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Brasil pode se tornar o país do milho, mas gargalos logísticos e de armazenamento freiam crescimento

Conforme a última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita total do cereal deve atingir 119,6 milhões de toneladas, volume 3,3% superior ao da temporada anterior, que foi de 115,72 milhões de toneladas.

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Após uma temporada marcada por altas temperaturas e chuvas irregulares, a produção de milho na safra 2024/25 deve apresentar crescimento. Conforme a última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita total do cereal deve atingir 119,6 milhões de toneladas, volume 3,3% superior ao da temporada anterior, que foi de 115,72 milhões de toneladas.

Apesar da previsão positiva para a produção total, a primeira safra de milho deve enfrentar uma redução de 6,4% na área semeada. No entanto, a produtividade média do ciclo inicial tende a crescer 4,8%, alcançando 6.062 quilos por hectare. A colheita da primeira safra está projetada em 22,53 milhões de toneladas. “Esse desempenho positivo está atrelado às condições climáticas mais favoráveis, com precipitações frequentes e intervalos de sol, fatores que impulsionaram o desenvolvimento da cultura nas principais regiões produtoras”, afirma o agropecuarista e presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini.

Enquanto isso, a semeadura do milho safrinha já ultrapassa 70% da área de plantio e as condições climáticas, nas principais regiões produtoras, favorecem o cultivo. E a terceira safra será plantada entre abril e junho, predominantemente nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Roraima. Bertolini ressalta que a evolução das lavouras será determinante para confirmar a projeção de crescimento na produção total do grão, especialmente considerando os desafios climáticos e logísticos que podem surgir ao longo do ciclo produtivo.

Desafios enfrentados na safra 2023/24

A safra de milho 2023/24 foi marcada por dificuldades, com altos custos de produção e perdas de produtividade devido às condições climáticas adversas, o que acarretou uma queda de 12,3% na produção em relação ao ciclo anterior. O excesso de chuvas em algumas regiões e a estiagem em outras impactaram diretamente as lavouras. “No Centro-Oeste, a falta de chuvas prejudicou o desenvolvimento das plantações, enquanto no Sul, o excesso hídrico foi o principal problema”, menciona o presidente da Abramilho.

Além dos desafios climáticos, gargalos logísticos comprometeram o escoamento da safra. “O milho compete diretamente com a soja na utilização de rodovias, ferrovias e portos. E neste embate, o milho fica em desvantagem, afetando a renda dos produtores. Outro fator limitante foi o déficit de silos e armazéns, principalmente dentro das fazendas, dificultando o armazenamento adequado do cereal”, aponta Bertolini.

Oscilações de preço

O preço do milho ao longo de 2024 apresentou oscilações expressivas, influenciadas por fatores como clima, oferta, demanda e políticas comerciais. Mas apesar de uma queda acentuada no primeiro semestre, as cotações registraram forte recuperação na segunda metade do ano. O valor do grão chegou a recuar quase 20% em relação ao fechamento de 2023, mas encerrou o ano com alta de aproximadamente 5%.

Em dezembro, uma saca de 60 kg era cotada em média a R$ 72,70. Ao longo do ano, o milho atingiu preço mínimo de R$ 55,80 e máximo de R$ 74,70 por saca. “No final de 2024 houve um certo fortalecimento nos valores, entretanto, os altos custos de produção e a queda na produtividade impactaram diretamente a rentabilidade dos agricultores. Então, nossa expectativa para 2025 é de uma melhora na renda dos agricultores e no crescimento da industrialização do milho”, afirmou Bertolini.

Consumo interno

O consumo interno de milho no Brasil é impulsionado pelo setor de ração animal, seguido pela produção de etanol, que vem crescendo ano após ano. A expansão das usinas de etanol de milho, especialmente em áreas de fronteira agrícola, contribui para a liquidez do grão e oferece previsibilidade ao setor.

Atualmente, cerca de 70% da produção é destinada ao mercado interno, enquanto 30% é exportado. Em 2024, as exportações ultrapassaram 39 milhões de toneladas. Com um consumo próximo a 83,57 milhões de toneladas, o estoque final do produto se estabeleceu em torno de 2,5 milhões de toneladas.

Exportações brasileiras de milho

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras de milho em 2024 caíram 28,8% em relação a 2023, totalizando 39,78 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a dezembro. O Mato Grosso, maior produtor do país, respondeu por 68% desse volume, com embarques de 27,03 milhões de toneladas, queda de 8,47% em relação ao ano anterior. A retração nas exportações está associada à menor oferta do grão na safra 2023/24, especialmente no segundo semestre.

Foto: Claudio Neves

De acordo com o Radar Agro do Itaú BBA, a principal razão para essa diminuição nos embarques do cereal foi a redução da procura asiática, com destaque para os mercados da Coreia do Sul, China e Japão. “Durante boa parte de 2024, os preços do milho no Brasil ficaram acima da paridade de exportação, o que tornou o produto menos competitivo em comparação ao milho americano. Por outro lado, o mercado africano registrou um aumento expressivo na demanda, dobrando a quantidade importada do Brasil, com destaque para o Egito, que passou a ser o maior destino do cereal brasileiro, comprando 14% do total exportado. O volume de exportações para o país árabe foi 240% maior que no ano anterior”, informa o boletim da consultoria, citando que os preços do milho caíram 16%, atingindo US$ 202,6 por tonelada.

As exportações para a China e o Japão despencaram 86,9% e 65,1%, respectivamente. Em contrapartida, Egito e Irã ampliaram suas aquisições, assumindo a liderança entre os destinos do cereal.

O desempenho do setor também foi afetado pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, que alterou o fluxo de exportações para a Ásia e Europa. A Ucrânia, tradicional fornecedora de milho para esses mercados, teve sua capacidade de produção e escoamento reduzida, beneficiando os três maiores exportadores globais: Estados Unidos, Brasil e Argentina.

Produção global de milho

Foto: Claudio Neves

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou, em janeiro de 2025, que a produção mundial de milho na safra 2024/25 deve atingir 1.214 bilhão de toneladas. Nos EUA, a colheita deve totalizar 377,6 milhões de toneladas, uma retração de 3,1% em relação ao ciclo anterior. Para o Brasil, a projeção é de 127 milhões de toneladas, crescimento de 4,1%. Na Argentina, a produção deve atingir 51 milhões de toneladas, alta de 2%. E as exportações globais estão previstas em 191,4 milhões de toneladas, leve recuo de 0,3%. Já os estoques finais podem cair 7,6%, chegando a 293,3 milhões de toneladas.

Novas oportunidades

Bertolini revelou que o governo brasileiro também busca ampliar mercado para o DDG (subproduto da produção de etanol). Isso se deve em grande parte ao aumento da produção de etanol de milho no País, que atingiu 7,2 bilhões de litros na safra 2023/24, com projeções de até 8 bilhões na atual temporada. “A perspectiva é de que em 2025 dobre o número de biorrefinarias de milho no Brasil, que atualmente tem 22 em operação. Com isso, a oferta de coproduto deve se elevar tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo”, prevê o presidente da Abramilho.

A produção nacional de DDG foi de 3,5 milhões de toneladas em 2024, aumento de 22,1% em relação ao ano anterior. Usado na ração animal, a exportação do insumo cresceu 26,7% no ano passado, alcançando 797,2 mil toneladas, tendo como principais destinos Vietnã, Nova Zelândia e Espanha.

A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) projeta que o Brasil produza cerca de quatro milhões de toneladas de DDG na safra 2024/25, com previsão de exportar entre 800 mil e um milhão de toneladas. “Além de fortalecer o setor de biocombustíveis, esse crescimento da produção nacional de DDG vai ampliar oportunidades para os produtores de milho”, frisou Bertolini.

Brasil pode se tornar o país do milho

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini: “O Brasil tem potencial para se consolidar como um grande produtor e exportador de milho industrializado, desde que consiga avançar em infraestrutura, armazenagem e logística” – Foto: Divulgação

O ritmo acelerado da produção de etanol de milho pode consolidar o Brasil como uma potência global no cereal. Segundo Bertolini, se o crescimento da indústria de biocombustíveis continuar nesse ritmo, o Brasil poderá ampliar sua participação no mercado internacional, agregar valor à cadeia produtiva e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. A previsão para a safra 2024/25 é de um aumento de 25% na produção de etanol de milho.

A Unem projeta um crescimento de 40 bilhões de toneladas nos próximos 10 anos, mas Bertolini chama atenção para desafios estruturais. “É necessário avanços na logística, com melhorias em rodovias, hidrovias e portos, além da modernização dentro da porteira, especialmente no armazenamento dos grãos”, evidencia, acrescentando: “O crescimento da capacidade estática de armazenamento no Brasil não acompanha o avanço da produção de milho, o que pode gerar um colapso logístico a curto prazo no pós-colheita, cenário que torna ainda mais importante a ampliação dos investimentos em infraestrutura para evitar gargalos no escoamento e armazenamento”.

Além do etanol e da produção de ração animal, o presidente da Abramilho diz que há espaço para expandir o uso industrial do milho, aumentando o valor agregado à cadeia produtiva. “O cereal pode ser utilizado na fabricação de plásticos biodegradáveis, amido para papel e embalagens, entre outras aplicações. Mas para isso é fundamental que o Brasil amplie o processamento interno, diminuindo a dependência da exportação de milho in natura e fortalecendo a indústria local”, salienta Bertolini, enfatizando: “O Brasil tem potencial para se consolidar como um grande produtor e exportador de milho industrializado, desde que consiga avançar em infraestrutura, armazenagem e logística”.

O acesso é gratuito e a edição Suínos pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural

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Acordo UE–Mercosul reforça protagonismo do Brasil no comércio internacional

Após 25 anos de negociações, tratado reforça liderança brasileira no bloco sul-americano e amplia acesso a um dos maiores mercados do mundo.

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A aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul representa um marco estratégico para o Brasil e reposiciona o país no centro das articulações do comércio internacional. A decisão, confirmada nesta sexta-feira (09) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, encerra um processo de negociação iniciado há 25 anos e cria uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo.

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil. Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre diversas commodities (sujeitos a cotas).

Fotos: Divulgação

Com peso determinante dentro do Mercosul, o Brasil teve atuação central na costura política do acordo, especialmente no período em que presidiu o bloco sul-americano. O entendimento é visto como um avanço relevante para a inserção internacional da economia brasileira, ao ampliar o acesso a um mercado que reúne 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto estimado em US$ 22,4 trilhões.

O acordo sinaliza fortalecimento do multilateralismo e da cooperação entre blocos econômicos em um cenário global marcado por tensões comerciais e medidas protecionistas. Para o Brasil, o tratado tende a abrir novas oportunidades para exportações, atração de investimentos e maior previsibilidade nas relações comerciais com a União Europeia, um dos principais parceiros econômicos do país.

Além dos ganhos econômicos, o entendimento tem significado político. A conclusão das negociações reforça o papel do Brasil como articulador regional e interlocutor relevante em fóruns internacionais, ao liderar consensos dentro do Mercosul e dialogar com grandes economias globais.

Brasília - 14/10/2025 -O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Em debate, o projeto de lei (PL 1.087/2025) do governo que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad: “Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico” – Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Com a aprovação pelo lado europeu, a próxima etapa prevê a ratificação formal junto aos países do Mercosul. A presidente da Comissão Europeia poderá viajar ao Paraguai, atual detentor da presidência rotativa do bloco, para a assinatura do acordo com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Nos países sul-americanos, o texto ainda será submetido aos respectivos parlamentos. A entrada em vigor, no entanto, será individual, permitindo que cada país avance conforme a conclusão de seus trâmites internos.

Em nota conjunta, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços destacaram que se trata do maior acordo comercial já negociado pelo Mercosul e um dos mais relevantes firmados pela União Europeia, ressaltando o potencial de ampliar fluxos comerciais, investimentos e a integração do Brasil às cadeias globais de valor.

Ministros destacam benefícios para o Brasil 

Os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) se manifestaram nesta sexta-feira (09) para celebrar o anúncio da União Europeia pela aprovação do acordo comercial com o Mercosul. Nas redes sociais, Haddad classificou o acordo como histórico e uma sinalização para um futuro de pluralidade e oportunidade. “Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico. Uma nova avenida de cooperação se abre nesse momento conturbado, mostrando um novo caminho de pluralidade e oportunidade”, disse Haddad.

Brasília (DF), 19/08/2025 - Comissão de Assuntos EconômicosComissão de Assuntos Econômicos (CAE) promove audiência pública interativa, com a ministra do Planejamento e Orçamento, para que sejam prestadas informações sobre a avaliação da Pasta quanto à eficiência dos subsídios tributários, financeiros e creditícios concedidos pela União; e o cumprimento do disposto no Art. 4º da Emenda Constitucional nº 109, de 2021, que determina ao Governo a apresentação de plano de redução gradual de incentivos e benefícios federais de natureza tributária, até o nível de 2% do PIB. Mesa: ministra de Estado do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: ” O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”  – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Por sua vez, Simone destacou que o acordo irá proporcionar a chegada de produtos brasileiros a mais consumidores, ampliação de investimentos, o que poderá ajudar a reduzir a inflação no país. “Um marco histórico para o multilateralismo! O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Mais acesso a mercados consumidores, mais investimentos, mais integração entre os países e, principalmente, mais produtos disponíveis, maior competição, ajudando a baixar ainda mais a inflação. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação”, afirmou a ministra, em nota oficial.
Repercussões 

Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser uma vitória do diálogo. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.

Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é uma sinalização em favor do comércio internacional. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.

O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigor.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor

Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

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Foto: Divulgação/Copacol

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.

Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.

Na prática

Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.

Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.

Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.

Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.

Comercialização

O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.

Fonte: Assessoria Copacol
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Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA

Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

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Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos

Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.

No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.

Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.

Carne suína

Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intr­a-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.

Aves

Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.

O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intr­a-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.

Cotas do acordo

Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos

A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.

Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.

Confira a Nota Setorial na íntegra:

NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.

O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.

No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.

Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.

No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intr­a-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.

Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.

Fonte: O Presente Rural
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