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Brasil pode ganhar espaço com novas tarifas aplicadas aos EUA, aposta Ricardo Santin
Medida é uma resposta direta às tarifas aplicadas pelo governo americano sobre produtos chineses e pode gerar uma reconfiguração importante no comércio global de proteína animal.

A partir de hoje, 12 de abril, entram em vigor as novas tarifas impostas pela China sobre produtos agropecuários dos Estados Unidos. A medida é uma resposta direta às tarifas aplicadas pelo governo americano sobre produtos chineses e pode gerar uma reconfiguração importante no comércio global de proteína animal. Em coletiva de imprensa realizada na última terça-feira (11), na sede da Cotriguaçu, em Cascavel (PR), Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), destacou que essa mudança pode abrir novas oportunidades para o Brasil nos mercados impactados.
“O Brasil tem trabalhado respeitando a autonomia de cada país. É importante a gente entender que os Estados Unidos tem um presidente eleito legitimamente. Ele está tomando as suas atitudes. As negociações vão ser feitas, mas nós não exportamos nada diretamente para os Estados Unidos que seja tão importante a ponto de ter uma tarifa. A gente exporta bastante carne suína, exporta tilápia, agora começa a exportar ovo. Mas não são volumes que parecem que terão alguma tarifação. Esperamos que não tenham”, explicou Santin.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “O Brasil tem trabalhado respeitando a autonomia de cada país. É importante a gente entender que os Estados Unidos tem um presidente eleito legitimamente. Ele está tomando as suas atitudes”
No entanto, o impacto indireto pode ser significativo. O presidente da ABPA ressaltou que os concorrentes americanos nos mercados onde o Brasil já atua podem sofrer os efeitos dessas tarifas, o que pode beneficiar a posição brasileira. “A gente não gosta de aumentos de tarifas. Por exemplo, a China acabou de retaliar em 15% as importações de carne de frango dos Estados Unidos, em 10% as importações de carne suína. Isso deve sim ter uma readequação desse comércio global”, afirmou.
Os volumes exportados pelos EUA para esses mercados são expressivos e, caso haja uma redução nas compras desses países, o Brasil pode ampliar sua presença. “No ano passado, os Estados Unidos exportaram mais de 140 mil toneladas de carne de frango e mais de 400 mil toneladas de carne suína para a China, exportaram perto de 200 mil toneladas de frango e de suíno para o Canadá e 700 mil toneladas de carne de frango e 140 mil toneladas de carne suína para o México. Ou seja, são volumes muito importantes e impactantes na esfera global”, destacou Santin.
Ele enfatizou que o Brasil já possui presença nesses mercados e pode ganhar espaço caso os EUA percam competitividade devido às novas tarifas. “Em todos esses casos em que os Estados Unidos está promovendo esse aumento de tarifa, já somos parceiros desses mercados. A gente já vende para o Canadá, para o México e para a China. Naturalmente, os produtos americanos não vão desaparecer do mercado, vão para outros países que não tenham sido tarifados ou que não tenham tido uma resposta tarifária”, mencionou.
A mudança pode não refletir em aumento imediato no volume exportado pelo Brasil, mas pode resultar em melhores preços e fortalecer o país como fornecedor confiável. “A gente não gosta de ver esse aumento de tarifas, mas no frigir dos ovos é possível que o Brasil não aumente o volume, mas vai ter efeito no preço e na qualificação das nossas vendas como um parceiro confiável. Acredito que isso possa acontecer já de imediato a partir do dia 12”, apontou o presidente da ABPA.
O Brasil também está preparado para atender uma eventual maior demanda sem comprometer o abastecimento interno. “Estamos prontos, inclusive, para aumentar a produção se precisar, sem tirar a comida da mesa dos brasileiros. Desde a pandemia, nós aumentamos a oferta do mercado interno, trabalhamos no Brasil para fornecer comida para o brasileiro. Cerca de 65% do frango fica no Brasil, 75% do suíno fica no Brasil, 99,2% do ovo fica no Brasil. A gente produz para o brasileiro. Mas, além de aumentar a oferta no mercado interno, como fizemos nos últimos cinco anos e vamos fazer nesse ano também, nós aumentamos as exportações”.
Com a entrada em vigor das novas tarifas hoje, o mercado deve passar por uma fase de adaptação. O Brasil, que já se consolidou como um dos principais players globais na produção e exportação de carne suína e de frango, se coloca em posição estratégica para atender a demanda global. A próxima etapa dependerá de como os importadores reagirão aos novos custos e de eventuais ajustes na política comercial dos Estados Unidos, da China e de outros países impactados pelas tarifações.
Presenças
A coletiva de imprensa contou também com a participação do presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Roberto Kaefer, do presidente da Lar Cooperativa, Irineo da Costa Rodrigues, do presidente da Coopavel, Dilvo Groli, e do presidente da Frimesa, Elias Zydek.

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Agro paulista fecha 2025 com superávit de US$ 21 bilhões
Apesar de oscilações em preços e volumes, exportações seguem firmes e são puxadas por açúcar, carnes e soja. China permanece líder entre os destinos das vendas.

Nos onze primeiros meses de 2025, o agronegócio paulista manteve um bom desempenho no comércio exterior, alcançando um superávit de US$ 21,07 bilhões. O saldo positivo decorre de exportações que somaram US$26,35 bilhões e de importações que totalizaram US$5,28 bilhões.
A participação das exportações do agronegócio paulista no total exportado pelo estado de janeiro a novembro de 2025 foi de 40,6%, enquanto as importações do setor corresponderam a 6,6% do total no estado. “O desempenho do agro paulista mostra que São Paulo está na direção certa. Investir em ciência, infraestrutura, desburocratização e competitividade. Assim, São Paulo alcança um superávit de US$ 21 bilhões porque tem produtores qualificados e políticas públicas que dão segurança e liberdade para produzir. Estamos com grandes expectativas com o fechamento da balança de 2025 e para o desempenho do agro paulista em 2026”, expõe o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Guilherme Piai.
Principais produtos exportados

Foto: Claudio Neves
O complexo sucroalcooleiro foi responsável por 31,3% do total exportado pelo agro paulista, totalizando US$8,2 bilhões. Deste total, o açúcar representou 93,0% e o álcool etílico, etanol, 7,0%. O setor de carnes veio logo em seguida com 15,2% das vendas externas do setor, totalizando US$4 bilhões, com a carne bovina respondendo por 85,1%.
Produtos florestais representaram 10,5% do volume exportado, com US$2,7 bilhões, com 56,2% de celulose e 35,1% de papel. Sucos responderam por 9,9% de participação, somando US$2,6 bilhões, dos quais 97,8% são referentes ao suco de laranja, e complexo soja teve participação de 8,6% do total exportado, registrando US$2,2 bilhões, 78,3% referentes a soja em grão e 16,1% de farelo de soja.
Esses cinco grupos representaram, em conjunto, 75,5% das exportações do agronegócio paulista. O café aparece na sexta posição, com 6,2% de participação na pauta de exportações, somando US$1,6 bilhão, 76,7% referentes ao café verde e 19,5% de café solúvel.
Vale dizer que as variações de valores, em comparação com o mesmo período do ano passado, apontaram aumentos das vendas para os grupos de café (+39,2%), carnes (+24,1%), complexo soja (+1,3%), e quedas nos grupos sucroalcooleiro (-29,6%), produtos florestais (-4,8%) e sucos (-4,9%). Essas variações nas receitas do comércio exterior são derivadas da composição das oscilações tanto de preços como de volumes exportados.
Principais destinos das exportações do agro paulista
A China segue sendo o principal destino das exportações, com 24,4% de participação, adquirindo principalmente produtos do complexo soja, carnes, açúcar e florestais. A União Europeia vem em seguida com 14,3% de participação, e os Estados Unidos somaram 11,8% de participação.
O tarifaço norte-americano foi iniciado em agosto, as exportações para o país apresentaram recuo: em agosto de 14,6%, setembro 32,7%, outubro 32,8% e em novembro a queda foi de 54,9%. Mesmo assim, os Estados Unidos continuam sendo os terceiros maiores compradores do agro de São Paulo. “Até julho vínhamos com um resultado bastante positivo nas exportações para os Estados Unidos. Agosto ainda manteve o desempenho, mas a partir de setembro houve uma desaceleração que se acentuou em novembro. Essa queda foi parcialmente compensada por novos destinos de exportação, como China, México, Canadá, Argentina e União Europeia”, diz o diretor da Apta, Carlos Nabil.
A retirada das tarifas sobre determinados produtos brasileiros foi anunciada por Donald Trump no dia 20 de novembro. Constam na lista divulgada pela Casa Branca produtos como café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau e especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina. Com isso, a expectativa é de melhora no fluxo de embarques, mesmo que demore alguns meses para que haja uma normalização de contratos e exportações.
Participação paulista no agro nacional

Figura 1: Participações das exportações do agro por UF, janeiro a outubro de 2025.
No cenário nacional, o agronegócio paulista manteve posição de destaque, respondendo por 17% das exportações do setor no Brasil. Ocupa a 2ª posição no ranking, logo atrás do estado de Mato Grosso (17,3%). “A projeção para 2026 depende muito do comportamento das principais cadeias produtivas. É algo que precisa ser analisado setor a setor, com base nas previsões específicas de cada safra.”, afirma Nabil.
A análise da balança comercial do agronegócio paulista é elaborada mensalmente pelo diretor da Apta, Carlos Nabil Ghobril, e os pesquisadores José Alberto Ângelo e Marli Dias Mascarenhas Oliveira, do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
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Paraná tem maior aumento do País na estimativa de produção de grãos em novembro
De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção local registrou incremento de 214.900 toneladas. Em seguida aparecem Mato Grosso, com aumento de 62.195 toneladas; Tocantins, com 40.530 toneladas; e Pará, com 31.552 toneladas.

O Paraná, que responde por 13,5% de toda a produção nacional de grãos (cereais, leguminosas e oleaginosas), teve em novembro o maior aumento do Brasil na estimativa de produção em relação ao mês passado. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção local aumentou 214 900 t.
Na sequência aparecem as variações no Mato Grosso (62 195 t), no Tocantins (40 530 t), no Pará (31 552 t), em Santa Catarina (29 708 t), em Minas Gerais (25 308 t), no Amazonas (14 713 t), em Sergipe (10 255 t), no Maranhão (8 260 t), no Acre (2 584 t), em Roraima (2 108 t), em Rondônia (187 t), no Rio de Janeiro (8 t) e no Amapá (3 t). As variações negativas ocorreram na Paraíba (-43 883 t), no Piauí (-27 242 t), no Ceará (-18 426 t), no Distrito Federal (-18 013 t), em Alagoas (-13 087 t), em Goiás (-3 559 t), em Pernambuco (-3 170 t) e no Rio Grande do Norte (-1 225 t).

Foto: Shutterstock
Um dos aumentos foi na produção de cevada. Os maiores produtores do Brasil são o Paraná, com 486,4 mil toneladas, que registrou crescimentos de 3,5% em relação a outubro e de 69,4% em relação a 2024, devendo participar com 80,1% na safra brasileira em 2025, e o Rio Grande do Sul, com uma produção de 101,6 mil toneladas, declínio de 6,9% em relação ao volume produzido em 2024.
A produção da aveia também aumentou no Paraná. Com 246,7 mil toneladas em novembro, houve aumento de 1,3% em relação a outubro e de 48,2% em relação a 2024, com o rendimento médio apresentando crescimento de 36,0%, em relação ao obtido no ano anterior, devendo alcançar 2 381 kg/ha. A produção nacional está estimada em 1,4 milhão de toneladas.
O Paraná é o segundo maior produtor brasileiro de milho 2ª safra, com 15,2% do total. A produção deve alcançar 17,6 milhões de toneladas, crescimentos de 1,0% em relação a outubro e de 40,5% em relação ao ano anterior. A produção nacional apresentou crescimentos de 0,3% em relação ao mês anterior e de 26,2% em relação ao volume produzido nessa mesma época em 2024, alcançando 115,9 milhões de toneladas, uma estimativa recorde da série histórica do IBGE.
Em relação à soja, o Paraná, com uma produção de 21,4 milhões de toneladas, deve ter o segundo maior volume colhido no ano, o que representou uma recuperação frente à safra anterior, com crescimento de 14,6%.
Safra nacional
De maneira geral, a safra brasileira de grãos (cereais, leguminosas e oleaginosas), em 2026, deve somar 335,7 milhões de toneladas, declínio de 3,0% em relação a 2025 ou 10,2 milhões de toneladas. A área a ser colhida na safra de 2026 é de 82,3 milhões de hectares, crescimento de 0,9% ou 773,3 mil hectares.
Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 32,0%, seguido pelo Paraná (13,5%), Goiás (11,2%), Rio Grande do Sul (9,4%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%), que, somados, representaram 79,7% do total.
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Fertilizantes e bioinsumos redefinem a produtividade no campo brasileiro em 2025
Com recorde nas entregas de fertilizantes e crescimento acelerado dos bioinsumos, 2025 consolida um novo patamar tecnológico no agronegócio.

O ano de 2025 marcou uma inflexão no desempenho da agricultura brasileira, impulsionada por avanços expressivos no uso de fertilizantes e bioinsumos. A combinação de maior disponibilidade de insumos, modernização das práticas de manejo e adoção de tecnologias aplicadas ao solo e às plantas elevou a produtividade das principais culturas e reforçou o protagonismo do Brasil no cenário global do agronegócio.
Dados do setor mostram que o consumo de fertilizantes cresceu de forma consistente ao longo do ano. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), as entregas ao mercado brasileiro atingiram 35,86 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, alta de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024.
O ritmo de crescimento aproximou o país de um novo recorde anual, mantendo-o na posição de quarto maior mercado mundial de fertilizantes, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos e responsável por cerca de 8% da demanda global. Soja, milho e cana-de-açúcar seguiram como as culturas que mais absorveram nutrientes, respondendo juntas por mais de 70% do consumo nacional.

Foto: Claudio Neves
Na prática, esse avanço reflete melhorias significativas na produtividade. A adoção de recomendações mais precisas de adubação, sistemas de manejo por talhão e o uso de ferramentas digitais de monitoramento reduziram desperdícios e aumentaram a eficiência no uso de nutrientes. Essa evolução sustenta ganhos importantes em safras estratégicas: no milho de verão, por exemplo, projeções para a safra 2025/26 indicaram aumento de produtividade aliado a crescimento de área, mesmo diante de desafios climáticos regionais.
O avanço dos fertilizantes também foi acompanhado por maior previsibilidade ao produtor rural. Com o reforço das importações e a implementação gradual do Plano Nacional de Fertilizantes, o Brasil viveu em 2025 um cenário de oferta mais estável. Esse equilíbrio proporcionou aos agricultores melhores condições para planejar o pacote tecnológico e realizar investimentos com segurança em um contexto de margens mais apertadas.
Se os fertilizantes consolidaram a base produtiva do ano, os bioinsumos foram responsáveis pelo movimento mais dinâmico do setor em 2025. O mercado brasileiro de produtos biológicos registrou expansão de 13% na safra de 2024/25, alcançando cerca de 156 milhões de hectares tratados, o equivalente a um quarto de toda a área cultivada do país. Em valor, o segmento cresceu 18%, atingindo R$ 4,35 bilhões em vendas. A evolução tecnológica também se intensificou, com maior estabilidade das formulações, produtos direcionados para pragas específicas e crescente uso de drones e aplicações de alta concentração, permitindo adoção em larga escala, inclusive em culturas de grande extensão.
As perspectivas para 2026 reforçam a consolidação desse movimento. A agenda regulatória mais clara para registro e uso de bioinsumos, associada à demanda crescente por práticas agrícolas sustentáveis, tende a elevar ainda mais a participação desses produtos no manejo integrado das lavouras. O resultado esperado é um pacote tecnológico mais eficiente, combinando produtividade e redução da pegada ambiental, alinhado às exigências dos mercados consumidores.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Nesse cenário de evolução tecnológica, a GIROAgro e a VIVAbio reafirmaram seu protagonismo. Empresas 100% nacionais e entre as mais importantes do país, mantiveram em 2025 uma posição de destaque ao oferecer soluções qualificadas em nutrição vegetal, bioinsumos e suporte técnico especializado. A atuação junto aos produtores foi decisiva para a adoção de práticas mais eficientes, reforçando a competitividade do campo brasileiro em um ano marcado por transformações significativas.
O balanço de 2025 evidencia que fertilizantes e bioinsumos deixaram de ser apenas insumos essenciais: tornaram-se motores de uma nova fase do agronegócio brasileiro, sustentada por tecnologia, eficiência e visão de futuro.



