Avicultura
Brasil moderniza inspeção de abate de frango
Avanços em inspeção baseada em risco, digitalização de processos e novos sistemas de autocontrole buscam aumentar a eficiência sanitária e a competitividade das exportações.

O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) está passando por uma ampla transformação para modernizar e tornar mais eficiente o sistema de inspeção de abate de aves e outros produtos de origem animal.
De acordo com a diretora do Dipoa/Mapa, a médica-veterinária Juliana Satie o objetivo é construir um modelo de inspeção preparado para os próximos 10 anos, que seja ágil, transparente e com base em risco, conectando a tradição da inspeção e fiscalização sanitária com a inovação e a governança de dados. “Buscamos constantemente aprimorar os nossos processos para dar respostas mais rápidas e eficientes aos mercado, tanto interno quanto externo”, enfatizou Juliana, durante sua participação no 11º Encontro Avícola Empresarial Unifrango, realizado em meados de julho em Maringá (PR).
Nos últimos 10 anos, o Dipoa passou por grandes mudanças estruturais, focadas na regionalização, padronização de procedimentos e implementação de princípios de inspeção baseada em risco, como a transição de um modelo centrado por espécie para um modelo orientado por processos, além da verticalização do departamento. A diretora ressalta que essas mudanças permitiram maior eficiência e confiança junto a autoridades sanitárias internacionais.

Médica-veterinária e diretora do Dipoa/Mapa, Juliana Satie: “Nosso objetivo é ter processos cada vez mais integrados e automatizados, pensando 10 anos à frente” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
A transformação digital é outro pilar do departamento. Sistemas robustos estão sendo desenvolvidos para coletar e tratar dados de autocontrole das empresas, agilizar a emissão de certificações e habilitações, e até reduzir custos com papel, especialmente em exportações para mercados como a China. “Estamos criando uma base de dados moderna, rápida e integrada, que poderá ser um hub para futuros módulos de autocontrole e estatísticas, garantindo mais previsibilidade para o setor”, explicou Juliana.
Entre as iniciativas está a implementação do Programa de Incentivo à Conformidade (PIC), regulamentado pelo Decreto 12.126, que fortalece modelos de inspeção baseados em risco e estabelece programas voluntários de autocontrole para estabelecimentos com padrões diferenciados. “A proposta busca agilizar processos, garantir prioridade em certificações e criar regras claras para a adesão de entes privados”, antecipou.
Outro exemplo prático é a modernização do sistema de inspeção de aves. De acordo com Juliana, a implementação do sistema de lavagem de carcaças pré-inspeção já foi adotada por 55% das 135 plantas de abate de aves habilitadas em menos de um ano. “Esse sistema permite reduzir riscos de contaminação gastrointestinal, garantindo mais segurança alimentar e credibilidade para os exportadores”, expôs Juliana.
O Dipoa/Mapa também avançou na centralização de habilitações, criação de sistemas informatizados de certificação e credenciamento de médicos-veterinários para otimizar a força de trabalho e a fiscalização. A expectativa é que essas mudanças reduzam prazos de resposta e aumentem a previsibilidade para empresas e autoridades. “Todos esses resultados refletem o compromisso da nossa equipe, que trabalha com agilidade, técnica e foco em melhoria contínua. Nosso objetivo é ter processos cada vez mais integrados e automatizados, pensando 10 anos à frente”, ressaltou a médica-veterinária.
Com essas ações, o Brasil busca consolidar um sistema de inspeção moderno, confiável e capaz de atender às demandas de um país produtor e exportador de alimentos, alinhando tradição, ciência e inovação.
A versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



