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Embate comercial entre EUA e China reposiciona o agro global

Produtores brasileiros podem se beneficiar das tensões, mas riscos de recessão ainda preocupam o setor.

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O anúncio do ex-presidente Donald Trump, no início de março, sobre a aplicação de tarifas recíprocas a diversos parceiros comerciais dos Estados Unidos abalou os mercados globais e aumentou os riscos de desaceleração econômica mundial. Embora as tarifas tenham sido postergadas por 90 dias, a ameaça segue no ar e, com ela, oportunidades e desafios para o agronegócio brasileiro.

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, os impactos das tarifas variam conforme o cenário geopolítico e o produto exportado. Em um contexto de recessão global, a demanda por commodities como café, suco de laranja e algodão tende a cair, pressionando os preços e reduzindo a competitividade dos exportadores. Já em um cenário mais moderado, sem recessão e com tarifas em patamares negociados, o Brasil pode se beneficiar ao conquistar mercados antes dominados pelos EUA.

Oportunidade nas proteínas
As carnes brasileiras, por sua vez, podem avançar em mercados tradicionalmente abastecidos pelos Estados Unidos. Países como Japão, Coreia do Sul, México, Canadá e Colômbia ainda compram pouco do Brasil, sobretudo carne bovina e suína.

Com a retração de 1,1% na produção americana de carne bovina em 2025 e tarifas sobre concorrentes como Austrália

Foto: Divulgação/Agência Gov

e Argentina, o Brasil pode se tornar um fornecedor mais competitivo.

Soja e algodão mirando a China
Na soja, o Brasil já vem se beneficiando de prêmios de exportação mais altos, com possibilidade de ampliar a fatia nas importações chinesas se for mantida a tarifa de 145% sobre o produto americano. O algodão segue lógica semelhante: embora a China deva importar menos pluma este ano devido a uma grande safra doméstica, o Brasil, com oferta robusta e nova safra recorde prevista, pode preencher parte da lacuna deixada pelos EUA.

Café mais competitivo
O café brasileiro, que já responde por 31% das importações americanas, tende a ganhar espaço frente a concorrentes asiáticos mais penalizados pelas tarifas, como Vietnã (46%), Indonésia (32%) e Índia (26%). A taxa imposta ao Brasil, Colômbia e Honduras ficou em 10%, mantendo a competitividade do produto nacional, sobretudo no segmento robusta.

Suco de laranja sob pressão
O cenário é mais delicado para o suco de laranja. Com uma tarifa de 10% adicionada aos já cobrados USD 415 por tonelada, o produto brasileiro pode perder espaço nos EUA, principal destino das exportações, especialmente frente ao México, que pode permanecer isento. Hoje, o Brasil responde por 70% das importações americanas de suco (em equivalente FCOJ), mas a continuidade desse domínio dependerá da capacidade de redirecionar embarques para a União Europeia e países asiáticos.

A incógnita EUA-China
Apesar dos sinais positivos para o agro brasileiro, tudo pode mudar caso Washington e Pequim voltem à mesa de negociações. Um acordo, como o firmado em 2020 na chamada ‘fase um’, pode levar à remoção das tarifas e à retomada das compras chinesas de produtos agrícolas americanos, o que reduziria o espaço conquistado pelo Brasil.

Por ora, o saldo para o agronegócio nacional é considerado positivo, desde que o cenário não escale para uma recessão global e que os acordos futuros não neutralizem os ganhos comerciais em curso. O Brasil, mais uma vez, precisa combinar estratégia e agilidade para transformar tensões internacionais em vantagem competitiva no campo.

Fonte: O Presente Rural com informações da Consultoria Agro Itaú BBA

Colunistas

Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?

Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

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Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.

O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.

Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.

Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.

Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.

Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.

O sucesso desta ação teve três pontos centrais:

1) Análise

O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.

2) Integração

O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.

3) Correção

Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.

 A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.

Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?

Fonte: Artigo escrito por Rodrigo Capella, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica - Comunicação e Marketing no Agronegócio.
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Mercado de fertilizantes no Brasil mantém forte dependência de importações

Volume soma 40,9 milhões de toneladas até outubro de 2025, com Mato Grosso liderando o consumo nacional.

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Foto: Divulgação/OP Rural

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 5,08 milhões de toneladas em outubro de 2025, alta de 2,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram comercializadas 4,98 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA). No acumulado de janeiro a outubro foram registradas 40,94 milhões de toneladas entregues, com alta de 8,4% em comparação a igual período de 2024, quando o total foram entregues 37,78 milhões de toneladas.

O Estado de Mato Grosso manteve a liderança no consumo, com participação de 22,1% do total nacional, o equivalente a 9,05 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paraná (4,97 milhões), São Paulo (4,35 milhões), Rio Grande do Sul (4,21 milhões) Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões).

A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou outubro de 2025 em 631 mil toneladas, registrando uma queda de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a outubro, o volume chegou a 6,20 milhões de toneladas, avanço de 5,7% em relação com as 5,87 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.

As importações alcançaram no mês de outubro de 2025, 4,38 milhões de toneladas, redução de 1,1% sobre igual período do ano anterior. De janeiro a outubro, o total importado somou 35,88 milhões de toneladas, com crescimento de 7,1% em relação as 33,49 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.

O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada do insumo, foram importadas 8,89 mil toneladas no período, crescimento de 5,8% frente a 2024 (8,40 milhões de toneladas). O terminal representou 24,8% do total de todos os portos, segundo dados do Siacesp/MDIC.

Fonte: Assessoria ANDA
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Produtores têm até 31 de janeiro para regularizar inconsistências fiscais

Receita Federal intensifica fiscalização sobre rendimentos rurais e alerta para risco de autuações e multas após o prazo.

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Foto: Jose Fernando Ogura

A Receita Federal do Brasil intensificou as orientações voltadas à conformidade fiscal no setor rural, com atenção especial aos rendimentos oriundos de arrendamentos de imóveis rurais. A iniciativa integra uma ação nacional de conformidade cujo objetivo é estimular a autorregularização dos contribuintes, permitindo a correção de inconsistências até janeiro de 2026, antes do avanço para etapas de fiscalização mais rigorosas.

Segundo o órgão, é recorrente a subdeclaração ou o enquadramento incorreto dos valores recebidos com arrendamentos, seja por desconhecimento da legislação tributária, seja por falhas no preenchimento das declarações. Para identificar divergências, a Receita Federal tem ampliado o uso de cruzamento de dados, recorrendo a informações de cartórios, registros de imóveis rurais e movimentações financeiras, em um ambiente de fiscalização cada vez mais digital e integrado.

Foto: Jonathan Campos/AEN

O advogado tributarista Gianlucca Contiero Murari avalia que o atual movimento do Fisco representa um ponto de atenção relevante para produtores rurais e proprietários de terras. “A autorregularização é uma oportunidade valiosa para o contribuinte rural corrigir falhas, evitar autuações, multas elevadas e até questionamentos mais complexos no futuro. A Receita Federal tem adotado uma postura cada vez mais preventiva, mas com fiscalização altamente tecnológica”, afirma.

Murari ressalta que os rendimentos provenientes de arrendamento rural exigem cuidado específico no enquadramento e na declaração, de acordo com as regras do Imposto de Renda. Isso inclui a avaliação sobre a tributação como pessoa física ou jurídica, conforme a estrutura da operação. “É fundamental que o produtor ou proprietário busque orientação especializada para avaliar contratos, natureza dos rendimentos e a forma correta de declarar. Um ajuste feito agora é muito menos oneroso do que uma autuação depois”, completa.

Fonte: Assessoria Dosso Toledo Advogados
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