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Brasil precisa garantir segurança alimentar para acessar mercados, defende Spies

Para especialista, Brasil já está dando grande passo na retirada da vacinação contra febre aftosa, mas é preciso assegurar e provar para mercado internacional que o país tem segurança alimentar

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Arquivo/OP Rural

A palavra de ordem nos últimos meses no Brasil, independente da cadeia de produção, tem sido a mesma: sanidade. Este tem sido o foco de diversos setores, garantir a excelência na produção e ganhar mercados através da sanidade agropecuária. O Paraná deu um passo importante em 2019 quando retirou a vacinação contra a febre aftosa e também o reconhecimento como área livre da peste suína clássica (PSC).

 Segundo o engenheiro agrônomo doutor Airton Spies, o Brasil é um país de tamanho continental com fronteira com vários países, tornando, muitas vezes, difícil manter a segurança sanitária. “Por isso, precisamos nos dedicar dia e noite à sanidade agropecuária”, afirma. Ele reforça que quando se fala em saúde é preciso lembrar que isto é o estado completo de bem-estar físico, ambiental e social, e não apenas a ausência de doenças. “É a integração entre a saúde humana, animal e o meio ambiente”, diz. “A nossa saúde depende muito da sanidade, por isso é um patrimônio que deve ser zelado a qualquer custo”, destaca.

Spies reitera que o que o Paraná, assim como o restante do Brasil vem buscando é o status de excelência sanitária, e isso significa não somente em rebanhos, mas também em pomares e lavouras. “Precisamos oferecer produtos em quantidade e qualidade garantida. Por isso a defesa agropecuária é essencial”, afirma. Ele explica que para isso é preciso que todos façam o seu trabalho. “É o órgão de defesa agropecuária do Estado junto com o Mapa, que cuida das fronteiras; os municípios que têm ações de defesa e os próprios produtores e agroindústrias”, diz.

O especialista explica que o fato de o Paraná retirar a vacinação contra a febre aftosa é um passo gigantesco do Estado em direção da excelência sanitária. “O que vale isso? É um grande ticket de acesso ao mercado. É um carimbo, um cartão de visitas que o Paraná vai ter na mão para vender produtos aos mercados premium”, informa. Ele exemplifica com o caso de Santa Catarina, único Estado livre de febre aftosa sem vacinação reconhecido pela OIE. “Isso nos representou acesso a mercados com preços diferenciados, como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. Conseguimos vender carne suína para eles por um valor melhor”, conta. De acordo com Spies, atualmente Santa Catarina produz 27% dos suínos do Brasil, porém 54% das exportações de 2019 foram do Estado. “Como eu disse, esse status abre mercado. O que ocorre é que alguns países passam a acreditar mais em você. Se você consegue conviver sem vacinação, todo seu status sanitário para todas as doenças é superior e isso abre portas de mercado”, destaca.

Para Spies, agora é necessário que todo o setor se embase nos princípios da sustentabilidade ambiental, econômica e social da agropecuária nacional. “E aqui entra também outro conceito importante que não podemos nos esquecer que é o bem-estar animal. Nós temos que produzir com certificação de que os nossos animais não são submetidos a nenhum tipo de crueldade e que os alimentos são absolutamente seguros para o consumo”, diz. De acordo com ele, isso é importante para o acesso a novos mercados.

“É preciso provar segurança alimentar”

De acordo com o engenheiro agrônomo, a sanidade é uma questão importante porque o mercado está dando sinais mais claros de que os consumidores vão, cada vez mais, estar dispostos a pagar e exigir produtos seguros. “Há sinais claros também que os produtos que não garantem sanidade não serão perdoados pelo mercado. Eles serão rejeitados”, afirma. Spies informa que o Brasil está se tornando uma vitrine e por isso, todos estão observando atentamente. “Por isso, não basta falar que o nosso produto é produzido com segurança alimentar, é preciso provar. Temos que estar muito atentos. Não basta não ter doenças, temos que ter um sistema que prove que a nossa produção é segura”, assinala. Ele explica que as barreiras alfandegarias e econômicas estão sendo substituídas por barreiras sanitárias e sociais.

Spies comenta que as perspectivas para os próximos anos são boas. “A estimativa da ONU é que em 2050 o mundo tenha 9,6 bilhões de pessoas, um aumento de 30%. Somente a África deve dobrar e o consumo de alimentos deve crescer 55% até aquele ano. E de onde vai vir todo o alimento para essas pessoas?”, questiona.

Segundo o engenheiro agrônomo, atualmente o mundo está diante de três grandes ondas de consumo de alimentos. “A primeira tem cerca de quatro bilhões de bocas que estão chegando no mercado. Somente a China tem 1,4 bilhão de pessoas para alimentar e que já estão no mercado hoje. O gigante asiático tem poder aquisitivo para comprar comida para essa gente toda”, explica. “Logo depois vem a outra onda que é a Índia. Essa é a próxima China, também com 1,3 bilhão de habitantes, mas que são mais pobres que os chineses, mas que ainda assim têm uma forte demanda por alimentos”, diz. “E por fim virá o continente Africano, que tem 1,2 bilhão de pessoas que ainda são muito pobres. É impressionante o que essa gente gostaria de estar consumindo de alimentos”, destaca.

Desafios para competitividade

Spies destaca que são muitos os desafios que existem para a competitividade nacional, mas ele destaca dois: o respeito ao bem-estar animal e a sanidade, e alimentos seguros para a saúde, que terão a preferência do consumidor. “São dois pontos que vão ser fundamentais para nós termos a nossa competitividade preservada”, alerta. “Por isso, defesa sanitária de modo geral e biossegurança é um investimento, não um gasto. Assegurar a sanidade da pecuária e das lavouras e ter segurança alimentar é um atributo inegociável para chegar ao mercado hoje em dia”, afirma.

Ele afirma que investir na segurança alimentar interfere nos custos de produção. “Ter segurança sanitária custa caro? A retirada da vacina de febre aftosa foi uma decisão ousada. Agora, todos precisam investir em defesa preventiva. Quando sai a vacina de um lado da balança, tem que entrar no outro lado a proteção, o reforço na prevenção. E isso envolve educação e conscientização. É muito importante todos fazerem a sua parte, o produtor rural e a agroindústria também, e não deixar somente na mão do governo a responsabilidade de cuidar dos animais e da sanidade”, diz.

Spies comenta que o Brasil tem 220 milhões de bovinos, e a partir deles existem três subpopulações: o rebanho geral do país, o rebanho de Santa Catarina, que são cinco milhões de cabeças que não são vacinados há 20 anos, não tem nenhuma memória vacinal, e o rebanho do Paraná que tem uma vacina suspensa e que não pode mais entrar em contato, de jeito nenhum, com rebanhos de outros Estados. “Essa é a consciência que é preciso ter. Quando retiramos a vacina é para ter 100% de certeza que não há nenhuma circulação viral de febre aftosa no Estado”, afirma.

O engenheiro agrônomo destaca que quando há defesa vacinal de um lado da balança, é preciso reforçar o outro lado, que é a defesa preventiva. “É assim que fazem os países que têm excelência sanitária”, afirma. Ele informa que em Santa Catarina são gastos R$ 700 milhões por ano em pesquisas agropecuárias, extensão rural e defesa sanitária. “A defesa é com R$ 230 milhões por ano no orçamento do governo, mais R$ 52 milhões das agroindústrias para apoio à defesa sanitária. Tem que ter investimento. Você economiza na vacina, ganha em mercado, mas tem que ter investimento no controle”, destaca.

De acordo com Spies, esses são os principais desafios para manter a defesa sanitária depois da retirada da vacina. “É manter o controle das fronteiras sanitárias, a certificação da área livre de peste suína clássica e de febre aftosa junto a OIE, eliminar a brucelose e controlar a tuberculose, manter área livre de influenza aviária, vaca louca, diarreia suína, entre outras, controlar a incidência de salmonella, e controlar a área vegetal, vespa da madeira e ferrugem da soja, entre outras preocupações que temos que controlar para termos um ambiente saudável para produzir alimentos para o mundo”, comenta.

Para ele, o Brasil consegue enfrentar esses desafios que se apresentam para a produção de alimentos sustentáveis no mundo. “A oportunidade está dada. Tem um estudo da ONU que mostra que a renda per capita chega a oito dólares por dia por pessoa, e tudo o que eles ganham a mais de renda vai ser prioritariamente gasto com comida melhor. Esse pessoal, tendo mais dinheiro, vai querer mais comida. E essa é uma grande oportunidade para o Brasil”, conta. “Porém, isso depende de garantir a sanidade do nosso rebanho e lavouras e organizar as cadeias produtivas, coisas em que somos bons”, afirma.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade

Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

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Foto: Coopavel

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.

Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.

Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.

Mais produtividade

Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.

Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.

Fonte: Assessoria Coopavel
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025

Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

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Foto: Divulgação/Adapar

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.

Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.

As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso

O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.

Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.

O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.

Antropozoonoses

Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato

brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.

No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.

Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.

Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN

Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.

Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.

Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.

Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação

a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.

O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.

Prevenção

A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.

Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.

Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves

Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.

Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.

Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves

A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.

Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.

A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo

Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.

O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.

Fonte: AEN-PR
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Exportações de carne bovina batem recorde em 2025

Brasil embarca 3,5 milhões de toneladas, amplia receita para US$ 18 bilhões e fortalece presença em mais de 170 mercados, com liderança da China e avanço expressivo em destinos estratégicos.

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Foto: Shutterstock

Com recordes sucessivos mês a mês, 2025 entra para a história como o maior já registrado nas exportações de carne bovina pelo Brasil. Foram ao todo 3,50 milhões de toneladas, um incremento de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

A carne bovina in natura respondeu pela maior parte dos embarques, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões. Somadas todas as categorias: in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e salgadas, os embarques brasileiros alcançaram mais de 170 países, ampliando a presença internacional do setor e diversificando destinos.

A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, destacaram-se os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão. Na sequência, vêm o Chile (136,3 mil toneladas; US$ 754,5 milhões), a União Europeia (128,9 mil toneladas; US$ 1,06 bilhão), a Rússia (126,4 mil toneladas; US$ 537,1 milhões) e o México (118,0 mil toneladas; US$ 645,4 milhões).

Na comparação com 2024, houve crescimento em volume na maior parte dos principais destinos. As exportações para a China avançaram 22,8% no acumulado do ano, enquanto os Estados Unidos registraram alta de 18,3%. A União Europeia apresentou crescimento de 132,8%, e o Chile, de 29,8%. Também se destacaram os aumentos para a Argélia (+292,6%), o Egito (+222,5%) e os Emirados Árabes Unidos (+176,1%).

Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a resiliência e a maturidade do setor. “O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida.

Os resultados de 2025 refletem a atuação conjunta da ABIEC, de suas empresas associadas e do setor público, com destaque para a parceria com a ApexBrasil, por meio do Projeto Setorial Brazilian Beef, e para o diálogo permanente e o apoio do Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE), além da interlocução institucional com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Para 2026, a avaliação da Associação é de otimismo com realismo, com expectativa de estabilidade em patamar elevado após dois anos consecutivos de forte crescimento e ambiente favorável ao avanço em mercados estratégicos. “Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo. A visão é de um crescimento mais qualificado, com previsibilidade, competitividade e maior valor agregado, e sempre atento às questões geopolíticas”, conclui Perosa.

Dezembro

No mês de dezembro de 2025, o Brasil exportou 347,4 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 1,85 bilhão. A China liderou as compras no mês, com 153,1 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos (27,2 mil toneladas), Chile (17,0 mil toneladas) e União Europeia(11,9 mil toneladas).

Fonte: Assessoria ABIEC
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