Avicultura
Brasil pede à China regionalização do embargo à carne de frango
Expectativa é que, com base em critérios técnicos e nos precedentes com outros parceiros, a maior potência compradora do frango brasileiro flexibilize sua decisão.

O governo brasileiro intensificou os esforços diplomáticos para reverter o embargo nacional imposto pela China às exportações de carne de frango. A medida foi tomada após a confirmação de um foco de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em plantel comercial localizado no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul.
Embora o acordo sanitário entre os dois países preveja a interrupção das exportações em nível nacional em casos como esse, o Brasil formalizou nesta semana um pedido para que a suspensão seja limitada à região do surto, como já adotado por outros parceiros comerciais, a exemplo do Japão.
O ofício, enviado pela Embaixada do Brasil em Pequim à Administração Geral das Alfândegas da China (GACC), solicita a aplicação de um critério regionalizado para o embargo. O argumento brasileiro é amparado pelas ações imediatas adotadas após a confirmação do foco, como exige o protocolo bilateral vigente.
17 mil aves eliminadas e 70 mil ovos destruídos
Para conter a disseminação do vírus, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) interditou a granja afetada, abateu todas as 17 mil aves do plantel e inutilizou cerca de 70 mil ovos. A propriedade foi desinfetada e medidas de vigilância reforçadas foram estabelecidas num raio de 10 quilômetros.
Na comunicação à autoridade chinesa, o Brasil detalhou todos os protocolos aplicados, como a

Foto: Shutterstock
investigação epidemiológica, a adoção de barreiras sanitárias e o acompanhamento em tempo real das propriedades vizinhas. O governo reforça ainda que a notificação foi feita de forma imediata à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e a todos os países compradores.
Exportações em jogo: 1 em cada 3 frangos vai para o exterior
A China é o maior comprador de carne de frango do Brasil. Só em 2024, foram importadas 562 mil toneladas, o equivalente a 10,5% de todo o volume exportado pelo país. Os Emirados Árabes Unidos vêm em seguida (455 mil toneladas), seguidos por Japão (443 mil), Arábia Saudita (370 mil) e África do Sul (325 mil).

Fotos: Ari Dias
A relevância das exportações é inegável: de cada 100 frangos produzidos no Brasil em 2024, 35 foram destinados ao mercado externo. A produção total atingiu 14,97 milhões de toneladas, com 5,29 milhões exportadas. Isso gerou uma receita de US$ 9,93 bilhões, crescimento de 1,34% em valor e de 2,96% em volume em relação a 2023, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Paralisação em outros mercados segue modelo semelhante
A suspensão das exportações para a China não foi isolada. Outros mercados, como União Europeia, África do Sul, Peru, Rússia, República Dominicana, Bolívia, Marrocos, Paquistão e Sri Lanka também entraram na lista de bloqueios, todos seguindo o mesmo protocolo adotado com o país asiático.
Por outro lado, alguns países optaram por medidas menos rígidas. Japão, Cuba, Bahrein e Reino

Unido restringiram os embargos apenas ao Rio Grande do Sul, enquanto Cingapura, Vietnã, Índia, Paraguai, Filipinas, Jordânia e Hong Kong limitaram a suspensão a um raio de 10 km a partir do foco em Montenegro.
Já México, Coreia do Sul, Chile, Canadá, Uruguai, Malásia e Argentina solicitaram formalmente a paralisação temporária das importações.
Robustez do sistema de controle sanitário
O governo brasileiro aposta na solidez do seu sistema de controle sanitário para convencer os chineses, e outros países, a reverem seus critérios. “Essa ação rápida reflete a seriedade com que o Brasil trata os riscos sanitários e reafirma a eficiência e credibilidade do Serviço Veterinário Oficial brasileiro”, declarou o Itamaraty em nota enviada à GACC.
O Brasil aguarda agora uma resposta da China sobre os próximos passos e documentos exigidos para análise do pedido de regionalização do embargo. A expectativa é que, com base em critérios técnicos e nos precedentes com outros parceiros, a maior potência compradora do frango brasileiro flexibilize sua decisão.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

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A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

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A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

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que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.




