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Brasil pode ser o fiel da balança no campo do comércio agrícola

Afirmação foi feita por Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS, diplomata e economista, que participou do 1º Fórum Econômico Brasil-Canadá, em São Paulo.

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Foto: Shutterstock

A relação bilateral Brasil Canadá é um match perfeito entre as oportunidades e os recursos necessários para temas como segurança alimentar e segurança energética. A afirmação foi feita por Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos BRICS, diplomata e economista, que participou do 1º Fórum Econômico Brasil-Canadá, realizado na Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), em São Paulo.

Os avanços nas negociações do acordo de livre-comércio entre os países do Mercosul e o Canadá e as oportunidades de negócios entre Brasil e Canadá diante do novo cenário político brasileiro foram outros assuntos que marcaram as discussões entre especialistas brasileiros e canadenses durante o evento.

Com uma plateia formada por representantes do governo canadense e de empresas brasileiras e canadenses, as discussões priorizaram os temas mais relevantes para o atual momento do comércio bilateral entre Brasil e Canadá, que bateu recorde em 2022 e atingiu a marca de US$ 10,5 bilhões, um crescimento de 41% em relação a igual período de 2021.

O presidente da CCBC, Ronaldo Ramos, deu as boas vindas aos convidados e ressaltou a importância dos 50 anos de existência da CCBC. “Há 50 anos representamos um número significativo de empresas e instituições que operam no Brasil e no Canadá de diversos setores da economia, como mineração, saúde, ciências da vida, infraestrutura, energia, agronegócios, cultura, turismo, logística, educação, alta tecnologia, IA e serviços financeiros. É um mosaico de setores que têm muita sinergia entre os dois países. Temos trabalhado por meio de missões comerciais, rodadas de negócios, criação de hubs para apoiar a internacionalização de empresas brasileiras e canadenses, e eventos como esse. Temos um trabalho alinhado com as embaixadas, agências de fomento e instituições nos dois países e principalmente com as pessoas que atuam nos dois países”, afirmou.

Relação Brasil-Canadá

O atual estágio das negociações do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e o Canadá e as oportunidades de negócios nos setores de alimentos, mineração e infraestrutura estiveram no centro das discussões durante o evento. Marcos Troyjo falou sobre o marco global no qual se inserem as relações entre o Brasil e o Canadá.

Ex-presidente do Banco dos BRICS, diplomata e economista, Marcos Troyjo: “Se existe um casamento perfeito entre o potencial de absorção de recursos de infraestrutura e a disponibilidade de alocação de capital, sobretudo por parte de investidores institucionais, isso é refletido na bilateral Brasil Canadá” – Foto: Divulgação

De acordo com ele, a conjunção do aumento da população mundial e do crescimento econômico resultantes da expansão dos países emergentes é uma oportunidade extraordinária para o Brasil e o Canadá na construção de parcerias nos setores de alimentos, ou de atividades conjuntas no campo de mineração e infraestrutura. “O Brasil tem papel preponderante em temas como segurança alimentar e segurança energética. Dos quatro maiores produtores de alimentos do mundo (China, Índia, EUA e Brasil), por exemplo, o Brasil pode desempenhar o papel de fiel da balança no campo do comércio agrícola. E se existe um casamento perfeito entre o potencial de absorção de recursos de infraestrutura e a disponibilidade de alocação de capital, sobretudo por parte de investidores institucionais, isso é refletido na bilateral Brasil Canadá. É um match perfeito entre as oportunidades e os recursos necessários”, observa.

“O acordo Canadá Mercosul é outro ponto muito importante. Precisamos entender que os acordos comerciais deixaram de ser sobre tarifas e cotas, mas sim de investimentos ou de associações econômicas. O grande core dos acordos é a coincidência de objetivos para o seguimento de determinados padrões de respeito como propriedade intelectual, regras ambientais, compras governamentais. Ou seja, esses padrões comuns são o que caracterizam os acordos de quarta geração e que devem pautar os acordos entre o Brasil e o Canadá”, pondera.

Pedro Bório, Embaixador do Brasil no Canadá, ressaltou que as relações políticas entre os dois países voltaram a acontecer com mais fluidez no pós-pandemia e destacou o encontro recente entre o presidente Luís Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, na cúpula do G7, como um dos principais acontecimentos para acelerar as negociações.

“Acreditamos que as conversas podem avançar ainda mais após o período da pandemia. É importante que as empresas canadenses possam trazer parceiros comerciais para conhecer a realidade brasileira, e a abertura dos escritórios comerciais da CCBC em outros estados contribui significativamente para isso. Temos laços muito sólidos com a província de Alberta e as províncias do leste do Canadá. Recentemente fechamos acordos com Quebéc. As perspectivas são enormes e existem várias oportunidades inexploradas para os dois países e a CCBC pode ter um papel central nesse processo de aproximação e negociação”, avalia.

Emmanuel Kamarianakis, Embaixador do Canadá no Brasil, destacou a importância do comércio bilateral entre os dois países e lembrou os investimentos realizados pelos dois países. “A CCBC foi essencial para a conquista de todos os resultados positivos entre os dois países, que são líderes globais em muitos setores como agricultura, mineração, aeroespacial e tecnologias limpa. O Canadá reconhece o Brasil como força econômica relevante na América do Sul”, disse. “Temos uma longa parceria de negócios em áreas globais, como defesa e segurança, saúde, mineração, ciência e tecnologia, e inovação e queremos estreitar ainda mais os laços com o Brasil”, acrescenta.

David Verbinski, Cônsul Geral do Canadá no Rio de Janeiro, chamou a atenção para a importância do trabalho conjunto da CCBC e do governo canadense com parceiros públicos e privados para reforçar as agendas referentes a segurança climática e a segurança alimentar. “Estamos comprometidos em criar parcerias comerciais e isso inclui negociações em curso para o acordo de livre comércio com o Mercosul, bem como a agenda de diversificação comercial. A medida é essencial para trabalharmos com parceiros comerciais públicos e privados para abordar questões críticas como segurança climática e alimentar. O Canadá continua dedicado a isso e reunindo líderes da indústria para compartilhar ideias”, afirmou.

David também apontou a importância da abertura dos Chapters (escritórios locais) pela CCBC em vários estados brasileiros como uma ação importante para ampliar as conexões com empresas em diferentes regiões do Brasil. “O objetivo de continuar promovendo uma relação econômica robusta e dinâmica entre os dois países é também para que contribua para o desenvolvimento sustentável, a criação de empregos e o bem-estar da sociedade. Com o apoio da CCBC podemos desbloquear todo o potencial da relação econômica do Brasil com o Canadá”, resumiu.

Painel Tendências e Perspectivas Brasil Canadá

Randall Bartlett, sênior director of Canadian Economics do banco Desjardins, abriu as discussões do painel sobre Tendências e Perspectivas Brasil-Canadá. Ele apresentou dados recentes sobre o cenário atual da economia canadense e falou sobre a decisão do Banco do Canadá em elevar sua taxa básica de juros em 25 pontos-base, a 4,75% ao ano, em níveis que não eram registrados desde a crise global. Ele explicou que a decisão do Banco do Canadá poderá favorecer a retomada do crescimento em 2024 e que aguardam um novo aumento em julho. De acordo com Bartlett, a inflação deve diminuir no Canadá de forma gradual ao longo de 2023, favorecendo a retomada das atividades econômicas.

Rodolfo Margato, vice-presidente de pesquisas econômicas da XP Investimentos, disse que Brasil e Canadá estão bem posicionados em relação ao cenário mundial em 2023. Margato fez uma exposição sobre a economia brasileira e as maiores economias mundiais e ainda discorreu sobre a exportação de commodities. De acordo com ele, o volume demandado em alimentos e metais continua sólido. E à despeito de turbulências no cenário internacional das maiores economias, 2023 ainda é um período de ajuste para o Brasil e para outras grandes economias, de acordo com Margato.

Maria Cristina da Silva Dias, gerente do departamento de interlocução avaliação e estudos de indústria e comércio exterior do BNDES, apresentou o trabalho de apoio do BNDES às empresas exportadoras, garantindo a competitividade das empresas brasileiras no mercado externo, e falou sobre o BNDES Garantias e as operações de pós-embarque.

Painel Perspectivas na Relação Comercial Brasil-Canadá

Na segunda parte do Fórum, foi realizado o painel Perspectivas na Relação Comercial Brasil-Canadá, com moderação de Henrique Palma, Head of Canada Desk da KPMG, para a troca de ideias e discussões a respeito dos desafios comerciais e do apoio da CCBC aos projetos de empresas brasileiras no Canadá e canadenses no Brasil. Participaram Rodrigo Fonseca, sócio da FSL Advogados e Presidente do CAM-CCBC, Wilson Borges, Head of External Affairs & Land Management da Lundin Mining Corporation, Catharina Pires, Diretora de Corporate Affairs Latam da Nutrien Soluções Agrícolas, Arthur Mota, Diretor Sr. Economist & Strategist do BTG Pactual, Camila Covello, Partner and Chief Growth Officer da Quality Global Alliance.

O Fórum faz parte das comemorações dos 50 anos da CCBC, que contará ainda com mais dois eventos: o Canadá Day, nos dias 3 e 4 de julho, e o Summit Brasil-Canadá em 18 e 19 de setembro.

Câmara de Comércio Brasil-Canadá 

A Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) é uma organização independente, mantida pelo setor privado e sem fins lucrativos, fundada em 1973.

Há 50 anos, a CCBC aproxima pessoas, empresas, instituições públicas e privadas de vários setores nos dois países.

Com escritórios no Brasil e no Canadá, a instituição atua na construção de conexões para alavancar negócios, investimentos, estimular a inovação, o intercâmbio tecnológico e cultural bilateral.

Fonte: Assessoria CCBC

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Paraná será polo de produção de insumos para a saúde animal do Brasil

Previsão é que até o início de 2027 sejam disponibilizados os lotes-piloto fabricados no Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários do Tecpar, que está em construção. A unidade produzirá insumos para o diagnóstico de brucelose, tuberculose e leucose bovina.

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Foto: Hedeson Alves/Tecpar

O Paraná caminha para se consolidar como um polo estratégico na produção de insumos para a saúde animal no Brasil. Isso porque avançam as obras do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV) do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). A unidade, que está em construção em Curitiba, produzirá insumos para o diagnóstico de brucelose, tuberculose e leucose bovina, doenças infecciosas que afetam o gado e são um risco à saúde pública e ao agronegócio.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

O mercado veterinário brasileiro aguarda com expectativa a inauguração da nova planta que já está em contagem regressiva para iniciar as operações. A previsão é que os lotes-piloto sejam produzidos até o início de 2027. A entrega da obra atende a uma antiga solicitação do segmento. Atualmente, parte da demanda brasileira pelos insumos é atendida com importação.

O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, enfatiza que o instituto pretende suprir essa necessidade do mercado, fornecendo produtos com qualidade e em quantidade para todo o Brasil, a um custo menor. “A retomada da produção de insumos veterinários vai beneficiar toda a cadeia produtiva da pecuária brasileira, contribuindo para o fim da dependência dos insumos importados, e promovendo a independência tecnológica do país. Além disso, os consumidores de produtos de origem animal também serão beneficiados, já que o custo da importação é repassado para o valor final do produto na prateleira”, ressalta Marafon.

Referência em saúde animal desde a sua fundação, o Tecpar produziu testes sorológicos que abasteceram a demanda nacional por três

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

décadas, porém, para atender a novos requisitos de biossegurança, a planta iniciou um projeto de atualização das práticas de fabricação.

A conclusão da obra é aguardada por representantes de toda a cadeia de usuários de insumos para diagnóstico de brucelose e tuberculose, evidenciando como cada segmento contribui para a eficácia dos diagnósticos e fortalecimento das ações de controle sanitário no País.

Segundo o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, os diagnósticos de brucelose e tuberculose serão o próximo desafio para a sanidade animal no Brasil, e isso exige a produção dos antígenos para o diagnóstico dos rebanhos. “Esse novo laboratório vai trazer para todos nós, que trabalhamos com sanidade animal, uma tranquilidade em relação à produção de antígenos, que estarão à disposição dos profissionais que fazem o diagnóstico em todo o Paraná”, menciona.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

“Estamos ansiosos para que essa produção aconteça, e que possamos dizer para todo o Brasil que aqui temos antígeno suficiente para atender todo o rebanho bovino do País”, salienta Martins. “É um momento muito importante em que o Governo do Estado, investindo esse recurso junto ao Tecpar, que é um órgão de excelência, vai poder fornecer os insumos necessários à pecuária bovina brasileira e, quiçá, também à pecuária bovina do Exterior”, complementa.

Leiteira

O médico-veterinário e superintendente da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), Altair Valloto, confirma que existe uma grande expectativa do setor pecuário, principalmente da cadeia produtiva do leite, para a retomada da produção dos insumos para kit diagnóstico.

O Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil, com uma produção anual de 4,5 bilhões de litros, além de possuir uma grande população de animais da pecuária leiteira e ser um grande exportador de genética para os outros estados.

Para Valotto, os kits diagnósticos são a base para animais saudáveis, para que produzam alimentos seguros e de qualidade. “A retomada da

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

produção pelo Tecpar é muito importante, porque temos uma necessidade muito grande, e precisamos exportar leite e animais para os outros países. E como vamos exportar se não tivermos como comprovar sanidade de nossos rebanhos? A associação tem trabalhado intensamente, monitorando a tuberculose e a brucelose, duas doenças que têm um impacto significativo na produção. Sem os kits, isso não é possível, por isso eles são o grande pilar da sanidade animal”, ressalta.

Sem atraso

A produção dos insumos veterinários no Paraná também vai facilitar o trabalho do médico veterinário Pedro Paulo Benyunes Vieira, sócio-proprietário de uma clínica especializada em reprodução e produção de bovinos do município de Carambeí, que atende toda a região dos Campos Gerais.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

Segundo ele, a produção local favorece a questão logística, fazendo que os produtos cheguem ao usuário final com mais rapidez do que se viessem de outros lugares, principalmente quando o insumo é importado. “Nossa expectativa em relação ao retorno da produção de insumos para kits diagnósticos pelo Tecpar é que possamos ter uma constância maior de produtos nas lojas e cooperativas onde compramos os insumos, para que possamos atender à demanda e não fiquem exames em atraso”, ressalta o médico-veterinário, que está entre os profissionais habilitados no Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal.

Produtos

Ao todo, sete insumos serão produzidos pelo Tecpar: tuberculina PPD bovina, tuberculina PPD aviária, antígeno acidificado tamponado (AAT), prova lenta (PL) em tubos, anel do leite Ring Test (RT), kit para diagnóstico da brucelose ovina e kit para diagnóstico da leucose bovina.

Esses produtos integram o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), vinculado ao

Foto: Hedeson Alves/Tecpar

Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Além de abastecer o Paraná, o foco é a comercialização destes insumos junto aos demais estados que possuem maior rebanho leiteiro do País: Minas Gerais, Goiás, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

“O Tecpar vem atualizando o seu processo produtivo frequentemente, alcançando novos patamares de qualidade. O conhecimento e a expertise adquiridos em mais de sete décadas de atuação capacitam o instituto para tratar de um projeto de elevada complexidade. Esse investimento terá reflexos diretos na exportação agropecuária, que precisa atender às exigências sanitárias cada vez mais altas por parte dos países importadores”, destaca a gerente do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários, Giselle Almeida Nocera Espírito Santo.

A área total do CIV será de 3 mil metros quadrados e a capacidade produtiva prevista da planta é de 40 milhões de doses ao ano. O investimento do Governo do Estado na construção é de R$ 41,5 milhões, e mais R$ 30 milhões em equipamentos técnicos. Os recursos são do Fundo Paraná, dotação de fomento científico gerida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

Fonte: AEN-PR
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Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano debate momento histórico de progresso para o setor

Evento em Foz do Iguaçu (PR), de 14 a 16 de abril, destaca novo patamar para o biocombustível, a partir das oportunidades e desafios das recentes conquistas regulatórias.

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Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é anual e itinerante nos três estados do Sul - Foto: César Silvestro

Foz do Iguaçu (PR) será palco do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB) entre terça (14) e quinta-feira (16). Serão 48 horas de programação. Em nove painéis, sendo o primeiro “Biogás, Biometano e Políticas Públicas”, especialistas apresentarão contribuições para o debate sobre o futuro do setor. Inscrições podem ser feitas clicando aqui.

Foto: Divulgação/UQ Eventos

No Espaço de Negócios, mais de 60 expositores vão mostrar produtos, serviços, equipamentos e resultados de projetos para a cadeia do biogás. Nas visitas técnicas, os participantes irão conhecer de perto sete unidades geradoras de biogás, instaladas em seis municípios do Oeste do Paraná.

Recentes avanços na legislação, especialmente a Lei do Combustível do Futuro, abrem mercado, atendem demandas históricas do setor e dão ao biometano a oportunidade de protagonismo na transição energética brasileira. Na mesma intensidade das oportunidades, essas mudanças também propõem desafios.

Para o biometano atingir seu potencial de ser um dos combustíveis dessa nova era energética, vai precisar investir na qualidade do produto e dos processos, na capacidade produtiva para atender à demanda e na estrutura para aumentar a sua abrangência em um país de proporção continental. E esse “futuro” proposto pela legislação tem a urgência do “presente”. É com foco nos desafios que o 8° FSBBB define o tema central da edição: Biometano: bem feito, suficiente, bem distribuído.

São mais de 800 participantes inscritos nesta edição, que tem confirmada a presença de público de 16 países. O evento, no Bourbon

Foto: César Silvestro

Thermas Eco Resort Cataratas do Iguaçu, reunirá especialistas, produtores de biogás, pesquisadores e representantes dos setores público e privado.

O coordenador-geral do Fórum, Felipe Souza Marques, diretor-presidente do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), de Foz do Iguaçu, destaca que o debate é fundamental, levando-se em conta as novas oportunidades para o setor. “Estamos vivendo um momento decisivo para o biometano. A demanda que virá é uma conquista de muito esforço do setor, que agora precisa responder à altura, com produtividade, qualidade e estratégia de distribuição. Temos muito a crescer se soubermos aproveitar essa oportunidade”, afirma Felipe.

Mais unidades produtoras
Em 2024, houve um acréscimo de 248 novas unidades de produção de biogás no Brasil, de acordo com o Panorama do Biogás, elaborado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CiBiogás). No total, são 1.633 plantas. O setor se amplia principalmente a partir de unidades produtoras de pequeno e médio porte, embora as grandes plantas concentrem a maior parte da produção. O biogás está presente em 611 municípios e 24 estados. Os três estados do Sul do Brasil estão entre os 10 mais representativos em número de plantas de biogás: PR (490), SC (130) e RS (81).

Foto: Leonardo Leite

O setor representa uma solução energética eficiente e sustentável e constitui alternativa segura para a disponibilidade de combustível e de biofertilizantes ao País. “Os conflitos mundo afora e seus impactos colocam o biogás, o biometano e o digestato em um novo patamar. Disponibilidade regional passa a ser questão-chave. Dependência de importação é um risco ao qual o Brasil deve estar atento, especialmente no que se refere aos transportes e ao agronegócio”, destaca Felipe Marques.

Dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) indicam que há potencial no país para a produção de 120MMm³/dia de biometano, principalmente a partir dos segmentos sucroenergético, de proteína animal e agrícola.

Potencial do setor na programação
Além de painéis, o Fórum contará com um Espaço de Negócios, a premiação Melhores do Biogás Brasil e o Momento Startups. O último dia será reservado às visitas técnicas.

Foto: Leonardo Leite

Realizado pelo CIBiogás, pela Embrapa Suínos e Aves, e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (SBERA). O Fórum é anual e itinerante nos três estados do Sul.

Por dentro da programação do 8º FSBBB

Painéis temáticos:

– Biogás, Biometano e Políticas Públicas
– O Mercado dos Certificados
– Mobilidade a Biometano
– Energia Elétrica – Novas Abordagens
– O negócio dos Substratos e as Culturas Energéticas
– Investimentos na Cadeia de Biogás e Biometano
– Indústria do Biogás
– Biometano e Gás Natural
– Biogás na Prática
– Oportunidades e Desafios Setoriais

Prêmio Melhores do Biogás Brasil – Nesta edição haverá entrega do prêmio em cinco categorias, sendo duas inéditas: Consumidor de Biogás/Biometano e Mobilidade com Biometano, além de Profissional, Organização e Plantas/Unidades Geradoras de Biogás (incluindo as subcategorias Saneamento, Pecuária e Indústria).

Foto: Leonardo Leite

Startups de Biogás – O Momento Startups, uma iniciativa do Fórum em parceria com o Pollen – Parque Científico e Tecnológico de Chapecó (SC), da Unochapecó, e Agência de Inovação da Universidade de Caxias do Sul (RS), terá três startups apresentando soluções inovadoras para a cadeia do biogás.

Espaço de Negócios – Destinado para expositores apresentarem suas marcas, produtos, serviços, equipamentos e resultados de projetos. Acontece entre as plenárias e permite a troca de ideias, além de oportunizar negócios e parcerias.

Visitas Técnicas – Na quinta-feira (16) será dedicado às visitas técnicas, em quatro roteiros na região: nas unidades de biogás nas cooperativas Frimesa e Copacol, nos municípios de Medianeira e Jesuítas, respectivamente; em Toledo, nas plantas Biokohler/Biograss e Central Bioenergia de Toledo; em Santa Helena, na Granja Haacke e em Itaipulândia, na Usina Rui; e na UD Itaipu, em Foz do Iguaçu.

Pré-eventos – Na segunda-feira (13) está programada uma agenda de reuniões, encontros e workshop, reunindo agentes da cadeia do biogás sobre energia elétrica, transporte com biometano no agronegócio, laboratórios e o Encontro Mulheres do Biogás.

Foto: Leonardo Leite

Panorama do Biogás – Na quarta-feira (15) vai ocorrer o lançamento do Panorama do Biogás no Brasil 2025, documento elaborado pelo CIBiogás que apresenta os dados sobre a produção e aproveitamento energético.

Para saber mais:

O que é biogás

O biogás é formado a partir da decomposição da matéria orgânica, por microrganismos, gerando uma mistura gasosa rica em gás metano, que pode ser usado em substituição aos compostos de origem fóssil e não renovável. Pode ser usado como fonte de calor (ex: aquecimento da água, em caldeiras industriais) ou mesmo na produção de energia elétrica renovável, distribuída na rede. 

Foto: Divulgação

Em paralelo, o biogás pode ser purificado e usado diretamente como combustível veicular em substituição ao GNV. Atualmente, pesquisas mostram potenciais ainda maiores do biogás, podendo ser matéria-prima para produzir hidrogênio e amônia verde ou mesmo precursor de SAF (Combustível  Sustentável de Aviação).

A produção do biogás ocorre no biodigestor e o material digerido, chamado de digestato, possui valor agronômico e torna o processo circular, o que amplia a sustentabilidade das cadeias produtivas envolvidas.

Quem pode produzir biogás

Os substratos utilizados para produção de biogás no Brasil estão divididos em três categorias:

Agropecuária – Envolve as atividades de criação de animais como avicultura, bovinocultura, suinocultura, ovinocultura, dentre outros.

Indústria – Contempla abatedouros e frigoríficos, usinas de açúcar e etanol, fecularias e amidonarias, cervejarias, indústrias de óleo vegetal, gelatina, entre outros.

Saneamento – Contempla os aterros sanitários (RSU), as usinas de tratamento de resíduos orgânicos e as estações de tratamento de esgoto (ETE).

Fonte: Assessoria FSBBB
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Reforma tributária passa a taxar insumos do agro e pressiona custos no campo

Tributação de até 10% sobre fertilizantes, sementes e defensivos preocupa setor produtivo.

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Desde 1º de abril, insumos essenciais à produção agropecuária, como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, deixaram de contar com a isenção dos impostos Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A mudança faz parte da reforma tributária, em vigor desde o início do ano. Diante do início da tributação, o Sistema Faep pede que o governo federal prorrogue o prazo para cobrança.

“O momento de iniciar a cobrança é totalmente descabido. Há diversos fatores geopolíticos que estão influenciando negativamente o fornecimento dos insumos, gerando transtornos no meio rural e alta dos custos ao produtor rural. Por isso, é necessária a revisão dessa medida e a prorrogação do prazo para a tributação”, diz o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Com o fim da isenção, esses insumos passaram a ser tributados em 0,925%, podendo chegar a até 10%, dependendo do regime tributário adotado pelo produtor. Na prática, a medida encarece diretamente o custo de produção, especialmente em culturas intensivas em tecnologia, como soja, milho e algodão.

Esse aumento do imposto sobre fertilizantes ocorre em um momento em que Rússia e China, maiores fornecedores do produto no mundo, estão restringindo as exportações. O Brasil é diretamente impactado por esse cenário global. Atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que torna o setor vulnerável a oscilações de preços e restrições de oferta causadas por fatores geopolíticos, como conflitos internacionais.

Meneguette atenta para o fato de que, do ponto de vista econômico, tributar insumos estratégicos equivale a tributar a produção antes mesmo do plantio. Além disso, o resultado é um aumento do custo marginal da produção agrícola, que tende a se propagar ao longo de toda a cadeia, resultando em inflação e alta dos alimentos a população.

“É fundamental a suspensão temporária ou a prorrogação da cobrança de PIS e Cofins sobre fertilizantes e insumos estratégicos, enquanto persistirem condições adversas no mercado internacional. Isso é uma decisão estratégica para o setor continuar produzindo com qualidade e eficiência”, complementa o presidente do Sistema Faep.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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