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Brasil mira futuro da proteína animal com foco em tecnologia, sustentabilidade e novos mercados
Presidente da ABPA, Ricardo Santin, destaca caminhos para o setor continuar na liderança da produção mundial.

Com uma produção voltada para exportação e alta tecnificação, o Brasil se prepara para encarar os desafios dos próximos anos no mercado global de proteínas animais. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, que aponta segurança alimentar, sustentabilidade e inovação como vetores centrais na transformação do setor até o fim da década.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “A inteligência artificial tem potencial para cruzar dados de clima, movimentação animal e biosseguridade, permitindo decisões preventivas mais assertivas” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Santin será um dos palestrantes do Alimenta – Congresso e Feira de Proteína Animal, evento que acontece de 16 a 18 de junho, no Campus da Indústria da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em Curitiba (PR). Inscrições seguem abertas e podem ser feitas pelo link alimentaexpo.com.br.
O presidente da ABPA participa do Painel Panorama global das proteínas animais: desafios e oportunidades”, programado para o dia 17 de junho, às 11 horas, no Auditório Mário de Mari. “Estamos diante de uma mudança de rota no consumo global. A demanda cresce, mas exige cada vez mais rastreabilidade, bem-estar animal e impacto ambiental reduzido”, afirma.
Adaptação e estratégia
Segundo Santin, o Brasil já vem respondendo às pressões internacionais com ajustes estruturais e tecnológicos. Investimentos em nutrição de precisão, biosseguridade e tecnologias digitais garantem vantagem competitiva em um cenário de exigências mais rígidas por parte dos importadores.
A diversificação geográfica também faz parte da estratégia. “Além da Ásia, vemos espaço para crescer na África, Oriente Médio e América Latina. O México, por exemplo, surge como mercado relevante diante da reorganização das cadeias globais”, avalia.

Para ampliar sua presença global, o especialista explica que o Brasil ainda precisa avançar em logística multimodal, modernização de portos e integração digital entre os elos da cadeia exportadora. A redução do custo Brasil e o estímulo a acordos comerciais e sanitários também são apontados como prioridades.
Na parte fiscal, Santin defende a adequação tributária que incentive a conversão de proteína vegetal em animal, além da ampliação da malha ferroviária e do uso de plataformas digitais para tornar os processos mais ágeis.
Tecnologia como aliada
Ferramentas de inteligência artificial e big data já são realidade em sistemas de monitoramento zoossanitário. O presidente da ABPA afirma que a entidade, por exemplo, utiliza uma base com mais de três bilhões de dados, capaz de antecipar riscos e orientar decisões de mercado. “A inteligência artificial tem potencial para cruzar dados de clima, movimentação animal e biosseguridade, permitindo decisões preventivas mais assertivas”, pontua.
Ele salienta ainda que a adoção de tecnologias digitais é uma das prioridades da nova fase do convênio entre ABPA e ApexBrasil, que inclui inovação como pilar estratégico para a inserção internacional da proteína brasileira.
Santin também destaca mudanças no perfil do consumidor. As tendências mais relevantes incluem a busca por
produtos com menor impacto ambiental, rastreáveis, com garantias de bem-estar animal e saudabilidade. “A demanda por proteína animal não está diminuindo, mas se sofisticando. Produtos com certificações ESG, novas formas de apresentação e comunicação transparente com o consumidor tendem a ganhar espaço”, esclarece, salientando que a complementaridade com proteínas alternativas e alimentos funcionais também aparece no radar do setor.
Quem faz o evento acontecer
O Alimenta – Congresso e Feira de Proteína Animal é uma realização de O Presente Rural, em parceira com a Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-graduação (Fundep), Holus Comunicação e Sindiavipar.
O evento conta com a Vaccinar como expositora platinum e com a participação de empresas expositoras como Agrifirm, Alivira, Aviagen, Biocamp, Boehringer Ingelheim, Biochem, Buchi Brasil, Cobb, De Heus, Feedis, Huvepharma, Mebrafe, Imeve, Oligo Basics, Ourofino, Prado, Poly Sell, Provita, Sanex, Sauvet, Suiaves, Zheng Chang do Brasil, Phibro e Natural BR Feed.
Tem o apoio da Fiep e da Frimesa, além do apoio institucional de importantes entidades do setor: Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Associação Nacional dos Fabricantes de Equipamentos para Aves e Suínos (Anfeas), Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), Associação Sul-mato-grossense de Suinocultores (Asumas), Asgav, Coopavel e Embrapa Suínos e Aves.
Programação Alimenta – Congresso e Feira Internacional de Proteína Animal
Segunda-feira (16)
Auditório Mário de Mari do Centro de Eventos da Fiep, em Curitiba (PR).
08h às 18h – Inscrições e entrega de credenciais
14h – Painel de Lideranças – Desafios Economia e Mercados das Proteínas Animais
Coordenador: José Antonio Ribas Júnior
Participantes:
- Elias José Zydek – Presidente executivo da Frimesa Cooperativa Central
- Fabio Stumpf – BRF
- Irineo da Costa Rodrigues – Presidente da Lar Cooperativa
- Ricardo Santin – Presidente da ABPA
- Roberto Kaefer – Presidente do Sindiavipar
- Jacir Dariva – Presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS)
- Losivanio de Lorenzi – Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS)
- Valdecir Folador – Presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs)
16h – Intervalo e visitação aos estandes
16h30 – Palestra magna: Cenário global das proteínas animais: passado, presente e futuro
Palestrante: Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco Brics.
18h – Solenidade de abertura
19h – Coquetel de boas-vindas e visitação aos estandes
22h – Encerramento
Terça-feira (17)
Auditório Mário de Mari, do Centro de Eventos da Fiep, em Curitiba (PR).
08h30 – Mercado Global: barreiras que o agro brasileiro deve superar para tornar perene o protagonismo na produção e exportação de proteínas animais
Palestrante: Antônio Cabrera Mano Filho, médico-veterinário e ex-ministro da Agricultura
09h30 – Coffee break e visitação aos estandes
10h – Desafios na abertura de novos mercados
Palestrante: Paulo Guedes, ex-ministro da Economia
11h – Panorama global e como o Brasil deve se preparar para os desafios no mercado global de proteínas animais
Palestrante: Ricardo Santin, presidente da ABPA
12h – Intervalo para almoço e visitação aos estandes
14h – Panorama global no mercado de proteínas animais: o que vendemos e o que o mundo espera de nós
Palestrante: Luis Renato de Alcantara Rua, economista e secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa
14h40 – Diplomacia geopolítica e protagonismo do Brasil na produção e exportação global de proteínas animais
Palestrante: Roberto Serroni Perosa, presidente da Abiec
15h20 – Intervalo e visitação aos estandes
Programação Técnica – Avicultura
15h50 – Tecnologias aplicadas para melhorar a sustentabilidade na produção de aves
Palestrante: Sebastião Aparecido Borges, doutor em Zootecnia
16h30 às 18h30 – Caso de sucesso no combate à Influenza aviária no litoral do Paraná, com o Rafael Gonçalves Dias, chefe do Departamento de Saúde Animal (DESA/Adapar); e Pauline Sperka de Souza, chefe da Divisão de Sanidade Avícola (DISAV/Adapar).
18h – Visitação aos estandes
20h – Coquetel da Carne Suína
20h – Jantar do Galo
22h – Encerramento
Quarta-feira (18)
Auditório Mário de Mari do Centro de Eventos da Fiep, em Curitiba (PR).
Programação Técnica – Suinocultura
08h15 – Tecnologias aplicadas para melhorar a sustentabilidade na produção de suínos
Palestrante: Thiago Cruz, doutor em Ciência Animal
09h às 11h30 – Programação Técnica da Adapar
Painel sobre Zona Livre de Febre Aftosa e Peste Suína Clássica
10h30 – Intervalo e visita aos estandes
Programação Técnica – Avicultura
Auditório Caio Amaral Gruber do Centro de Eventos da Fiep, em Curitiba (PR).
08h15 às 12h – Dimensão global sobre biosseguridade
Coordenação: professor Luiz Felipe Caron
Temas:
- Resiliência a crises sanitárias em cadeias globais de produção
- Estratégias sustentáveis em biosseguridade e produção animal
- Cooperação internacional e inovação em sanidade animal
- Biosseguridade como fator de competitividade global
- Plano de Contingência
11h20 – Painel de fechamento da palestra
12h – Encerramento
Eventos paralelos
Auditório Caio Amaral Gruber do Centro de Eventos da Fiep, em Curitiba (PR).
Segunda-feira (16)
Programação Técnica – Saúde Animal
08h30 às 12h – Reunião dos Comitês Coesa, Coesui e Coesaqua
Público-alvo: médicos-veterinários do Serviço Veterinário Oficial e da iniciativa privada, produtores e autoridades.
Pauta: Integração das cadeias produtivas e discussão de aspectos técnicos e legais
08h30 – Abertura: Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar.
09h às 09h40 – Palestra Coesa: Pauline Sperka de Souza, chefe da Divisão de Sanidade Avícola da Disav/Adapar; e Jurandir de Moura Junior, coordenador do Coesa
09h40 às 10h20 – Palestra Coesui: João Humberto Teotonio de Castro, chefe da Divisão de Sanidade dos Suínos da DISUI/Adapar.
10h20 às 11h – Palestra Coesaqua: Cláudio Cesar Sobezak, chefe da Divisão de Sanidade dos Animais Aquáticos da Disaq/Adapar.
11h às 11h40 – Assuntos gerais
11h40 às 12h – Encerramento
Programação Técnica – Inspeção de Produtos de Origem Animal
14h às 16h30 – Encontro dos Serviços de Inspeção Estaduais Público-alvo: representantes dos Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SIEs) dos Estados brasileiros.
Pauta:
- Apresentação, por estado, da atual situação dos Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal;
- Apresentação do Projeto Diga Sim ao SIM aos demais Estados;
- Portaria SDA/Mapa Nº 1.275, de 07 de maio de 2025 (Consulta Pública – Inspeção).
14h – Abertura: Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar.
14h10 – Apresentação Paraná: Mariza Koloda Henning, chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal do DPAV/Adapar.
14h30 – Apresentação dos Serviços de Inspeção Estaduais: Palestrantes dos estados: Minas Gerais, Rondônia, Tocantins, Distrito Federal, Acre e Goiás.
15h – Intervalo
15h10 – Apresentação dos Serviços de Inspeção Estaduais: Palestrantes dos estados: Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Amazonas.
15h50 – Apresentação do Projeto Diga Sim ao SIM: Gilson de Assis Sales, subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Seapa/MG.
16h30 – Encerramento
Terça-feira (17)
Inspeção de Produtos de Origem Animal
08h30 às 12h – 1ª Reunião dos Gestores Estaduais dos Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal
Público-alvo: representantes dos Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SIEs) dos estados brasileiros e dos SIMs.
Pauta:
- Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários (SISBI’s);
- Processo de adesão simplificado para SIM e SIE;
- Sua importância para o desenvolvimento do setor de Produtos de Origem Animal.
08h30 – Abertura: Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar 08h45 – Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários (SISBI’s): Cezar Augusto Pian, chefe da Divisão de Defesa Agropecuária do Mapa/DDA/SFA-PR.
09h15 – Apresentação do Consórcio Metropolitano de Serviços do Paraná (Comesp), com a diretora geral Daniela Cavalcanti.
09h45 – Intervalo
10h – Autoavaliação para Integração dos SIMs e SIEs ao SISBI/Mapa.
10h30 – Apresentação das Iniciativas do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná: Adolfo Yoshiaki Sasaki, presidente do CRMV/PR.
10h45 – Apresentação das iniciativas do Sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná: Cezar Amin Pasqualin, presidente do Sindivet/PR.
11h – Portaria em Consulta Pública – SDA/Mapa Nº 1.275, de 07 de maio de 2025: Mariza Koloda Henning, chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal da DPAV/Adapar.
12h – Encerramento
Quarta-feira (18)
Inspeção de Produtos de Origem Animal – DESA/Adapar
09h às 10h30 – Painel Zona Livre de Febre Aftosa no Paraná
Público-Alvo: médicos-veterinários do Serviço Veterinário Oficial e da iniciativa privada, produtores e autoridades. Pauta: Obtenção, manutenção e ganhos com a conquista do status de área livre.
Palestrantes: Rafael Gonçalves Dias, chefe do Departamento de Saúde Animal (DESA/Adapar); e Walter de Carvalho Ribeirete, chefe da Divisão de Vigilância para Febre Aftosa (DIVFA/Adapar).
10h30 – Encerramento

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Resultados de pesquisa fortalecem a tomada de decisão no campo
Iniciativas da Aprosoja MT e do Iagro MT, auxiliam produtores com dados técnicos para manejo, redução de riscos e aumento da eficiência produtiva.

A pesquisa tem papel fundamental na tomada de decisões no campo, especialmente em momentos estratégicos como o atual, em que a segunda safra de milho já está em desenvolvimento. É nesse período que o produtor acompanha o desempenho da lavoura, observa os impactos das escolhas feitas no plantio e no manejo, e começa a avaliar, de forma mais concreta, o que está funcionando e o que pode ser ajustado.
Nesse cenário, os centros tecnológicos (CTECNOS), iniciativa da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), em parceria com o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), ganham ainda mais relevância ao aproximar o produtor da informação técnica.

Foto: Divulgação
Os trabalhos desenvolvidos nos CTECNOS se destacam como importantes aliados ao oferecerem dados técnicos comparativos e resultados de pesquisas aplicadas à realidade do campo. As informações geradas nesses espaços contribuem para orientar decisões ainda durante a safra, além de servirem como base para o planejamento do próximo ciclo, com foco em maior eficiência produtiva, redução de riscos e melhor aproveitamento dos recursos.
O vice-presidente oeste, Gilson Antunes de Melo, ressalta que a agricultura mato-grossense se destacou e continua se destacando, em grande parte, devido à pesquisa. Tanto no milho quanto na soja, assim como em outras culturas, grande parte da tecnologia aplicada no dia a dia da lavoura é resultado de estudos e pesquisas desenvolvidas.
“Os CTECNOS têm um papel fundamental nesse processo. Eles realizam uma pesquisa diferenciada, pois partem das demandas do próprio produtor. Quando surge uma dúvida no campo, essa necessidade é levada ao CTECNO, que, por meio de estudos, valida e retorna os resultados ao produtor. Dessa forma, há maior confiança nas informações apresentadas, o que facilita a adoção das práticas na lavoura e contribui para a obtenção de melhores resultados”, destaca Gilson.

Foto: Jaelson Lucas/AEN
O coordenador do CTECNO Araguaia, André Somavilla, explica que o período de colheita da soja é fundamental para o potencial produtivo da lavoura do milho. Ele destaca que, se a soja for semeada de forma mais tardia, fazendo com que a colheita avance para os meses de fevereiro/março, consequentemente a entrada da cultura do milho também ocorrerá mais tarde.
“Basicamente, o período vegetativo do milho vai corresponder ao período em que ainda há ocorrência de chuvas, que, em anos normais, se estende até início de abril. Então, o período de colheita da soja impacta diretamente na disponibilidade hídrica para a segunda safra. E a pesquisa se encaixa perfeitamente nesse momento de colheita da soja e plantio da segunda safra, de modo que a gente consegue estimar os potenciais de risco para cada região”, complementa o coordenador.

Foto: Divulgação
Para a pesquisadora do CTECNO Parecis, Daniela Basso Facco, os resultados obtidos nos centros de pesquisa, ajudam os produtores desde o planejamento da lavoura até a fase de condução dos tratos culturais. “Desde a semeadura, os resultados das vitrines de híbridos, por exemplo, podem auxiliar os produtores na escolha do híbrido, no posicionamento em função do ambiente e da época de semeadura”, explica Daniela Basso Facco.
Neste mês, a programação dos CTECNOS ganha reforço com a realização das visitas técnicas nos centros Araguaia e Parecis. Os encontros acontecem nos dias 23 e 29 de abril, respectivamente, e serão uma oportunidade para que produtores e profissionais do agro acompanhem de perto os resultados das pesquisas e levem esse conhecimento para a prática no campo.
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Gramíneas elevam produtividade da soja em até 15% no Brasil
Estudo com 55 pesquisas em 33 localidades aponta ganhos de até 515 kg por hectare e melhora na saúde do solo.

Uma análise em escala nacional confirmou o potencial das gramíneas tropicais de raízes profundas, como a braquiária, para impulsionar a produtividade da soja e promover a saúde do solo. O estudo, liderado pela Embrapa e publicado na Revista Agronomy, consolida evidências de diferentes pesquisas realizadas no Brasil e reforça o papel dessas plantas na intensificação sustentável da agricultura.

Foto à direita: Lourival Vilela (sistema radicular de braquiária)
As informações foram obtidas a partir de uma meta-análise conduzida por pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF), em parceria com a Embrapa Solos (RJ), o Instituto Federal Catarinense (IFC) e a Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR). A meta-análise é um método científico que reúne e analisa resultados de diversos estudos sobre um mesmo tema, permitindo conclusões mais robustas.
“As gramíneas tropicais estão cada vez mais presentes nos sistemas agrícolas brasileiros. No entanto, ainda faltava uma avaliação em escala nacional sobre os impactos dessa prática na saúde do solo e na produtividade da soja. Realizamos esse trabalho para cobrir essa lacuna”, afirmou a pesquisadora da Embrapa Cerrados Ieda Mendes.
Segundo Mendes, a meta-análise publicada na revista Agronomy utilizou 55 trabalhos publicados até fevereiro de 2026 (confira critérios de inclusão no quadro abaixo), abrangendo ensaios de campo conduzidos em 33 localidades no Brasil. O objetivo foi avaliar os efeitos de gramíneas tropicais de raízes profundas, utilizadas como culturas antecessoras (plantas cultivadas antes da implantação da cultura principal anual), sobre indicadores biológicos da saúde do solo e a produtividade da soja.
Resultados
Os resultados mostraram que as gramíneas tropicais de raízes profundas, especialmente do gênero Urochloa (antes chamado Brachiaria, que originou o termo braquiária), promovem aumento de 15% na produtividade da soja, o que representa um incremento médio de 515 kg por hectare e uma receita adicional de US$ 198 por hectare. A análise de diferentes espécies forrageiras, sistemas de manejo, cultivares de soja e condições edafoclimáticas indicou efeitos positivos em todas as situações avaliadas.
No caso das braquiárias, considerando que são utilizados de 3 a 10 kg por hectare de sementes para o seu estabelecimento, com preço médio de três dólares por quilo, o custo para sua introdução nos agroecossistemas é relativamente baixo, variando entre US$ 9 e US$ 30 por hectare.
De acordo com a pesquisadora, os indicadores de saúde do solo nas áreas cultivadas com as braquiárias também apresentaram incrementos expressivos, com destaque para a atividade das enzimas arilsulfatase (+35%) e β-glicosidase (+31%), seguidas pela fosfatase ácida (+20%), e pelo carbono da biomassa microbiana (+24%) e carbono orgânico (+11%).

Efeito de gramíneas tropicais de raízes profundas como culturas antecessoras, na produtividade de grãos de soja e atributos do solo (atividade enzimática, biomassa microbiana e carbono orgânico total). Os valores representam as médias dos efeitos, e as barras horizontais indicam os intervalos de confiança de 95%, com o número de comparações apresentado entre parênteses. Os círculos pretos indicam a média do efeito para cada variável. A área em verde destaca a produtividade de grãos de soja como a principal variável de resposta agronômica
“De forma geral, as enzimas do solo responderam com maior intensidade ao uso de gramíneas tropicais, com aumentos médios de cerca de 31% — quase três vezes superiores aos observados para o carbono orgânico. Esse resultado reforça o potencial dessas enzimas como indicadores sensíveis das mudanças na saúde do solo. É importante destacar que durante a busca na literatura foram identificadas publicações sobre os efeitos das gramíneas tropicais nos atributos químicos e físicos do solo. No entanto, devido ao baixo número de comparações disponíveis, esses estudos não puderam ser incluídos na meta-análise”, explicou a pesquisadora.
Das 55 publicações avaliadas, nenhuma corresponde ao período entre 2000 e 2010. Dezoito estudos foram publicados entre 2011 e 2020, enquanto 37 foram publicados entre 2021 e 2025. Esse aumento expressivo ao longo do tempo reflete o crescente interesse pelo uso de gramíneas de raízes profundas na agricultura brasileira.
Outro dado relevante é que, de um total de 173 comparações avaliadas, 154 apresentaram ganhos de produtividade, variando de 30 a 2.200 kg por hectare. Apenas 19 comparações (11%) indicaram reduções, com perdas entre 11 e 672 kg por hectare. Na maioria dos casos, essas reduções não foram estatisticamente significativas e estavam associadas a falhas de manejo no estabelecimento das gramíneas.
Segundo a pesquisadora, os resultados confirmam os efeitos benéficos das gramíneas tropicais de raízes profundas e destacam sua contribuição para a intensificação sustentável dos sistemas agrícolas tropicais, especialmente pela capacidade de melhorar a saúde do solo. “Isso, por sua vez, resulta no aumento da produtividade da soja na maioria das condições agronômicas e ambientais”, afirmou.
Implicações para a intensificação sustentável
De acordo com a pesquisadora, essa meta-análise forneceu evidências robustas de que gramíneas tropicais de raízes profundas, especialmente espécies do gênero Urochloa, devem ser reconhecidas não apenas como plantas de cobertura, mas como poderosos insumos biológicos em sistemas agrícolas regenerativos e conservacionistas.
“Sua capacidade de fornecer múltiplos serviços ecossistêmicos — como a promoção da atividade microbiana, a melhoria da agregação do solo e da ciclagem de nutrientes, o aumento dos estoques de carbono orgânico e a maior infiltração de água — posiciona essas gramíneas na vanguarda das soluções baseadas na natureza para a intensificação sustentável”, afirma.
Nesse contexto, essas gramíneas funcionam como bioinsumos vivos, capazes de regenerar simultaneamente a saúde do solo e aumentar a produtividade das culturas. Segundo Ieda Mendes, essa abordagem amplia o conceito de bioinsumos: passa a incluir não apenas produtos formulados, mas também organismos vivos como as plantas, que interagem com os agroecossistemas para promover resiliência, eficiência e sustentabilidade.
“A adoção em larga escala dessas gramíneas como culturas antecessoras em sistemas de produção de soja representa, portanto, não apenas uma solução tecnológica, mas um investimento estratégico no solo como um ativo vivo, que reforça o papel central da funcionalidade biológica na promoção da sustentabilidade, da produtividade e da resiliência dos agroecossistemas”.
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Itaipu avalia potencial de ampliar geração com energia solar no reservatório
Estudos indicam capacidade teórica relevante ainda dependente de avanços técnicos regulatórios.

O reservatório de água da usina de Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai, na Região Sul do país, possui cerca de 1,3 mil quilômetros quadrados (km²) de perímetro, com quase 170 km de extensão, desde a barragem até o lado oposto, e uma largura média de 7 km entre as margens direita e esquerda.

Toda a capacidade hidrelétrica contida na área inundada do Rio Paraná, que move turbinas que geram até 14 mil megawatts (MW) de energia elétrica, também pode ser aproveitada para gerar eletricidade a partir de painéis solares instalados justamente sobre o espelho d’água. Esse é o experimento que vem sendo estudado por técnicos brasileiros e paraguaios desde o fim do ano passado.
Ao todo, foram instalados 1.584 painéis fotovoltaicos em uma área de menos de 10 mil metros quadrados (m²) sobre o lago, a apenas 15 metros de um trecho da margem no lado paraguaio, com profundidade de aproximadamente 7 metros.
A planta solar de Itaipu tem capacidade de gerar 1 megawatt-pico (MWp), unidade de medida para a capacidade máxima de geração de energia. Essa energia é equivalente ao consumo de 650 casas e só é utilizada para consumo interno, sem comercialização e sem ligação direta com a rede de geração hidrelétrica.
Na prática, o objetivo atual da “ilha solar” de Itaipu é funcionar como um laboratório de pesquisa para futuras aplicações comerciais. Os engenheiros envolvidos no projeto analisam todos os aspectos, como a interação das placas com o ambiente, incluindo eventuais impactos no comportamento de peixes e algas, na própria temperatura da água, influência dos ventos sobre o desempenho do painéis, a estabilidade da estrutura, dos flutuadores e da ancoragem com o solo.
A ideia, no futuro, é expandir a geração de energia elétrica por esta via, algo que precisará ser atualizado no próprio Tratado de Itaipu, assinado em 1973 entre Brasil e Paraguai e que viabilizou a colossal obra de engenharia compartilhada. “Se falarmos em um potencial bem teórico, uma área de 10% do reservatório, coberta com placas solares, seria o mesmo que outra usina de Itaipu, em termos de capacidade de geração. Claro que isso não está no planos, pois seria uma área muito grande e depende ainda de muitos estudos, mas mostra o potencial dessa pesquisa”, apontou o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Rogério Meneghetti.
Estimativas preliminares indicam que seriam necessários pelo menos quatro anos de tempo de instalação para atingir uma geração solar de 3 mil megawatts (algo como 20% da capacidade instalada da hidrelétrica atualmente).
O investimento é de US$ 854,5 mil (cerca de R$ 4,3 milhões na cotação atual). As obras de instalação foram tocadas por um consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution (brasileira) e Luxacril (paraguaia), vencedor da licitação.
Uma usina, muita fontes
A diversificação de fontes de energia na Itaipu Binacional não se limita aos estudos em energia solar, mas envolve projetos ousados com hidrogênio verde e baterias.
Essas iniciativas estão em desenvolvimento no Itaipu Parquetec, um ecossistema de inovação e tecnologia, criado em 2003 pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu (PR). Conta com parceria de universidades e empresas públicas e privadas e já formou mais de 550 doutores e mestres em diferentes áreas.
Ali, funciona o Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio, que desenvolve o hidrogênio verde. O hidrogênio é denominado “verde”, ou sustentável, porque ele pode ser obtido sem emissão de gás carbônico (CO₂), causador do efeito estufa e, por consequência, do aquecimento global.
A técnica usada no Itaipu Parquetec é o processo da eletrólise da água, que promove a separação dos elementos químicos a partir de moléculas como a da água (H₂O), por meio do uso de equipamentos em processos químicos automatizados feitos em laboratórios.
O hidrogênio verde é versátil e pode servir como insumo sustentável para a cadeia de produção industrial, incluindo siderúrgica, química, petroquímica, agrícola, alimentícia entre outras, e como combustível para o mercado de energia e transporte. Em Itaipu, uma planta de produção do hidrogênio verde serve como uma plataforma para desenvolvimento de projetos-piloto.
“Nós somos uma plataforma tecnológica, então trabalhamos para atender, por exemplo, projetos de pesquisa [científica] ou projetos para indústria nacional. Existem algumas empresas nacionais que estão fazendo seus desenvolvimentos de carreta [movida] a hidrogênio, de ônibus a hidrogênio, por exemplo. Aqui é o lugar para testar e validar esses projetos”, explica Daniel Cantani, gerente do Centro de Tecnologia de Hidrogênio do Itaipu Parquetec.
Uma dessas iniciativas foi apresentada durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, quando um barco movido a hidrogênio, a partir de uma pesquisa no Itaipu Parquetec, foi entregue para atuar na coleta seletiva das comunidades ribeirinhas no entorno da capital paraense.
Outro destaque no Itaipu Parquetec é um centro de gestão energética, que alavanca pesquisas na área de desenvolvimento de células e protótipos para fabricação e reaproveitamento de baterias, para o armazenamento de energia, especialmente em sistemas estacionários, voltados para empresas ou outras estações fixas, que demandam, por exemplo, uma reserva energética.
Biogás e SAF
A Itaipu também vem apostando na geração de biogás a partir de resíduos orgânicos gerados pelos restaurantes espalhados por diferentes alas da usina e de materiais apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA-Vigiagro), em fiscalização de fronteira.
Tudo isso, em vez de ser descartado em aterro, transforma-se em biogás e biometano.
A convite da Itaipu Binacional, a Agência Brasil acompanhou, no último dia 13 de abril, a reinauguração da Unidade de Demonstração de Biocombustíveis que fica no complexo da usina. O local é gerido pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), uma empresa fundada por Itaipu voltada a soluções na área de combustível limpo.
Por um processo de biodigestão realizado em grandes tanques, alimentos oriundos de contrabando e outros resíduos orgânicos gerados na região são transformados em combustível limpo, capaz de abastecer carros que circulam dentro de Itaipu, abastecidos por meio de cilindros de gás instalados nos veículos.
Em quase nove anos de operação, segundo a usina, foram processadas mais de 720 toneladas de resíduos orgânicos, volume que resultou na geração de biometano suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros, o equivalente a 12 voltas ao redor da Terra.
A planta também desenvolve, de forma experimental, o bio-syncrude, um óleo sintético que pode ser usado na produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação, na sigla em inglês).
“Eu acredito que nos próximos 10 anos, nós vamos ver muito sobre os combustíveis avançados. Vamos ouvir muito sobre o hidrogênio, sobre o SAF, inclusive por conta da lei de combustíveis futuro, que vem aí com mandato. Biometano e SAF são os assuntos do momento”, destaca Daiana Gotardo, diretora técnica do CIBiogás.





