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Brasil registra safra histórica de milho em meio a desafios

Final da etapa milho do Rally da Safra aponta para segunda safra de 123,3 milhões de toneladas.

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(Foto: Eduardo Monteiro/Rally da Safra)

As impressões iniciais que indicavam uma safra inédita de milho no Brasil foram confirmadas em campo pelas equipes do Rally da Safra na etapa de avaliação da segunda safra. Com base nos resultados da expedição, a Agroconsult, organizadora do Rally, estima uma produção de 123,3 milhões de toneladas (mmt) de milho segunda safra – aumento de 10,4 mmt sobre a estimativa anterior (de 21 de maio) e de 20,2 mmt sobre a safra 23/24.

A produtividade média nacional atingiu o patamar recorde de 113,8 sacas por hectare – a maior já alcançada no país. Na largada da etapa do milho, a estimativa era de 105 sacas por hectare, mas um conjunto de fatores contribuiu para o ajuste positivo.

O clima foi fundamental para o resultado. Apesar do atraso no início do plantio, as chuvas de abril, maio e até mesmo de junho garantiram que não faltasse umidade no campo para o enchimento dos grãos. Até o momento, a não ocorrência de geadas amplas tem sido um fator positivo. Segundo André Debastiani, coordenador do Rally da Safra, isso permitiu a manutenção de altos patamares de produtividade tanto nas lavouras mais precoces, como nas médias e nas plantadas tardiamente. “De maneira geral, o potencial que vimos nas lavouras precoces não difere muito dos anos anteriores, porém as lavouras tardias nessa safra vão entregar uma produtividade nunca vista. E isso só ocorreu por conta do prolongamento das chuvas”, explica Debastiani.

As condições das lavouras também ratificam os números. Mesmo com pequena redução na população de plantas em algumas regiões – especialmente nas regiões Oeste e Sudeste do Mato Grosso -, houve significativo aumento no número de espigas e de grãos por espiga. E apesar da alta incidência de lagartas, que trouxe grande preocupação, o controle fitossanitário foi eficiente, resultando em baixo impacto sobre a produção.

Nesse cenário, todos os principais estados registraram recordes de produtividade. Mato Grosso deve atingir volume histórico: 131,9 sacas por hectare, representando aumento de 11,6% em relação à safra passada. Goiás também terá recorde, com 126,1 sacas por hectare, crescimento de 5,6%. O mesmo acontece com o Mato Grosso do Sul, com 98,1 sacas por hectare, avanço de expressivos 35,1%, e Paraná, com 106,5 sacas por hectare, aumento de 16,5%.

O crescimento da produção é sustentado ainda por uma expansão de 5,7% na área plantada da segunda safra em relação à temporada anterior, totalizando 18,1 milhões de hectares (acréscimo de 982 mil hectares). O uso da ferramenta Cropdata da Agroconsult, que permite avaliação detalhada de cada talhão via satélite, foi essencial para
a nova revisão da área cultivada, que trouxe um resultado de 1,2 milhão de hectares acima do número oficial divulgado pela Conab.

Foto: Shutterstock

Com a safra de milho verão somando mais 27 mmt, a produção total deve alcançar 150,3 mmt – chegando a 21,3 mmt a mais que na safra passada e impondo desafios à toda cadeia do cereal. “O país deverá enfrentar questões logísticas, especialmente relacionadas à armazenagem. Há previsão de que parte significativa do milho fique armazenada a céu aberto, como já ocorreu em anos anteriores, pressionando a infraestrutura de transporte e exportação”, afirma Debastiani.

Do lado do consumo doméstico, há motivos para otimismo. O mercado de rações apresenta sinais de retomada, especialmente após o controle e superação da gripe aviária. Além disso, o mercado de etanol de milho segue aquecido, impulsionando a demanda pelo cereal. Com esses fatores, o consumo interno deve atingir 97 mmt.

Em relação às exportações, embora a previsão inicial para o segundo semestre aponte para um volume de 44,5 mmt, o ritmo dos embarques estará sujeito ao comportamento dos principais mercados compradores e à conjuntura internacional. O resultado das safras americana e argentina, além de eventos geopolíticos como o desenrolar da guerra entre Israel e Irã – o Irã é um dos maiores compradores do milho brasileiro – podem impactar consideravelmente a demanda externa.

Avaliação de campo

Seis equipes percorreram as lavouras de milho segunda safra entre maio e junho, ajustando a estimativa de produtividade nos estados do Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. Patrocinada pelo Banco Santander, OCP Brasil, BASF, Credenz(R) e SoyTech(tm) (marcas de sementes da BASF), xarvio(R) (plataforma digital oficial do Rally), BIOTROP, JDT Seguros, TIM Brasil e Viasoft, a 22ª edição do Rally da Safra avaliou o Médio-Norte, Oeste e Sudeste do Mato Grosso, a região de Vilhena, em Rondônia, Norte e Sul do Mato Grosso do Sul, Sudoeste de Goiás e Norte e Oeste do Paraná.

Após um total de 124 dias de trabalho, o Rally percorreu quase 104 mil quilômetros, com 22 equipes em campo, avaliando as condições de mais de 2,2 mil lavouras de soja e milho durante as fases de desenvolvimento e de colheita nos estados de Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará, Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, além do Distrito Federal.  Foram 1,6 mil lavouras de soja e 608 de milho avaliadas, quatro eventos técnicos regionais e quatro eventos especiais e 349 produtores e técnicos visitados. As áreas avaliadas pelo Rally da Safra 2025 respondem por 97% da área de produção de soja e 72% da área de milho.

Etapa inédita: algodão

O Rally da Safra realizará, entre julho e agosto, um levantamento inédito nos dois principais estados produtores de algodão no Brasil (MT e BA). Diante das lacunas na coleta e análise de dados da produção algodoeira, especialmente nos aspectos de área plantada, produtividade e conjuntura de mercado, técnicos da expedição farão
visitas técnicas a alguns dos maiores grupos agrícolas do país. “A etapa algodão será um marco na geração de informação qualificada para o setor, ajudando a responder questões estratégicas como a real produtividade do algodão brasileiro e como ela tem evoluído, a rastreabilidade e as certificações, as práticas de beneficiamento e os desafios logísticos e comerciais enfrentados pelo setor”, esclarece o coordenador da expedição.

Os trabalhos em campo incluem encontros com produtores rurais referência na produção de algodão, visitas a unidades de beneficiamento, analisando a qualidade e eficiência do processo pós-colheita e levantamento de informações técnicas e de mercado, além de eventos técnicos regionais em Cuiabá e Luís Eduardo Magalhães. Os resultados da etapa serão divulgados em setembro.

Fonte: Assessoria Agroconsult

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Inscrições abertas à 6ª Prova de Eficiência e Performance Brahman

Avaliação será realizada em Botucatu com 40 vagas e inclui CAR, ganho de peso, ultrassonografia e julgamento morfológico; campeões vão a leilão na ExpoGenética 2026.

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Foto: ACBB

Estão abertas as inscrições de touros da raça Brahman para a 6ª Prova de Eficiência e Performance Brahman – Boi com Bula. A iniciativa busca mensurar, em ambiente controlado, o desempenho de reprodutores em características de alto impacto econômico para a pecuária de corte, como qualidade de carcaça, eficiência alimentar, ganho de peso e fertilidade.

A Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) disponibiliza 40 vagas. A prova ocorrerá de maio a julho no Centro Tecnológico Bela Vista, em Botucatu (SP), e será dividida em quatro etapas: teste de eficiência alimentar por meio do Consumo Alimentar Residual (CAR), avaliação de ganho de peso, ultrassonografia de carcaça e julgamento de morfologia.

O touro que obtiver o melhor índice final, calculado a partir das pontuações nas quatro fases, será consagrado Grande Campeão. Também haverá premiação para os primeiros colocados em cada uma das avaliações individuais.

Os animais classificados participarão de leilão promovido pela ACBB durante a ExpoGenética 2026, prevista para agosto.

As inscrições seguem até 30 de abril e podem ser realizadas diretamente com a ACBB ou com a BrasilcomZ. A prova é organizada pela ACBB em parceria com BrasilcomZ e Central Bela Vista, com apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), além das empresas PremiumGen Pecuária Sustentável, Centro Tecnológico Bela Vista e DGT Brasil.

Fonte: Assessoria ACBB
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Confinamento bovino registra alta de 16% no Brasil

Com 9,25 milhões de cabeças em 2025, crescimento reforça modernização produtiva e uso estratégico de dados no setor.

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Foto: Divulgação

O Brasil fechou 2025 reafirmando sua liderança global na produção e exportação de carne bovina em um ambiente de elevada volatilidade, margens pressionadas e maior escrutínio socioambiental. Nesse contexto, eficiência produtiva, previsibilidade e rastreabilidade deixaram de ser diferenciais e passaram a compor a base da competitividade da pecuária de corte.

Foto: Gisele Rosso

Os números do Censo de Confinamento 2025 indicam que a intensificação segue como principal vetor de transformação do setor. O levantamento, apresentado pela dsm-firmenich, aponta que o país alcançou 9,25 milhões de cabeças confinadas no ano passado, alta de 16% frente a 2024. A atividade esteve distribuída em 2.445 propriedades, espalhadas por 1.095 municípios.

O avanço confirma uma tendência observada desde 2015: crescimento consistente do confinamento associado à profissionalização da gestão, maior adoção de tecnologias nutricionais e uso intensivo de dados para tomada de decisão. “O Censo de Confinamento é uma ferramenta estratégica para entender a dinâmica do setor, identificar tendências e apoiar decisões mais assertivas. Ele reflete o amadurecimento da pecuária brasileira e a crescente adoção de práticas que combinam produtividade, gestão e sustentabilidade”, afirma Walter Patrizi, gerente de Confinamento da companhia e responsável pelo levantamento.

Geografia da intensificação

O estudo evidencia a concentração da atividade em polos consolidados da pecuária nacional. O Mato Grosso manteve a liderança, com 2,2 milhões de bovinos confinados, crescimento de 29,6% em relação ao ciclo anterior. O resultado reforça o protagonismo do estado na integração entre produção de grãos, disponibilidade de insumos e escala produtiva.

Na sequência aparecem São Paulo e Goiás, ambos com 1,4 milhão de animais. Enquanto São Paulo registrou expansão de 7,7%, Goiás avançou 13,6%, sinalizando dinamismo regional e ampliação da capacidade instalada.

O Mato Grosso do Sul ocupa a quarta posição, com 0,9 milhão de cabeças e crescimento de 17,8%. Já Minas Gerais fecha o grupo dos cinco principais estados, com 0,8 milhão de animais confinados, mantendo estabilidade frente a 2024.

Estratégia, tecnologia e sustentabilidade

Para além dos números, o crescimento do confinamento dialoga com um movimento mais amplo de modernização da pecuária de corte. A intensificação permite maior controle sobre ganho de peso, conversão alimentar e padronização de carcaças, além de favorecer estratégias de mitigação de emissões e uso mais eficiente de recursos.

A empresa responsável pelo levantamento encerrou 2025 com decisões estratégicas em portfólio, tecnologia, sustentabilidade e inteligência de dados, reforçando o posicionamento como parceira do produtor na transição para sistemas mais eficientes e alinhados às exigências do mercado internacional.

Em um ambiente em que compradores globais demandam comprovação de origem, métricas ambientais e previsibilidade de oferta, o confinamento tende a ganhar ainda mais relevância como ferramenta de gestão de risco e agregação de valor.

Ao consolidar-se como uma das principais referências para o planejamento do setor, o Censo de Confinamento passa a desempenhar papel central na leitura de tendências, apoiando produtores, indústrias e formuladores de políticas na definição de estratégias para uma pecuária mais intensiva, tecnológica e sustentável.

Fonte: O Presente Rural com dsm-firmenich
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Altas temperaturas exigem manejo estratégico para manter produção de leite

Estresse térmico afeta desempenho, saúde e reprodução das vacas, tornando ventilação, sombra e água fresca medidas essenciais nas propriedades.

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Foto: Marcos Tang/Divulgação

O estresse térmico é um dos principais desafios da pecuária leiteira no verão, especialmente em regiões de clima quente e úmido. Vacas de alta produção, como as da raça Holandesa, produzem maior quantidade de calor metabólico e, por isso, têm mais dificuldade para dissipar esse excesso quando as temperaturas se elevam.

A superintendente técnica substituta da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Maíza Scheleski da Rosa, explica que o conforto térmico desses animais ocorre em faixas semelhantes às de um dia de outono, entre 8 °C e 18 °C. “Quanto mais leite a vaca produz, maior é o calor gerado pelo próprio metabolismo. Isso torna o animal mais sensível às altas temperaturas, principalmente quando há umidade elevada”, afirma.

Segundo Maíza, o parâmetro mais adequado para avaliar o risco é o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), que combina temperatura e umidade em um único valor. “O ITU ideal para a raça é abaixo de 68. Quando a temperatura ultrapassa 20 °C, especialmente com umidade alta, a vaca já começa a sofrer com o calor”, explica.

De acordo com a técnica, o animal em estresse térmico reduz o consumo de matéria seca e, por consequência, há queda na produção. A fertilidade pode ser prejudicada, aumentam os problemas metabólicos e os animais ficam mais suscetíveis a doenças.

Os sinais físicos podem ser observados no manejo diário. Respiração mais rápida, salivação intensa e maior permanência em pé, com menos tempo deitada ruminando, indicam que o bem-estar está comprometido. “Esses comportamentos mostram que o animal está tentando dissipar calor e não está em condição ideal de conforto”, observa.

Para melhorar o conforto térmico, Maíza destaca que algumas medidas estruturais e de manejo fazem diferença tanto em sistemas confinados quanto a pasto. “Quando a gente fala em galpões ou freestall, é fundamental investir em boa ventilação, seja natural ou com ventiladores e exaustores. Sempre que possível, também é indicado utilizar sistemas de resfriamento com aspersão de água associados à ventilação”, afirma.

A técnica também chama atenção para a estrutura das instalações. Telhados com isolamento térmico e áreas adequadas de sombreamento contribuem para reduzir os efeitos das altas temperaturas. O fornecimento de água limpa e fresca à vontade é outra medida indispensável segundo a especialista.

O ajuste da alimentação para os horários mais frescos do dia também é recomendado. “A vaca tende a comer melhor quando ela não está sofrendo com o calor”, explica.

Nos sistemas a pasto, a oferta de sombra, natural ou artificial, é essencial, assim como o acesso constante à água de qualidade. A organização das atividades para o início da manhã e o final da tarde ajuda a evitar deslocamentos longos nos períodos mais quentes. O planejamento forrageiro também contribui para reduzir a caminhada excessiva e, indiretamente, diminuir o estresse térmico.

A técnica lembra que sinais como respiração acelerada, salivação e maior tempo em pé indicam que o animal já sofre com o calor. “O conforto térmico não é um luxo, e sim uma necessidade, porque quando a vaca está confortável, ela está em bem-estar, ela come melhor, produz mais leite, reproduz com mais eficiência e permanece mais tempo no rebanho”, afirma.

Fonte: Assessoria Gadolando
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