Peixes
Brasil negocia reabertura do mercado europeu para pescado
Ministro André de Paula reforça prioridade estratégica do setor e União Europeia deve realizar auditorias ainda em 2025.

O ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, se reuniu nesta quinta feira (04) com o comissário Olivér Várhelyi, da DG’Santé, a autoridade sanitária da União Europeia. O objetivo da reunião foi discutir a reabertura do mercado europeu para o pescado brasileiro, uma prioridade assumida pelo governo brasileiro desde a recriação do MPA.
A conversa aconteceu na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e contou com a intermediação do ministro Carlos Fávaro. Na oportunidade, André de Paula solicitou a revisão das restrições ao comércio do pescado nos países do bloco. “Queremos acelerar nosso pedido para que possamos voltar a comercializar nosso pescado nos países europeus. Estamos abertos a atender às auditorias da autoridade sanitária ainda em 2025”, afirmou.

Fotos: Claudio Neves
O ministro também destacou a relevância histórica das relações comerciais entre o Brasil e a União Europeia. “Reforço a importância de restaurar nossos laços comerciais, que sempre foram baseados na transparência”, declarou. O comissário Várhelyi explicou que o pedido será analisado pela autoridade sanitária, que planeja realizar as auditorias em breve. Caso as auditorias sejam favoráveis, a reabertura ainda depende da aprovação dos membros da União Europeia.
Histórico das negociações
Desde a recriação do ministério a reabertura do mercado europeu é uma prioridade. Em 2023 a pasta começou a atuar junto com o MAPA no diálogo com a autoridade sanitária da União Europeia. A partir de então, o MPA adotou medidas para atender os critérios higiênico-sanitários de embarcações pesqueiras que desejam exportar para a UE e o Reino Unido.
Em 2024, o MPA e o MAPA receberam uma auditoria da autoridade sanitária do Reino Unido, que trabalha com critérios equivalentes ao dos países do bloco europeu. Já em fevereiro de 2025, representantes dos dois ministérios participaram de uma reunião em Bruxelas, na Bélgica, para discutir o Mecanismo SPS, um sistema de regras e procedimentos para garantir a segurança dos produtos alimentares, vegetais e animais, incluindo as medidas relacionadas com a saúde pública e o bem-estar animal, que regem o comércio de alimentos e outros produtos agrícolas.
Além disso, o MPA tem um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a ApexBrasil para promoção do pescado brasileiro no mercado internacional. Essa parceria já rendeu resultados importantes, como a retomada da presença do pavilhão Brasil na Seafood Expo Global e a inédita participação na Seafood China, em Qingdao.
Para o assessor especial do ministro André de Paula, Carlos Mello, as discussões para a reabertura do mercado europeu ainda devem trazer ótimos resultados. “Nunca foi tão importante fortalecer o posicionamento do pescado brasileiro no comércio exterior. O trabalho do MPA em parceria com a ApexBrasil, com o MAPA e o setor produtivo já tem resultados consistentes nesse sentido. No entanto, seguimos comprometidos e focados na abertura de mercados estratégicos como União Europeia e Reino Unido”, concluiu.

Peixes
Curso nacional capacita multiplicadores para impulsionar a aquicultura brasileira
Formação gratuita reúne aulas presenciais e on-line com foco em inovação, sustentabilidade e desenvolvimento do setor.

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) divulgou o calendário das aulas presenciais e on-line do curso Multiplicadores Aquícolas. A formação tem o objetivo de capacitar profissionais para atuarem como agentes de desenvolvimento da aquicultura, por meio de uma aprendizagem que contemple as diversas áreas do setor, como piscicultura, carcinicultura, malacocultura e algicultura.
O curso é desenvolvido em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Universidade de Brasília (UNB) e é gratuito.
Confira o cronograma das aulas.
Presenciais:
Rio de Janeiro – 15 de maio (sexta-feira)
Políticas públicas para o desenvolvimento da algicultura
Potencial da produção de macroalgas
Macroalgas: cultivando a vida, nutrindo o futuro
Amazonas – 22 de maio (quarta-feira)
Políticas públicas para o desenvolvimento da aquicultura
Panorama da piscicultura de espécies nativas no estado do Amazonas
Paraná – 28 ou 29 de maio (quinta ou sexta)
Políticas públicas para o desenvolvimento da aquicultura
Incentivo ao cooperativismo e associativismo na piscicultura
Sao Paulo – 19 de junho (sexta-feira)
Políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da aquicultura
Sustentabilidade da aquicultura (espécies potenciais, modelos resilientes e bioeconomia)
Aquicultura sustentável e competitiva: inovação, eficiência produtiva e oportunidades para a indústria brasileira
Ceará – 25 a 27 de junho (segunda-feira)
Políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da carcinicultura
Interiorização da carcinicultura: inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional no Ceará
Distrito Federal – 01 de novembro
Políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da aquicultura
SNA em resultados: entregas, avanços e perspectivas para o desenvolvimento sustentável da aquicultura
Formando multiplicadores, transformando a aquicultura: resultados e impactos do Curso Multiplicadores Aquícolas
On-line:
04 a 08 de maio
Segurança Alimentar: o papel da aquicultura na segurança alimentar nacional e global
18 a 23 de maio
Carcinicultura no interior: novas fronteiras, oportunidades e caminhos para produzir com sustentabilidade
01 a 05 de junho
Aquicultura sustentável: espécies promissoras, modelos resilientes e oportunidades na bioeconomia
15 a 19 de junho
Acesso ao crédito na aquicultura: caminhos, oportunidades e como viabilizar seu investimento
29 de junho a 03 de julho
O protagonismo feminino na produção aquícola nacional (governança, academia, produção)
13 a 17 de julho
Do zero ao primeiro tanque: como implantar seu primeiro projeto aquícola
A programação poderá sofrer alterações.
Peixes
Tilápia registra variações pontuais de preço entre regiões
Valores seguem próximos da estabilidade no levantamento do Cepea.

O mercado da tilápia apresentou variações pontuais nos preços pagos ao produtor entre os dias 20 e 24 de abril, segundo levantamento do Cepea. As cotações seguem relativamente estáveis, com movimentos de alta e baixa muito próximos da estabilidade em diferentes regiões produtoras.
Nos Grandes Lagos, o preço médio ficou em R$ 10,05 por quilo, com leve alta de 0,03% na comparação semanal. Em Morada Nova de Minas, o valor registrado foi de R$ 9,80 por quilo, com queda de 0,18%.
No Norte do Paraná, o preço permaneceu praticamente estável em R$ 10,46 por quilo, sem variação percentual significativa no período. Já no Oeste do Paraná, a cotação foi de R$ 8,97 por quilo, com recuo de 0,14%.
No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, o valor médio chegou a R$ 10,23 por quilo, com leve alta de 0,07% na semana analisada.
Os dados indicam um cenário de estabilidade no mercado da tilapicultura, com oscilações pontuais entre as regiões, sem movimentos expressivos de alta ou queda no período analisado.
Peixes
Exportações da piscicultura brasileira caem no 1º trimestre de 2026
Apesar do resultado negativo no trimestre, exportações ganham força no fim de março com retomada do mercado norte-americano.

O comércio exterior da piscicultura brasileira registrou queda no primeiro trimestre de 2026. As exportações somaram US$ 11,2 milhões entre janeiro e março, recuo de 39% em relação aos US$ 18,5 milhões registrados no mesmo período de 2025. Em volume, a retração foi de 41%, passando de 3.900 toneladas para 2.300 toneladas.

Foto: Divulgação/C.Vale
Apesar do resultado negativo no acumulado, os embarques começaram a reagir ao longo do trimestre. Em janeiro, foram exportadas 592 toneladas, com receita de US$ 3 milhões. Em fevereiro, o volume subiu para 711 toneladas, com US$ 3,1 milhões. Já em março, as exportações atingiram 1.006 toneladas e US$ 5,1 milhões.
A recuperação coincide com a redução da tarifa de importação aplicada pelos Estados Unidos no fim de fevereiro, que caiu de 50% para 10%. Com isso, exportadores brasileiros voltaram a embarcar pescado, principalmente filés frescos de tilápia.
Segundo o pesquisador Manoel Pedroza, da Embrapa Pesca e Aquicultura, explica que “A derrubada do tarifaço no mês de fevereiro 2026 permitiu que o Brasil voltasse a exportar pescados para os Estados Unidos com uma tarifa de 10%, o que permitiu aos exportadores brasileiros retomarem os embarques – principalmente de filés frescos de tilápia”.
Outro destaque do período foi o aumento das importações de tilápia do Vietnã. Até o fim de 2025, apenas Santa Catarina e São Paulo compravam o produto. Em fevereiro, Minas Gerais e Rio de Janeiro passaram a importar, seguidos por Pernambuco e Maranhão em março.

Pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Pedroza – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
De acordo com Pedroza, a entrada do produto estrangeiro levanta preocupações sanitárias e econômicas. Há risco de introdução de doenças ainda inexistentes no país e pressão sobre os preços, já que a tilápia vietnamita chega ao Brasil com valores inferiores ao custo de produção nacional. O filé congelado importado tem preço médio de cerca de R$ 21,00 por quilo, sem incluir frete e seguro, favorecido também por subsídios no país de origem e, em alguns estados, isenção de ICMS.
Diante desse cenário, o setor busca diversificar mercados. Países como México e Canadá têm ampliado as compras de tilápia brasileira. A estratégia visa reduzir a dependência dos Estados Unidos, principal destino das exportações, e deve ganhar força nos próximos anos.
Os dados fazem parte do Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, divulgado trimestralmente pela Embrapa em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). A publicação reúne informações sobre o desempenho das exportações e importações do setor no país.



