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Brasil mira futuro da proteína animal com foco em tecnologia, sustentabilidade e novos mercados

Presidente da ABPA, Ricardo Santin, destaca caminhos para o setor continuar na liderança da produção mundial.

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Com uma produção voltada para exportação e alta tecnificação, o Brasil se prepara para encarar os desafios dos próximos anos no mercado global de proteínas animais. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, que aponta segurança alimentar, sustentabilidade e inovação como vetores centrais na transformação do setor até o fim da década.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “A inteligência artificial tem potencial para cruzar dados de clima, movimentação animal e biosseguridade, permitindo decisões preventivas mais assertivas” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Santin será um dos palestrantes do Alimenta – Congresso e Feira de Proteína Animal, evento que acontece de 16 a 18 de junho, no Campus da Indústria da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em Curitiba (PR). Inscrições seguem abertas e podem ser feitas pelo link alimentaexpo.com.br.

O presidente da ABPA participa do Painel Panorama global das proteínas animais: desafios e oportunidades”, programado para o dia 17 de junho, às 11 horas, no Auditório Mário de Mari. “Estamos diante de uma mudança de rota no consumo global. A demanda cresce, mas exige cada vez mais rastreabilidade, bem-estar animal e impacto ambiental reduzido”, afirma.

Adaptação e estratégia

Segundo Santin, o Brasil já vem respondendo às pressões internacionais com ajustes estruturais e tecnológicos. Investimentos em nutrição de precisão, biosseguridade e tecnologias digitais garantem vantagem competitiva em um cenário de exigências mais rígidas por parte dos importadores.

A diversificação geográfica também faz parte da estratégia. “Além da Ásia, vemos espaço para crescer na África, Oriente Médio e América Latina. O México, por exemplo, surge como mercado relevante diante da reorganização das cadeias globais”, avalia.

Para ampliar sua presença global, o especialista explica que o Brasil ainda precisa avançar em logística multimodal, modernização de portos e integração digital entre os elos da cadeia exportadora. A redução do custo Brasil e o estímulo a acordos comerciais e sanitários também são apontados como prioridades.

Na parte fiscal, Santin defende a adequação tributária que incentive a conversão de proteína vegetal em animal, além da ampliação da malha ferroviária e do uso de plataformas digitais para tornar os processos mais ágeis.

Tecnologia como aliada

Ferramentas de inteligência artificial e big data já são realidade em sistemas de monitoramento zoossanitário. O presidente da ABPA afirma que a entidade, por exemplo, utiliza uma base com mais de três bilhões de dados, capaz de antecipar riscos e orientar decisões de mercado. “A inteligência artificial tem potencial para cruzar dados de clima, movimentação animal e biosseguridade, permitindo decisões preventivas mais assertivas”, pontua.

Ele salienta ainda que a adoção de tecnologias digitais é uma das prioridades da nova fase do convênio entre ABPA e ApexBrasil, que inclui inovação como pilar estratégico para a inserção internacional da proteína brasileira.

Santin também destaca mudanças no perfil do consumidor. As tendências mais relevantes incluem a busca por produtos com menor impacto ambiental, rastreáveis, com garantias de bem-estar animal e saudabilidade. “A demanda por proteína animal não está diminuindo, mas se sofisticando. Produtos com certificações ESG, novas formas de apresentação e comunicação transparente com o consumidor tendem a ganhar espaço”, esclarece, salientando que a complementaridade com proteínas alternativas e alimentos funcionais também aparece no radar do setor.

Quem faz o evento acontecer

O Alimenta – Congresso e Feira de Proteína Animal é uma realização de O Presente Rural, em parceira com a Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-graduação (Fundep), Holus Comunicação e Sindiavipar.

O evento conta com a Vaccinar como expositora platinum e com a participação de empresas expositoras como Agrifirm, Alivira, Aviagen, Biocamp, Boehringer Ingelheim, Biochem, Buchi Brasil, Cobb, De Heus, Feedis, Huvepharma, Mebrafe, Imeve, Oligo Basics, Ourofino, Prado, Poly Sell, Provita, Sanex, Sauvet, Suiaves, Zheng Chang do Brasil, Phibro e Natural BR Feed.

Tem o apoio da Fiep e da Frimesa, além do apoio institucional de importantes entidades do setor: Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Associação Nacional dos Fabricantes de Equipamentos para Aves e Suínos (Anfeas), Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), Associação Sul-mato-grossense de Suinocultores (Asumas), Asgav, Coopavel e Embrapa Suínos e Aves.

Programação Alimenta – Congresso e Feira Internacional de Proteína Animal

Segunda-feira (16)

Auditório Mário de Mari do Centro de Eventos da Fiep, em Curitiba (PR).

08h às 18h – Inscrições e entrega de credenciais
14h – Painel de Lideranças – Desafios Economia e Mercados das Proteínas Animais

Coordenador: José Antonio Ribas Júnior
Participantes:

  • Elias José Zydek – Presidente executivo da Frimesa Cooperativa Central
  • Fabio Stumpf – BRF
  • Irineo da Costa Rodrigues – Presidente da Lar Cooperativa
  • Ricardo Santin – Presidente da ABPA
  • Roberto Kaefer – Presidente do Sindiavipar
  • Jacir Dariva – Presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS)
  • Losivanio de Lorenzi – Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS)
  • Valdecir Folador – Presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs)

16h – Intervalo e visitação aos estandes

16h30Palestra magna: Cenário global das proteínas animais: passado, presente e futuro

Palestrante: Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco Brics.

18h – Solenidade de abertura

19h – Coquetel de boas-vindas e visitação aos estandes

22h – Encerramento

Terça-feira (17)

Auditório Mário de Mari, do Centro de Eventos da Fiep, em Curitiba (PR).

08h30 – Mercado Global: barreiras que o agro brasileiro deve superar para tornar perene o protagonismo na produção e exportação de proteínas animais
Palestrante: Antônio Cabrera Mano Filho, médico-veterinário e ex-ministro da Agricultura

09h30 – Coffee break e visitação aos estandes

10h – Desafios na abertura de novos mercados
Palestrante: Paulo Guedes, ex-ministro da Economia

11h – Panorama global e como o Brasil deve se preparar para os desafios no mercado global de proteínas animais
Palestrante: Ricardo Santin, presidente da ABPA

12h – Intervalo para almoço e visitação aos estandes

14h – Panorama global no mercado de proteínas animais: o que vendemos e o que o mundo espera de nós
Palestrante: Luis Renato de Alcantara Rua, economista e secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa

14h40 – Diplomacia geopolítica e protagonismo do Brasil na produção e exportação global de proteínas animais
Palestrante: Roberto Serroni Perosa, presidente da Abiec

15h20 – Intervalo e visitação aos estandes

Programação Técnica – Avicultura

15h50 – Tecnologias aplicadas para melhorar a sustentabilidade na produção de aves

Palestrante: Sebastião Aparecido Borges, doutor em Zootecnia

16h30 às 18h30 – Caso de sucesso no combate à Influenza aviária no litoral do Paraná, com o Rafael Gonçalves Dias, chefe do Departamento de Saúde Animal (DESA/Adapar); e Pauline Sperka de Souza, chefe da Divisão de Sanidade Avícola (DISAV/Adapar).

18h – Visitação aos estandes

20h – Coquetel da Carne Suína

20h – Jantar do Galo

22h – Encerramento

Quarta-feira (18)

Auditório Mário de Mari do Centro de Eventos da Fiep, em Curitiba (PR).

Programação Técnica – Suinocultura

08h15 – Tecnologias aplicadas para melhorar a sustentabilidade na produção de suínos

Palestrante: Thiago Cruz, doutor em Ciência Animal

09h às 11h30 – Programação Técnica da Adapar

Painel sobre Zona Livre de Febre Aftosa e Peste Suína Clássica

10h30 – Intervalo e visita aos estandes

Programação Técnica – Avicultura

Auditório Caio Amaral Gruber do Centro de Eventos da Fiep, em Curitiba (PR).

08h15 às 12h – Dimensão global sobre biosseguridade
Coordenação: professor Luiz Felipe Caron
Temas:

  1. Resiliência a crises sanitárias em cadeias globais de produção
  2. Estratégias sustentáveis em biosseguridade e produção animal
  3. Cooperação internacional e inovação em sanidade animal
  4. Biosseguridade como fator de competitividade global
  5. Plano de Contingência

11h20 – Painel de fechamento da palestra

12h – Encerramento

 

Eventos paralelos

Auditório Caio Amaral Gruber do Centro de Eventos da Fiep, em Curitiba (PR).

Segunda-feira (16)

Programação Técnica – Saúde Animal

08h30 às 12h – Reunião dos Comitês Coesa, Coesui e Coesaqua

Público-alvo: médicos-veterinários do Serviço Veterinário Oficial e da iniciativa privada, produtores e autoridades.

Pauta: Integração das cadeias produtivas e discussão de aspectos técnicos e legais

08h30 – Abertura: Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar.

09h às 09h40 – Palestra Coesa: Pauline Sperka de Souza, chefe da Divisão de Sanidade Avícola da Disav/Adapar; e Jurandir de Moura Junior, coordenador do Coesa

09h40 às 10h20 – Palestra Coesui: João Humberto Teotonio de Castro, chefe da Divisão de Sanidade dos Suínos da DISUI/Adapar.

10h20 às 11h – Palestra Coesaqua: Cláudio Cesar Sobezak, chefe da Divisão de Sanidade dos Animais Aquáticos da Disaq/Adapar.

11h às 11h40 – Assuntos gerais

11h40 às 12h – Encerramento

Programação Técnica – Inspeção de Produtos de Origem Animal

14h às 16h30 – Encontro dos Serviços de Inspeção Estaduais Público-alvo: representantes dos Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SIEs) dos Estados brasileiros.

Pauta:

  • Apresentação, por estado, da atual situação dos Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal;
  • Apresentação do Projeto Diga Sim ao SIM aos demais Estados;
  • Portaria SDA/Mapa Nº 1.275, de 07 de maio de 2025 (Consulta Pública – Inspeção).

14h – Abertura: Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar.

14h10 – Apresentação Paraná: Mariza Koloda Henning, chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal do DPAV/Adapar.

14h30 – Apresentação dos Serviços de Inspeção Estaduais: Palestrantes dos estados: Minas Gerais, Rondônia, Tocantins, Distrito Federal, Acre e Goiás.

15h – Intervalo

15h10 – Apresentação dos Serviços de Inspeção Estaduais: Palestrantes dos estados: Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Amazonas.

15h50 – Apresentação do Projeto Diga Sim ao SIM: Gilson de Assis Sales, subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Seapa/MG.

16h30 – Encerramento

Terça-feira (17)

Inspeção de Produtos de Origem Animal

08h30 às 12h – 1ª Reunião dos Gestores Estaduais dos Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal

Público-alvo: representantes dos Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SIEs) dos estados brasileiros e dos SIMs.

Pauta:

  • Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários (SISBI’s);
  • Processo de adesão simplificado para SIM e SIE;
  • Sua importância para o desenvolvimento do setor de Produtos de Origem Animal.

08h30 – Abertura: Otamir Cesar Martins, presidente da Adapar 08h45 – Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos e Insumos Agropecuários (SISBI’s): Cezar Augusto Pian, chefe da Divisão de Defesa Agropecuária do Mapa/DDA/SFA-PR.

09h15 – Apresentação do Consórcio Metropolitano de Serviços do Paraná (Comesp), com a diretora geral Daniela Cavalcanti.

09h45 – Intervalo

10h – Autoavaliação para Integração dos SIMs e SIEs ao SISBI/Mapa.

10h30 – Apresentação das Iniciativas do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná: Adolfo Yoshiaki Sasaki, presidente do CRMV/PR.

10h45 – Apresentação das iniciativas do Sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná: Cezar Amin Pasqualin, presidente do Sindivet/PR.

11h – Portaria em Consulta Pública – SDA/Mapa Nº 1.275, de 07 de maio de 2025: Mariza Koloda Henning, chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal da DPAV/Adapar.

12h – Encerramento

Quarta-feira (18)

Inspeção de Produtos de Origem Animal – DESA/Adapar

09h às 10h30 – Painel Zona Livre de Febre Aftosa no Paraná

Público-Alvo: médicos-veterinários do Serviço Veterinário Oficial e da iniciativa privada, produtores e autoridades. Pauta: Obtenção, manutenção e ganhos com a conquista do status de área livre.

Palestrantes: Rafael Gonçalves Dias, chefe do Departamento de Saúde Animal (DESA/Adapar); e Walter de Carvalho Ribeirete, chefe da Divisão de Vigilância para Febre Aftosa (DIVFA/Adapar).

10h30 – Encerramento

Fonte: Assessoria Alimenta

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Soja, bovinos e milho impulsionam crescimento do VBP do Maranhão em 2025

As três principais cadeias produtivas responderam pela maior parte do faturamento agropecuário estadual, que somou R$ 18 bilhões no ano e registrou recuperação frente a 2024.

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Foto: Divulgação

O Valor Bruto da Produção (VBP) do Maranhão encerrou o ciclo de 2025 com um faturamento de R$ 17.972,23 milhões. O resultado aponta para uma recuperação sólida de 10,56% em relação aos R$ 16.255 milhões registrados em 2024. No entanto, o crescimento local ocorre em um ritmo inferior à dinâmica nacional: enquanto o Brasil viu seu VBP saltar 15,2% no mesmo período (de R$ 1,22 trilhão para R$ 1,41 trilhão), o Maranhão perdeu espaço relativo, reafirmando sua posição como o 13° do VBP agropecuário entre as unidades da federação.

A participação do Maranhão no VBP brasileiro é de apenas 1,27%. Embora o estado apresente uma trajetória de recuperação após a queda acentuada vista em 2023 (R$ 16,6 bilhões), ele não consegue acompanhar a tração dos grandes estados produtores. O Mato Grosso, líder do ranking, fatura R$ 220,4 bilhões — um montante doze vezes superior ao maranhense. Na prática, o estado opera em uma “ilha” de baixa representatividade, onde o crescimento nominal de R$ 1,7 bilhão em um ano não é suficiente para alterar sua relevância no cenário macroeconômico do país.

Soja e Pecuária

A composição do agro maranhense é amplamente dominada pelas lavouras, que respondem por 76% (R$ 13,7 bilhões) do faturamento, enquanto a pecuária detém 24% (R$ 4,2 bilhões).

As 5 principais atividades em 2025:

  1. Soja: R$ 8.668,4 milhões

  2. Bovinos: R$ 3.872,7 milhões

  3. Milho: R$ 2.937,6 milhões

  4. Mandioca: R$ 618,9 milhões

  5. Algodão: R$ 529,8 milhões

No segmento de proteínas animais, além dos bovinos, destaca-se a produção de Ovos (R$ 205,7 milhões), Leite (R$ 101,8 milhões) e Suínos (R$ 45,5 milhões). O setor de Frangos, com R$ 18,6 milhões, permanece como uma atividade de baixa escala no estado. O Trigo não possui registro de produção relevante nos dados apresentados.

O gráfico histórico (2018–2025) revela que o Maranhão vive um movimento de “andatire”: após um crescimento acelerado entre 2019 e 2022, quando atingiu o pico de R$ 18,4 bilhões, o estado sofreu dois anos de retração (2023 e 2024). O resultado de 2025 marca o fim da tendência de queda, mas ainda situa o estado abaixo do patamar recorde de três anos atrás. Isso indica que o crescimento atual é majoritariamente nominal, reflexo de uma recuperação de preços ou áreas específicas, e não necessariamente uma expansão estrutural da base produtiva.

Os dados indicam que o agronegócio maranhense enfrenta uma dependência severa de um “tripé” composto por Soja, Bovinos e Milho, que juntos somam R$ 15,4 bilhões, ou 86% de todo o VBP estadual. A fragilidade reside na retração de culturas de subsistência e mercado interno, como feijão e mandioca, além da queda na cana-de-açúcar. Com a menor participação nacional (1,27%), o estado permanece vulnerável às oscilações de preços de commodities globais, sem possuir uma base de diversificação agrícola ou industrialização de proteína animal (frangos e suínos) forte o suficiente para elevar seu patamar no ranking brasileiro.

A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Carnes e café passam a dividir protagonismo com a soja nas exportações do agro

Proteínas animais ganham espaço em valor e volume, enquanto a soja mantém liderança, mas perde participação relativa no comércio exterior.

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Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com desempenho histórico no comércio exterior, consolidando-se como o principal motor da balança comercial do país. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados no Radar Agro da Consultoria Agro Itaú BBA, as exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões no ano, superando o recorde anterior registrado em 2023. As importações também atingiram o maior patamar da série, com US$ 20,1 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 149,1 bilhões, alta de 2,8% em relação a 2024.

O resultado reforça o peso do agronegócio na economia brasileira. Em 2025, o setor respondeu por 49% de toda a receita obtida pelo Brasil com exportações, mantendo participação elevada e estável em relação aos dois anos anteriores. A trajetória confirma a centralidade do agro no desempenho externo do país ao longo da última década, com crescimento expressivo especialmente a partir de 2021.

O avanço foi impulsionado por diferentes cadeias produtivas, com destaque para a soja, as proteínas animais e o café.

No complexo soja, os embarques de grãos atingiram 108 milhões de toneladas, crescimento de 10% em volume na comparação anual.

Apesar da queda de 7% no preço médio, para US$ 402,4 por tonelada, a receita alcançou US$ 43,53 bilhões. Os derivados também mantiveram relevância: o farelo de soja somou 23 milhões de toneladas exportadas, enquanto o óleo de soja permaneceu estável em 1,4 milhão de toneladas, com aumento de 11% no preço médio.

No segmento de proteínas animais, os números também foram expressivos. As exportações de carne bovina in natura totalizaram 3,1 milhões de toneladas, alta de 21% em volume, com valorização de 17% no preço médio, o que resultou em receita de US$ 16,61 bilhões, recorde histórico.

A carne suína in natura embarcou 1,3 milhão de toneladas, crescimento de 12%, com faturamento de US$ 3,37 bilhões. Já a carne de frango in natura apresentou retração de 6% nos envios, reflexo direto da ocorrência de gripe aviária em maio de 2025, que levou ao fechamento temporário de mercados importantes. Ainda assim, considerando todos os embarques do setor avícola, incluindo industrializados e miúdos, houve leve crescimento de 0,1% no total exportado.

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

Outro destaque do ano foi o café verde. Mesmo com queda de 18% no volume embarcado, o forte avanço dos preços internacionais, alta de 60% no comparativo anual, levou a um faturamento recorde de US$ 14,9 bilhões, ampliando a participação do produto na cesta de exportações do agronegócio.

Em contraste, o complexo sucroenergético enfrentou um ano mais desafiador. O açúcar VHP teve queda de 12% no volume exportado, enquanto o açúcar refinado recuou 10%, ambos impactados pela combinação de preços mais baixos e maior oferta global. O etanol também apresentou retração de 15% nos embarques, apesar da leve alta no preço médio.

Na análise da composição da pauta exportadora, a soja manteve liderança, com 26% do valor total exportado pelo agronegócio em 2025, repetindo o desempenho do ano anterior.

A carne bovina ganhou espaço, ampliando sua participação em 2,7 pontos percentuais, impulsionada pelos recordes de volume e receita. O café verde também avançou, com incremento de 1,9 ponto percentual, refletindo a valorização dos preços.

Quanto aos destinos, a China permaneceu como principal parceiro comercial do agro brasileiro, com compras de US$ 55,3 bilhões, crescimento de 11,3% em relação a 2024. Soja, carne bovina e celulose lideraram os envios ao mercado chinês.

A União Europeia ocupou a segunda posição em receita, com US$ 25,2 bilhões, alta de 8,6%, tendo café, soja, farelo de soja e celulose como principais produtos. Já os Estados Unidos responderam por 6,7% das exportações, com US$ 11,4 bilhões, queda de 5,6% frente ao ano anterior, influenciada pelas tarifas ainda vigentes sobre alguns produtos brasileiros.

Os dados de 2025 confirmam a robustez e a diversificação do agronegócio brasileiro, que, mesmo diante de oscilações de preços, barreiras sanitárias e mudanças no cenário internacional, manteve capacidade de geração de divisas e sustentou o superávit da balança comercial do país.

Fonte: O Presente Rural com informações Radar Agro da Consultoria Agro Itaú BBA
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IAT amplia lista e dispensa 27 atividades agropecuárias de licenciamento ambiental no Paraná

Nova regulamentação reconhece baixo potencial poluidor de empreendimentos rurais e busca dar mais agilidade aos processos no campo.

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Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST

O Instituto Água e Terra (IAT) publicou nesta semana uma nova regulamentação que classifica alguns tipos de empreendimentos agrícolas como inexigíveis de licenciamento ambiental no Paraná. Entre os itens da Instrução Normativa IAT Nº 01/2026, está uma lista de 27 tipos de atividades agropecuárias de insignificante potencial poluidor e degradador do meio ambiente, que passam agora a ser isentas da necessidade do processo licenciatório. Os responsáveis por essas atividades podem agora solicitar ao órgão ambiental a Declaração de Inexigibilidade de Licença Ambiental (DILA), caso exista a necessidade comprovar a categorização.

Para entrar nessa classificação, os empreendimentos devem atender a um conjunto de exigências. Elas incluem não necessitar de acompanhamento de aspectos de controle ambiental pelo Instituto; não estar localizada em uma área ambientalmente frágil ou protegida; e não necessitar da supressão de vegetação nativa. Além disso, devem ser respeitadas condições estabelecidas pelas legislações municipais vigentes.

Entre as atividades englobadas destacam-se benfeitorias e equipamentos necessários ao manejo da apicultura fixa e migratória; cultivo de flores e plantas ornamentais; aquisição de equipamentos e instalações de estrutura de apoio para plantio em ambiente protegido (casas de vegetação/estufas); aquisição de máquinas, motores, reversores, guinchos, sistemas de refrigeração e armazenagem de pescado;  implantação de viveiros de mudas florestais; adequação do solo para o plantio; e pecuária extensiva, exceto bovinocultura.

Segundo a diretora de Licenciamento e Outorga do IAT, Ivonete Coelho da Silva Chaves, essa classificação de inexigibilidade de licenciamento vem para agilizar o processo para os agricultores. Como são atividades de baixo impacto ambiental, eles não precisam passar pelo processo licenciatório simplificado ou trifásico, que é aplicado em empreendimentos com médio e alto potencial poluidor. “Também não existe a obrigatoriedade da emissão da DILA, que pode ser solicitada apenas se for requisitada para o proprietário por um órgão que exige uma comprovação da inexigibilidade, como um banco por exemplo”, explica.

Licenciamento

O Licenciamento Ambiental é um procedimento administrativo emitido pelo IAT que autoriza a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.

Para mais informações sobre o processo de licenciamento ambiental no Estado do Paraná, é possível consultar o site do Instituto Água e Terra.

Fonte: AEN-PR
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