Avicultura
Brasil se consolida como líder mundial na avicultura sustentável, avalia Francisco Turra
Uso crescente de energia solar, que contribui para a redução da pegada de carbono e dos custos energéticos da atividade.

A avicultura brasileira desponta como um dos pilares fundamentais da segurança alimentar global, combinando avanços tecnológicos, práticas sustentáveis e uma robusta capacidade produtiva. No entanto, o setor enfrenta um cenário de intensos desafios, tanto no campo quanto na indústria, impulsionados pelas demandas crescentes por sustentabilidade e conformidade sanitária.
Com uma combinação de condições climáticas favoráveis, produção fora do bioma amazônico e crescente uso de energias renováveis, o Brasil se consolida como líder global em carne de frango. “A busca pela eficiência produtiva está atrelada a iniciativas que otimizam o uso de recursos naturais e investem em inovação tecnológica, reforçando o compromisso com a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico”, elenca o ex-ministro da Agricultura e presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra.

Foto: Roberto Dziura Jr
De acordo com ele, um dos pilares da sustentabilidade na avicultura é o uso crescente de energia solar, que contribui para a redução da pegada de carbono e dos custos energéticos da atividade. “Além disso, a produção de insumos no Brasil diminui a dependência de importações e fortalece a cadeia produtiva local”, expôs Turra durante sua participação na Conferência Brasil Sul da Indústria de Produção de Carne de Frango (Conbrasfran), realizada em meados de novembro pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), em Gramado, na serra gaúcha. “A otimização de recursos é outra frente importante, com iniciativas voltadas à eficiência no uso de água, grãos e energia. A aplicação de tecnologias de precisão não apenas aumenta os ganhos produtivos, mas também minimiza desperdícios e promove a sustentabilidade econômica e ambiental”, completou.
Turra frisa ainda que a responsabilidade agroindustrial vai além de aumentar a produção, envolve garantir que os alimentos sejam produzidos de forma ética, ambientalmente responsável e economicamente viável. “Isso inclui investimentos em pesquisa e desenvolvimento, adoção de novas tecnologias e um compromisso firme com a sustentabilidade em todas as etapas da cadeia produtiva”, salienta.
Cenário atual de produção e exportação
O Brasil se consolidou como o maior exportador de produtos avícolas, com desempenho expressivo nos últimos 20 anos. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações totais de carne de frango alcançaram mais de 73 milhões de toneladas, gerando uma receita de US$ 122 bilhões. “Somando todos os segmentos de proteínas animais, incluindo ovos, suínos e bovinos de corte, nas últimas duas décadas o Brasil exportou mais de 113,3 milhões de toneladas, movimentando cerca de US$ 260,5 bilhões”, aponta Turra.

Foto: Claudio Neves
O Brasil é responsável por 14,6% da produção global de carne de frango, sendo o segundo maior produtor mundial. Em 2024, o país produziu 15 milhões de toneladas, um aumento de 1,1% em relação ao ano anterior. E também é o maior exportador global, com 5,294 milhões de toneladas enviadas ao exterior no ano passado, representando 36,9% das exportações mundiais de carne de frango. Essa atividade gerou uma receita de US$ 9,928 bilhões, crescimento de 3% em relação a 2023.
Na produção de ovos, o Brasil é o quinto maior produtor mundial, com 57,6 bilhões de unidades produzidas em 2024, aumento de 9,8% em relação ao ano anterior. Contudo, as exportações de ovos apresentaram uma queda de 27,3%, totalizando 18.469 toneladas, enquanto a receita gerada foi de US$ 39,2 milhões, 37,9% menor do que em 2023.
O segmento de pintos de um dia também registrou crescimento em 2024, com 27.229 toneladas exportadas, um aumento de 2,8% em relação ao ano anterior. A receita, porém, teve uma leve redução de 0,8%, totalizando US$ 238,2 milhões.
Setor estratégico para a economia brasileira
A avicultura brasileira contribui com mais de 8% do Valor Bruto da Produção (VBP) do agronegócio e exporta para mais de 150 países, se consolidando como um setor estratégico para a economia nacional. “Mas para se manter como referência mundial o setor precisa continuar investindo em inovação, sustentabilidade e boas práticas sanitárias. Em um mundo em que a demanda por alimentos sustentáveis e seguros só tende a crescer, a avicultura brasileira tem a oportunidade de se destacar ainda mais, unindo eficiência produtiva e responsabilidade ambiental da atividade”, enfatiza Turra.
Empregos gerados

Ex-ministro da Agricultura e presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra: “A aplicação de tecnologias de precisão não apenas aumenta os ganhos produtivos, mas também minimiza desperdícios e promove a sustentabilidade econômica e ambiental da atividade” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
O setor avícola é responsável pela geração de cerca de 2,6 milhões de empregos no Brasil, entre diretos e indiretos, com as regiões Sul e Sudeste do país sendo as principais responsáveis por abrigar essa força de trabalho.
De acordo com Turra, cerca de 90% da produção de carne de frango no Brasil está vinculada a sistemas de integração com empresas frigoríficas, modelo que envolve mais de 50 mil famílias de produtores e gera mais de 500 mil empregos diretos nos abatedouros.
Diversas cidades do interior que concentram a atividade avícola, e também a suinícola, demonstram índices elevados de desenvolvimento econômico e social. “A presença dessas atividades produtivas tem um impacto direto no desenvolvimento local, como é o caso de cidades como Lucas do Rio Verde (MT), São Gabriel do Oeste (MS), Concórdia (SC), Chapecó (SC) e Toledo (PR). O ranking estadual e federal dessas cidades reflete não apenas a importância econômica dos setores, mas também a consolidação das atividades produtivas como motores de crescimento regional”, enaltece o presidente do Conselho Consultivo da ABPA.
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Avicultura
Rio Grande do Sul registra foco de gripe aviária em aves silvestres
Secretaria da Agricultura informa que caso não altera status sanitário do Estado nem impacta o comércio de produtos avícolas.

O governo do Estado, por meio do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), detectou foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1), conhecida como gripe aviária, em aves silvestres encontradas na Lagoa da Mangueira, no município de Santa Vitória do Palmar, na Reserva do Taim.
A Seapi esclarece que a infecção pelo vírus da gripe aviária em aves silvestres não afeta a condição sanitária do Rio Grande do Sul e do país como livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), não impactando o comércio de produtos avícolas. Também ressalta-se que não há risco na ingestão de carne e de ovos, porque a doença não é transmitida por meio do consumo.
O vírus foi identificado em aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba. A notificação de animais mortos ou doentes foi atendida pelo Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS), no dia 28 de fevereiro, e as amostras coletadas foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou a doença.
O SVO está no local para aplicar as medidas e os procedimentos para a contingência da Influenza Aviária na região. A vigilância está sendo realizada na região por servidores da Seapi, em parceria com as equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, ações de educação sanitária e conscientização serão realizadas na região.
O diretor do DDA, Fernando Groff, informa que serão conduzidas medidas de vigilância e prevenção nas criações de subsistência locais. “O Rio Grande do Sul convive com o vírus da influenza desde 2023, e temos priorizado as atividades de prevenção e reforço das condições de biossegurança das granjas avícolas, de forma contínua, visando proteger o plantel avícola e manter a condição sanitária do nosso Estado”, ressaltou Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em animais devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Conflito no Oriente Médio pressiona exportações brasileiras de frango
Risco sobre rotas marítimas estratégicas pode elevar fretes, seguros e custos de energia, com impacto nas margens do setor.

A intensificação das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos reposiciona o risco geopolítico no radar do agronegócio brasileiro. Embora não haja, até o momento, interrupção formal de contratos, o setor avalia que o impacto pode se materializar por meio de custos logísticos mais elevados, volatilidade cambial e pressão sobre insumos energéticos.
O Oriente Médio é destino relevante para a pauta agropecuária do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que milho, açúcar e carnes de aves figuram entre os principais produtos embarcados para a região. As carnes de frango e miúdos comestíveis respondem por 14,5% das exportações brasileiras destinadas a esses mercados, atrás apenas de milho e açúcar.
A dependência regional de importações de proteína animal mantém a demanda estruturalmente ativa. A preocupação, segundo representantes do setor, não está na absorção do produto, mas na previsibilidade operacional.
Logística no centro da incerteza

Foto: Claudio Neves
O foco das atenções recai sobre corredores marítimos estratégicos, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, por onde transita parcela expressiva do comércio global de energia e mercadorias. Qualquer instabilidade nessas rotas tende a encarecer o frete marítimo, elevar prêmios de seguro e alongar prazos de entrega.
Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal afirmou que acompanha a evolução do cenário. “A ABPA e suas associadas estão mapeando e monitorando os pontos críticos à logística na área influenciada pelo conflito. Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região”, informou a entidade.
A associação ressalta que “não há embarques significativos de carne de frango para o Irã”, o que reduz o risco de impacto direto sobre contratos bilaterais com o país. O efeito esperado, portanto, é indireto e sistêmico.
Petróleo e frete como vetores de transmissão
A região é peça central na oferta global de petróleo. Em momentos de escalada militar, o preço da commodity tende a reagir, influenciando tanto o custo do bunker, combustível utilizado por navios, quanto despesas com transporte terrestre e produção industrial.

Foto: Ari Dias
Análise publicada pela Farmnews aponta que a principal via de transmissão da crise para o agro brasileiro deve ocorrer por meio da energia e dos fertilizantes. “Crises geopolíticas na região não necessariamente derrubam a demanda por alimentos, mas aumentam a imprevisibilidade operacional”, destaca o estudo.
Para o frango brasileiro, que opera em ambiente de forte concorrência internacional e margens ajustadas, qualquer elevação de frete ou atraso logístico pode comprimir resultados. O mesmo raciocínio vale para milho e açúcar, que lideram a pauta regional.
No curto prazo, exportadores avaliam rotas alternativas e monitoram contratos de frete. No médio prazo, a trajetória do petróleo e o comportamento do transporte marítimo devem definir a extensão dos impactos sobre custos e competitividade.
Até aqui, o fluxo comercial segue sem ruptura formal. O ponto de atenção está no custo de manter esse fluxo em um ambiente de risco elevado.
Avicultura
Queda do frango vivo reduz poder de compra do avicultor paulista
Após quatro meses consecutivos de perdas, produtor consegue adquirir menos milho e farelo de soja, apesar do ritmo recorde das exportações brasileiras.

Os recuos nos preços do frango vivo ao longo de fevereiro devem consolidar o quarto mês consecutivo de perda no poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja, conforme apontam pesquisadores do Cepea.
Até o dia 25, o frango registra o menor patamar real desde maio de 2024, considerando série deflacionada pelo IGP-DI de janeiro de 2026. No mesmo período, os preços médios do milho permanecem praticamente estáveis, enquanto os do farelo de soja apresentam leve alta.
Em São Paulo, a média do frango vivo está em R$ 5,04 por quilo nesta parcial de fevereiro, recuo de 2,1% frente a janeiro. Segundo o Cepea, o ritmo recorde das exportações da proteína brasileira tem ajudado a conter uma desvalorização mais intensa no mercado interno.
Com a atual relação de troca, o produtor paulista consegue adquirir 4,47 quilos de milho com a venda de um quilo de frango, volume 1,9% inferior ao de janeiro. No caso do farelo de soja, a compra possível é de 2,73 quilos por quilo de ave comercializada, queda de 2,6% na mesma comparação.



