Bovinos / Grãos / Máquinas
Brasil realiza maior exportação de genética bovina para a Índia
Comercialização de 40 mil doses de sêmen para o país asiático abre novos precedentes para a expansão do comércio e melhoramento genético internacionais.

O primeiro mês de 2024 trouxe um novo marco para a pecuária zebuína nacional: a maior exportação de sêmen bovino brasileiro para a Índia. A central Alta Genetics, sediada em Uberaba (MG), enviou para o país asiático um total de 40 mil doses provenientes de quatro touros da raça Gir Leiteiro, integrantes da sua bateria de reprodutores.
Muito procurada no mercado pela sua grande capacidade de produção sustentável de leite de qualidade, a genética Gir Leiteiro, uma raça originária da Índia, passou por uma evolução intensa no Brasil, a partir das primeiras importações de touros indianos, no início do século passado.
“A Índia, berço mundial do Zebu, é a origem das raças que respondem por uma grande parte da produção de carne e leite no Brasil – alimentos de extrema importância para a população e para a economia. Desta forma, poder contribuir para o progresso genético do rebanho indiano representa não só uma grande oportunidade comercial e de estreitamento de relações internacionais, mas também uma forma de retribuir um pouco da generosidade do país que viabilizou a pecuária zebuína no Brasil”, comemora o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Gabriel Garcia Cid.
As doses de sêmen foram adquiridas pela National Dairy Development Board (NDDB), cooperativa estatal indiana que responde pela marca Mother Dairy. “É o resultado de um projeto que vem sendo discutido com a Índia há quase quatro anos. Embora tenha sido um processo desafiador, tivemos êxito nas negociações e concretizamos a exportação”, disse Angelo de Queiroz Maurício, adido agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na Índia.
Para Heverardo Carvalho, diretor da Alta Brasil, o momento também é de comemoração. “Acabamos de abrir um grande caminho para a pecuária brasileira”, avalia. “O criador brasileiro está de parabéns por ter realizado um melhoramento genético tão significativo nas raças zebuínas – de tal sorte que o país mãe dessa genética nos procura, agora, para melhorar o seu próprio rebanho. Sem estes grandes criadores, não haveria exportação”, ressalta.
Os touros escolhidos para contribuir para o progresso genético do plantel indiano foram: Espetáculo FIV, propriedade da Tropical Genética; Haroldo FIV da Genipapo, do criador Paulo Roberto de Andrade Cunha; Ivã FIV de Brasília, originário da Fazenda Brasília e propriedade do produtor Luiz Eduardo Branquinho, da Estância K, e da Alta Genetics do Brasil; e Trovão FIV S. Edwiges, do criador José Maria de Souza e propriedade da Alta Genetics do Brasil.
A Índia lidera o ranking global de produção de leite, respondendo por 24% do alimento produzido em nível mundial, e a importação faz parte da estratégia para aumentar ainda mais este resultado. O objetivo é que a produção de leite indiano alcance 330 milhões de toneladas por ano até 2034 – em 2023, a quantidade produzida foi de 230,6 milhões de toneladas.

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Fundocarne une produtores e frigoríficos para reposicionar pecuária gaúcha
Campanha aposta na identidade dos campos do Rio Grande do Sul e cria modelo inédito de financiamento conjunto para fortalecer a marca no mercado interno e externo.

O lançamento do Fundo de Promoção da Carne Gaúcha, na terça-feira (24), na Estação de Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, marca uma nova estratégica na forma como a pecuária do Rio Grande do Sul pretende se apresentar ao mercado. Pela primeira vez, produtores e indústrias frigoríficas estruturam um mecanismo conjunto e permanente de promoção da carne do estado.
O Fundocarne nasce a partir da articulação entre o Instituto Desenvolve Pecuária e o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul, reunindo dois elos historicamente tensionados da cadeia. A proposta é substituir disputas por coordenação estratégica, com foco em construção de marca, posicionamento e valorização do produto.
“O gaúcho precisa valorizar essa carne e o brasileiro precisa reconhecer que o que produzimos aqui é igual ou até superior ao que fazem Uruguai e Argentina”, afirma Antonia Scalzilli, presidente do Desenvolve Pecuária.
A comparação com os vizinhos do Mercosul não é casual, visto que os dois países consolidaram identidade forte para suas carnes no mercado internacional, associando origem, qualidade e tradição.
Campanha aposta em identidade e patrimônio cultural

O primeiro movimento do fundo é a campanha “Carne gaúcha é diferente”. O vídeo institucional, que será veiculado nas redes do Desenvolve Pecuária, do Sicadergs e parceiros, constrói uma narrativa baseada na tradição campeira, no manejo extensivo e no churrasco como símbolo cultural.
As imagens foram captadas em atividades reais de nove propriedades rurais de diferentes regiões do estado. A proposta é comunicar que a qualidade não está apenas no produto final, mas no sistema de produção: genética, pastagens, respeito ao tempo do animal e à paisagem dos campos sulinos.
A estratégia privilegia o apelo emocional, tratando a carne como patrimônio cultural, e não apenas como commodity.
Para Ivon Silva Jr., presidente do Sindicato das Indústrias, o momento exige confiança. “Se nossos vizinhos fazem, nós também podemos fazer. É preciso acreditar que isso trará resultados para todos”, sustenta.
Modelo de financiamento coletivo

O Fundocarne será constituído como pessoa jurídica independente. O financiamento virá de contribuições voluntárias de produtores e frigoríficos.
Os 17 frigoríficos participantes assumiram o compromisso de destinar R$ 0,50 por cabeça abatida, considerando a totalidade dos abates. Já os produtores contribuem de forma espontânea, inclusive em leilões. “Há produtores que doaram R$ 1,00 e outros R$ 10,00”, relata Antonia.
Segundo Ronei Lauxen, presidente executivo do Sicadergs, o projeto começou com cinco frigoríficos e rapidamente mais que triplicou a adesão. A meta agora é ampliar a base de participantes para garantir escala financeira e continuidade às ações de marketing e posicionamento.
Arena Pecuária debate mercado e rastreabilidade
O lançamento do fundo ocorreu dentro da programação da Arena Pecuária na Abertura da Colheita de Arroz, que ampliou sua estrutura nesta edição e reuniu produtores, técnicos e representantes da cadeia.
Entre os temas debatidos no primeiro dia esteve a necessidade de maior alinhamento entre os elos produtivos. A rastreabilidade ganhou destaque como ferramenta de gestão, sanidade e acesso a mercados premium. A certificação e a integração com o poder público foram apontadas como pilares para fortalecer o protagonismo do estado no sistema nacional de identificação bovina.
Nesta quarta-feira (25), o tema central é “A pecuária potencializando sistemas”, com debates voltados à integração produtiva, eficiência e geração de valor dentro da propriedade rural. E na quinta-feira (26), os painéis abordam Integração Lavoura-Pecuária e Pecuária Intensiva, com foco em verticalização, produtividade por hectare e uso de tecnologias.
O movimento articulado pelo Fundocarne indica uma mudança de postura da cadeia gaúcha: menos fragmentação e mais coordenação estratégica para disputar espaço em um mercado cada vez mais orientado por marca, origem e diferenciação.
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Exportações de lácteos caem em janeiro e déficit supera US$ 71 milhões
Leite em pó lidera compras externas, e queijos registram alta de quase 18% nas importações.
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Passaporte Verde mobiliza debate sobre regularização ambiental da pecuária em Mato Grosso
Audiência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso reuniu governo, entidades do setor e produtores para discutir critérios e efeitos da Lei 13.153/2025.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, na segunda-feira (23), audiência pública para discutir a lei que institui o Passaporte Verde, programa de monitoramento socioambiental das propriedades pecuárias no estado. Participaram representantes do Governo de Mato Grosso, do Instituto Mato-grossense da Carne, lideranças do setor produtivo e representantes dos municípios de Colniza e Juara.
O programa foi apresentado como instrumento para reinserir no mercado formal produtores com algum tipo de irregularidade ambiental. Segundo o presidente do Imac, Caio Penido, a proposta busca permitir que pecuaristas regularizem suas propriedades e retomem a comercialização, em um cenário no qual frigoríficos e compradores impõem exigências socioambientais crescentes.
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, afirmou que a lei pretende reforçar a imagem da carne mato-grossense no mercado internacional. Ele destacou que o projeto foi discutido por quase quatro anos antes de ser aprovado e avaliou que a iniciativa antecipa possíveis exigências externas.
Durante o debate, o deputado estadual Gilberto Cattani sustentou que a tramitação da lei levou em consideração produtores de diferentes portes e afirmou que o objetivo foi oferecer segurança jurídica ao setor.
Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, um dos pontos centrais do programa é o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). A ferramenta foi descrita como mecanismo para permitir que produtores com pendências ambientais regularizem a situação e retornem ao mercado pecuário formal.
Representando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a secretária adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto, afirmou que a Lei 13.153/2025 não cria exigências além daquelas já previstas no Código Florestal Brasileiro e que o programa tem como foco apoiar a regularização ambiental das propriedades.
Como funciona o programa
Sancionado no final de 2025 pelo governador Mauro Mendes, o Passaporte Verde estabelece o monitoramento socioambiental do rebanho bovino e bubalino em Mato Grosso, alinhado ao cronograma do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).
Entre os critérios exigidos estão ausência de desmatamento ilegal após julho de 2008, Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e inexistência de embargos ambientais.
O programa também prevê o Prem, voltado ao desbloqueio e à regeneração de áreas degradadas. A iniciativa permite que produtores com pendências ambientais avancem na regularização e retomem a comercialização com frigoríficos. Atualmente, mais de 160 pecuaristas participam do programa.





