Notícias Globalg.AP Tour
Brasil recebe pela primeira vez maior evento de certificação da cadeia produtiva agroalimentar
A iniciativa, que passará por 44 países em 6 continentes, acontece de maneira inédita no Brasil em parceria com a PariPassu, empresa referência em soluções de tecnologia para a cadeia agroalimentar.

O Brasil é um dos principais países produtores de alimentos do mundo e, na economia nacional, o segmento é responsável por quase 25% do Produto Interno Bruto, que ultrapassa US$ 500 bilhões – equivalente à soma de todos os bens e serviços da Argentina. Diante da relevância internacional e de olho nas oportunidades de aprimoramento de boas práticas agrícolas e promoção da segurança alimentar, acontece pela primeira vez no país a Globalg.AP Tour promovida pela GlobalG.A.P., entidade responsável pelo sistema de certificação internacional para produção e comercialização de alimentos. A iniciativa, que passará por 44 países em 6 continentes, acontece de maneira inédita no Brasil em parceria com a PariPassu, empresa referência em soluções de tecnologia para a cadeia agroalimentar. Os encontros acontecerão nos dias 30 e 31 de outubro, em São Paulo.
“Será um grande encontro do setor! Vamos reunir todos os elos da cadeia de alimentos, desde produtores, distribuidores, varejistas e também associações representativas, para olhar para as boas práticas agrícolas e aquilo que está sendo exigido pelo mercado local e internacional atualmente. É um encontro onde poderemos falar tecnicamente sobre essa demanda, comparar protocolos, debater exemplos nacionais e internacionais. Estamos com uma expectativa alta pelos conhecimentos e pessoas das diversas fases da cadeia de abastecimento que iremos encontrar e ouvir”, comenta Giampaolo Buso, diretor-executivo da PariPassu, associada anfitriã do Global. AP Tour Stop Brazil.
Participam também do evento representantes da indústria química e biológica e representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). A programação contará com a palestra de Márcio Milan, da Associação Brasileira de Supermercados (Abras); juntamente com Enrico Ameghino (CENCOSUD Retail Peru); Gledciani Teodoro (Grupo Giassi & Cia) e Heidy Milan (PariPassu) no painel sobre Estratégias de varejo para atender o mercado local.
Já o painel sobre Boas práticas agrícolas no setor agroalimentar contará com a participação de Fernando Merlin, do Carrefour; Stefan Adriaan Copplelmans (La Vita Company); Carlos Lucatto (ABCM); Camila Dias de Sá (INSPER); e Roberto Araújo (CropLife Brazil). A moderadora do painel será Natalia Pereira (QIMA/WQS).
O desenvolvimento da cadeia de suprimentos de alimentos é um dos temas do painel moderado por Giampaolo Buso (PariPassu). O debate sobre segurança alimentar, rastreabilidade e transparência contará com a participação de Roberto Castro (Syngenta); Claudia Quaglierini (BAYER); Luis Mori (FMC); Rogério Melo (UPL) e Vinádio Bega (Koppert).
Aquacultura segura e responsável
De acordo com dados da última edição do Anuário da Piscicultura, divulgado pela Associação Brasileira de Piscultura, o Brasil produziu mais de 841 mil toneladas de peixes de cultivo (tilápia, peixes nativos e outras espécies), em 2021. Esse resultado representa crescimento de 4,7% sobre a produção de 2020. No acumulado desde a primeira edição do anuário em 2014, o setor acumula um crescimento de 45%. A fim de discutir boas práticas de criação e beneficiamento das espécies aquáticas (peixes, algas, ostras, mexilhões, camarões, rãs, entre outros), o GLOBALG.A.P. TOUR STOP Brazil promove um painel dedicado ao tema com a palestra de Valeska Weymann (GLOBALG.A.P), debates com Meg Felipe (Carrefour), Ramon Amaral (Brazilian Fish), Felipe Katata (CERMAQ-Brasil). A moderação fica por conta de Ricardo Torres, da SeaFood.
De olho no mercado internacional
O Brasil segue avançando nos mercados internacionais. Segundo divulgado pelo Ministério da Agricultura, as exportações de produtos do agronegócio em julho alcançaram um valor recorde para o período, US$ 14,43 bilhões. A tecnologia também impulsiona essa grande cadeia produtiva, é o que revela o levantamento Agricultura Digital no Brasil, realizado pela Embrapa, INPE e Sebrae. Oitenta e quatro por cento dos produtores utilizam ao menos uma tecnologia digital no processo produtivo e 70% declararam fazer uso da internet para atividades gerais ligadas à produção.
Os debates sobre exportação fazem parte da programação GLOBALG.A.P. TOUR STOP Brazil. No dia 30 de outubro, acontece o painel “Exportação de Frutas: como o Brasil está posicionado?” mediado por Jorge Souza, gerente de Projetos da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas); com a participação de Leonardo Machado (APEX); Guy Crouzet (Greenyard); Lígia Falanghe Carvalho (Abacates do Brasil) e moderação de Matheus Witzler (SBCERT).
Ainda sobre internacionalização, o painel “Tendências no mercados internacionais e desafios para a produção agrícola”, será mediado por Giampaolo Buso (PariPassu); e contará com a participação dos especialistas Angelo Lazo e Petra Koehler, ambos da GLOBALG.A.P; Janine Basso Lisboa (AgroDTech); Ana Paula Vendramini Manieri (GS1 Brasil).

Notícias
Frísia amplia faturamento e alcança R$ 5,99 bilhões em 2025
Com recordes na produção de leite e soja, crescimento na suinocultura e avanço em diferentes frentes do agro, a cooperativa consolida resultados históricos apresentados na Assembleia Geral em Carambeí (PR).

A Frísia Cooperativa Agroindustrial faturou R$ 5,99 bilhões em 2025, resultado superior ao registrado no ano anterior, quando a cooperativa somou R$ 5,79 bilhões.
O desempenho foi apresentado no último sábado (28), durante a Assembleia Geral Ordinária (AGO), realizada no Auditório Leendert de Geus, na sede da cooperativa, em Carambeí (PR). “A Assembleia é um dos momentos mais importantes do ano para a cooperativa. É quando prestamos contas com transparência, apresentamos os resultados alcançados e, principalmente, ouvimos o cooperado. A Frísia é construída por pessoas, e cada decisão precisa refletir os interesses e as expectativas de quem faz parte dela. O crescimento que apresentamos hoje é resultado de planejamento, gestão responsável e da confiança dos nossos cooperados, que seguem investindo, produzindo com eficiência e acreditando no modelo cooperativista”, destaca o presidente do Conselho de Administração da Frísia, Geraldo Slob.
O crescimento reflete o avanço nos segmentos de atuação da Frísia: agricultura, pecuária leiteira, suinocultura e florestal. Em 2025, a cooperativa contou com 1.090 cooperados e 1.373 colaboradores, distribuídos em 12 entrepostos no Paraná e dois no Tocantins.
Entre os principais indicadores do ano, a Frísia registrou o recebimento de 1 milhão de toneladas de grãos em seus armazéns, produziu 369,3 milhões de litros de leite, contabilizou 29,7 mil toneladas de suínos e 136 mil toneladas de madeira. A produção total de leite manteve uma curva de crescimento ao longo dos últimos anos, atingindo em 2025 o maior volume da série histórica da cooperativa.
Na agricultura, a safra de soja 2024/2025, por exemplo, foi marcada por condições climáticas favoráveis, eficiência operacional dos cooperados e elevado nível de manejo agronômico. O resultado foi uma produtividade média 14% superior ao ciclo anterior, a maior já registrada pela Frísia. No Tocantins, a produção de soja alcançou safra recorde em 2025, impulsionada pela ampliação da área cultivada e por condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo.
Outra cultura que apresentou desempenho expressivo em qualidade e produtividade foi a cevada. O grão teve crescimento de 45% em relação ao ciclo anterior e rendimento 5,1% acima da média paranaense.
O setor de suínos também teve desempenho positivo. Em um cenário de fortalecimento da suinocultura paranaense, a Frísia ampliou investimentos e intensificou sua expansão, especialmente na produção de leitões. O modelo de integração, aliado à operação da Aurora Coop na Unidade Industrial de Castro (PR), garantiu previsibilidade de escoamento, segurança comercial aos criadores e bases sólidas para o crescimento das entregas previstas para 2026 e 2027.
O desempenho e as ações detalhadas realizadas pela cooperativa no ano passado constam no Relatório de Gestão 2025, que foi entregue aos cooperados na AGO.
Homenagem
Na Assembleia foram homenageados os cooperados João Dykstra, Cornélio Dykstra e Reinder Jacobi, pelos 50 anos como cooperados da Frísia; e Albert Kuipers e Reinder Kuipers, pelos 60 anos como cooperados da Frísia.
Conselho Fiscal
Durante a AGO, também foi eleita a nova chapa do Conselho Fiscal para a gestão de 2026. Fazem parte do grupo Deborah de Geus, Gaspar João de Geus, Juan van der Vinne, Janus Katsman, Pieter Arthur Biersteker e Paulo Eduardo Piotrowski.
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Pesquisa gaúcha avança em projeto internacional sobre resistência a carrapaticidas
Missão técnica na Austrália inclui intercâmbio com a Queensland Alliance for Agriculture and Food Innovation, visitas a propriedades e apresentação de resultados na Northern Beef Research Update Conference 2026.

O pesquisador do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF/Seapi), Guilherme Klafke, está em missão técnica na Austrália com o objetivo de fortalecer a cooperação científica internacional na área de resistência de carrapatos a carrapaticidas. A visita iniciou na última segunda-feira (02) e segue até 13 de março.
A missão integra ações de alinhamento de um projeto colaborativo entre o IPVDF e a University of Queensland (UQ), por meio da Queensland Alliance for Agriculture and Food Innovation (QAAFI), voltado à análise genômica de populações de carrapatos resistentes. “A iniciativa busca aprofundar o entendimento dos mecanismos envolvidos na resistência e aprimorar estratégias de diagnóstico e vigilância”, destaca Klafke.
Durante a missão, serão promovidas atividades de intercâmbio técnico-científico e troca de experiências entre as equipes brasileiras e australianas, com foco na integração de abordagens laboratoriais, ferramentas moleculares e estratégias de monitoramento em campo.
Segundo o pesquisador, a missão representa uma oportunidade estratégica de aproximação entre duas regiões com características produtivas semelhantes. “O Rio Grande do Sul e o estado de Queensland possuem sistemas de produção pecuária comparáveis e enfrentam desafios semelhantes relacionados ao carrapato bovino. A troca de experiências entre os grupos permite comparar cenários epidemiológicos, estratégias de manejo e abordagens diagnósticas, fortalecendo soluções baseadas em evidências para realidades produtivas muito parecidas”, afirma Klafke.
Programação
A programação inclui visita ao Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), uma das principais instituições de pesquisa da Austrália e pioneira no desenvolvimento dos primeiros testes diagnósticos de resistência a carrapaticidas na década de 1960. Esses protocolos, posteriormente aprimorados ao longo das décadas, continuam sendo referência internacional e base para os métodos utilizados atualmente no diagnóstico de resistência.
Além de conhecer as estruturas e rotinas de pesquisa australianas, o pesquisador do IPVDF apresentará aos grupos da UQ e do CSIRO a experiência do Rio Grande do Sul na área de diagnóstico e vigilância da resistência, destacando as metodologias desenvolvidas e aplicadas pelo laboratório, bem como as ações de monitoramento conduzidas junto ao setor produtivo.
Estão previstas também visitas a propriedades de gado de corte, com realização de coletas de carrapatos e execução de testes de resistência, possibilitando a integração entre a pesquisa laboratorial e a realidade produtiva.
A missão inclui ainda a participação e apresentação de trabalho científico na Northern Beef Research Update Conference (NBRUC 2026), em Brisbane, onde serão divulgados os avanços das pesquisas conduzidas no IPVDF voltadas ao diagnóstico rápido da resistência a carrapaticidas.
O projeto desenvolvido em parceria entre o IPVDF e a University of Queensland (UQ) tem uma previsão de quatro anos de execução. Uma nova visita está programada para o ano de 2028.
De acordo com o pesquisador, a iniciativa reforça o compromisso da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e do IPVDF com a inovação, a cooperação internacional e o desenvolvimento de estratégias sustentáveis para o controle de carrapatos, problema sanitário que impacta diretamente a produtividade e a competitividade da pecuária.
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Área de trigo tropical cresce 80% no Brasil e chega a 360 mil hectares em 2025
Expansão ocorre no Cerrado e na Mata Atlântica, com avanço do cultivo em estados do Centro-Oeste e Sudeste.

O cultivo de trigo em ambiente tropical tem avançado no Brasil e pode ser realizado tanto em sistema irrigado quanto em sequeiro. A escolha depende do nível de investimento e da organização do sistema produtivo, mas em ambos os casos o planejamento é decisivo para o resultado da lavoura.
Antes mesmo da implantação, é necessário definir fatores como tipo de solo, altitude, clima, época de semeadura, disponibilidade de insumos, estrutura de colheita, armazenagem e logística de comercialização. Também é fundamental considerar o calendário agrícola da propriedade, especialmente a rotação de culturas. A colheita da soja ou do milho precisa estar alinhada ao período ideal de semeadura do trigo, e áreas que receberam hortaliças podem aproveitar o residual de adubação.

Foto: Cleverson Beje
A área apta ao cultivo de trigo em ambiente tropical, especialmente nos biomas Cerrado e Mata Atlântica, vem crescendo nos estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e no Distrito Federal. Em 2018, o trigo tropical ocupava cerca de 200 mil hectares. Em 2025, essa área chegou a 360 mil hectares.
No sistema de sequeiro, a produtividade média é de 40 sacas por hectare, embora existam cultivares com potencial superior a 70 sacas por hectare. A semeadura ocorre, em geral, entre março e abril, aproveitando o final do período chuvoso no Cerrado. Apesar do menor custo de implantação e da oportunidade de cultivo em uma janela com menos alternativas agrícolas, o risco climático é elevado, especialmente em caso de estiagem durante o desenvolvimento e enchimento de grãos.
Em Minas Gerais, uma propriedade em Sacramento cultivou 1.100 hectares de trigo em 2025 no sistema de sequeiro. A interrupção das chuvas em abril resultou em produtividade média de 45 sacas por hectare. Já em área experimental, outra cultivar apresentou rendimento médio de 67 sacas por hectare. A escolha da variedade também influencia o manejo, já que algumas são mais suscetíveis a doenças como a brusone quando semeadas antes do período recomendado, enquanto outras permitem antecipar o plantio e aproveitar melhor as chuvas.



