Suínos
Brasil registra melhor maio da história para exportações de carne suína
Volume embarcado pelo Brasil cresceu 8,8% em relação ao mesmo mês de 2025.

As exportações brasileiras de carne suína, considerando os produtos in natura e processados, atingiram em maio o maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 1997.
Segundo dados da Secex, o Brasil embarcou 127,9 mil toneladas de carne suína em maio. O volume ficou 7,5% abaixo do registrado em abril, mas superou em 8,8% o resultado observado no mesmo mês de 2025.
O desempenho reforça o bom momento das exportações do setor ao longo de 2026. Mesmo com oscilações mensais nos volumes embarcados, os resultados seguem acima dos registrados no ano passado, indicando manutenção da demanda internacional pela proteína brasileira.
De acordo com análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o setor tem conseguido ampliar as vendas externas mesmo durante o primeiro semestre, período que tradicionalmente concentra menor movimentação no mercado internacional.
A avaliação é de que os embarques refletem os esforços da cadeia produtiva para diversificar mercados e ampliar a presença da carne suína brasileira no exterior, estratégia que vem sustentando os resultados positivos ao longo do ano.
O recorde para o mês de maio reforça a relevância das exportações para o setor, especialmente em um cenário de aumento da produção nacional e busca por maior equilíbrio entre a oferta interna e a demanda externa.

Suínos
Pré-simpósio do SBSS destaca programas sanitários e uso consciente de antimicrobianos
Médico-veterinário abordará os fundamentos para a elaboração de programas sanitários eficientes, com foco no uso prudente de antimicrobianos.

A busca por programas sanitários eficientes e pelo uso responsável de antimicrobianos estará em pauta no pré-simpósio do 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). No dia 11 de agosto, a partir das 9 horas, o médico-veterinário Everson Zotti abrirá a programação científica do workshop “Gestão de Programas Sanitários na Suinocultura – Da Prevenção ao Tratamento: Otimizando o Uso de Antimicrobianos”, com a palestra “A base de qualquer programa”. A atividade integra a programação oficial do SBSS e será realizada no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC). Os congressistas inscritos no Simpósio poderão participar do pré-evento sem qualquer custo adicional, já que o acesso está incluído no valor da inscrição.
Durante a apresentação, Zotti abordará conceitos fundamentais para o desenvolvimento de programas sanitários eficientes, incluindo os princípios de ação dos antimicrobianos, farmacodinâmica, farmacocinética e as principais interações entre medicamentos. O objetivo é fornecer aos participantes uma base técnica sólida para a tomada de decisões mais assertivas na prevenção e no controle das enfermidades na produção de suínos.

médico-veterinário Everson Zotti abrirá a programação científica do workshop “Gestão de Programas Sanitários na Suinocultura – Da Prevenção ao Tratamento: Otimizando o Uso de Antimicrobianos”, com a palestra “A base de qualquer programa”
Médico-veterinário formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Everson Zotti possui especializações em Gestão Agropecuária e Avicultura, além de mestrado em Produção Animal e doutorado em Sanidade Animal. Atualmente é gerente de Sanidade Brasil e Exterior da Safeeds e Key Account Manager da Seara/JBS, atuando nas áreas de aves, suínos e aquicultura.
Ao longo da carreira, ocupou posições de liderança técnica e comercial em empresas nacionais e internacionais do setor de saúde animal, foi diretor comercial da Biomin para Chile e Paraguai, gerente técnico e comercial da Sanphar para a América do Sul, além de integrar a diretoria da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves-PR), entidade da qual também foi presidente. Atuou ainda como professor do curso de Medicina Veterinária da PUC-PR por 14 anos, desenvolvendo atividades de treinamento, transferência de tecnologia, monitorias sanitárias e gestão estratégica para grandes agroindústrias brasileiras.
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que o pré-simpósio é uma proposta do SBSS oferecer conteúdo técnico alinhado aos desafios atuais da cadeia produtiva. “O uso prudente de antimicrobianos é um dos temas mais relevantes da suinocultura moderna. Iniciar a programação científica com um workshop dedicado a esse assunto demonstra o compromisso do Nucleovet em proporcionar conhecimento prático, atualizado e voltado às necessidades dos profissionais que atuam no setor”.
O presidente da Comissão Científica do SBSS, Lucas Piroca, ressalta que a programação foi estruturada para reunir especialistas com ampla experiência prática e científica. “O pré-simpósio foi pensado para oferecer uma visão estratégica sobre a gestão dos programas sanitários. O Everson Zotti possui uma trajetória consolidada na área de sanidade animal e trará conceitos fundamentais que servirão de base para as discussões dos módulos seguintes, contribuindo para decisões mais eficientes e sustentáveis dentro dos sistemas de produção”.
SBSS
As inscrições estão disponíveis no site, acesse clicando aqui. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.
Tecnologia e negócios
Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.
O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.
Programação geral
18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura
17ª Brasil Sul Pig Fair
Terça-feira (11)
WORKSHOP: GESTÃO DE PROGRAMAS SANITÁRIOS NA SUINOCULTURA
9h00 – Módulo 1: A base de qualquer programa
• Conceitos de Bactericida e Bacteriostático
• Por que pensar em Farmacodinâmica e Farmacocinética
• Interações e associações de drogas antimicrobianas
Palestrante: Everson Zotti
9h40 – Módulo 2: Inteligência Sanitária e Diagnóstico
• Entendimento do conceito e desafio sanitário: qual é o meu desafio?
• Diagnóstico de rotina e análise de dados (isolamento, antibiograma, MIC)
• Aprendizado com falhas diagnósticas
Palestrante: Edison Magalhães
10h20 – Módulo 3: Desenhando Programas Factíveis
• Crítica aos protocolos de “amplo espectro”
• Impactos do uso imprudente de antimicrobianos
• O que realmente é necessário para resolver o problema
Palestrante: Augusto Heck
11h00 – Módulo 4: Farmacoeconomia e Monitoramento
• O programa que cabe no bolso (Análise de ROI)
• Como monitorar a efetividade do tratamento
• Tecnologias para detecção precoce de falhas
Palestrante: Luiz Carlos Giongo
11h30 – Mesa Redonda
13h30 – Abertura da Programação Científica
Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim
14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann
14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa
15h25 às 15h55 – Mesa Redonda
16h00 às 16h30 – Coffee break
16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua
17h10 às 17h30 – Perguntas
17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS
18h30: Palestra de Abertura: A Nova Geopolítica dos Alimentos: Impactos nas proteínas animais e na suinocultura.
Palestrante: Marcos Jank
20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR
Quarta-feira (12)
Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h00 às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila
08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira
09h20 as 09h50 – Mesa Redonda
09h50 às 10h20: Coffee Break
Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto
10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez
11h30 às 12h00: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber
12h00 às 12h30 – Mesa Redonda
12:30 às 14h00 – Intervalo para almoço
12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos
Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h00 às 15h00 – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske
15h00 às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise
15h30 às 16h00: Coffee Break
16h00 às 16h40 – Influenza em Foco: Impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuti Nagae
16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima
17h35 às 18h00 – Mesa Redonda
18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)
20h00: Happy Hour na PIG FAIR
Quinta-feira (13)
08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva
09h10 às 09h30 – Perguntas
9h30 às 10h00 – Coffee Break
Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h00 às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato
10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin
11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós
11h45 às 12h15 – Mesa Redonda
12h15 – Sorteio de brindes e encerramento
Suínos
Excesso de oferta derruba preço do suíno abaixo de R$ 5/kg no Brasil
Aumento da produção elevou os abates em 6,5% em 13 meses e adicionou 379 mil toneladas de carne ao mercado. Mesmo com exportações 8,5% maiores no primeiro semestre, produtores enfrentam forte queda de rentabilidade.

O primeiro semestre de 2026 encerrou com um movimento que contrariou as expectativas de parte da cadeia produtiva de suínos. Mesmo com o avanço das exportações brasileiras de carne suína e a manutenção da competitividade do produto no mercado internacional, o crescimento da produção doméstica ampliou a disponibilidade interna em um ritmo superior à capacidade de absorção do mercado, pressionando as cotações e reduzindo as margens dos produtores.

Foto: Divulgação
A análise da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) aponta que a combinação entre expansão do plantel, ganhos de produtividade e aumento dos volumes abatidos alterou o equilíbrio de oferta e demanda observado no início de 2025. O maior número de animais disponíveis para abate elevou a oferta de carne no mercado interno, enquanto o consumo doméstico não acompanhou a mesma velocidade de crescimento.
O resultado foi uma reversão rápida do cenário positivo registrado anteriormente. Nos primeiros meses de 2026, os preços pagos ao produtor e os valores das carcaças iniciaram uma trajetória de queda que marcou um dos ciclos de maior pressão sobre a rentabilidade da suinocultura na história recente.
Em algumas regiões produtoras, o preço recebido pelo suíno vivo recuou para patamares inferiores a R$ 5 por quilo,

Foto: Shutterstock
valor considerado insuficiente para cobrir os custos de produção em diversas propriedades (Gráficos 1 e 2). A queda atingiu principalmente produtores independentes, mais expostos às oscilações de mercado e sem contratos de fornecimento que ofereçam maior previsibilidade de receita.
Segundo a ABCS, o movimento evidencia o impacto de um descompasso entre a capacidade produtiva instalada e a demanda efetiva pelo produto. Embora o desempenho das exportações tenha contribuído para retirar parte da oferta do mercado interno, o crescimento da produção foi mais intenso, mantendo a pressão sobre os preços ao longo do semestre.

Gráfico 1 – Evolução mensal do indicador do suíno vivo (R$/kg) em Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, de janeiro a junho de 2026. Fonte: Cepea/Esalq.

Gráfico 2 – Evolução mensal do Indicador Cepea/Esalq da carcaça suína especial (R$/kg) em São Paulo (SP), nos últimos 12 meses, até 20 de julho de 2026. Fonte: Cepea/Esalq.
Exportações avançam 8,5% no semestre
Nem o desempenho recorde das exportações brasileiras de carne suína in natura foi suficiente para sustentar os preços pagos ao produtor (Tabela 1). Entre janeiro e junho de 2026, os embarques somaram 683,8 mil toneladas, alta de 8,5% em relação ao mesmo período de 2025.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelos embarques de março (+28,2%), abril (+9,7%) e janeiro (+13,8%). Apenas junho registrou retração, com queda de 5,4% frente ao mesmo mês do ano anterior.
Apesar do aumento das exportações, o mercado interno permaneceu pressionado pelo excesso de oferta, resultando em uma queda acentuada nas cotações do suíno vivo ao longo do primeiro semestre. O desempenho das vendas externas, embora robusto, não foi suficiente para absorver o volume disponível e equilibrar os preços pagos aos produtores.

Tabela 1 – Volume mensal de carne suína in natura exportada pelo Brasil (toneladas), de 2021 a junho de 2026, e variação (%) do primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Fonte: Elaborado por Iuri P. Machado com dados da Secex.
Produção cresce acima do consumo
Embora os dados oficiais de abate estejam consolidados apenas até o primeiro trimestre de 2026, eles já evidenciam uma trajetória consistente de expansão da produção e da oferta de carne suína no mercado interno (Tabela 2). Entre março de 2025 e março de 2026, o volume de abates aumentou durante 13 meses consecutivos na comparação com os mesmos meses do ano anterior, acumulando um acréscimo de 379 mil toneladas de carcaças (+6,51%).

Fotos: Shutterstock
Em número de animais, isso representa aproximadamente 3,24 milhões de suínos abatidos a mais (+5,13%), volume equivalente à incorporação de pouco mais de 100 mil matrizes ao plantel tecnificado nacional, atualmente estimado em cerca de 2,2 milhões de fêmeas.
No mesmo período, as exportações brasileiras de carne suína in natura também registraram crescimento (Tabela 2), com aumento de 164,3 mil toneladas (+12,61%). Apesar do desempenho recorde dos embarques, esse avanço não foi suficiente para absorver toda a produção adicional.
Como resultado, a disponibilidade de carne suína no mercado interno aumentou em aproximadamente 215 mil toneladas (+4,76%) ao longo desses 13 meses, o equivalente a um acréscimo superior a 900 gramas por habitante ao ano no consumo aparente.
A diferença entre o crescimento da produção e a capacidade de absorção pelos mercados interno e externo ajuda a explicar a forte pressão sobre os preços observada no primeiro semestre de 2026. Os dados indicam que o aumento da oferta superou a expansão da demanda, resultando em um cenário de excedente de produto no mercado doméstico e pressionando a rentabilidade da suinocultura.

Tabela 2 – Abate mensal de suínos (cabeças e toneladas de carcaça), exportações brasileiras de carne suína in natura e disponibilidade interna (toneladas), de janeiro de 2025 a março de 2026, com variação em relação ao mesmo mês do ano anterior. O período destacado em laranja (março de 2025 a março de 2026) corresponde aos 13 meses consecutivos de crescimento do volume abatido (em toneladas). Fonte: Elaborado por Iuri Machado com dados do IBGE e da Secex.
Queda dos preços internos impulsiona exportação
Os dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal (SIF), ainda sujeitos à consolidação, indicam uma desaceleração no ritmo de crescimento dos abates nos dois últimos meses em comparação com igual período de 2025. O mesmo movimento é observado nas exportações, sinalizando que a expansão da produção pode perder intensidade no segundo semestre.
Embora essa tendência aponte para uma estabilização da oferta, a disponibilidade de carne suína no mercado interno

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deverá permanecer significativamente acima da registrada no início de 2025, período em que o equilíbrio entre oferta e demanda sustentava preços mais elevados ao produtor.
Outro aspecto relevante observado em 2026 é a forte vantagem econômica das exportações em relação às vendas no mercado doméstico (Tabela 3). A comparação entre o preço da carcaça suína especial em São Paulo (SP) e o valor médio da carne suína in natura exportada, convertido para reais, mostra que o diferencial de preços atingiu níveis historicamente elevados. Em junho, esse spread alcançou quase 50%, enquanto a média acumulada do ano chegou a 32%, muito acima dos pouco mais de 12% registrados em 2025.

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O cenário atual é ainda mais expressivo quando comparado ao ciclo de forte expansão das exportações entre 2019 e 2021. Mesmo naquele período, impulsionado principalmente pela demanda asiática, o diferencial médio entre os preços do mercado externo e do mercado interno não ultrapassou 30% ao ano.
Em 2026, a combinação entre a valorização da carne suína no mercado internacional e a forte queda das cotações domésticas ampliou a competitividade das exportações, tornando o mercado externo significativamente mais rentável para as indústrias habilitadas a exportar. A elevada paridade evidencia que, diante dos baixos preços da carcaça no mercado interno, a exportação passou a representar uma alternativa ainda mais atrativa para absorver parte da produção nacional.

Tabela 3 – Volume exportado (toneladas) e preço médio da carne suína brasileira in natura (US$/kg e R$/kg), por mês, em 2025 e 2026, além da média anual de 2023 e 2024, comparados ao preço da carcaça suína especial em São Paulo (SP), referência Cepea/Esalq. O spread corresponde ao diferencial percentual entre o valor da carne exportada e o preço da carcaça no mercado interno, em favor das exportações. Fonte: Elaborado por Iuri Machado com dados da Secex e do Cepea/Esalq.
Milho reage após meses de queda nas cotações
O avanço da colheita da segunda safra de milho, que se aproxima de 50% da área cultivada, confirma uma oferta elevada do cereal no Brasil, suficiente para atender à demanda interna e às exportações previstas. Em condições normais, esse aumento da disponibilidade tende a exercer pressão sobre os preços.
No entanto, após vários meses de desvalorização, as cotações do milho passaram a apresentar reação nas últimas semanas (Gráfico 3). Entre os fatores que contribuíram para esse movimento está a revisão das estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que reduziu em quase 9% a projeção para a safra norte-americana que começa a ser colhida a partir de setembro. A perspectiva de menor oferta no principal exportador mundial deu sustentação aos preços internacionais e influenciou o mercado brasileiro, mesmo em um cenário de ampla disponibilidade do cereal no país.

Gráfico 3 – Evolução do preço diário do milho (R$/saca de 60 kg) em Campinas (SP), nos últimos 30 dias úteis, até 20 de julho de 2026. Fonte: Cepea
Queda do suíno amplia prejuízo nas granjas
Levantamento da Embrapa mostra que os custos de produção permaneceram relativamente estáveis em junho nos três estados da Região Sul. No entanto, a queda do preço do suíno vivo para abaixo de R$ 5,00/kg, conforme o Indicador Cepea/Esalq, ampliou o resultado negativo da atividade no último mês.
Como consequência, o primeiro semestre de 2026 foi marcado por margens financeiras praticamente nulas para os produtores de suínos (Tabela 4).

Tabela 4 – Custos totais de produção (ciclo completo em sistema independente), preço de venda do suíno vivo e margem estimada (lucro ou prejuízo), por mês, nos três estados da Região Sul, de janeiro a junho de 2026 (R$/kg de suíno vivo). A tabela também apresenta a média do primeiro semestre de 2026 e as médias anuais de 2024 e 2025. Fonte: Elaborado por Iuri Machado com dados da Embrapa (custos de produção) e do Cepea/Esalq (preço do suíno vivo).
Mercado busca reequilíbrio após excesso de oferta
Os indicadores preliminares apontam que o mercado de suínos pode estar entrando em uma nova fase após um primeiro semestre marcado pelo excesso de oferta e pela forte deterioração das margens dos produtores. Dados ainda não consolidados do Serviço de Inspeção Federal (SIF) indicam desaceleração no ritmo de crescimento dos abates nos últimos meses, movimento que, se confirmado, tende a reduzir a pressão da oferta sobre o mercado ao longo do segundo semestre.

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Pela dimensão do crescimento do abate observado desde o ano passado, isso se deve ao aumento do plantel de matrizes, acompanhado de ganhos de produtividade que não foram previstos pelo setor” – Foto: Divulgação/ABCS
Essa desaceleração ocorre depois de um período de expansão contínua da produção. Entre março de 2025 e março de 2026, o abate de suínos cresceu durante 13 meses consecutivos na comparação anual, ampliando significativamente a disponibilidade de carne no mercado doméstico. Embora esse ritmo esteja perdendo força, a oferta permanece em um patamar superior ao registrado no início de 2025, quando a relação entre oferta e demanda sustentava preços mais remuneradores ao produtor.
Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, a crise atual tem origem principalmente na expansão da produção. “Pela dimensão do crescimento do abate observado desde o ano passado, isso se deve ao aumento do plantel de matrizes, acompanhado de ganhos de produtividade que não foram previstos pelo setor. Diferentemente de crises recentes, esta é uma crise de oferta, e não de custos”, afirma.
Segundo Lopes, os fundamentos de demanda permanecem favoráveis. As exportações seguem em níveis elevados e

Foto: José Fernando Ogura
apresentam rentabilidade superior às vendas no mercado doméstico, enquanto a carne suína continua competitiva frente às demais proteínas de origem animal. Ainda assim, esses fatores não foram suficientes para absorver o aumento da produção observado nos últimos meses.
A expectativa é de que a recuperação do mercado ocorra de forma gradual, à medida que o crescimento da oferta perca intensidade e o consumo avance com a sazonalidade típica do fim do ano. Nesse cenário, a recomposição dos preços dependerá da velocidade com que o mercado conseguirá reduzir o excedente acumulado no primeiro semestre, reaproximando oferta e demanda.
Suínos
Vendas de carne suína crescem em 94% das redes varejistas durante SNCS
Campanha nacional ampliou o volume comercializado em 88% das redes participantes, com expansão da proteína em novos mercados e aumento de até 25% no faturamento em algumas operações.

A 14ª edição da Semana Nacional da Carne Suína (SNCS) terminou com resultados positivos para a comercialização da proteína no varejo brasileiro. Promovida pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), a campanha registrou crescimento em volume de vendas ou faturamento em 94% das redes participantes, mesmo em um período marcado pela deflação dos alimentos e por um consumidor mais cauteloso nas compras.

Foto: Divulgação/ABCS
Segundo o balanço da entidade, 88% dos supermercados ampliaram o volume comercializado durante a campanha e, em 76% das redes, esse crescimento foi superior a 10%. Em alguns casos, o faturamento com a categoria aumentou até 25%.
Para a ABCS, os resultados indicam que a estratégia adotada vai além das ações promocionais. A entidade atribui o desempenho à combinação entre capacitação das equipes do varejo, comunicação nos pontos de venda e iniciativas voltadas à valorização da categoria junto ao consumidor. “O maior resultado não é o crescimento registrado pelas redes participantes, mas a formação de novos consumidores e o fortalecimento de um mercado que beneficia toda a cadeia produtiva”, afirma o presidente da ABCS, Marcelo Lopes.
Expansão para novas regiões
A edição de 2026 também marcou a ampliação da campanha para novos mercados. O Nordeste foi um dos destaques

Foto: Divulgação/ABCS
do projeto, impulsionado pela entrada do Grupo Mateus, maior rede varejista da região, que participou pela primeira vez da iniciativa.
De acordo com a ABCS, a rede registrou crescimento de 11% no volume de vendas de carne suína durante a campanha, resultado apontado pela entidade como um indicativo do potencial de expansão da categoria em regiões onde o consumo ainda tem espaço para crescer.
Entre os maiores desempenhos individuais, a rede Avenida alcançou aumento de 39,8% no volume comercializado. Já o Carrefour Brasil, participante da campanha pelo oitavo ano consecutivo, registrou crescimento de 29% nas vendas em volume. Segundo a ABCS, o avanço foi impulsionado principalmente pelos cortes resfriados, indicando maior presença dos produtos in natura nas compras dos consumidores.
Além do desempenho comercial, a entidade destaca que os relatos das redes participantes apontam ganhos que permaneceram após o encerramento da campanha. Entre eles estão a ampliação do mix de produtos, maior competitividade dos cortes suínos, evolução da comunicação nos pontos de venda, ações digitais e capacitação das equipes de loja.

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Mesmo diante de um ambiente de deflação, conseguimos ampliar a presença da carne suína na jornada de compra, criar novas ocasiões de consumo e fortalecer uma estratégia baseada em educação, informação e construção de valor” – Foto: Divulgação/ABCS
Na avaliação de Marcelo Lopes, a campanha tem acompanhado as mudanças no comportamento do consumidor. “A inovação não está apenas em criar novas campanhas, mas em compreender como o consumidor evolui. Mesmo diante de um ambiente de deflação, conseguimos ampliar a presença da carne suína na jornada de compra, criar novas ocasiões de consumo e fortalecer uma estratégia baseada em educação, informação e construção de valor”, afirma.
De campanha promocional a estratégia de categoria
Ao completar 14 edições, a Semana Nacional da Carne Suína consolidou-se como uma ação permanente de desenvolvimento da categoria no varejo, segundo a ABCS. A entidade avalia que o trabalho contínuo de capacitação, produção de conteúdo e aproximação com consumidores tem contribuído para ampliar a presença da carne suína nas gôndolas e estimular sua incorporação ao consumo cotidiano.
Os resultados da edição de 2026 reforçam essa estratégia ao indicar que, além do aumento nas vendas durante o período da campanha, houve fortalecimento da categoria dentro das redes varejistas, com potencial para manter o crescimento da participação da carne suína após o encerramento das ações promocionais.



