de gás natural e biometano para abastecimento de caminhões, diversificando a matriz energética com soluções como eletrificação, etanol e biodiesel.

Foto: IDR
Em 2024, a Compagas iniciou a operação da primeira rota entre Londrina e Paranaguá, conectando Norte e Litoral e permitindo que veículos pesados circulem abastecidos com GNV e, futuramente, biometano. Hoje já são 13 postos preparados para caminhões em pontos estratégicos, possibilitando a integração com São Paulo e Santa Catarina e também com Mato Grosso do Sul e garantindo autonomia às frotas.
A segunda linha de atuação, em implementação, leva o biometano para o Interior do Estado, onde não há gasodutos e a produção rural de biomassa é abundante.
“O gás já está disponível nas principais rotas rodoviárias que interligam as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e ainda possui alto potencial para incorporar o gás na sua matriz de transporte rodoviário. Nossa estratégia é inserir amplamente o gás natural e o biometano nas rotas que movimentam a produção agroindustrial do Estado e obter um avanço significativo na descarbonização do setor, oferecendo economia para transportadoras, reduções dos custos de frete e ganhos em eficiência logística”, destaca o diretor-presidente da Compagas, Eudis Furtado Filho.
A Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN), vinculada à Secretaria do Planejamento, coordena a estratégia estadual de transição energética. O superintendente Sandro Vieira explica que os Corredores Sustentáveis resultam de uma evolução do conceito de mobilidade limpa.
“Quando surgiram as eletrovias, chamava-se corredor verde. Depois veio o gás natural, o corredor azul. Hoje chamamos de corredor sustentável porque não importa mais a fonte. O Paraná trabalha com eletromobilidade, biometano, etanol e biodiesel, e isso reforça a diversidade energética do Estado”, afirma.
O biometano é quimicamente idêntico ao gás natural, sendo intercambiável na infraestrutura existente. A diferença está na origem: enquanto o gás natural é fóssil, o biometano é obtido a partir da digestão de resíduos como dejetos suínos, frangos, bovinos, vinhaça de cana ou aterros sanitários.
O coordenador de Gás Natural, Biocombustíveis e Hidrogênio da SUPEN, Thiago Olinda, resume o potencial dessa combinação. “Interpretamos o gás natural como um combustível de transição e um indutor do biometano. Aonde o gás natural chega, o biometano também se conecta. Por isso o desenvolvimento de postos pela Compagas é fundamental para dar capilaridade ao projeto”, diz.
O Estado também fortalece a produção de biometano por meio de programas como o RenovaPR, que oferece financiamentos e equalização de juros para implantação de biodigestores, e com incentivos fiscais para aquisição de equipamentos. A justificativa é ambiental e econômica. A suinocultura, por exemplo, é um dos segmentos que mais geram biogás.
Segundo o coordenador do RenovaPR no IDR-PR, Herlon Almeida, o biometano fecha um ciclo virtuoso. Ele explica que os dejetos animais emitem metano, gás até 21 vezes mais agressivo que o CO2, se liberados na atmosfera. Com a biodigestão, o produtor trata o resíduo, reduz emissões, obtém licenciamento ambiental, gera energia e cria um ativo.
“Temos que criar um mercado demandante de biometano. O grande mercado é a substituição do diesel, como já ocorre nos Estados Unidos e Europa. Estamos iniciando uma caminhada cujo horizonte é 2035, quando o Paraná poderá substituir cerca de 15% do diesel consumido no Estado”, avalia.
Exemplos em andamento
No Oeste, esse novo mercado já é realidade. A cooperativa Primato, de Toledo, inaugurou em 2023 uma bioplanta que transforma 630 mil litros de dejetos suínos por dia em biometano e fertilizante organomineral, abastecendo seis caminhões da própria frota e permitindo que 13 produtores aumentem sua produção sem ampliar áreas de disposição de resíduos.

Foto: Copel
O diretor-executivo da Primato, Juliano Millnitz, destaca que a motivação inicial nasceu de um problema regional. “O maior plantel de suínos do Brasil está aqui. Percebemos que o nosso problema trazia uma oportunidade em um projeto de descarbonização. Hoje abastecemos caminhões com biometano e reduzimos em 30% a 35% o custo em relação ao diesel”, conta.
Para ele, o impacto ambiental ainda é maior que o econômico. “A parte ambiental desse projeto é muito forte. É economia circular. O dejeto vira adubo para milho e soja, que alimentam o suíno novamente. E ainda reduzimos emissões e abrimos mercado internacional para carne produzida de forma sustentável”, explica.
Outro exemplo de como o biometano está reunindo investimentos é com a Potencial. A empresa que tem planta na Lapa vai se tornar a segunda fabricante nacional de biodiesel a escoar parte de sua produção per meio de dutos. O projeto é parte de uma grande rodada de investimentos focados na expansão da oferta de gás natural e de biometano que está sendo realizado pela Compagas. No total, a empresa pretende investir R$ 200 milhões na iniciativa.
O plano é interligar a usina da Potencial em Lapa às distribuidoras localizadas no entorno da Refinaria Presidente da Getúlio Vargas (Repar) da Petrobras na cidade de Araucária, a cerca de 50 quilômetros de distância. A cidade conta com 13 bases de distribuição autorizadas pela ANP incluindo uma pertencente ao próprio Grupo Potencial.
Frota mais verde
Além das cooperativas, o Estado trabalha ao lado da demanda. A Secretaria da Indústria e Comércio (Seic) firmou parceria com a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) para estimular transportadoras a migrarem para veículos híbridos ou movidos integralmente a gás.
O assessor técnico da Seic, Rodrigo Becegato explica que o setor de transporte é responsável por 74% das emissões do setor energético no Paraná, principalmente devido ao diesel. “Nosso foco é fomentar o consumo e criar condições para que o transportador considere o biometano como alternativa viável. Os workshops que realizamos com os sindicatos mapeiam rotas, gargalos e perfis das frotas para entender a infraestrutura necessária. Vemos o modelo híbrido como um caminho seguro até a adoção de caminhões exclusivamente movidos a gás”, detalha.
O conjunto dessas ações faz com que o Paraná esteja entre os pioneiros na regulação e na operação em escala do biometano como combustível. O projeto está alinhado ao Programa Combustível do Futuro, à Lei Federal nº 14.993/2024 e ao Decreto nº 12.614/2025, que tratam da descarbonização e certificação de origem do biometano.
A expectativa é que o combustível possa reduzir em até 60% o custo do quilômetro rodado quando usado no modo puro, além de ampliar a competitividade da proteína animal paranaense no mercado internacional, devido às exigências ambientais.
Com infraestrutura de abastecimento se expandindo, incentivos à produção, parceria com transportadores e novas plantas anunciadas, o Estado enxerga no biometano um vetor de desenvolvimento. Para Herlon Almeida, trata-se de um novo ciclo econômico. “O Paraná tem uma nova cadeia produtiva altamente promissora. Ela gera emprego, movimenta a economia local, reduz emissões e diminui o custo do frete. É o que na economia chamamos de cadeia produtiva promissora”, pontua.
Eletrovias
O investimento do Paraná em diferentes soluções de mobilidade sustentável também acompanha o avanço acelerado do mercado de veículos eletrificados no Brasil. Segundo dados divulgados no início de janeiro pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a venda de carros elétricos e híbridos cresceu 26% em 2025 em comparação com 2024, saltando de 177.538 emplacamentos em 2024 para 223.192 neste ano.
Nesse contexto, o Estado conta hoje com uma das eletrovias mais robustas do País. A Copel faz a gestão de 12 pontos de recarga de veículos elétricos distribuídos ao longo da BR-277 e em áreas urbanas, formando uma eletrovia de 730 quilômetros que liga o Porto de Paranaguá às Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu. Essa tecnologia também está instalada na BR-376. Apenas em 2025, os eletropostos operados pela companhia registraram 23.970 recargas, com consumo de 429 MWh de energia e tempo médio de 43 minutos por recarga.



